Live do Cafezinho (19h): que segurança pública que queremos?

Viva o Botafogo de Garrincha, Nilton Santos e Didi

Por Redação

03 de dezembro de 2020 : 21h27

Por Gustavo Castañon

Manga, Carlos Alberto Torres, Mauro Galvão, Marinho Chagas e Nilton Santos, Heleno de Freitas, Gerson, Caju e Didi, Jairzinho e Garrincha. E deixa o Quarentinha, o Amarildo e o Zagallo no banco!


Meu amigo Cappelli comparou o PDT ao Botafogo em seu último artigo. Fiquei lisonjeado, na verdade nem eu faria tanto, conhecendo nossas limitações ao longo da história.


O motivo da comparação, no entanto, não era lisonjeiro, era a continuação do escarnecimento da “frentinha”, que ele tem feito nos últimos dias. Seja qual for seu motivo para isso, não estou aqui para alimentar a discórdia, mas para oferecer uma outra visão em relação a sua avaliação que considero equivocada.

Na essência, a avaliação de Cappelli das eleições 2020 é semelhante à minha, podemos dizer que é fruto de dados muito objetivos: a “antipolítica” minguou, Bolsonaro se enfraqueceu, a centro direita venceu, como sempre vence eleições municipais. Por fim, ele, ao menos reconhecendo a estabilidade do PDT, também avalia que a esquerda se enfraqueceu ainda mais. Até aqui, 100% de concordância.


Então Cappelli começa a falar de negacionismo, e acusa quem disso? Aos comunistas que sofreram a pior derrota e continuam se destruindo associando sua imagem ao PT? Ao PT que perdeu relevância em todos os critérios de avaliação e se implode agora numa guerra interna sem precedentes? Não. Ele acusa de negacionismo o PDT, o único partido cuja estratégia e discurso conseguiu manter sua força nacional.

Já Lula, diz que está finalmente colocando os pés no chão. Que tipo de malabarismo discursivo é esse? Isso é que é negacionismo, o resto, é conversa.

Ele diz que somos como o Botafogo, iludidos por Maia, o que não entendi se foi uma alusão ao apelido lava-jatista do democrata. Diz que ninguém lembra qual foi o último título relevante do Botafogo. Ora, todo mundo se lembra dos títulos mundiais que o Botafogo clássico trouxe ao Brasil com sua fábrica de gênios.

Assim como todos se lembram do governo que construiu um país moderno e soberano liderado por Vargas. Já do que deixou Lula, em alguns anos, ninguém lembrará. Que pena que política não é futebol.

Não comemoramos a queda do Flamengo para a segunda divisão, mesmo porque o PT está hoje mais para o Íbis (bem, parece que o Íbis tem vencido ultimamente, não? Poderia dizer Vasco, mas sou vascaíno e nem para vice o PT tem sido suficiente). Na verdade, a derrocada do PT é uma desgraça que ele impôs a toda esquerda, e grande parte de nossas dificuldades eleitorais hoje se devem ao fato de sempre termos sido leis aliados do PT, sem qualquer recíproca nunca, jamais.

A queda do PT para a segunda divisão não é algo que comemoramos, é algo que precisamos constatar e avaliar. Que precisamos deixar claro para que os agentes políticos deixem de delirar em praça pública. E nós temos que fazer essa “autópsia” agora porque, como alguém disse espirituosamente, o PT se recusou por quinze anos a fazer qualquer tipo de autocrítica.

O que hoje chama de “ilusão”, Cappelli e Dino defendiam ardentemente há um ano. Conversas com Maia, FHC e Huck eram divulgadas como troféus. Da pena de Cappelli só se via loas à frente ampla como a única opção diante do fascismo. Ciro sempre concordou com isso, mas diferente deles, sempre deixou claro a ressalva de que a condição para a frente ampla era a mudança de parte da direita de seu programa neoliberal para um programa desenvolvimentista.

Não temos ilusões sobre nossas chances com o DEM, e o próprio Ciro já deixou isso claro publicamente, mas isso não quer dizer que partes do centrão não possam fechar conosco. É por isso que trabalharemos.

