Live do Cafezinho (18h): a juventude na política na era Bolsonaro

Leitor analisa desempenho de Ciro na pesquisa FSB/Veja

Por Redação

12 de dezembro de 2019 : 15h57

O internauta Gerry Araújo nos enviou uma análise sobre o desempenho do ex-ministro Ciro Gomes na última pesquisa FSB/Veja de intenção de votos para 2022.

Reproduzimos o texto abaixo.

Quem desejar publicar algum texto no Cafezinho, favor enviar para o editor, pelo email migueldorosario@gmail.com.

Lembrando que nós também já fizemos uma análise da mesma pesquisa, e que pode ser lida aqui.

***

Ciro Gomes na pesquisa FSB/Veja: copo d’água pela metade

Por Gerry Araújo

Perspectiva, ponto de vista e wishful thinking são coisas distintas. Porém, em matéria de disputa política, frequentemente se confundem.
Tome-se a metáfora do copo com água nivelada na metade. Observando este objeto, duas pessoas podem emitir juízos inversos: está meio cheio, está meio vazio.

A torcida bolsonarista comemorou o resultado da última pesquisa FSB/Veja (de 06/12). Em sua perspectiva, Bolsonaro está consolidado acima dos 30% – patamar que o leva ao 2º turno, onde derrotaria Lula, Haddad ou Huck (não simularam uma disputa com Ciro). Rivais contra-argumentam que, se comparado aos resultados de agosto e outubro, o desempenho atual do presidente indica queda suave da popularidade; se confrontado aos 46% do 1º turno de 2018, indica desabamento.

Do lado petista da arquibancada, o copo meio cheio considera um candidato do PT (Haddad, Lula ou quem este indicar) como a única opção de esquerda capaz de chegar ao 2º turno. Contudo, o copo meio vazio mostra que tal candidato seria batido no final (por Bolsonaro ou Sérgio Moro).

A tabela abaixo mostra a intenção de voto no 1º turno (cenário sem Lula e sem Moro):

A fotografia eleitoral de Ciro Gomes revelada por FSB/Veja parece verossímil. Estabilizado em 11% (os 9% de outubro estão na margem de erro de 2 pontos), Ciro tem intenção de voto inferior aos 12,5% recebidos em 2018. A redução de 1,5% provavelmente retrata uma depuração no eleitorado cirista, resultante da estratégia de afastamento do PT.

Explicando: o não-apoio de Ciro a Fernando Haddad no 2º turno, o apoio do PDT a Rodrigo Maia na eleição da mesa da Câmara e, principalmente, as duras críticas que Ciro tem dirigido a Lula afugentaram simpatizantes do PT que digitaram 12 na urna por mera tática eleitoral (no 2º turno, Ciro venceria Bolsonaro, enquanto Haddad seria derrotado).

Outro dado importante é o empate técnico com Huck. Ciro Gomes considera que Bolsonaro e PT detêm, cada um, cerca de 25% de preferência eleitoral – cifra que oscilará pouco até o 1º turno de 2022. Logo, resta-lhe tentar atrair os votos do centro. Ocorre que outros nomes competem pelo eleitorado centrista, sendo Luciano Huck o principal deles. Se, finda a depuração, Ciro mantém pontuação próxima à de Huck, conclui-se que seu copo d’água está pela metade. Dificilmente ficará vazio (como ocorrera com Cristóvam Buarque e Marina Silva).

Ao contrário, é possível que encha ainda mais: a aliança PDT-PSB-Rede-PV será testada nas urnas em 2020. Se for exitosa, o PDT se tornará um partido maior e melhor estruturado do que era em 2018 e Ciro contará com um núcleo político de centro-esquerda do qual não dispunha no pleito anterior.

Isso ocorrendo, legendas de centro (Avante, PROS, SD, Patriotas, PHS), centro-direita (DEM, PP, PSD, PL) e esquerda (PCdoB) podem decidir compor uma grande coalizão nucleada à centro-esquerda para 2022. Aí, sim, poderíamos dizer do copo d’água de Ciro: está meio cheio!

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13 comentários

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De Bourbon

14 de dezembro de 2019 às 06h51

O melhor que Ciro faz e ficar linge do PT. Procurem o centrao, pcdob e quem mais quiser vir. Mas que fique longe dos cirandeiros. A esquerda-petista levou uma paulada tao grande que ainda nao achou um rumo. Pior, parece sequelada: radicalizar e querer enfiar essas pautas goela abaixo da classe media conservadora significa outra derrota pros fascistas.

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Alexandre Neres

13 de dezembro de 2019 às 13h47

Adoro ler o Cafezinho só para constatar o solipsismo em que vivem seus comentaristas. Mil reportagens sobre Ciro, mil boquirrotices do Ciro, mil maneiras de chamar a atenção para o Ciro. Ora, ora. Não há pesquisa com Ciro no segundo turno porque ele não tem voto. Simples assim. Não representa nenhuma novidade um pseudossocial-democrata navegando na terceira via. Quando se diz centro hoje em dia, em época de pós-verdade, leia-se centrão. O coroné é carta fora do baralho. Infelizmente, eu acho. Ele teria até um papel a cumprir. Porém, não se pode negar que, como disse Cartola, cavou o abismo com seus próprios pés e língua.

