Entrevista de Lula ao UOL

Varejo perde força em novembro

Por Redação

15 de janeiro de 2020 : 09h47

Pode-se ler os números do varejo, divulgados hoje pelo IBGE, sob diferentes ângulos. O mais pessimista: novembro de 2019 foi o pior novembro em três anos. Em novembro de 2017 havíamos crescido 8,7%; em novembro de 2018, 5,9%; e agora crescemos apenas 3,8%. É uma curva descendente.

Olhando para o volume acumulado em 12 meses, assim como para a variação mensal, nota-se igualmente uma curva em declínio.

A impressão que esses números dão é que o governo Bolsonaro está conseguindo a proeza de, com suas trapalhadas políticas e internacionais, travar um movimento de recuperação natural, que viria necessariamente em virtude da recuperação dos preços de commodities e acomodação da própria economia, após as turbulências políticas do período anterior e posterior ao impeachment.

Aliás, sempre que examinamos a série histórica, é difícil não se espantar com a coincidência entre a crise política e a depressão econômica. O fundo do poço, por exemplo, do comércio varejista, aconteceu exatamente em setembro de 2016, mês em que o impeachment foi aprovado no Senado.

Com Black Friday, vendas crescem 0,6% e setor avança pelo sétimo mês seguido

Por Alerrandre Barros
15/01/2020 09h00 | Última Atualização: 15/01/2020 09h00

Agência IBGE — As vendas do comércio varejista cresceram 0,6% em novembro de 2019, na comparação com outubro, impulsionadas pelas promoções da Black Friday. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada hoje pelo IBGE, foi o sétimo resultado positivo seguido do setor, com ganho acumulado de 3,3% no período.

O volume de vendas registrou o maior patamar desde dezembro de 2016, período crítico da crise no setor, mas segue 3,7% abaixo do recorde alcançado em outubro de 2014.

Entre as oito atividades pesquisadas, quatro tiveram altas, sendo que três delas foram diretamente influenciadas pela Black Friday: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (4,1%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,0%) e móveis e eletrodomésticos (0,5%). Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação também registraram taxa positiva em novembro (2,8%).

Por outro lado, pressionaram negativamente as vendas os segmentos de tecidos, vestuário e calçados (-0,2%) e combustíveis e lubrificantes (-0,3%), ambos devolvendo uma pequena parcela do ganho acumulado nos dois últimos meses, respectivamente, 3,4% e 2,7%. A atividade de livros, jornais, revistas e papelaria também registrou recuo nas vendas (-4,7%).

Já o setor de maior peso no varejo, hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,0%), ficou estável.

“O crescimento de 0,6% é relevante porque manteve a taxa positiva pelo sétimo mês seguido, o que fez novembro registrar o patamar mais elevado desde dezembro de 2016. Isso mostra que o setor vem mantendo a recuperação”, disse a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

Na comparação com novembro de 2018, o varejo cresceu 2,9%, oitava taxa positiva seguida. Com isso, o setor acumulou avanço de 1,7% de janeiro a novembro de 2019, em relação ao igual período do ano anterior. O indicador acumulado nos últimos 12 meses, ao passar de um avanço de 1,8% em outubro para 1,6% em novembro, sinalizou perda de ritmo nas vendas.

A Pesquisa Mensal de Comércio mostra ainda que no comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, o volume de vendas recuou -0,5% em novembro, na comparação com outubro, interrompendo oito meses de crescimento contínuo, período em que acumulou ganho de 5,1%. O resultado foi puxado pelo setor de veículos, motos, partes e peças (-1,0%), enquanto material de construção apontou estabilidade (0,1%).

“O segmento de veículos não sustentou o crescimento em novembro, depois de dois meses de crescimento (3,5%). É comum essa acomodação. A atividade vem mostrando dinamismo ao longo de 2019, acumulando no ano alta de 10,1%. Foi um bom ano para o segmento”, disse Isabella Nunes.

Regionalmente, as vendas do varejo cresceram em 22 dos 27 estados em novembro do ano passado, com destaque para Roraima (9,3%), Rondônia (8,5%) e Acre (6,7%). Por outro lado, entre as cinco quedas registradas no mês, as maiores foram verificadas no Amapá e no Rio Grande do Norte, ambos com -0,7%, e Santa Catarina e Distrito Federal, os dois com -0,6%.

      

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