A frente ampla sem unidade da esquerda não é ilusão, como sabiam muito bem Dino e Cappelli até pouco tempo atrás. Ilusão é uma frente ampla com o PT ou o sectarismo do PSOL. O PSOL jamais sequer aceitará compor com o PT para 2022, perseguindo seu objetivo de ocupar o nicho da esquerda “pura”. Que dirá com uma frente de esquerda. E onde o PT estiver, hoje, nenhum partido de centro e centro-direita estarão.

Porque o discurso de Cappelli deu essa guinada para a “frente de esquerda”? Deve ter a ver com suas visões e as de Dino quanto ao rumo a seguir agora. É legítimo, mas não posso deixar de pontuar que, na minha opinião, é ele que está disposto a nos vender ilusão. Nós estamos dando nossos passos à luz do dia e em praça pública, conhecemos a ilusão que ele quer nos vender muito bem e sabemos onde termina. Diante dela, até seguir outra ilusão seria mais racional.

Ainda acho preferível nos apegarmos à possibilidade, mesmo que pequena, de tirar parte da direita do barco neoliberal. Acreditamos que isso seja possível porque acreditamos que o país estará destruído e que eles sejam sobreviventes. Sem isso, nem em 2022, nem nunca, salvaremos nosso país.

Se não bastasse todos os méritos que Ciro tem, acrescenta a sua biografia mais esse: o de deixar claro qual é sua estratégia e condições dela. Seu procedimento é sempre feito claramente, à luz do dia, diante de todos. Sem arapucas, sem traições, e com 30 anos de coerência.

Esperamos que os companheiros do PCdoB escolham seu rumo adiante da melhor forma possível. O PCdoB tem sido nos últimos 30 anos o maior celeiro de quadros da política brasileira e é fundamental para o Brasil que sejam sábios nos seus próximos passos, assim como é fundamental para o Brasil que Dino saiba escolher seu destino agora. Não temos hoje mais dedos na mão esquerda do que quadros de sua envergadura. O Brasil não pode perdê-lo.

Todos precisamos calçar as sandálias da humildade, e estas sandálias agora tem nome: “O tempo do PT passou”.
Boa sorte a todos para a tarefa, sempre hercúlea, que temos pela frente agora para salvar nosso país.

Que os gênios imortais do Botafogo nos ajudem!

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13 comentários

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Batista

04 de dezembro de 2020 às 13h29

Gabriel Barbosa, jornalista, ‘rabulando’ para Narciro como nunca dantes nesse O Cafezinho, revela-se jornalisticamente o ‘antigabigol’ ao chutar através de perguntas opinativas a factualidade das opiniões bem longe do gol, mais imprecisamente, pra lá da bandeirinha do escanteio, quando não do estádio.

Parte de cara para o contra-ataque, a perguntar cabeceando opinião contrária a do negacionismo do PDT alçada pelo adversário, testando se a culpa não cabe, “ao PT que perdeu relevância em todos os critérios de avaliação e se implode agora numa guerra interna sem precedentes?”

E manda a pelota pra bandeirinha do escanteio ao ignorar que o PT aumentou sua votação nessas eleições municipais, atingindo 7 milhões de votos, sendo o sexto partido mais votado ( o primeiro continua o MDB com 10,5 milhões de votos, após perder 5,4 milhões em relação a 2016), e um dos que mais elegeram vereadores nas 95 mais importantes cidades do país, enquanto o PDT, ” o único partido cuja estratégia e discurso conseguiu manter sua força nacional”, perdeu 1,1 milhão de votos e o PSB 3,1 milhões de votos, elegendo juntos, no Rio um vereador, em São Paulo dois e em BH três.

Mas não satisfeito, despacha a pelota novamente pra mesma bandeirinha do escanteio, ao cravar: “Assim como todos se lembram do governo que construiu um país moderno e soberano liderado por Vargas. Já do que deixou Lula, em alguns anos, ninguém lembrará”, como se possível fosse sumir com a torre Eiffel simplesmente explodindo-a, como também tenta ‘Gabigol do Cafezinho’, com o legado de Lula.

