Análise da reunião ministerial de Bolsonaro

Rodrik discute novos modelos de política industrial

Por Miguel do Rosário

13 de janeiro de 2020 : 14h09

A indústria brasileira vai mal, muito mal, e torna-se cada vez mais claro que ela se tornou uma bola de ferro aos pés da economia nacional (1). O problema não é de hoje; a indústria brasileira vem se deteriorando muito desde meados da década de 80, mas o ritmo deste declínio parece estar acelerando, e mesmo os observadores mais indiferentes à questão agora começam a ficar inquietos.

Não é a toa que até mesmo Paulo Guedes, possivelmente o ministro da Economia mais entusiasta do planeta pelas ideias de Hayek, Friedman, e dos representantes mais radicais do chamado “neoliberalismo”, tem usado, recorrentemente, o termo “reindustrialização”, sempre que procura, em suas entrevistas, parecer otimista em relação ao Brasil (2).

Fernando Haddad, que disputou o segundo turno com Jair Bolsonaro em 2018, farejou a importância do tema e publicou na Folha, na semana passada, um artigo intitulado… “Indústria”. O petista provavelmente decidiu marcar posição no debate ao constatar que, de forma geral, a avaliação dos economistas especializados no tema, sobre as políticas industriais (ou a falta delas) durante os governos Lula/Dilma, é bastante negativa. Por isso mesmo, foi relativamente fácil para os mesmos economistas detectarem, no artigo de Haddad, uma tentativa mal-ajambrada de diminuir a importância do tema, e diluir uma possível responsabilidade política pela forte desindustrialização observada nos últimos anos, atribuindo o problema à falta de uma “burguesia industrial” no Brasil e à uma suposta tendência global.

O jornalista Fernando Dantas, que tem um blog no Estadão especializado em economia, também observando o interesse crescente de seu público pelo tema, fez a resenha de um paper no qual o economista Oder Galor  lança dúvidas sobre o papel da indústria no desenvolvimento dos países.  A argumentação poderia até ser útil ao debate, mas quando os economistas foram ler o paper, descobriu-se que ele se baseava exclusivamente na França, com muita ênfase no século… XIX. Segundo o paper, regiões francesas que se industrializaram há mais de cem anos estariam hoje enfrentando mais  problemas sociais que outras, que não se industrializaram tão cedo.  A tese produziu um momento de perplexidade, seguido de uma explosão de risos, por ser um tipo de argumento tão profundamente contra-intuitivo que se torna difícil rebatê-lo. É como alguém lançar um paper dizendo que possuir bons jogadores de ataque não é pré-condição para um time ganhar um campeonato de futebol. 

Ora, uma nação pode se desenvolver sem indústria: basta ter a sorte de encontrar uma mina gigante de ouro, promover uma distribuição equitativa da renda auferida com a exportação – e ser feliz para sempre, ou até o esgotamento da reserva.  Alguns principados árabes, com população diminuta, fazem isso com petróleo.

Uma região da França pouco industrializada, mas com uma produção de vinhos de altíssima qualidade, vendidos a preços recordes no mercado, pode ser mais desenvolvida que uma outra cheia de fábricas velhas e decadentes.

Alguns municípios fluminenses, nadando em dinheiro oriundo dos royalties do petróleo, podem se desenvolver mais do que cidades industriais que não contam com esses recursos.

Um time de futebol pode ganhar um campeonato mesmo com péssima equipe de atacantes por causa de uma defesa magnífica.

Acontece que, segundo todos os  dados empíricos à nossa disposição, assim como a maioria dos times e seleções vencedores de campeonatos conquistaram-nos por causa de uma equipe com bons atacantes, igualmente todas as grandes nações desenvolvidas, incluindo a França, o são graças a uma indústria forte e moderna, a qual, por sua vez, sempre se beneficiou de políticas industriais.

Essas políticas industriais nem sempre se apresentaram ou se apresentam como tal. Este é o fato que mais distorce o debate. Ao final do ano passado, o Instituto Watson, da Universidade de Brown, divulgou um estudo segundo qual os EUA gastaram US$ 6,4 trilhões desde 2001 apenas com despesas militares no Oriente Médio.

