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O dia virou noite em São Paulo - 19/08/19.

Mais grave que pedaladas fiscais

Por Pedro Breier

21 de agosto de 2019 : 00h32

Por Dafne Ramos e Pedro Breier

Por volta das 15h da tarde da última segunda-feira, dia 19 de agosto, o céu cinza e nublado de São Paulo parecia indicar que uma forte chuva estava prestes a cair. Perto das 16h, uma nuvem escura gigante substituiu o cinza e fechou completamente o céu da cidade mais populosa do país. As luzes dos carros e dos postes foram acesas. A tarde de repente transformou-se em noite. Mas a chuva limitou-se a poucas gotas que não condiziam com aquela nuvem amazônica.

Não fosse a inusitada escuridão em pleno dia na cidade de São Paulo, a absoluta maioria das pessoas nem ficaria sabendo que em Rondônia há um incêndio florestal de proporções catastróficas acontecendo há 16 dias. As suas cinzas viajaram pelo céu por mais de 2.000 km, nos dando praticamente um alerta do apocalipse.

Mas quase ninguém está noticiando devidamente.

Ontem (20) no jornal SPTV, da Rede Globo, ao comentarem sobre o acontecido e mostrarem a água escura da chuva de São Paulo, disseram apenas que isso se deve a “queimadas e poluição na cidade de São Paulo”. Em nenhum momento o incêndio alastrador teve a cobertura merecida, muito embora diversos especialistas afirmem que a escuridão está diretamente relacionada aos incêndios que se espalham há dias pelos estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É um esvaziamento total da discussão sobre o que está acontecendo.

A Amazônia está sendo destruída.

Ela é a maior floresta tropical e a maior reserva de biodiversidade do planeta, de longe. É mais do que um “”patrimônio”” da humanidade, é praticamente um pulmão do mundo, como costumávamos ouvir na escola.

O delicado equilíbrio ecológico do nosso planeta está sendo destruído massivamente e já estamos percebendo as consequências. As calotas de gelo (principais responsáveis por refletir de volta a luz solar e impedir o aquecimento do planeta) estão derretendo e se desprendendo em quantidade e velocidade alarmantes.

O presidente Jair Bolsonaro cortou 95% dos recursos destinados ao combate às mudanças climáticas. Dentre as ações afetadas pelo corte estão a prevenção e o controle de incêndios florestais. 

O Ibama, órgão que poderia impedir ou mitigar os efeitos desse tipo de tragédia ambiental, está sendo implodido pela retórica e pelas políticas de Bolsonaro. Leiam este estarrecedor trecho de uma matéria da Veja do último dia 16:

O discurso antiambientalista do governo Jair Bolsonaro tem sido utilizado por exploradores da Amazônia para intimidar agentes de fiscalização do Ibama. “Eles estão se sentindo empoderados agora”, disse um fiscal que trabalha há mais de 15 anos no órgão. As hostilidades vindas de grupos ilegais de madeireiros, garimpeiros e grileiros não são nenhuma novidade, mas passaram a ser mais contundentes neste ano. Um exemplo é o que está acontecendo na cidade de Espigão d’Oeste, em Rondônia, que vive em um clima de tensão desde o início de julho, quando homens encapuzados com pedaços de pau pararam um caminhão-tanque do Ibama, espancaram o motorista e em seguida incendiaram o veículo, que transportava 8.000 litros de combustível. A carga serviria para abastecer um helicóptero que sobrevoaria reservas indígenas da região, onde havia suspeita de roubos de madeiras.

Quando perguntado sobre a poluição ambiental e o problema gravíssimo da climatização do planeta, o presidente responde de forma jocosa, dizendo para evitarmos fazer cocô por dois dias seguidos, caso realmente estejamos preocupados em fazer algo para ajudar na prevenção.

Além disso, Bolsonaro manifesta abertamente seu desagrado pelas multas ambientais e promove perseguições explícitas a servidores cuja tarefa é fiscalizar a preservação do meio ambiente, como fez com o funcionário do Ibama que o multou por pesca irregular. Além disso, o discurso bolsonarista refletiu-se em uma redução de 35% no volume de multas aplicadas pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) no primeiro trimestre de 2019 em comparação com o mesmo período de 2018. Mas não para por aí: o governo federal criou um “núcleo de conciliação ambiental” para combater a famigerada “indústria das multas”. As multas são uma das principais ferramentas dos órgãos ambientais para garantir o cumprimento das leis.

Não é porque elegemos uma pessoa absolutamente incompetente e lunática para o cargo, que devemos deixar nas mãos dele a decisão sobre a continuação ou não da nossa espécie (e inúmeras outras) no planeta – e aqui não se trata de exagero, dada a gravidade da questão.

Um relatório de especialistas da ONU chegou à conclusão de que a espécie humana tem 12 anos de prazo para salvar o planeta. Durante esse período, se reduzíssemos – muito – a emissão de gás carbônico e extraíssemos ao menos 85% da eletricidade de fontes renováveis, conseguiríamos limitar o aquecimento do planeta a 1,5°C – o que evitaria a morte de muitas pessoas e ecossistemas.

