Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

O ex-presidente Lula, em São Bernardo do Campo. (Foto: Ricardo Stuckert)

Cappelli: Craque em campo

Por Redação

10 de novembro de 2019 : 09h56

Por Ricardo Cappelli

A volta de um craque aos gramados tem o poder de desequilibrar qualquer jogo. Não chega a ser a certeza de vitória que a torcida canta, mas seu talento deixa claro quem conta e quem é “japonês” dentro das quatro linhas.

A grande mídia, atacada pelo Capitão, adotou um tom moderado. Parece ter aderido momentaneamente a uma antiga estratégia chinesa. Quando acossado por um inimigo de superior potencial ofensivo, o melhor a fazer é colocar outro inimigo de tamanho similar para brigar com ele.

O discurso de Lula em São Bernardo não teve novidade. Reafirmou sua candidatura à presidência da República.

O PT aposta na anulação das condenações pelo STF. Apesar de livre, o ex-presidente continua inelegível. Não será tarefa fácil. Bolsonaro indicará dois novos ministros para a Suprema Corte.

Lula registrou sua candidatura quando estava na cadeia. Livre, são favas contadas que levará esta estratégia às últimas conseqüências. Se der errado, Haddad está aí para repetir o roteiro.

A outra aposta é que a economia vai degringolar e o mar de ressentimento vai correr naturalmente para o colo petista. Hoje, o mais provável é que a economia não decole, mas também não afunde.

Lula livre deve ser bastante diferente do Lula preso. Em sua trajetória, sempre que esteve na defensiva, o líder petista radicalizou como forma de subir barreiras em torno de seu núcleo duro. Na ofensiva, costuma trocar os sectários pelos moderados aliancistas.

Ele sabe que radicalização é tudo que Bolsonaro espera dele. Dificilmente cairá nessa.

Vai ser curioso acompanhar a reação do neolulista PSOL e da esquerda petista quando o ex-presidente começar a se encontrar com os “ex-golpistas vendilhões” Renan Calheiros, do MDB, Kassab, do PSD, Ciro Nogueira, do PP e o lulista Waldemar Costa Neto, do PL.

Haverá mexida no tabuleiro, nos dois lados do espectro político.

Ciro Gomes seguirá com sua estratégia. Sabe que a reconciliação com o petismo pode fazer sua militância debandar. No pior cenário, sua votação histórica, sempre em torno de 10%, viabiliza com folga o projeto do PDT.

Sem projeto nacional, o PSB correrá o risco de virar uma legenda regional. Com jogadores fortes no gramado, é grande a possibilidade de ficar sem torcida quem não entrar em campo.

Desde 89 o PCdoB funciona como corrente externa do PT, apoiando o partido em todas as eleições nacionais em troca de coligações para seus deputados. O problema é que a regra mudou, proibindo coligações proporcionais. Como sobreviver agora? Os comunistas terão que responder a este dilema.

Huck é uma vítima direta do retorno do craque. As pesquisas indicam que ele come uma parte do lulismo, sem Lula no jogo. Com ele em campo, o apresentador terá que tentar o apoio de Doria e outras forças de centro. Este campo sonhado por FHC e Rodrigo Maia terá uma tarefa hercúlea.

A direita deve se reorganizar. Nada melhor que um inimigo externo poderoso para reunificar a tropa e acabar com as brigas internas. Com Lula no gramado polarizando com Bolsonaro, o governador paulista pode encomendar a missa de sétimo dia de sua candidatura.

A reestréia do craque fortalece no curto prazo o PT e, paradoxalmente, Bolsonaro e Moro, as estrelas do time adversário que o ex-presidente, não por acaso, chamou para briga no primeiro discurso.

O campeonato vai ficar mais animado, as torcidas organizadas estarão mais fortes, mas um detalhe chama a atenção: as arquibancadas continuam vazias. Sua excelência, o povo, permanece olhando tudo de longe.

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15 comentários

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Tanto Faz

11 de novembro de 2019 às 08h52

Gente! Vocês perderam um parafuso da cabeça?
O Lula saiu da prisão em função da mudança de entendimento do STF sobre a prisão após condenação em 2ª instância, mas o Lula continua condenado! A sua condenação não foi anulada e ELE CONTINUA INELEGÍVEL ATÉ 2035!!!! NÃO VIAJEM NA MAIONESE!!!
Mesmo que o Moro seja considerado suspeito e a sua sentença seja anulada, lembrem-se de que isso não torna o Lula apto a concorrer, porque os seu processos não desaparecerão, eles só serão reiniciados, ou seja, há grandes chances de que ele seja condenado novamente! E não se esqueçam que não há somente o processo do triplex no qual ele foi preso, tem também o do sítio de Atibaia, além de outros que ainda não foram julgados. Então a chance de Lula concorrer em 2022 é mínima!
É muito mais prudente e realista a esquerda continuar trabalhando alternativas.

