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Remessa de lucros cresce 117% e déficit externo chega a US$ 3 bi em junho

Por Redação

25 de julho de 2019 : 12h42

Os números do BC divulgados hoje mostram que os brasileiros estão exportando menos, viajando menos, porém enviando mais lucros ao exterior.

Segundo o “Relatório do Setor Externo“, houve um aumento de 117%, em junho deste ano, no envio de lucros e dividendos para o exterior, na comparação com mesmo mês de 2018, totalizando uma “despesa líquida” US$ 2,9 bilhões no mês. Com isso, o déficit em renda primária subiu 62% em junho (sobre ano anterior) e atingiu US$ 4,1 bilhões.

Isso puxou fortemente para baixo o resultado total de nossas transações correntes, cujo déficit explodiu para quase US$ 3 bilhões em junho. Para efeito de comparação, em junho do ano passado, o Brasil registrou superávit de US$ 160 milhões em suas transações correntes.

E isso aconteceu mesmo com a redução das despesas de brasileiros com viagens ao exterior.

Em junho de 2019, o déficit em transações correntes totalizou US$2,9 bilhões, comparativamente a superávit de US$160 milhões em junho de 2018. Houve redução no saldo positivo da balança comercial de bens, de US$5,5 bilhões para US$4,3 bilhões, e aumento do déficit em renda primária, de US$2,5 bilhões para US$4,1 bilhões.

(…) Em junho de 2019, o déficit em renda primária aumentou 62,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, atingindo US$4,1 bilhões. A elevação do déficit mensal decorreu de maiores despesas líquidas de lucros e dividendos, US$2,9 bilhões, 117,3% acima das despesas líquidas de US$1,3 bilhão ocorridas em junho de 2018.

 

No BC

Estatísticas do setor externo
1. Balanço de pagamentos

Em junho de 2019, o déficit em transações correntes totalizou US$2,9 bilhões, comparativamente a superávit de US$160 milhões em junho de 2018. Houve redução no saldo positivo da balança comercial de bens, de US$5,5 bilhões para US$4,3 bilhões, e aumento do déficit em renda primária, de US$2,5 bilhões para US$4,1 bilhões. O déficit em transações correntes somou US$17,1 bilhões (0,91% do PIB) nos doze meses encerrados em junho, ante déficit de US$14,0 bilhões (0,75% do PIB) no período encerrado no mês anterior.

Em junho, as exportações de bens totalizaram US$18,0 bilhões, recuo de 10,8% ante o mês correspondente de 2018, explicado principalmente pelas retrações nas receitas de exportação do complexo soja, e de manufaturados para a Argentina. Na mesma base de comparação, as importações de bens caíram 6,7%, alcançando US$13,7 bilhões. No acumulado do ano, as exportações recuaram 1,5%, enquanto as importações aumentaram 1,1%, resultando em diminuição de 9,7% no saldo comercial, que atingiu US$24,8 bilhões no primeiro semestre de 2019.

O déficit na conta de serviços atingiu US$3,3 bilhões no mês, 10,0% superior ao resultado de junho de 2018. Houve aumento nas despesas líquidas de serviços de propriedade intelectual, de US$230 milhões para US$357 milhões, assim como diminuição das receitas líquidas de outros serviços de negócio, de US$524 milhões para US$387 milhões. Apesar do incremento no mês, o déficit em serviços alcançou US$16,0 bilhões no acumulado do ano, até junho, redução de 3,7% em relação ao mesmo período de 2018.

Em junho de 2019, o déficit em renda primária aumentou 62,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, atingindo US$4,1 bilhões. A elevação do déficit mensal decorreu de maiores despesas líquidas de lucros e dividendos, US$2,9 bilhões, 117,3% acima das despesas líquidas de US$1,3 bilhão ocorridas em junho de 2018. Já as despesas líquidas de juros somaram US$1,2 bilhão, redução de 0,6% na comparação interanual, destacando-se aumento de 8,5% nas receitas brutas de juros, com a maior rentabilidade das reservas internacionais. Com efeito, no acumulado do ano, o déficit em renda primária aumentou 4,0% em relação ao mesmo período de 2018, alcançando US$20,9 bilhões.

