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Balança de pagamentos fecha fevereiro com déficit de US$ 3,9 bilhões

Por Redação

26 de março de 2020 : 13h59

O Brasil, por falta de políticas industriais, continua sofrendo o mal crõnico do subdesenvolvimento: o déficit em sua balança de pagamentos.

O problema está se agravando perante o neoliberalismo selvagem do governo Bolsonaro, como se pode constatar pelo gráfico acima.

E agora, diante da crise do coronavírus, não se vê nenhuma iniciativa do governo para aumentar a produção de mercadorias necessárias ao combate ao vírus e à recessão econômica.

No BC

Estatísticas do setor externo
1. Balanço de pagamentos


Em fevereiro de 2020, o déficit em transações correntes totalizou US$3,9 bilhões, ante déficit de US$3,3 bilhões no mesmo mês de 2019. A elevação de US$570 milhões no déficit decorreu da redução de US$154 milhões no superávit da balança comercial de bens, de maiores déficits nas contas de serviços (US$239 milhões) e de renda primária (US$224 milhões), e de elevação dos ingressos líquidos de renda secundária (US$47 milhões). O déficit em transações correntes nos doze meses encerrados em fevereiro de 2020 somou US$52,9 bilhões (2,91% do PIB), ante US$52,3 bilhões (2,86% do PIB), em janeiro de 2020.

Abaixo, os números no acumulado de 12 meses:

As exportações de bens totalizaram US$16,4 bilhões em fevereiro, aumento de 4,0% em relação ao mês correspondente de 2019. Na mesma base de comparação, as importações de bens aumentaram 6,0%, para US$13,9 bilhões. Na comparação entre os primeiros bimestres de 2020 e 2019, as exportações reduziram 8,6% para US$30,9 bilhões, enquanto as importações aumentaram 2,9%, também totalizando US$30,9 bilhões. A contração do saldo comercial, de superávit de US$3,7 bilhões no primeiro bimestre de 2019, para déficit de US45 milhões no período homólogo de 2020, determinou a ampliação do déficit em transações correntes no período.

O déficit na conta de serviços atingiu US$2,6 bilhões no mês, 10,2% superior ao resultado de fevereiro de 2019, US$2,4 bilhões. Destacaram-se o incremento na despesa líquida de aluguel de equipamentos, de US$937 milhões para US$1,5 bilhão, e a redução nas despesas líquidas de viagens, de US$760 milhões para US$ 403 milhões.

Em fevereiro de 2020, o déficit em renda primária aumentou 6,1% na comparação com fevereiro de 2019, somando US$3,9 bilhões. Os gastos líquidos com juros somaram US$1,4 bilhão no mês, aumento de 35,3% na comparação interanual, com incremento de despesas e estabilidade nas receitas. As despesas líquidas de lucros e dividendos somaram US$2,5 bilhões, redução de 6,1% ante fevereiro de 2019.

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$6,0 bilhões no mês, ante US$7,7 bilhões em fevereiro de 2019. O fluxo foi composto por ingressos líquidos de US$2,3 bilhões em participação no capital e de US$3,7 bilhões em operações intercompanhia. Nos doze meses encerrados em fevereiro de 2020, o IDP totalizou US$76,7 bilhões, correspondendo a 4,22% do PIB, em comparação a US$78,3 bilhões (4,28% do PIB) no mês anterior.

No mês, a saída líquida de investimento em portfólio no mercado doméstico somou US$3,4 bilhões, com saídas líquidas de US$4,5 bilhões em ações e fundos de investimento e ingressos líquidos de US$1,1 bilhão em títulos de dívida. No primeiro bimestre de 2020 houve saídas líquidas de US$1,9 bilhão em instrumentos de portfólio negociados no mercado doméstico, comparativamente a ingressos líquidos de US$10,7 bilhões observados em período similar, em 2019.

2. Reservas internacionais
O estoque de reservas internacionais atingiu US$362,5 bilhões em fevereiro de 2020. O incremento de US$3,1 bilhões nesse estoque, relativamente à posição de janeiro, decorreu principalmente da variação por preço, que gerou ganhos de US$2,5 bilhões. A receita de juros adicionou US$549 milhões ao estoque, enquanto a variação por paridades contribuiu para reduzi-lo em US$460 milhões. No primeiro bimestre de 2020, os ganhos com preço de títulos acumulam US$4,6 bilhões.

3. Posição de Investimento Internacional (PII)
A PII apresenta, a cada data-base, os estoques de ativos e passivos financeiros entre residentes e não residentes no país. A diferença entre esses estoques é denominada PII líquida, com valores negativos expressando o maior volume de investimentos de não residentes realizados no país, quando comparados aos efetuados no exterior por residentes.

Os ativos da PII somaram US$892,5 bilhões na posição de dezembro de 2020, destacando-se as reservas internacionais, US$356,9 bilhões, e a posição de investimento direto no exterior, US$399,9 bilhões. Os passivos da PII atingiram US$1,6 trilhão, dos quais a posição de IDP representou mais da metade, US$819,5 bilhões. A PII líquida de dezembro de 2020, portanto, foi devedora em US$731,9 bilhões, equivalente a 39,8% do PIB.

A PII líquida devedora de fevereiro de 2019 foi estimada em US$588,3 bilhões (32,3% do PIB). Comparativamente a dezembro de 2019, a posição tornou-se menos devedora em US$143,6 bilhões, dos quais US$139,2 bilhões correspondentes à redução do estoque de passivos. A depreciação da moeda doméstica reduziu o estoque de passivos externos denominados em moeda nacional, tais como IDP – Participação no capital e títulos e ações negociados no mercado interno. A variação de preço também contribuiu para reduzir o estoque desses passivos.

4. Estimativas e parciais
Devido à suspensão da entrevista coletiva para a divulgação das estatísticas do setor externo, as estimativas e as parciais para o corrente mês passam a ser informadas no texto da Nota para a Imprensa.

Para o mês de março, a estimativa para o resultado em transações correntes é de déficit de US$1 bilhão, enquanto a de IDP é de ingressos líquidos de US$7 bilhões.

As parciais para o mês de março, até o dia 23, são apresentadas nas tabelas a seguir:

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