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Em seminário patrocinado pela Halliburton, presidente da Petrobras defende mudanças na legislação do pré-sal

Por Redação

20 de agosto de 2019 : 17h21

Castello Branco fez as declarações em seminário patrocinado pela Halliburton, principal concorrente internacional da Petrobras em tecnologia de exploração em águas profundas.

Na Agência Brasil

Presidente da Petrobras defende mudança na legislação do pré-sal

Castello Branco diz que regime de partilha não leva à eficiência

Publicado em 20/08/2019 – 13:19

Por Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, defendeu mudanças na legislação que trata do pré-sal, o fim do sistema de partilha ou, então, em movimento mais moderado, o término do polígono do pré-sal, para deixar o regime de concessão e de partilha à escolha da autoridade. “O regime de partilha não leva à eficiência. Teve origem não para atender a maximização da eficiência, mas às conveniências políticas, quando foi adotado pela primeira vez na Indonésia, em 1966, para permitir que empresas estrangeiras explorassem petróleo na Indonésia, mas que não tivessem participação direta”, disse na abertura do seminário Competitividade dos Projetos Offshore no Brasil, organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), no Rio de Janeiro.

De acordo com Castello Branco, a produtividade é parcela importante para o crescimento econômico, e o Brasil tem sido ultrapassado por outros países que querem ser ricos. Por isso, segundo o presidente, é hora de mudar o modelo e buscar a prosperidade da sociedade brasileira.

“Não vai ser com conteúdo local e nem com regime de partilha que vamos conseguir fazer isso. Isso pertence ao passado, que não nos foi favorável. Temos que romper com isso”, defendeu.

O presidente da Petrobras apontou a obrigação do conteúdo local incluído nos projetos como outro fator que precisa ser alterado. “A ANP [Agência Nacional do Petróleo] tem se mostrado muito mais sensível às questões do mercado, mas o conteúdo local ainda persiste, ainda que de forma mais moderada. É questão de perguntarmos se a indústria brasileira é tão boa, não precisa de conteúdo local? Não precisa de nada que obrigue as empresas a demandarem os seus produtos? Se ela não é eficiente, após 22 anos da indústria do petróleo, é hora de acabar com isso”, defendeu.

“Quem não se preparou, paciência. Já teve a sua oportunidade. Não pode a indústria do petróleo continuar a pagar por isso”, afirmou.
Dívida

O presidente da Petrobras disse que em junho do ano passado a dívida líquida da companhia representava 56% do valor da empresa, e que esse percentual foi reduzido para 46%, “mas ainda é muito elevado”.

Mesmo com a redução da dívida alcançada desde 2016, atualmente a estatal tem uma dívida de US$ 101 bilhões. Apenas o serviço da dívida consome 35% do fluxo de caixa operacional, segundo Castello Branco. “Isso tem consequências negativas, não só meramente em números, mas na nossa competitividade. Uma das questões é a disponibilidade de recursos para investir”.
Custos

O custo de extração de petróleo, segundo o presidente da Petrobras, está em torno de US$ 6 o barril. Apesar de ser considerado baixo, a companhia busca diminuir ainda mais o valor. “Ainda temos uma gordura imensa”, disse.

Castello Branco disse que a Petrobras trabalha também com persistência e máximo empenho para ter custo de capital baixo. O perfil da dívida já foi alongado para 10 anos e, a companhia partiu para reduzir a concentração da dívida em instituições financeiras, disse.

Conforme o presidente da estatal, o China Development Bank (CDB) foi um grande parceiro da Petrobras nos seus piores momentos. “Se não fossem os chineses, a Petrobras ia ter que pedir socorro ao governo brasileiro”, revelou, acrescentando, no entanto, que os empréstimos geraram uma concentração de dívida, que está sendo desfeita agora.

“Fizemos um pré-pagamento de US$ 3 bilhões e anunciamos que vamos fazer outro de US$ 5 bilhões para reduzir a concentração. É um processo complexo e demorado que estamos saindo. Enquanto não chegarmos ao fim desse processo, nossa competitividade fica afetada pelo custo de capital, mas existe a determinação firme da companhia. É um dos nossos pilares estratégicos, a redução do custo de capital”, completou.

Investimentos

Segundo Castello Branco, a empresa está deixando de investir em operações que podem ter retorno menor, para concentrar recursos onde identificou ganho mais elevado. Ele disse que, para focar na exploração e produção de petróleo e gás, que é seu negócio principal e possui competências, além de vantagens comparativas em ativos de classe mundial, a empresa precisa fazer um processo acelerado de gestão de portfólio, não só na Bacia de Santos com o pré-sal, mas também na Bacia de Campos, onde investe na recuperação.

Castello Branco contestou que essa opção represente um desmonte da companhia, como apontam algumas críticas ao processo. “Não existe um equívoco maior do que esse”, disse.

