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Ciro: “Falta um projeto capitaneado pelo Estado para o desenvolvimento do país”

Por Redação

09 de dezembro de 2020 : 09h33

Por Ciro Gomes

Há certos consensos sobre o papel do Estado entre aqueles que acham que a desigualdade é um problema fundamental.

E eu acho que a desigualdade é o maior dos problemas brasileiros.

O primeiro é o papel tributário. Todos, ao menos em público, sabem que o sistema de impostos tem que fazer justiça fiscal, cobrando proporcionalmente mais de quem tem mais a dar, reequilibrando as distorções naturais do capitalismo. Ou seja, todos esses concordam que nosso sistema de tributos é regressivo (quem paga a conta é o mais pobre) e deveria ser progressivo (mais rico, mais proporção de impostos).

O que muda mesmo é na hora que se está no poder, seja legislativo ou executivo. 21 anos de governos autointitulados progressistas no Brasil nos legaram um dos sistemas tributários mais regressivos do mundo e, por consequência, um dos países mais desiguais do mundo (o segundo, perdendo do Qatar).

O segundo é o papel compensatório. No Brasil a desigualdade tem gênero, cor da pele, idade, orientação sexual. Isso é um fato que não pode ser negado. Políticas de Estado voltadas a diminuir fatores específicos dessas desigualdades específicas precisam ser executadas.

O problema é que tanto o social liberalismo do PT quanto o neoliberalismo dessa direita que se chama de “centro”, veem nessas ações a única política de Estado aceitável para combater a desigualdade. Mas a desigualdade no Brasil é predominantemente econômica, e atinge brancos e negros, homens e mulheres, heteros e LGBTis. É claro, os segundos, na média, mais que os primeiros.

Portanto, é papel fundamental do Estado para reduzir a desigualdade o oferecimento de um estado de bem estar social universal, como faz a Europa, que tem os menores índices de desigualdade do mundo. É oferecer saúde universal, educação pública universal, e de qualidade. É permitir que essa conta de seguridade social seja dividida por toda sociedade e usufruída pela classe média e pobre. Isso nenhuma política compensatória neoliberal quer. Não há distribuição de renda mais poderosa que o filho do pobre estudando na mesma escola que o filho do rico, que o filho do pobre tendo o mesmo acesso a saúde que o filho do rico.

Mas para que isso seja possível, é necessário que o Brasil se desenvolva. E sem o Estado como organizador e indutor da atividade econômica o Brasil nunca se desenvolveu e nunca se desenvolverá. Esse é para mim o principal papel do Estado no Brasil na diminuição da desigualdade. Desenvolvimento.

E é essa a notícia que ninguém quer dar ao povo brasileiro. Não vamos conseguir muito dividindo nossa miséria. Somos um país muito mais pobre que os europeus e ao contrário da propaganda da direita, temos uma carga tributária menor que a deles. Ainda gastamos em juros o equivalente a 25% de nossa arrecadação (2017), a maior parte com os mais ricos do Brasil. O Estado no Brasil é um Robin Wood às avessas, tira do pobre para dar ao rico. De onde poderíamos tirar dinheiro assim para reduzir estruturalmente nossa desigualdade?

Em 2016, nosso Produto Interno Bruto per capita ajustado por paridade de poder de compra, ou seja, o índice que mede o quanto produz em média cada cidadão brasileiro, foi de US$ 15.127,81. O da Finlândia foi de US$ 43.052,72; Bélgica, de US$ 46.383,23; o da Alemanha, US$ 48.729,59; Dinamarca, de US$ 49.695,96; na França, US$ 41.466,26; e Noruega, US$59.301,67.

Para resumir, enquanto o Estado dinamarquês tinha em média US$ 25.245,54 para gastar anualmente por cidadão para prover saúde, educação, segurança, Judiciário e Previdência, o Estado brasileiro tinha US$ 4.904,43. Agora a situação é muito pior que em 2016. Nosso PIB per capita desabou.

