Live do Cafezino (20h): o novo surto de Bolsonaro! Convidado: Celso Rocha de Barros

Apesar de ser conhecida como uma cidade de classe média, Niteroi tem enormes favelas, como o Complexo do Viradouro e Santa Rosa.

A campanha em Niteroi e os perigos do salto alto

Por Redação

21 de setembro de 2020 : 13h28

A campanha eleitoral no município de Niteroi oferece uma vitrine de observação para progressistas em todo Brasil. E, especialmente, sobre os riscos de candidatos bem posicionados cometerem o velho erro do “salto alto”, que consiste em não avaliar corretamente os riscos potenciais que seus adversários oferecem.

O atual prefeito, Rodrigo Neves (PDT), tem 80% de aprovação, segundo a última sondagem do Paraná Pesquisas, feita no início de setembro.

Evidentemente, isso o transforma num poderoso cabo eleitoral, na medida em que os números deixam claro que predomina o sentimento de continuidade junto a maioria do eleitorado.

O seu candidato, Axel Grael (também do PDT), já mostra uma boa pontuação na pesquisa espontânea, com 6,9%, quase empatado com o próprio prefeito, Rodrigo Neves, que tem 8,8%.

Observe, todavia, que 64% responderam que “não sabem”: embora esse percentual seja mais ou menos normal no Brasil, ele deveria deixar todos os candidatos, mesmo aqueles que parecem ser favoritos, em estado de alerta, porque revela o alto grau de volatilidade do eleitor brasileiro.

Na pesquisa estimulada, há outro sinal de alerta para a campanha de Axel Grael. O seu principal adversário, o vereador Felipe Peixoto (PSD), aparece empatado tecnicamente com Axel. Peixoto tem 22%, contra 25% de Axel. Entretanto, como o terceiro colocado, Bruno Lessa (DEM), deve compor a chapa com Felipe Peixoto, seria prudente somarmos seus 8 pontos a Peixoto, o que o deixaria com quase 30% dos votos, liderando a corrida.

O Paraná Pesquisas apurou o potencial eleitoral dos candidatos, e Axel Grael aparece numa posição relativamente confortável: seu potencial positivo de voto é de 55%, contra 50% de Felipe Peixoto, mas tem uma rejeição bem menor, de 27,6%, contra 44% de Peixoto.

Por outro lado, 14% dos entrevistados responderam que não conheciam Grael o suficiente para opinar, ao passo que apenas 3% dos eleitores disseram não conhecer Peixoto.

E aqui entra a parte mais perigosa do cenário na cidade: Bolsonaro tem aprovação de 46% da população da cidade, sendo 55% entre homens.

Esses números mostram que Bolsonaro também será um cabo eleitoral importante em Niteroi, e pode haver transferência, de última hora, para um candidato apoiado por ele.

Até o momento, o candidato mais próximo de Bolsonaro é o delegado aposentado Antonio Rayol (PSL), que tem apoio do deputado federal bolsonarista Carlos Jordy (também PSL). Rayol tem apenas 2% nas pesquisas, mas pode surpreender nos últimos dias de campanha, em função das fortes redes sociais de Jordy e da família Bolsonaro.

O governador afastado, Wilson Witzel, parece ser carta fora do baralho em Niteroi. Segundo o Paraná Pesquisas, ele é aprovado por apenas 8,5% dos eleitores de Niteroi, percentual que cai para 5% entre eleitores com ensino superior.

Mas voltemos ao cenário 1 da pesquisa estimulada. Ele traz outros dados bem preocupantes para a campanha de Axel Grael: entre eleitores com educação até o ensino fundamental, há liderança absoluta de Felipe Peixoto, que pontua 34%, contra 19% de Axel Grael.

Ainda nessa faixa menos instruída, temos 27% de eleitores que responderam que não votarão em ninguém ou não sabem.

Somando os pontos de Felipe Peixoto e Bruno Lessa entre a população menos instruída, chegamos a quase 47% das intenções de voto. Ou seja, perto da metade do eleitorado menos instruído pode votar no principal adversário do candidato trabalhista.

Entre eleitores com ensino médio (maioria do eleitorado), Grael tem 25% das intenções de voto, contra 21% de Felipe Peixoto. Se somarmos os pontos de Bruno Lessa, todavia, a chapa Felipe & Bruno atinge quase 30% das intenções, novamente liderando a pesquisa.

Entre eleitores com ensino superior, Grael tem uma liderança clara, com 28% das intenções de voto, contra uma pontuação somada, de Felipe Peixoto e Bruno Lessa, de 22%.

Por outro lado, entre eleitores com ensino médio e superior, o índice de eleitores que disseram não votar em ninguém ou estarem indecisos, ficou perto de 35%, o que injeta um grau de volatilidade grande nessa faixa do eleitorado. Para onde vão esses votos? Irão dar um voto de continuidade, como sinaliza a popularidade alta de Rodrigo Neves, o atual prefeito? Ou estarão vulneráveis a campanhas subterrâneas de whatsapp, coordenadas pelo bolsonarismo?

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1 comentário

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João

13 de outubro de 2020 às 00h40

Há um erro nesta matéria. A descrição da foto diz que Santa Rosa é uma favela de Niterói, porém na verdade é um bairro de classe média/alta da cidade.

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