US$ 6,4 trilhões correspondem a 26 trilhões de reais…

Faça um esforço de imaginação, e tente imaginar o quanto o Estado americano deve ter investido em sua própria indústria, apenas considerando o orçamento militar, desde a I Guerra Mundial.

Como esses gastos são destinados integral e exclusivamente às indústrias americanas, eles constituem a maior política industrial do planeta!

Quando se analisa a história das políticas industriais implementadas pelas nações desenvolvidas, e o discurso hegemônico neoliberal contra… políticas industriais, constata-se que o debate sobre a questão é contaminado, frequentemente, por uma desonestidade fundamental.

Entretanto, a informação hoje circula com muito mais velocidade do que em qualquer outra época, facilitando o acesso à literatura especializada sobre o tema, e permitindo que mais gente possa  participar do debate. Neste ambiente, algumas posições hostis a políticas industriais, se mal formuladas, acabam ficando ultrapassadas.

Talvez seja por isso que o professor Samuel Pessoa, conhecido por suas posições fortemente liberais, também resolveu aderir à importância da… política industrial.  Ainda segundo o blog do Fernando Dantes, o pesquisador, que trabalha no Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), andou lendo alguns livros sobre a importância de políticas industriais para o desenvolvimento das economias do leste asiático e… mudou de ideia (3). Diferentemente do passado, quando olhava para esses políticas como “neutras” ou até mesmo prejudiciais, hoje ele as entende como uma estratégia de desenvolvimento que efetivamente funcionou.

O professor apelou, ao justificar o sucesso dessas políticas em países como Coréia do Sul, China e Japão, para uma razão curiosa: “disposição de trabalhar”.

No último final de semana, Paulo Gala e outros economistas que estudam o tema indústria, divulgaram entusiasticamente um novo paper de Dani Rodrik, professor em Harvard, e Karl Aiginger, professor na Universidade de Economia e Negócios de Viena, publicado este mês, intitulado “Renascimento da Política Industrial e uma Agenda para o Século XXI”.

O paper começa dizendo que a importância de políticas industriais voltou ao centro do debate econômico mundial, especialmente nos países ocidentais, em virtude do crescimento dramático da participação chinesa no PIB mundial da indústria. Lideranças políticas à esquerda e a direita, nos Estados Unidos e na União Europeia passaram a discutir o tema.

“A questão à nossa frente”, diz o paper, “é qual a forma deve assumir uma política industrial neste período de disrupções políticas e avanços tecnológicos. Como as instituições responsáveis podem elaborar uma política industrial que não apenas sirva para mitigar falhas de mercado, mas que se preocupe também com os desafios ambientais e sociais, sem apelar para o chauvinismo nacionalista?”.

O paper então elenca algumas iniciativas que aparecem evidentes à primeira vista. Eu traduzi alguns trechos:

“A política industrial não deve mais ser uma questão de manufatura ou indústria per si. O declínio do emprego industrial é uma realidade inevitável em economias avançadas e de renda média [Cafezinho: o Brasil é uma economia de renda média].”

“Na medida em que o mundo se inclina cada vez mais para os serviços, está claro que precisamos de uma concepção de política industrial que se preocupe em fomentar e desenvolver atividades econômicas modernas de maneira mais abrangente, incluindo mas não limitada às manufaturas. A expressão ‘política industrial’ pode levar a distorções ao não enfatizar essa abrangência. Outras alternativas como “políticas de desenvolvimento produtivo”, “políticas de transformação estrutural” ou “políticas de inovação”, já existem, mas nós iremos manter a terminologia tradicional, mesmo que essas outras expressões sejam mais apropriadas para o que temos em mente.”