Portanto, falta uma coisa muito básica no discurso da maioria da esquerda e mesmo dos liberais que acham que alguma coisa deve ser feita para diminuir a desigualdade brasileira. Falta um projeto capitaneado pelo Estado para o desenvolvimento do país. Quando crescemos, é mais fácil distribuir. Na maior tragédia econômica da história como vivemos hoje, o conflito distributivo se torna mais feroz e difícil de superar. Porque a riqueza alguns querem dividir. A miséria, ninguém quer.

Ciro Gomes é vice-presidente do PDT, partido pelo qual disputou a eleição presidencial de 2018. Entre outros cargos, já foi ex-governador do Ceará e ex-ministro nos governos Itamar Franco e Lula

Artigo publicado originalmente no MyNews em 9 de Dezembro de 2020

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30 comentários

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Washington de Oliveira

11 de dezembro de 2020 às 10h56

Ciro Gomes é um ótimo candidato a presidente , problema dele deveriam parar de atacar a esquerda principalmente o PT , ele deveria unir todos partidos de esquerda e centro esquerda para derrotar o fascismo da extrema direita do Bolsonarismo, se continuar brigando com o PT , corre risco de ser derrotado pela quarta vez , nunca vai sair dos 12% se continuar com essa fama de brigão , Ciro tem discutir propostas para mudar o Brasil e atacar os erros no governo do Bolsonaro não fez nada esabe eenganar os brasileiros , ele deveria deixar o PT pra lá e construir alianças com os partidos políticos para mudar o Brasil.

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carlos

10 de dezembro de 2020 às 09h48

Quem elaborou o plano de governo de Juscelino Kubitschek foi o estado? Ainda me lembro ” crescer 50 anos em 5″ esse foi o plano de metas de JK, o cirolipa está é lombrado.

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H. Upmann

10 de dezembro de 2020 às 08h20

Calma Bibas o Huck vem aí…kkkkkkkkk

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Luiz Carlos Pauli

10 de dezembro de 2020 às 06h03

Nessas baboseiras de quem está na oposição, eu não caio mais. Sempre quem está fora do governo, tem todas as soluções, e quando assumem, nada do que disseram, fazem. Saltei fora.

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Alan C

10 de dezembro de 2020 às 01h03

Os lulobolsonaristas retroescavadeirizados, rs.

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carlos

09 de dezembro de 2020 às 20h31

O cirolipa se candidatou quantas vezes, e o projeto dele para o Brasil? Não vamos dá molesa pra malandro, pergunta pra ele se preparou a camarinha, pra conversar com a cúpula do dem , pp, psd?

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    Garrincha

    10 de dezembro de 2020 às 08h17

    Ué não ouviu o projeto dele nas eleições de 2018 durante os debates…?

    Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro…e o gran finale….vou tirar todo mundo do spc…kkkkkkkkkkkk

    A tragédia é que tem gente que leva a sério esse destrambelhado.

    Responder

Paulo

09 de dezembro de 2020 às 20h03

Mesmo pauperizado por sucessivos desgovernos, o Estado ainda é o único capaz de planejar macroeconômica e estrategicamente o país. Se derem independência ao Banco Central, o presidente da República vai mandar menos que o do BC…Aí, esquece, o Brasil vai virar, definitivamente, entreposto comercial dos EUA e da China…

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    Ronei

    10 de dezembro de 2020 às 07h48

    Os Bancos Centrais devem ser independentes, não há a mínima duvida disso.

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      Batista

      11 de dezembro de 2020 às 15h07

      Sem dúvida, apenas a máxima.

      Tem dia que é de noite…, cada um, com cada uma!

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Batista

09 de dezembro de 2020 às 19h01

Capitaneado pelo estado….
Kkkkkkkkkkkkkkkk

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    Batista

    11 de dezembro de 2020 às 15h11

    Esse ‘Batista’ é da Universal do Reino acima de tudo e de Deus em cima de todos. Fake.

    Responder

Lima

09 de dezembro de 2020 às 18h09

As propostas de Ciro são tão articuladas e a crítica tão contundente que até os comentários raivosos se assemelham mais a relinches. Nem chegam a tocar numa proposta, num argumento ou num problema apresentado. Ele é não só o melhor candidato e proposta pra 2022, como é o presidente que o Brasil precisa. Vai ser difícil considerando que o brasileiro costuma votar no mais mentiroso e incompetente do pleito. Basta ver os presidentes eleitos até aqui desde a CF88.