Acontece que o relatório foi feito em 2018 e, evidentemente, não estava contando com esse avanço caótico do desmatamento da Amazônia.

Há uma estimativa de que os alertas de desmatamento tenham aumentado 278% comparando-se julho de 2019 com julho de 2018. Um estudo da Universidade de Oklahoma (EUA) concluiu que o desmatamento da Amazônia é, na verdade, o dobro do registrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujo diretor foi demitido por Bolsonaro porque este não gostou de ver a loucura ambiental do seu governo exposta ao mundo.

Quanto às queimadas, o Inpe registra um aumento de 83% na comparação entre janeiro e agosto de 2019 com o mesmo período de 2018.

Não é possível replantar a floresta amazônica, gente. E os projetos de reflorestamento que usam as técnicas mais avançadas não têm escala nem velocidade suficientes para sequer amenizar o que já fizemos. 

Além de tudo isso, incêndios em Rondônia estão resultando em mortes de animais e de pessoas.

A mídia hegemônica parece não ter interesse de informar a população sobre a gravidade do que está acontecendo, muito embora essa tragédia tenha potencial para afetar um contingente inimaginável de pessoas. Quem percebe o grau de perigo que o Brasil e o planeta correm tem o dever moral de agir para que isso se interrompa.

Se Dilma Rousseff foi derrubada por conta de obscuras pedaladas fiscais, que tal cogitarmos o mesmo para um presidente que conseguiu a proeza de escurecer o céu (!) e sumir com o sol (!) em várias cidades por conta de sua estupidez? 

A lei nº 1079/50, que define os crimes de responsabilidade que dão causa ao impeachment, elenca, em seu artigo 8º, o ato de “permitir, de forma expressa ou tácita, a infração de lei federal de ordem pública” como um desses crimes.

Destruir florestas nativas é crime segundo o artigo 50 da lei federal nº 9605/98. As evidências de que o crime ambiental de proporções alarmantes que está ocorrendo neste momento é consequência das políticas do governo Bolsonaro e das declarações do presidente se acumulam. 

Propomos que se comece a falar seriamente sobre o impeachment de Bolsonaro. Não importa que na linha sucessória esteja Mourão ou qualquer outra ponderação: Bolsonaro é perigoso demais para que deixemos de, ao menos, aventar a hipótese de derrubá-lo.

Quem sabe as pessoas não se comovem com o sumiço ou obscurecimento do céu (!) e do sol (!) provocados pelo insano que está na presidência do nosso país?

O que está acontecendo é, acredite se quiser, muito mais grave do que pedaladas fiscais.

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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25 comentários

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Admar

22 de agosto de 2019 às 11h04

“Fogo Acima de Tudo, Fumaça Acima de Todos” – “Pátria Queimada Brazil”! ((Jose Simão))

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BOlzo Amoroso

22 de agosto de 2019 às 03h09

Isso essa mídia podre não mostra. Não nem mais coisa de enviado do senhor, é o próprio vivo.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10159068429784578&set=a.10151316939514578&type=3&theater

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Marcio

21 de agosto de 2019 às 20h16

Todo mundo olhando para a Amazonia e ninguem vè que vive no meio de lixo e de esgotos a ceu aberto.

E’ uma clara palahçada politica…o brasileiro joga tudo que è lixo no chào e agora tà interessado com meio ambiente.. larguem de ser ridiculos.

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Cartes

21 de agosto de 2019 às 19h31

“’Desmatamento na Amazônia aumentou mais de 200%’ (quem era presidente?)”

Brasil 21.08.19 16:56 em https://www.oantagonista.com/brasil/desmatamento-na-amazonia-aumentou-mais-de-200-quem-era-presidente/

“’Em um ano, o desmatamento na Amazônia aumentou mais de 200%. O número foi calculado pela organização não-governamental Imazon.

O instituto de pesquisa Imazon, em Belém, monitora o desmatamento na Amazônia há mais de 20 anos. No levantamento divulgado esta semana, foram derrubados 1.700 quilômetros quadrados de floresta nativa (num período de seis meses). A área desmatada é maior que a cidade de São Paulo.

Comparando essa derrubada com o período anterior, o desmatamento na Amazônia aumentou 215%.’”

A notícia foi veiculada pelo Jornal Nacional, em 21 de março de 2015. O período examinado foi entre agosto de 2014 e fevereiro de 2015.

Jair Bolsonaro só fala bobagem sobre a Amazônia, o seu ministro do Meio Ambiente é um inepto, dois erros não fazem um acerto — mas nada disso apaga o fato de que, sob o PT, a floresta continuou a ser destruída em ritmo alucinante.”

Sem mais, seus imbecis.