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$2,2 bilhões no mês, resultado de ingressos líquidos de US$3,6 bilhões em participação no capital, e saídas líquidas de US$1,4 bilhão em operações intercompanhia. No primeiro semestre de 2019, os ingressos líquidos de IDP somaram US$37,3 bilhões, 10,4% superiores aos US$33,8 bilhões observados no período correspondente de 2018. No acumulado em 12 meses até junho, os ingressos líquidos de IDP totalizaram US$91,8 bilhões, equivalentes a 4,91% do PIB (US$96,6 bilhões e 5,17% do PIB no acumulado em 12 meses até maio).

Em junho, houve saídas líquidas de US$590 milhões em instrumentos de portfólio negociados no mercado doméstico, resultado similar ao observado nos três meses anteriores. No ano, até junho, as entradas líquidas de US$9,1 bilhões em instrumentos negociados no mercado doméstico ocorreram por conta dos fluxos positivos em títulos de dívida, US$11,1 bilhões, enquanto ações e fundos de investimento registraram saídas líquidas de US$2,0 bilhões. Nos 12 meses encerrados em junho, os instrumentos em portfólio negociados no mercado doméstico somam saídas líquidas de US$1,7 bilhão.

2. Reservas internacionais

O estoque de reservas internacionais atingiu US$388,1 bilhões em junho de 2019, correspondendo a 351,3% da dívida externa de curto prazo residual (exceto operações intercompanhia e títulos de dívida negociados no mercado doméstico). A expansão de US$2,0 bilhões no estoque de reservas de junho, relativamente a maio, decorreu principalmente de variações por preço, US$2,3 bilhões, variações por paridade, US$1,0 bilhão e da receita de juros, US$631 milhões. A concessão líquida de moeda estrangeira em operações de linha com recompra contribuiu para reduzir o estoque de reservas em US$2,1 bilhões.

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4 comentários

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NeoTupi

26 de julho de 2019 às 09h52

E vai piorar com a venda da BR distribuidora, da Embraer, da rede de gasodutos e refinarias, além de ativos do setor elétrico. Todo esse lucro ficava no Brasil, agora vai para o exterior.
Capital estrangeiro bom é aquele que constrói novos ativos. O que apenas compra o que já existe, não trás empregos nem lucros para a economia interna.
Para piorar a redução de conteúdo nacional nos leilões do pré sal aumenta despesas com aluguel de equipamentos estrangeiros.

Responder

Paulo

25 de julho de 2019 às 20h43

Temo que o processo de liberalização da economia nos conduza a aumentos crescentes das remessas de lucros…

Responder

LUPE

25 de julho de 2019 às 15h27

Caros leitores

Foi por tentar se opor à escandalosa remessa de lucros
das multinacionais estrangeiras
que Getúlio Vargas,
brasileiro digno, honrado
e patriótico nacionalista,
presidente do Brasil nos anos 50 ,
se suicidou.

A Grande Mídia à época
(principalmente o jornal O Globo e a TV Tupi)
partiu em defesa dos nossos inimigos
superpoderosos
estrangeiros
(a Grande Mídia sempre serviu e trabalhou para eles,
trabalha e serve ,
e sempre servirá).

Criou a furiosa Campanha planejada e orquestrada
(como a Lava Jato dos dias de hoje)
com o criativo título de
MAR DE LAMA.

Não resistindo aos ataques,
inclusive com insinuações de que “seria amante”
de seu guarda-costas ,
o grande brasileiro Getúlio Vargas se suicidou com um tiro no peito ,
em agosto de 1954.

A História, como se vê,
se repete com o tema “CORRUPÇÃO”,
sempre que os interesses de nossos superpoderosos inimigos estrangeiros
(principalmente)
são afetados……..

Sorry…………

Responder

Robert

25 de julho de 2019 às 13h23

Sobre o óbvio: e a tendência desastrosa só tende a piorar, proporcionalmente à desnacionalização da economia promovida pelos neoliberalóides de plantão, membros e apoiadores do governo de nosso presidente fascista e racista.

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