E cabeçudo, feito ‘vaca brava’, pensando-se Vavá, insiste e manda agora a pelota interrogativa-opinativa pra outra bandeirinha do escanteio, à direita: “Não comemoramos a queda do Flamengo [PT] para a segunda divisão, mesmo porque o PT está hoje mais para o Íbis (bem, parece que o Íbis tem vencido ultimamente), não?
Certamente por ter esquecido que após o massacre eleitoral nas municipais de 2016, o ano do golpe pedalado, em 2018, o PT não apenas concorreu a presidente no segundo turno, como elegeu o maior número de governadores, o segundo maior número de deputados estaduais no país e a maior bancada federal, tanto que é o partido com maior participação no ‘Fundo eleitoral’.

E ao fim da porfia, de costas para o placar, manda de bico novamente, agora pra fora do estádio, poupando as bandeirinhas do escanteio: “A queda do PT para a segunda divisão não é algo que comemoramos, é algo que precisamos constatar e avaliar. Que precisamos deixar claro para que os agentes políticos deixem de delirar em praça pública. E nós temos que fazer essa “autópsia” agora porque, como alguém disse espirituosamente, o PT se recusou por quinze anos a fazer qualquer tipo de autocrítica… “O tempo do PT passou”.

Da ‘autocrítica’ à ‘autópsia’, vai ver por isso, enquanto Moro, Dallagnol, os ex Intocáveis, Tacla Durán, as Delações Premiadas e os delatores, o Departamento de Justiça americano, a NSA e os heterodoxos ‘processos’, pairam sobre o Brasil e desassossegam intensamente cada vez mais, que a preocupação dessa gente de bens e de dissimulados coadjuvantes & tarefeiros, continue a ser Lula e o PT, né não, ‘Gabigol’?

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    Gabriel Barbosa

    04 de dezembro de 2020 às 18h52

    Amigo, seus questionamentos devem ser feitos para o autor, Gustavo Castanon. :)

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      Batista

      05 de dezembro de 2020 às 21h24

      Driblado pelo “Por Gabriel Barbosa”, que vinha logo após o titulo do texto sugerindo ser o autor, agora substituído, “Por Redação” (se necessário tenho o print), não tenho como não redirecionar o comentário a outro ‘anti Gabigol’, não homônimo, de fato autor do texto, vindo mais abaixo e não notado, mas que merece integralmente o comentário feito, com as alterações que seguem: ao invés de ‘jornalista’, ‘professor’, de ‘jornalisticamente’, ‘professoralmente’ e de ‘do Cafezinho’, ‘no Cafezinho’.

      Isso posto, SUDERJ informa: Sai como destinatário ‘Gabriel Barbosa’ e entra ‘Gustavo Castañon’.

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Railton Melo

04 de dezembro de 2020 às 11h31

Um texto que é mais torcida cirísta do que análise política.

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chichano goncalvez

04 de dezembro de 2020 às 10h38

Esse negocio de se unir com frentão, Ciro, Lula, etc, é como muda para que nada mude, o Lula passou do ponto, quem não sabe que o Ciro é um coronel do nordeste ? A esquerda sempre tem razão, não se pode vender ou dar a alma ao diabo em nome de governabilidade, pois eles estragam qualquer governo, culpa maior de quem ? Dos analfabetos politicos e dos maldosos, mais ou menos uns 60 % do povo brasileiro, entre outros. Mas não se preocupem,sempre se poder piorar mais, e vai piorar mais ainda até 2022.

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Tiago Silva

04 de dezembro de 2020 às 08h27

Sinceramente o texto de Capeli consegue enxergar o óbvio que esse texto de Castanon: o Trabalhismo no Brasil foi forte no passado (Vargas, Jango, Brizola, Darcy, etc) que tinha base social e torcida, mas que hoje está aceitando sua condição de “time pequeno” que prefere jogar na defensiva pra não perder (o que aconteceu quando o PDT como partido perdeu poucas prefeituras em relação à esquerda, mas se olhar a ideologia dos candidatos do PDT vai ver que a grande maioria está mais para o Neoliberal Rodrigo Maia/Botafogo do que para o Trabalhismo). Ahhhh e hoje prefere torcer contra o Flamengo (PT) na Libertadores do Golpe, do que buscar fazer seu jogo.