“Segundo, a política industrial do futuro não deve mais parecer com sua concepção tradicional: uma política de cima para baixo, mirando setores pre-selecionados, e empregando uma lista padrão de subsídios e incentivos. Esse é o tipo de política que foi comum em países como Japão, Coreia do Sul, Taiwan e também foi bem sucedida em alguns países europeus; mas cada vez mais o foco deve ser diferente. A concepção e prática contemporâneas de política industrial são muito menos sobre incentivos de cima para baixo e muito mais sobre estabelecer uma colaboração sustentável entre setores públicos e privados, ao redor de vetores como produtividade e metas sociais. Esse tipo de diálogo evita antecipar a seleção de quais atividades deve promover qual instrumentos deve usar; ao invés, o foco deve ser engendrar sistemas institucionais através dos quais essa colaboração pode funcionar da melhor maneira. Políticas públicas, assim como estratégias comerciais, são a consequência desse processo. Essas políticas e estratégias devem ser vistas como provisórias em seu desenho exterior, a ser continuamente monitoradas e revisadas à luz dos resultados.”

“Terceiro, uma política industrial não pode mais ser uma ação isolada, voltada para si mesma e rivalizando com políticas que promovem a competição, políticas regionais e outras políticas de fomento. No contexto da Europa, as metas das políticas de competitividade e das políticas industriais estão frequentemente em tensão, ou vistas como opostas entre si. A política de competição visa principalmente o interesse do consumidor, enquanto a política industrial está preocupada em criar indústrias dinâmicas e produtivas. No longo prazo, as duas metas precisam ser consistentes, mas no curto prazo, maximizar os benefícios ao consumidor pode prejudicar o alcance de outros objetivos, como mais diversidade e dinamismo produtivos. Da mesma maneira, pode existir sobreposição e conflito entre políticas de desenvolvimento regional e política industrial, se não houver uma divisão de trabalho explícita ou coordenação coerente. Até que ponto, por exemplo, uma política industrial deveria mirar em comunidades e regiões deixadas para trás, e assumir a forma de políticas com foco regional?”

“Quarto, o apoio a mudanças estruturais e ao crescimento da produtividade não pode mais existir sem considerar a direção das mudanças tecnológicas. Em países industrializados, a tendência atual de redução da mão-de-obra deve ser questionada, na medida em que isso pode ir na contramão de um crescimento ambiental e socialmente sustentável. Fomentar mudanças tecnológicas na direção que seja mais vantajosa para o trabalho e para o meio ambiente deve ser um elemento chave dessas novas políticas industriais”.

“Em economias emergentes, a questão é se a política industrial deverá copiar as economias ricas ou olhar para saídas mais adequadas ao estágio de desenvolvimento de seus próprios países, assim como manter o foco em novas prioridades, como o suporte a grupos vulneráveis, igualdade de gênero, redução do uso de energias fósseis e o desenvolvimento de tecnologias ‘verdes’ para novos tipos de agricultura, moradia e transporte. ”

***

Notas:

(1) O último número do IBGE para a indústria, divulgado há alguns dias, mostrou uma situação dramática. Em novembro, houve queda generalizada em todos os setores. No acumulado de 12 meses, a indústria geral caiu 1,3%.

Esse desempenho ruim, aliás, vem desde o início de 2010, quando a produção industrial brasileira entrou num período de estagnação, convertida em acelerada deterioração entre 2014 e 2017, e voltando à estagnação desde então, sempre com viés de baixa.

(2) A aposta de Guedes para essa retomada industrial é juro baixo e barateamento do custo do gás natural.

O gás natural, nos EUA e na Europa, tornou-se o combustível industrial por excelência, e, de fato, o Brasil vive o paradoxo de possuir grandes reservas do produto e, ao mesmo tempo, oferecê-lo a preços bem mais altos do que os registrados em outras economias industrializadas, mesmo entre aquelas que não tem reservas, como na Europa (que importa da Rússia).

Puxados pela queda recorde da taxa Selic, os juros oferecidos às empresas estão cedendo, de fato, mas o volume de crédito caiu tanto que o efeito é quase nulo.

Confira os gráficos sobre juros e saldo de crédito, especificamente para a indústria, segundo dados atualizados pelo Banco Central.

