Live do Cafezinho (19h): que segurança pública que queremos?

Fotos: Giulia Cassol e Joana Berwanger/Sul21. Montagem: Sul21.

Mais acirrada que Grenal

Por Pedro Breier

28 de novembro de 2020 : 18h54

São pesquisas de institutos diferentes. Ainda assim, a drástica diminuição da distância entre Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB), que disputam o segundo turno em Porto Alegre, é impressionante.

A primeira pesquisa é do Instituto Paraná e foi realizada entre os dias 17 e 19 de novembro: 61,80% das intenções de voto para Melo e 31,20% para Manuela. A segunda é do Ibope e foi realizada entre os dias 22 e 24 de novembro: 54% para Melo e 46% para Manuela.

Mesmo sendo de institutos diferentes, uma queda de quase 8 pontos percentuais para o candidato do MDB e uma subida de quase 14 pontos para a candidata do PCdoB já era um forte indicativo das tendências da intenção de voto do eleitorado de Porto Alegre.

Pois ontem, 27, saiu mais uma pesquisa, do Real Time Big Data. 53% para Melo e 47% para Manuela, o que configura um empate técnico, considerando que a margem de erro é de 3 pontos percentuais. Esta pesquisa foi realizada nos dias 25 e 26 de novembro, ou seja, nos dias imediatamente posteriores aos quais foi realizada a pesquisa Ibope.

Hoje, dia 28, outra do Real Time Big Data: Melo com 52% e Manuela com 48%, ou seja, um empate “mais técnico ainda”. Esta foi realizada por telefone nos dias 26 e 27 de novembro.

A confiar na exatidão dos números, Manuela está arrancando mais ou menos um pontinho por dia do seu adversário. A tendência, na véspera do segundo turno, é evidente: Melo derrete enquanto Manuela decola.

Há um dado interessante na comparação entre as duas pesquisas do Real Time Big Data. Na realizada em 25 e 26 de novembro, Manuela aparece com 40% de rejeição e Melo com 34%. Na realizada nos dias 26 e 27, Manuela tem 38% de rejeição e Melo 37%. É uma variação dentro da margem de erro, mas que confirma a tendência do eleitorado de abrir a cabeça em relação ao voto na candidata do PCdoB,

Assisti a alguns dos programas eleitorais dos candidatos no segundo turno para observar as estratégias e tentar entender os porquês desse clima de virada.

Entre as duas pesquisas houve o assassinato brutal de João Alberto Silveira Freitas por seguranças do Carrefour, exatamente na capital do Rio Grande do Sul.

A campanha de Manuela D’Ávila tomou uma decisão estrategicamente ousada a partir desse fato: cedeu quase todo o tempo do seu horário eleitoral para dar voz a negros e negras que protestavam contra a morte de João e o racismo estrutural. O programa de Melo, exibido em seguida, sequer mencionou o assassinato. (Veja aqui os dois programas.)

Os programas de Melo focam exasperantemente no fato de que ele conhece a cidade. Conhece cada bairro, cada rua etc. A locutora diz isso, o candidato diz a mesma coisa, pessoas aleatórias entrevistadas na rua e que provavelmente sequer conhecem Melo pessoalmente garantem que sim, ele conhece todos os bairros da cidade. O que poderia até ser um trunfo parece ter se tornado uma espécie de panaceia desesperada para a candidatura.

Os ataques à adversária foram, em geral, toscos: o locutor destaca o partido COMUNISTA do Brasil de Manuela e menciona o PT, o Mensalão e a Lava Jato enquanto exibe imagens de Manuela com Lula e com um boné do MST. O ataque é encerrado com um letreiro lido pelo locutor: “Mais uma do PT para enganar você”. Esse antipetismo caricato certamente não tem o mesmo poder que tinha em 2018, e fica apenas ridículo quando a candidata sequer é do PT. (Aqui este programa e o de Manuela do dia 23/11.)

Manuela, por sua vez, tem as vantagens de ser mais jovial e muito mais articulada que Melo. Fala bem, de forma nítida, enquanto o candidato do MDB parece fazer um esforço hercúleo para falar de forma minimamente compreensível. Lembra Álvaro Dias debatendo aparentemente embrigado nas eleições presidenciais de 2018.

