Análise da reunião ministerial de Bolsonaro

Atlas Político: rejeição a Bolsonaro explode para 65%; já há maioria de 54% em favor do impeachment

Por Miguel do Rosário

27 de abril de 2020 : 11h07

Pesquisa do Atlas Político realizada entre os dias 24 e 26 de abril, com 2 mil pessoas (íntegra aqui), mostra que a rejeição a Bolsonaro subiu fortemente, com sua imagem negativa batendo em 65%, mais de 15 pontos acima do nível registrado em fevereiro, data da pesquisa anterior.

Os números mostram que Bolsonaro é a liderança política mais rejeitada; 65% de imagem negativa, superou a rejeição de Lula, que ainda é de 60%.

Outros líderes progressistas também tem alta rejeição: Haddad e Ciro, por exemplo, tem rejeição de 56% e 55%, respectivamente.

As melhores pontuações estão exatamente com os ministros demitidos  Mandetta (positivo de 63%, negativo de 23%) e Moro (positivo de 57%, negativo de 31%), além do ainda ministro (até quando?) Paulo Guedes (positivo de 40%, negativo de 38%).

Outro gráfico interessante é o apoio ao impeachment, que agora já conta com ampla maioria de 54% da população, contra apenas 37% que são contra.

Pela primeira vez, o Atlas Político mostra os dados segmentados da pesquisa, que confirmam o que vínhamos observando em outras pesquisas: Bolsonaro perdeu apoio em todas as classes, incluindo nas faixas médias de renda, que foram grandes responsáveis por sua vitória eleitoral.

As tabelas e gráficos abaixo trazem três avaliações importantes do governo:

1) aprovação/desaprovação do desempenho pessoal do presidente;
2) avaliação do governo;
3) opinião sobre o impeachment.

Nas três questões, Bolsonaro está mal.

O gráfico abaixo, com a desaprovação por faixa de renda, refere-se à questão número 1, que trata do desempenho pessoal do presidente. Há desaprovação altíssima em todas as faixas de renda, mas chama a atenção a desaprovação de quase 70% nas faixas de renda familiar situadas entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Isso confirma nossas análises anteriores, de que Bolsonaro perdeu boa parte do apoio que ainda gozava entre as classes mais instruídas e de maior renda familiar.

Fiz uma tabela para resumir a aprovação do governo nas três questões. Outro ponto que chama atenção é que, entre famílias mais pobres, com renda até R$ 2 mil, 58% estão a favor do impeachment de Bolsonaro.

Ou seja, os apoiadores de Bolsonaro não podem alegar, ao menos não por esta pesquisa, que estã perdendo apoio na classe média mas ganhando entre as famílias mais pobres.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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9 comentários

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Bruno Diego

28 de abril de 2020 às 20h12

OBS > Lula está somando 101% e Haddad 99% em seus respectivos totais nos gráfico (9) de imagens de líderes. Na soma de seus percentuais de negativa, positiva e neutra.

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Miramar

28 de abril de 2020 às 12h40

Como eleitor do Ciro comprovo uma coisa interessante: da mesma forma que o não eleitor do PT odeia o PT, o não eleitor do Bolsonaro cada vez mais odeia o Bolsonaro. Não foi assim em 2018, da mesma forma que não foi em 2002.

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yuri canastra

28 de abril de 2020 às 11h06

Pesquisa Datafolha dia 27 Abril (apòs saida de Moro).

Bolsonaro Bom ou Otimo passou de 30% (dezembro) para 33%.

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Tiago

27 de abril de 2020 às 21h27

A briga eleitoral que querem é para se ter um segundo turno entre a Extrema direita (Bolsonaro) versus direita (algum candidato do PSDB como Dória, Moro ou Huck) e a classe média de 5 a 10 SM já está assim. Em 3 a 5 SM tem vantagem do Bozo entre os demais. Abaixo dos 2 SM é historicamente Lulista, mas com tanto anti-petismo (inclusive daqui), bem capaz de a esquerda ficar sem candidatos no segundo turno. Detalhe que quem mais apoia Bozo ou Moro são os que passaram a se preocupar com política após 2013 (16 a 30 anos) e o PSOL (Freixo ou outro que seja mais carismático), PDT (Ciro) e nem o PCdoB (principalmente com a Manuela) não estão ocupando esse eleitorado… O que também é de se preocupar.

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    Paulo

    27 de abril de 2020 às 23h08

    Não dá pra ter 2º turno entre direita e extrema direita, Tiago! Provavelmente um candidato de esquerda (provavelmente petista) chegará lá. Será uma briga de antípodas. O perigo é que o candidato da direita seja Bolsonaro, no 2º Turno, porque ou ele estará com a fatura liquidada (e continuaremos nessa política errática), ou perderá a eleição (e voltaremos ao Foro de São Paulo ou ao Grupo de Puebla)…

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      Alan C

      28 de abril de 2020 às 17h32

      A única certeza que existe neste momento é que o PT não ganha.

      Todo o resto tá ali no bolo.

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PHELLIPE DE SOUSA OLIVEIRA ARAUJO

27 de abril de 2020 às 21h12

acabou de sair a nova datafolha, com números melhores pra ele. Nao da pra entender esses 33% de aprovação apos a queda do Moro, eu vi muita gente pulando do barco, achei q ele ia perder pelo menos uns 5%.

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chichano goncalvez

27 de abril de 2020 às 11h54

E os analfabetos politicos, que são por volta de mais de 60 %, junto aos maldosos , como estão pensando, na imensa cagada que fizeram, alias sempre fazem. Não aceito que foram enganados, é enganado quem quer ser, chega dessa conversa fiada, de sempre. Mas quando morrer algum ente querido deles, eles vão ver o que é bom pra tosse.

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Everaldo

27 de abril de 2020 às 11h32

O PAIS ESTA EM FRANGALHOS, A POBREZA AUMENTA E O PAIS VOLTA SO MAPA DA FOME O DESEMPREGO BATE RECORDES. È NO MÍNIMO LAMENTÁVEL QUE A MÍDIA CORPORATIVA BRASILEIRA SE COMPORTA COMO SE O BRASIL FOSSE UMA SUÍÇA.

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