Botafogo tem uma torcida envelhecida, se apequenou a partir dos anos 2000 (e depois da morte de Brizola parece que o PDT fez o mesmo), além de que parece que rifa a sua divisão de base ao fazerem engolir alguém chamar Rodrigo Maia ou DEM de “centro democrático”! Kkk

Para o futebol brasileiro ou até Botafogo ganhar, não se deveria torcer para que o Flamengo não fosse pra final da Libertadores, mas ao invés de que se tenha uma final gringa (Neoliberal e NeoFascista de um lado com Dória/Moro/Huck/Aécio/Maia/Globo/MBL/etc x Neoliberal NeoNazista com Bozo/Militares/Neopentecostais)…. Se deveria torcer para se ter uma final com Flamengo e Botafogo, onde o Botafogo tivesse chances de ganhar o título. Não adianta torcer contra o Flamengo (PT) e não ser melhor que o Flamengo… Pois senão apenas abre a possibilidade dos gringos levarem o título.

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Garrincha

03 de dezembro de 2020 às 23h10

O Brásil faleceu há muitos anos, não tem mais nada para salvar.

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Paulo

03 de dezembro de 2020 às 22h10

A tarefa é difícil. Seria difícil até para o esquerdista puro mais abnegado e adestrado em análise política. Quanto mais para mim, que nem esquerdista, nem analista político de qualidade sou. Na minha opinião de centro-direita ou de centrista (poderá haver distintas opiniões), a esquerda precisa abandonar a pauta cultural e de costumes e focar na economia e no desenvolvimentismo. Mais ou menos como Ciro faz. Mas não sei, sinceramente, se o tempo político de Ciro é chegado, e, mesmo, dada sua idade, se chegará um dia. É preciso, porém, seguir na luta, pois o pouco que se poupar será muito, na briga com a direita e a ultradireita. É uma guerra de trincheiras, agora, para, quem sabe, avançar um pouco lá adiante. As vaidades e o tempo útil de muitos, à esquerda, todavia, não favorecem a análise nem as ações…

Responder

    Marco

    06 de dezembro de 2020 às 15h04

    “Na minha opinião de centro-direita ou de centrista (poderá haver distintas opiniões), a esquerda precisa abandonar a pauta cultural e de costumes e focar na economia e no desenvolvimentismo.” Sou do espectro dito de esquerda, mas concordo plenamente com vc, que se identifica com outra ala. A esquerda NUNCA será maioria em lugar nenhum com as chamadas pautas “identitárias” (as quais defendo). É preciso mudar o eixo para temas que afetam a população como um todo, e não apenas aqueles que parecem ao grande público questões específicas de alguns grupos sociais, até porque cotas e bolsas, embora importantes, não são tão importantes quanto as questões estruturais, que são a base de tudo. O que não falta é argumento a defender junto à população em economia e desenvolvimento, e o que não falta são pessoas de alto nível para abraçar as causas.

    Responder

Edmilson

03 de dezembro de 2020 às 22h00

“Salvar o país” aqui significa salvar suas tetas (privilégios) estatais. Por isso tanta crítica ao liberalismo.
Desenvolvimentismo significa keynesianismo.
Quanto mais liberalismo, melhor.

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    chichano goncalvez

    04 de dezembro de 2020 às 10h33

    O liberalismo, quebrou entre tantos paises, a Grecia, a França, O Reino Unido, a Italia, até a Alemanha, tem 87 do seu PIB % comprometido, e os Estados Unidos, no qual mais 50 milhões ( isto mesmo) cinquenta milhões passam fome, isso é o liberalismo , cara ! Voltaremos quando se fizer necessario restabelecer a verdade. Dez ‘ 04 ‘ 2020, as 10 : 32 hs.

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    Marco

    06 de dezembro de 2020 às 15h06

    poucas palavras, muita bobagem.

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cezar

03 de dezembro de 2020 às 21h31

Que paulada cara!!!!!!!!!!!!!! Alguém enfrentou de frente essa turma

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