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    Paulo

    21 de agosto de 2019 às 23h42

    Não é um problema de Governos, perceba! Não podemos ideologizar o discurso. A Amazônia está sendo consumida ano a ano. Não há como conter isso, a não ser que haja alternativas econômicas. E eu só vejo uma…

    Responder

Paulo

21 de agosto de 2019 às 15h06

Precisamos separar as coisas. O Brasil queima todo meio de ano. Houve mais queimadas em alguns outros anos, provavelmente. Este ano é ano de “El Niño”. Bolsonaro – em que pese o mau exemplo do discurso – ainda não pode ser responsabilizado por esse crime ambiental. Mas virá a sê-lo, inevitavelmente, após seu Governo, por tudo que está para acontecer…só há uma solução para a Amazônia, tenho insistido nisso: o mundo deve pagar para o Brasil preservá-la! E pagar bem, não é merreca de Alemanha e Noruega, não…se não fizermos isso, São Paulo (e partes do CO e S) vai pagar caro e ficar sem água potável em algumas décadas, ou até antes…

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    Marcio

    21 de agosto de 2019 às 19h52

    “…o mundo deve pagar para o Brasil preservá-la”

    Estorou a merda na sua cabeça…?

    Responder

    Marcio

    21 de agosto de 2019 às 19h54

    Nào quer privatizar a Petrobras e quer privatizar o Amazonas…?

    Responder

      Paulo

      21 de agosto de 2019 às 19h57

      Privatizar a Amazônia? Tsc, tsc, tsc…

      Responder

      Alan C

      22 de agosto de 2019 às 13h10

      Alguém chama uma ambulância! O marcio tá tendo devaneios no blog do Cafezinho!!!

      kkk

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Renato

21 de agosto de 2019 às 12h25

Pedro Bibi e seu já costumeiro mimimi !

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    Pedro Breier

    21 de agosto de 2019 às 21h04

    Valeu pelo prestígio, Renato :)

    Responder

      Alan C

      22 de agosto de 2019 às 13h11

      Deu até pra ouvir o barulhinho da caixa registradora, kkkkk

      Postando pobretada, postando… e todo dia sem falta, como bom gado! kkkk

      Responder

SEVERINO CHIQUECHIQUE

21 de agosto de 2019 às 08h59

KKKKKKKKKKK…. hilário!!!! Vcs sabiam que teve mais queimadas em 2008 que este ano?

Responder

    Batista

    21 de agosto de 2019 às 11h53

    Chiquechique ou Avestruz?

    Responder

Marcio

21 de agosto de 2019 às 08h20

A esquerdalha aje assim para tentar passar pano na merda que fazem…o que você faz é mais grave do que eu fiz…e se acham espertos.

Essa palhaçada sobre o Amazonas é mais uma estrumentalizacao política da merdalha podre tupiniquim.

Quem desmata ilegalmente é a incivilidade dos brasileiros.

OBS: esquerdismo a brasileira é uma doença mental.

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    marcio justiceiro

    21 de agosto de 2019 às 10h54

    VTNC miliciano ladrao e canalha!

    Responder

      Marcio

      21 de agosto de 2019 às 10h59

      Kkkk,

      pode parar…nào precisa mais confirmar que sào porqueiras de esgoto !! Kkkkkk

      Responder

Emílio Beckmann

21 de agosto de 2019 às 07h58

Mentiroso!
A própria matéria do El País que você menciona e dá o link diz o seguinte:
“… Não está claro quanto os incêndios dos últimos dias de fato influenciaram na escuridão em São Paulo nesta segunda…”
Você é só um mortadela sendo um mortadela.

Responder

    Marcio

    21 de agosto de 2019 às 15h34

    Recheados com mortadela. Kkkkk

    Responder

    Pedro Breier

    21 de agosto de 2019 às 21h09

    A mesma matéria apresenta a opinião de especialistas dizendo que a escuridão tem a ver com as queimadas, sim. De qualquer forma, o ponto é a destruição da Amazônia promovida pelo governo Bolsonaro, a qual tem muitas evidências além da escuridão em São Paulo. Da próxima tenta debater sem apelar pra “mentiroso” ou algo assim, pode ser? Abraço.

    Responder

      Marcio

      22 de agosto de 2019 às 07h07

      Um xarope de mentiras.

      Responder

        Alan C

        22 de agosto de 2019 às 13h13

        Ah, mas não precisa meter essa só pq não soube contra-argumentar vai rsrsrs

        Responder

Gaspar Cunha Da Silva

21 de agosto de 2019 às 01h44

DE REPENTE estamos vendo aos nossos olhos uma politica desumana covarde contra o povo,contra a natureza e a favor unicamente do lucro.Onde o céu escureceu a cor das águas das chuvas um apocalipse.

Responder

    ari couto

    21 de agosto de 2019 às 11h51

    Definiu com perfeição o neoliberalismo e o pensamento de nossa dita “elite”.
    Quer ficar chocado de vez? Leia o comentário de Alexandre Carvalho, no Notícias Agrícolas, antro do reacionarismo do latifúndio (https://www.noticiasagricolas.com.br/fala-produtor/) Vá descendo até encontrar o comentário dele. Sugiro ler sentado

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