Licenciamento

O executivo criticou ainda o processo de licenciamento ambiental. “É uma doença que afeta, principalmente, a mineração e o petróleo. A demora na concessão de licenças ambientais, com exigências burocráticas, que às vezes não tem nada a ver com o objetivo, que é a proteção do meio ambiente, e simplesmente para atendimento de questões de natureza burocrática”, disse, acrescentando que hoje vê uma atitude do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama mais pró mercado e flexível.

“O Brasil quer ser mais realista que o rei. Ter uma legislação muito mais rigorosa que a Noruega, por exemplo, mas é muito falho na fiscalização. Vide o que aconteceu na mineração”, disse em referência aos rompimentos de barragens ocorridos recentemente.

Na visão do presidente da Petrobras, a estatal se defronta no campo técnico com ambiente muito favorável. A descoberta e o desenvolvimento do pré-sal completam este ano dez anos de exploração. A companhia já extraiu 2,5 bilhões de barris de petróleo, uma quantidade maior do que as reservas provadas da Argentina e registrou progresso no aprendizado geológico.

“A Petrobras dispõe de alguns melhores geólogos e engenheiros de petróleo do mundo. Então, em termos de qualidade de ativos, sem dúvida nenhuma, o pré-sal é um ativo de classe mundial. Vastas reservas de produtos de alta qualidade”, disse.

Edição: Fernando Fraga

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8 comentários

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Marcio

21 de agosto de 2019 às 12h52

Quando diante dos fatos nào hà assuntos entra em jogo a ideologia….talvèz, muito provavelmente, nào hà provas mas, è gopi…o bla bla bla ridiculo de sempre que nào funciona mais desde os anos 60.

Responder

    LUPE

    21 de agosto de 2019 às 17h52

    Ma, rcio, o “comentarista” de sempre, dólares, etc.

    Com o mesmo bla bla de sempre,
    para confundir o leitor.
    Em defesa de seus patrões. (que pagam em dólares)

    Os mesmos patrões que botaram o presidente em causa
    na Petrobrás.
    E que elegeram o outro agente na OUTRA presidência.

    Deu prá entender ???

    Responder

Lino César

20 de agosto de 2019 às 23h28

Qdo o povo vai perceber que está sendo roubado. Venderam a uns tempos atrás um litro de petróleo por 1 centavo de real.
Continuam dando nosso petroleo para os EUA.
SE isso não for roubo o que e roubo, então ?

Responder

    Alan C

    21 de agosto de 2019 às 11h26

    Olha só quem aparece, Halliburton… Aquela mesma empresa que, apesar de não haver provas, muito provavelmente roubou os dados da Petrobrás sobre as primeiras informações do pré-sal. A partir daí “coincidentemente” o comportamento dos EUA frente ao Brasil mudou radicalmente…
    Se fosse ao contrário os yankees teriam invadido o Brasil, mas como não foi acabou ficando tudo por isso mesmo e hoje pagamos muito caro. Tudo começou com esse “sumiço” das informações que EUREKA apareceram na Casa Branca.

    Responder

      Alan C

      21 de agosto de 2019 às 12h06

      Aí “coincidentemente” o governo Obama grampeou o governo brasileiro… “coincidentemente” o think tank americano Wilson Center abriu um departamento só pra tratar de “Brazil Subjects”, o Brazil Institute… “coincidentemente” alguns ministros do STF faziam visitas periódicas ao Brazil Institute, Roberto Barroso que o diga… “coincidentemente” a molecada escrota da Vaza Jato tb foi, o marreco complexado inclusive… Tudo “coincidência”…. Aí “coincidentemente” vem fakepeachment, delapidação do patrimônio do povo, PEC da morte, lei trabalhista que tá gerando “milhões” de empregos, nova previdência que vai gerar outros tantos “milhões” (kkk), campos do pré-sal vendidos a centavos por barril quando o preço internacional está em 60 dólares…. TUDO COINCIDÊNCIA!!!! r

      O pobre de direita merecia uma estátua como a coisa mais idiota que já habitou este planeta! kkkkkkk

      Responder

Paulo

20 de agosto de 2019 às 19h19

Se a Petrobrás vier a ser privatizada neste atual Governo, a responsabilidade por esse desatino deve ser compartilhada pelo PT e por Bolsonaro e séquito entreguista, incluindo uma certa cúpula das FFAA…

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    LUPE

    21 de agosto de 2019 às 17h57

    Paulo (ou é o Marcio), “comentarista”, dólares, etc.

    Sempre querendo empurrar para o PT
    as coisas nojentas
    que os governos de direita
    lesa-pátria
    e traidores da pátria
    fazem
    contra o Brasil e contra os brasileiros.

    Agente dos nossos inimigos (que pagam a ele em dólares)
    é isso aí…. ……

    Responder

LUPE

20 de agosto de 2019 às 17h52

Caros leitores

Alguma dúvida que ele é agente infiltrado?
Sucessor do outro, idem, que foi posto
por Temer Mishel?

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Governo de direita é isso aí……………..

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