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Ipea prevê queda de 5% no PIB deste ano

Por Redação

01 de outubro de 2020 : 18h21

O IPEA divulgou um estudo bastante completo sobre o desempenho da economia brasileira nos últimos anos, e com projeção para 2020 e 2021.

Gostaria de comentar alguns gráficos divulgados no relatório.

Na tabela abaixo, eu chamaria atenção para a queda de 7,5%, em 2020, do item FBCF, que significa Formação Bruta de Capital Fixo, o nome científico para o que popularmente se conhece como “investimentos públicos e privados”.  Para 2021, o IPEA projeta alta de 4,1% dos investimentos, ou seja, abaixo do que se perdeu este ano, e abaixo mesmo da esperada alta de 5,4% nas importações de bens e serviços.

Os números da dívida bruta do governo central mostram uma deterioração da mesma até 2023, quando chegará a 97,4% do PIB.

Agora vejamos o resultado primário do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Sociais e Banco Central) e do setor público consolidado (governos federal, estaduais e municipais, mais estatais).

O resultado primário do governo central deve ser muito ruim este ano, por causa da pandemia, atingindo um déficit de 871 bilhões de reais. Para 2021, outro resultado preocupante: déficit de R$ 233,6 bilhões. Para efeito de comparação, o ano de 2019, registrou um déficit do resultado primário do governo central de R$ 88,9 bilhões.

Considerando todo o setor público, o déficit do resultado primário chegará a 12,5% do PIB, o pior número da história. Para 2021, espera-se um déficit de 3,1%, o segundo maior da história.

Acrescentei o gráfico, de um relatório mais antigo do IFI, com os anos anteriores a 2016, para termos uma ideia da deterioração das contas públicas. Bolsonaro cumprirá o resto de seu mandato com imensas restrições orçamentárias.

A tabela com a receita primária do governo central revela um aspecto bastante peculiar da maneira como o Tesouro Nacional se financia. Dentre as receitas administradas pelo Receita Federal, a mais importante é o IR, o Imposto de Renda. Como no Brasil temos um sistema pouco progressivo, o grosso da arrecadação recai sobre os ombros da classe média, tanto aquela empregada no setor privado como no público. Como se trata da mesma classe média que tem a percepção (equivocada) de que depende menos de serviços públicos essenciais, como saúde e educação, e como não vê os mais ricos pagando alíquotas maiores, isso talvez seja um dos fatores determinantes na formação de sua opinião política.

Essa outra tabela mostra o volume de dinheiro envolvido no enfrentamento a Covid-19, e explica porque evitamos um colapso social no país. O governo já gastou R$ 413,93 bilhões desde abril, número que deve crescer para R$ 586,87 bilhões no total. Apenas em Auxílio Emergencial, serão pagos R$ 322 bilhões.

Para se ter uma ideia de magnitude, fizemos um gráfico com as despesas (já devidamente ajustadas pela inflação) do Bolsa Família desde 2008. Durante todo o governo Lula, o Bolsa Família nunca chegou ficou muito acima de R$ 20 bilhões por ano.

Isso ajuda, naturalmente, a explicar porque Bolsonaro ampliou sua aprovação junto às camadas mais humildes da população.

Por outro lado, o comprometimento da renda familiar com dívidas vem aumentando de maneira dramática desde o início do governo Bolsonaro, embora se note uma pequena melhora, ainda insignificante, nos últimos meses (provavelmente em função do próprio Auxílio Emergencial).

Esse gráfico da carteira de crédito traz duas informações importantes: o saldo da carteira de crédito das pessoas físicas vem crescendo bastante desde 2018. Isso seria uma coisa boa, se o crédito a pessoa física não fosse tão caro no Brasil. Esse dado está ligado ao aumento do endividamento das famílias.

O saldo de crédito das empresas (Pessoas Jurídicas – PJ) experimentou alguma recuperação nos últimos meses, mas ainda está muito abaixo dos níveis observados até 2015. Aliás, por aí se vê o estrago provocado pela instabilidade política.

Esse gráfico é bem impressionante, porque mostra a inflação dos alimentos, que chegou a 11,4% em agosto. A inflação de outros itens permanece baixa, mas a alta dos alimentos impacta profundamente as famílias mais pobres.

Os gráficos que tratam do desemprego e da população ocupada mostra a devastação da Covid-19 num mercado de trabalho que já andava fragilizado, tanto por problemas contingentes, próprios do Brasil, como por causas mais estruturais, ligadas sobretudo à automação e à chegada da inteligência artificial.

Os investimentos no Brasil, nesses dois primeiros anos de Bolsonaro, seguem ridiculamente baixos. Ainda estamos muito longe de recuperar as taxas de investimentos registradas ao final do governo Lula, quando chegaram a crescer quase 4% ao ano.

O gráfico abaixo trata do Nuci, ou Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci). É um dado importante para entender a saúde da indústria nacional. O Nuci já estava estagnado ou em queda antes da pandemia, e tombou a níveis nunca antes visto após a chegada do Covid-19 ao Brasil.

Os gráficos abaixo, que tratam do emprego, também trazem dados preocupantes. Houve uma queda brutal da população economicamente ativa (ou seja, pessoas trabalhando efetivamente) sobre a população total em idade de trabalhar, ou seja, com 15 anos ou mais).

Ipea revisa queda do PIB de 6% para 5% em 2020

Intensidade da recuperação depende da evolução da pandemia de Covid-19

Ipea — A análise trimestral da conjuntura econômica brasileira, divulgada nesta quinta (1º) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta recuperação da atividade econômica. Os pesquisadores revisaram a previsão de queda de 6% para 5% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, em razão do bom desempenho, melhor do que esperado para o terceiro trimestre. As estimativas para agosto são de crescimento da produção industrial (+6,1% em relação a julho), serviços (+7,6%), vendas no varejo ampliado (+7,5%) e vendas no varejo restrito (+5,6%). Para 2021, foi mantida a projeção de crescimento de 3,6% do PIB.

Apesar do cenário de recuperação, o ano deve fechar com ociosidade elevada na economia. O hiato do produto, que mede o grau de ociosidade, saltou de 4,2% no primeiro trimestre deste ano para inéditos 13,9% no terceiro trimestre.

O penúltimo trimestre do ano também registrou aceleração da inflação, devido à alta nos preços dos alimentos. No acumulado de 12 meses encerrados em agosto, os produtos alimentícios responderam por 70% de toda a variação do IPCA. Isso fez com que a previsão de inflação geral para 2020 fosse revisada de 1,8% para 2,3%. As projeções, porém, foram revisadas para baixo em serviços educacionais (5% para 1,2%), demais serviços livres (2% para 0,7%) e preços monitorados (1,2% para 1%). Para 2021, a taxa de inflação estimada pelo Ipea é de 3,3%.

A análise trimestral de conjuntura mostra, ainda, que o conjunto de medidas emergenciais lançado pelo Governo Federal para combater os efeitos da pandemia acarretará forte aumento do déficit e da dívida pública. Os gastos da União em ações relacionadas à Covid-19 no ano de 2020 estão estimados em cerca de R$ 590 bilhões. “É importante que o país saia da pandemia reforçando o compromisso com o equilíbrio fiscal, que é pré-requisito fundamental para a retomada sustentável da nossa economia”, avalia o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do instituto, José Ronaldo Souza Júnior.

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