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NEUSA CALDAS GONCALVES

10 de novembro de 2019 às 15h46

Ciro não chega lá, se hoje temos a extrema direita no poder, devemos ao Ciro Gomes, mas são opções e temos que respeitar, mas ele não chega lá. Vai ficar pelas bordas.

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    Tanto Faz

    11 de novembro de 2019 às 08h55

    Uma galinha raciocina mais do que você.

    Responder

Miramar (cirista desde 1998)

10 de novembro de 2019 às 13h37

Os dois últimos parágrafos batem com meu jeito de pensar.
Reafirmo que entre um lulista e bolsonarista meu voto é nulo.

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    NEUSA CALDAS GONCALVES

    10 de novembro de 2019 às 15h41

    acaba votando e dando a vitória a quem vc não queria, pois Ciro não chegará lá.

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      Miramar ( cirista desdev1998)

      10 de novembro de 2019 às 23h46

      Isso pra mim é indiferente pois desgosto igualmente de PT e Bolsonaro. Ganhe quem ganhar, estarei na oposição.

      Responder

Marcos Videira

10 de novembro de 2019 às 12h25

Lula afirmou ontem que dentro de uns 20 dias fará um pronunciamento à nação. Até lá, temos apenas especulações de como ele definirá a estratégia do PT. Sim, depois de ouvir as variadas propostas, com sua usual habilidade política, ele vai usar seu peso político para definir qual é o “consenso”.
Mas acredito que há alta probabilidade em duas diretrizes estratégicas:
(1) o PT vai polarizar com Bolsonaro, atacando-o nas ruas e no parlamento. Desde 2018 o PT escolheu Bolsonaro como adversário a ser enfrentado.
(2) Lula vai pegar Haddad pelas mãos e apresentá-lo como seu candidato a presidente.
Especulando um pouco mais: acredito que Lula irá fechar alianças com políticos de centro-direita com duplo objetivo: fortalecer sua estratégia e enfraquecer os demais atores do campo progressista que estão “rebeldes” à hegemonia petista. Isolados e com reduzidas possibilidades de alianças, os partidos de centro-esquerda (PSB, PCdoB, Rede etc) estarão vulneráveis a aceitar o espaço que Lula lhes reservará como prêmio pela adesão à sua estratégia.

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Dinarte Araujo Neto

10 de novembro de 2019 às 12h00

A presença, o simbolismo e a superação de LULA DA SILVA tem força de mexer com a galera apática que não mais se enxerga nos políticos que estão aí dançando a valsa da despedida…

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Sandro

10 de novembro de 2019 às 11h57

O antipetismo é uma realidade hoje bem consolidada.

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    NEUSA CALDAS GONCALVES

    10 de novembro de 2019 às 15h43

    melhor como está não? bem eu vivo num país que é a social democracia, e vivemos relativamente bem, agora com a extrema direita aí, acredito que vc vive bem não?

    Responder

      Sandro Martins

      11 de novembro de 2019 às 09h23

      Social democracia o Brasil…? Kkk

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Paulo

10 de novembro de 2019 às 11h15

Pobre do país que tem como opções um ladrão notório, de um lado, e um nem tão notório (ainda), de outro…

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    NEUSA CALDAS GONCALVES

    10 de novembro de 2019 às 15h44

    vc repete o discurso dos antilulsta, portanto pra mim, não vale nada. Argumento é o que interessa.

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      Paulo

      10 de novembro de 2019 às 17h06

      Você ainda precisa de argumentos, diante das histórias de Lula e Bolsonaro? Bolsonaro ainda não foi investigado. Mas, se um dia vier a ser, será preso, juntamente com Lula, que nem deveria ter saído da prisão, pois cometeu crime de lesa-pátria, ao criar, fomentar e participar ativamente, por ação e omissão, do maior escândalo de corrupção da história do país…assim como Bolsonaro cometerá, se liquidar o Estado brasileiro, como seu Ministro pretende…

      Responder

Gerri Araújo

10 de novembro de 2019 às 10h46

Cappelli, apenas uma retificação: a votação histórica de Ciro Gomes é em torno de 11,5% (1998-10,97%; 2002-11,97%; 2018-12,47%). Se for pra usar números aproximados, o adequado seria 12%.
De resto, sua análise está impecável.
Abraço!

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