O preço do gás, por sua vez, atingiu os níveis mais altos dos últimos anos. A infra-estrutura para distribuí-lo é precária e insuficiente, e a promessa de Guedes de que a “privatização” do setor de refino irá baratear o produto, sem apresentar nenhum estudo convincente sobre isso, é um insulto à inteligência nacional.

Confira a evolução dos preços do gás natural (GLP), segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).

3) Trecho do post de Fernando Dantas:

(…) O economista Samuel Pessoa, do Ibre/FGV e sócio do Julius Bäer Family Office, explica que uma literatura acadêmica recente vem apontando que a política industrial dos países do Leste Asiático pode efetivamente ter contribuído para o desenvolvimento acelerado destas economias.

Antes de entrar em contato com essa literatura, Pessoa tendia a pensar que a inegável prática de política industrial por aqueles países (o exemplo mais discutido é a Coreia do Sul) teria sido neutro, ou até levemente prejudicial, em relação ao crescimento. O economista considera que os elementos principais do sucesso asiático são alta poupança, muito estudo e disposição de trabalhar, disciplina fiscal e outros itens do cardápio de uma visão ortodoxa de economia.

Entretanto, como já mencionado, há alguns trabalhos recentes que indicam que a política industrial foi eficaz nos países do Leste asiático. (…)

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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25 comentários

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Francisco

14 de janeiro de 2020 às 01h55

Miguel, louvável os esforços para estabelecer no Cafezinho agenda, no caso econômica, em sintonia com a estratégia estabelecida para o momento, pela Campanha, porém os fatos forçam a agenda em outra direção por mais que resistam, o que convenhamos é pra lá de contraproducente.

Nesse momento, por exemplo, não dá para fugir da indicação do filme brasileiro, “Democracia em Vertigem”, indicado como um dos cinco filmes a concorrerem pelo Oscar de Documentários, do lançamento do livro, “Tormenta”, da Thais Oyama, escancarando o circo de horrores dos bastidores desse desgoverno e o Le Monde questionando a retomada do crescimento econômico brasileiro: Recuperação ou ilusão?

Apenas em relação ao questionamento do Le Monde, o Cafezinho fica com os franceses ou fecha com a turma da ‘Globo+News+Marinho’, com o refrão, ‘Agora Vai’, a economia está em plena recuperação’, padrão Alshop?

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Paulo

13 de janeiro de 2020 às 19h55

E o pior foi ver, ontem, na Globo News, o festejado economista Arthur Giannetti da Fonseca dizer que até o final de 2020 estaremos numa situação de pleno emprego. Aí é pracabá!

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alcides carpinteiro

13 de janeiro de 2020 às 18h54

Samuel Pessoa, sócio do Julius Baer, considerava que o sucesso econômico dos gigantes asiáticos fosse a poupança e a vontade de trabalhar. Onde está a meritocracia, meu Deus? Como alguém com um pensamento tão tosco consegue tanto? Para pensar alguma estupidez assim, não era preciso estudar. Aliás, antes, eu pensava que absurdos deste tipo tinham como pré-condição inarredável a falta de estudo.
Tudo o que comemos, vestimos, usamos, é produzido pela indústria. Todos os serviços usam algum produto industrial. E Samuel Pessoal e, garanto, meia dúzia de economistas brasileiros de ponta, acham que industrialização é mero capricho. A China tornou-se o parque industrial do mundo, graças ao vacilo americano de achar que os chineses eram brasileiros ou mexicanos com olhos fechados que somente fazem o que o mestre manda, e nunca pensariam em assimilar tecnologia e começar a fabricar por conta própria. Foderam-se. A China agora tem o mais completo e diversificado parque fabril do mundo e dinheiro pra kralho para desenvolver tecnologia. A Alemanha, que era fabricante de ching-ling no pós revolução industrial, nunca abandonou a indústria. Por isso nunca deixou de ter uma economia forte, ao contrário da Inglaterra, que trocou a indústria pelo mercantilismo e a financeirização.