A campanha de Manuela optou por dar considerável destaque para a questão do gênero e, assim, atrair o voto feminino. Também o fato de Melo já ter sido vice-prefeito é bastante ressaltado, com o objetivo de atrelá-lo às últimas administrações conservadoras de Porto Alegre.

Ontem ocorreu o último debate entre os candidatos, na RBS (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul). Dizer que foi 7 a 1 pra Manuela é um pouco injusto, porque Melo não chegou a fazer nada parecido com um gol.

A candidata do PCdoB revezou bem entre fustigadas no adversário e propostas. Falou de forma eloquente e incisiva. Melo parecia recém ter acordado depois de um porre daqueles. Falou de forma arrastada e claudicante. Muitas de suas “respostas” para as críticas de Manuela foram os clássicos “Mas e o PT? E o Lula? E o comunismo?”. Soou até meio nonsense.

Em alguns momentos o debate foi mais politizado, como na discussão sobre o papel do Estado. Manuela defendeu que há áreas, como o transporte público ou a iluminação, em que não se deve privatizar ou fazer parcerias com o setor privado, porque encarece o serviço. Melo deu a entender que vai fazer parceria com o setor privado em todas as áreas, e que privatizaria a empresa municipal de transporte “se necessário”.

Ainda dentro desse tema, houve um momento curioso. O candidato do MDB criticou Manuela nos seguintes termos: “A senhora propõe até um aplicativo estatal. A senhora propõe tudo estatal. Não sei daonde vai tirar dinheiro.” Mais tarde, respondendo uma questão sobre segurança pública, Melo disse que em seu governo haverá um aplicativo para que as mulheres façam denúncias. Algum assessor deve ter soprado no intervalo que fazer um aplicativo não é o bicho de sete cabeças que o candidato imaginava.

Foi, para resumir em uma palavra, um massacre. Que certamente aumentou a potência da onda Manuela.

Os dois candidatos são colorados, mas a disputa em Porto Alegre está mais acirrada que um Grenal (o maior clássico do Brasil, quiçá do mundo – ao menos para os gaúchos). E é alta a chance de virada nos acréscimos.

P.S.: Saiu o Ibope realizado dias 27 e 28 de novembro. Manuela 51% x 49% Melo. Pelo jeito, já virou.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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5 comentários

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Kleiton

28 de novembro de 2020 às 22h18

Vai ser falsa pra lá…

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Emanuel

28 de novembro de 2020 às 21h08

Manuela é filha de uma desembargadora de justiça e um engenheiro e professor universitário. Se formou em jornalismo numa universidade privada. Nunca trabalhou de verdade, pra valer, a ponto de depender do trabalho para sobreviver.
Fica fácil assim ser comunista/socialista qdo se é patricinha ou mauricinho, q é o caso do Boulos.

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chichano goncalvez

28 de novembro de 2020 às 20h59

Enquanto a D’ Avila é uma opção boa, o tal de Mello é uma carniça, que nem os urubus comem. Esse tal de Mello,faz parte da quadrilha que vem roubando o Rio Grande do Sul, desde o governo Pedro Jorge Simon ( desapareceram 800 milhões da CEEE, e ninguem sabe, ninguem viu, o Jornal Já denunciou tudo ) Eliseu Quadrilha, roubo de merenda escolar, alem de roubarem o Estado, atrasam os pagamentos dos funcionarios, exemplo : Antonio Britto, Rizzotto, Sartori que deu 26 milhões para o maior sonegador de impostos do Estado, que repartiu com ele, depois deu 300 milhões para outro amigo que geraram 5 empregos, Gauchos honrem a tradição dos seus ancestrais( revolução Federalista 1892, 1923, 1925, entre outras, se lavava com sangre a honra dos homens serios e honestos ) e nunca mais votem em ladrão : PP, PMDB, PSDB, PTB e esses partidecos de pastores ( gigolos do povo ).

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Paulo

28 de novembro de 2020 às 20h08

A decadência do cristianismo no RS é patente…Que São Pedro salve os gaúchos!

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pe di cabrya

28 de novembro de 2020 às 19h52

Danada esta Manuela. De vez em quando temos um bravo Brizola…

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