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    Redação

    13 de dezembro de 2019 às 15h19

    Neres, como assim “não tem voto”. A própria pesquisa mostra Ciro com dois ou três vezes mais voto que João Dória, e há cenários de 2º turno com Dória e não com Ciro.

    Responder

    Gerri Araújo

    13 de dezembro de 2019 às 17h37

    Já eu, adoro ler o Cafezinho porque aqui petismo e cirismo desfrutam de condições parelhas para o debate. O único desagrado é constatar o enquistamento da militância petista. Queriam que, após a sabotagem, os ataques e as tentativas de isolamento empreendidos pelo PT, Ciro estivesse menor ou, no mínimo, perdendo força. Pretendiam que, face ao declínio petista, a juventude brasileira chorasse as mágoas, sem olhar para o futuro. Só que não! Como cantou Cartola:
    “Se eu ainda pudesse fingir que te amo
    Ah, se eu pudesse
    Mas não quero, não devo fazê-lo
    Isso não acontece.”

    Responder

    George Maximiliano

    14 de dezembro de 2019 às 23h02

    Comentou o cientista político muito conhecido que possui um santinho do Lula na carteira. Não simularam uma pesquisa de segundo turno com o Ciro (que segundo ele o próprio não tem votos) pq a Veja realmente não tem interesse algum em provar que Ciro é um político natimorto!! Ou será pq ele venceria TODOS em uma disputa de segundo turno, como demonstrado nas pesquisas das últimas eleições? Só um completo alienado e descerebrado petista pra vir com um papo furado desses.

    Responder

FILIPE RODRIGUES

13 de dezembro de 2019 às 13h38

O petismo está em queda junto com o Bolsonarismo:
– Lula tinha 40% em 2018, nessa pesquisa apareceu com 29%
– Haddad teve 29% na eleição, na pesquisa aparece com 16%
– Existe a grande possibilidade do Ciro está com 14, 15% , de acordo com a margem de erro (que a Veja jogou para baixo), com PT e Bolsonaro perdendo apoio é óbvio que Ciro ganhou eleitores (ainda que um pouquinho).

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Miramar

13 de dezembro de 2019 às 00h39

Vejo tanta gente falando mal do Ciro que o considero o melhor político do Brasil.
E acho isso desde 1998.

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Carlos

12 de dezembro de 2019 às 19h38

É muito estranho não testarem o nome do Ciro no segundo turno para ver se ele continua vencendo o bolsonaro com no ano passado.

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Derley Reis

12 de dezembro de 2019 às 19h35

Interessante a análise do Gerry, eu penso que o Brasil esta sendo destruído por estes extremos, o Brasileiro é por convicção de centro, social democrata, basta perguntar para o povo quem deve ser responsável pela saúde e educação… o problema é que o povo votou com o intestino… ou sei o que… não dá pra dizer que é razão e nem coração… Bolsonaro colocou meia duzia de frases e o povo caiu… bandido bom é bandido morto; o pt colocou o kit gay nas escolas; em defesa da familia e contra a ideologia de gênero… e o povo querendo ver o pt pelas costas se abraçou numa destas frases… Espero que o PDT construa alianças da centro esquerda a centro direita e chegue ao 2o. turno, lá chegando a vitoria é certa….

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Paulo Cesar Cabelo

12 de dezembro de 2019 às 17h44

Eu conheço o Brasil , deu quatro vitórias seguidas ao PT e teria dado a quinta se Moro não cometesse crime de corrupção ao tirar o líder das pesquisas da eleição em troca de um cargo.
Lula tinha 38% e o miliciano tinha 20% na última pesquisa antes do crime de Moro.
Seu irmão é o Cleysson , o outro Maycon e o outro o Washington?
Típicos nomes de pobre de direita.
Nunca vi um doutor Wellington , faxineiro tem de monte.

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    Dr Wellington Brito

    12 de dezembro de 2019 às 19h44

    Que comentário infeliz. Falou pouco, mas falou asneira. Sugiro que vá procurar seu lugar junto aos bolsonaristas pois és tão fascista quanto eles.

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Jeová

12 de dezembro de 2019 às 17h35

Uma pesquisa encomendada por Veja não tem nenhuma credibilidade. Já acho que os candidatos direitistas (e extremistas): Bolso, Huck e Amoedo estão (no mínimo) inflados com a margem positiva. Haddad, igualmente, faz parte do mesmo esquema, qual seja, melhor ele na frente do que Ciro p.ex. Na mesma linha de raciocínio, os percentuais não espelham a realidade, ou seja, depreciados para menos com Ciro. Sem contar que, a pouca visibilidade e manipulação dos números do Ciro, mostram que, estão escondendo o óbvio para as próximas eleições: uma vaga é do Ciro, a outra, se virem para conquistarem.

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Wellington

12 de dezembro de 2019 às 16h37

Não existe eleitorado centrista no Brasil.

No segundo turno Cirolipa venceria Bolsonaro nunca, ainda mais com Moro eventualmente vice.
Até porque Cirolipa não chega nunca ao segundo turno, será novamente um poste de Lula, até ele bater as botinas o candidato da esquerda será algum laranja dele, quem acha o contrário não conhece os brasileiros.

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