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    Wellington

    13 de janeiro de 2020 às 19h13

    Ainda vou achar alguem que resolve ir viver na China…

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      alcides carpinteiro

      13 de janeiro de 2020 às 19h53

      alguém já fez essa pergunta com a Alemanha, Japão e Coreia do Sul. Todas elas já respondidas.

      Responder

        Wellington

        13 de janeiro de 2020 às 20h07

        Nao fiz nenhuma pergunta, è uma afirmaçào.

        Responder

        Gilmar Tranquilão

        13 de janeiro de 2020 às 20h17

        Pergunte a quem mora em Hong Kong que conhecem bem o que acham de ir pra China…

        Responder

        Wellington

        13 de janeiro de 2020 às 21h21

        Alcides, agora entendi, me desculpe.

        Responder

Adam

13 de janeiro de 2020 às 17h53

Era o começo mas Pre-sal, embraer, industria naval :TUDO DESTRUÍDO pelo desgoverno ultraliberal neofascita.

Responder

    Renato

    13 de janeiro de 2020 às 18h30

    Uè mas em 2014, quando a desindustrialização vinha ladeira a baixo, não era o Petê que estava no governo ? Sabia que petistas são corruptos, mas não sabia que eles eram ultraliberais !

    Responder

    Gilmar Tranquilão

    13 de janeiro de 2020 às 19h15

    Nem a tomada de 3 pinos se salvou….Kkkkkkkkkkk

    Responder

Sidnei Soares da Rosa

13 de janeiro de 2020 às 16h08

Obrigado Miguel, mais um artigo que agrega e amplia nosso conhecimento e dá bases para rediscutir os problemas atuais do Brasil e do mundo.

Responder

    Gilmar Tranquilão

    13 de janeiro de 2020 às 19h15

    De Jupiter também….Kkkkkkkkkkk

    Responder

    Wellington

    13 de janeiro de 2020 às 21h57

    Mas a matéria se refere ao Brasil? Então não entendi nada!

    Responder

Wilton Cardoso

13 de janeiro de 2020 às 15h46

Os neoliberias fracassaram redondamente e a “conversão” (mesmo que parcial) de Pessoa, Fraga e Lara REzende ao ideário neokeynesiano é o efeito do fracasso social e econômico do neoliberalismo.

O problema, caro Miguel, é que os neikeynesianos e seu novo desenvolvimentimo, que você acredita ser a solução para o mundo e o Brasil, também estão perdidos. Veja que são obrigados a reconhecer que o emprego industrial está fatalmente em queda, e queda significativa. E não só o setor industrial que tende a eliminar empregos de forma significativa por conta da tecnologia, mas também a agropecuária, a mineração (setores primários), o comércio, serviços e finanças (setor terciário).

O trabalho humano está ficando obsoleto, por isso o desemprego estrutural, o subemprego, a informalidade, precarização, uberização etc, que atinge massas cada vez maiores da população que se tornam pessoas supérfluas para o capitalismo. Não há mais espaço para nações industriais: é o próprio capitalismo que está em crise estrutural, muito mais grave que a que estourou em 1929 e redundou nas duas grandes guerras.

Apenas os marxistas podem explicar o quadro atual, principalmente o marxismo da crítica do valor. Mas ninguém quer ouvir, talvez porque eles vão dizer que o capitalismo está inviável e não consegue mais se reproduzir. E que a emancipação não é uma utopia desejável, mas se tornou uma necessidade urgente cuja alternativa e a barbárie que já se anuncia na plutocracia neoliberal das corporações e nos neofascismos enlouquecidos.

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    Rodrigo Silva

    13 de janeiro de 2020 às 18h12

    Wilton Cardoso, sua análise é profunda, mas acho que existem fatores como hegemonia moral a considerar. O que quero dizer é que os conservadores abraçarão o fascismo na eminência de uma revolução socialista, não tenha dúvidas, isto está nas suas entranhas. Pois só isso explica a “tolerância” com as tragédias humanas que o capitalismo produz. Não idealize a humanidade!!!

    A classe média nos EUA percebeu que os ganhos de produtividade da economia nos últimos 40 anos foi parar nas mãos do 1% do topo da pirâmide. Não só lá, mas acho que isso basta para se construir um consenso internacional e decretar a morte do liberalismo.

    Os novos keynesianos, diferente dos velhos, partem de uma premissa mais pronunciada: a globalização. E acredito que é possível sim uma dinâmica socioeconômica mais justa, sem romper drasticamente com a ordem social. Isso significa a democratização dos meios de produção através da regulação e regulamentação estatal, transferindo os ganhos de produtividade para o povo, através de um sistema tributária bem planejado. Ou seja, baixa jornada de trabalho e crescente poder de compra.

    Gostaria também de humanizar muitas coisas, mas acho que isso é “o que temos pra hoje”!

    Responder

      Gilmar Tranquilão

      13 de janeiro de 2020 às 19h23

      O que essa gente serà que fuma para escrever tantas fanfarronices inuteis…?

      Sobre os raelianos nao temos nada a dizer…? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Responder

        Wellington

        13 de janeiro de 2020 às 19h51

        Eu entendi tudo, só não entendi o que é essa tal economia.

        Responder

          Rodrigo Silva

          13 de janeiro de 2020 às 21h26

          Wellington, o capitalismo na forma do neoliberalismo acabou. A prospecção de mercado é que 80% da postos de trabalho serão substituídos pela automação dentro de 3 a 4 décadas. Se assim for, que vai acontecer? Socialismo? Ou vamos tapar os olhos e os ouvidos e repetir o que parte da Europa fez depois da crise de 29? Adotar um sistema de valores duvidosos e legitimar a barbárie?
          Basicamente, ou descentralizamos o poder econômico ou as periferias se tornarão maiores a cada dia.

          Paulo

          13 de janeiro de 2020 às 21h37

          Rodrigo, FHC já andou especulando com um bolsa-família universal…

          Wellington

          13 de janeiro de 2020 às 21h53

          Onanismo puro.

          Wellington

          13 de janeiro de 2020 às 21h55

          Pra mim vc tá falando chinês.

      Wilton Cardoso

      14 de janeiro de 2020 às 10h04

      Caro Rodrigo,
      Há dois problemas para essa guinada neokeynesiana. O primeiro é que uma economia altamente tecnológica dá muito pouco lucro ou, em termos marxistas, produz puca mais valia e leva o capitalismo a uma crise “existencial”, pois este só se reproduz com a produção de valor através do trabalho humano.
      Segundo, essa resposta keynesiana a quase socialista de diminuição da carga horária, aumento de salário, tributação progressiva e universalização de políticas públicas (educação, saude, previdência etc – que é salário indireto e, portanto, custo do ponto de vista do capital) precisa ser global e isso não está no horizonte. O que acontece é justamente o contrário: há uma disputa predatória por indústrias e corporações, na qual os estados e blocos econômicos não vacilam em afrouxar leis trabalhistas (aumentando a carga horária e diminuindo o salário e a seguridade) e diminuir o imposto das empresas e dos ricos (impossibilitando a universalização das políticas públicas).

      Foi com essa política predatória de seus trabalhadores e, indiretamente, dos trabalhadores do resto do mundo, que a China se impôs como nação industrial. E a tendância é o que já está acontecendo: ou se preda o trabalho ou ele é substituído pela automação, ou ambos. Acho difícil frear politicamente essa lógica perversa do capital que, em nome da preservação do lucro, consome a vida humana e a natureza.

      Responder

        Jesus Amado Batista...

        14 de janeiro de 2020 às 12h49

        Concordo quase em tudo…eu incluiria no seu raciocionio a empinada neomelodica napolitana….o que acha a respeito…?

        Responder

        Rodrigo Silva

        14 de janeiro de 2020 às 15h24

        Grande Wilton, dono de uma dialética impressionante!!! Talvez vc tenha razão. Então… quando a China cair…que se inicie a emancipação da humanidade!!!

        Responder

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