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Didi

09 de dezembro de 2020 às 15h45

O resultado do projeto a gente já sabe qual é…todo mundo enrolando charutos para a Habanos.

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H. Upmann

09 de dezembro de 2020 às 14h32

Ouviu políticos falar de “projetos” e do estado que deve fazer isso, deve fazer áquilo pode correr que nem Michael Johnson dopado… pois lá atrás da esquina tem uma caderneta de racionamento cubana ou bolivariana te esperando.

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Batista

09 de dezembro de 2020 às 12h57

“L’État c’est moi”.

Quem diria, de forma indireta, Narciro insinua-se XIV, em pleno século XXI.

Espelho, espelho meu, existe alguém mais sendo-o do que eu?

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    Saint

    09 de dezembro de 2020 às 14h23

    Prezado Batista Friedman ,
    Sugiro que você que você estude o período de governo do FDR.
    Abraço

    Responder

    Chuleta

    09 de dezembro de 2020 às 14h59

    Para alguns Eu é a abreviação de Deus.

    Responder

Luan

09 de dezembro de 2020 às 12h14

Infelizmente o Ciro Gomes nao possui as faculdades minimas mentais nem para gerir o patrimonio dele.

Pelas besteiras com as quais nos presenteia em doses industriais jà perdeu um apartamento, um carro e acabou de ser processado pela Ministra Damares por te-la chamada de “bandida nazifascista”.

Jà jà mais uns 50.000 R$ que se vao embora…se fosse presidente do Brasil, coisa que nuncaserà, no primeiro mes teriamos que leiloar o Cristo Redentor e as Cataratas de Iguaçù para pagar as asneiras que esse elemento fala e fàz.

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    Saint

    09 de dezembro de 2020 às 14h30

    Entendi seu raciocínio. O Ciro é um oligofrênico diferenciado, pois até vc consegue ler o
    que ele escreve.

    Responder

      Luan

      10 de dezembro de 2020 às 07h50

      Cirolipa é esquizofrênico abestado
      ….kkkkkkkk

      Responder

Sidney

09 de dezembro de 2020 às 12h07

Ciro, como sempre, cirúrgico!

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    Batista

    09 de dezembro de 2020 às 15h24

    Na autópsia.

    Responder

Hilario

09 de dezembro de 2020 às 11h56

Cirolipa o Magico…kkkkkkkkkkkkkkkkk

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Tony

09 de dezembro de 2020 às 11h49

De novo com esse papo comunistoide dos anos 70…?!? kkkkkkkkkkkkkkkkk

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Geremias

09 de dezembro de 2020 às 11h24

É por essas q não dá pra votar em tipos como Ciro Gomes.

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Gilmar Tranquilão

09 de dezembro de 2020 às 11h05

Os liberais à bozolândia piram!! kkkkkkkkk

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claudio

09 de dezembro de 2020 às 10h10

Ciro é meu nome para 2022 independente dos outros nomes porém não ganha. tem um discurso desagregador que não deixa expandir seu segmento de eleitores. Quem gosta de bate boca e xingamento são os eleitores do bozo, nós queremos projeto, isso Ciro sabe fazer melhor que qualquer um.

Responder

    Gedeon

    09 de dezembro de 2020 às 14h34

    É verdade Cirolipa não gosta de bate boca, de xingamentos e nem de bater e mandar prender jornalistas….kkkkkkkk

    Responder

    Sebastião

    10 de dezembro de 2020 às 08h47

    Ciro pra ganhar, precisa chegar ao segundo turno. O problema dele é somente parar de atacar a esquerda, sendo que ninguém da esquerda tem feito isso com ele. Ele ataca Boulos, Manuela, Dino… Ele só chega ao segundo turno com a esquerda, porque a direita terá Bolsonaro, sendo que Dória, Hulk e Ciro, disputarão os mesmo eleitores.

    Ele já foi desmoralizado pelo PSDB em 2002, mas disse que prefere se aliar aos tucanos a se aliar ao PT. Ciro assim como fez com Pauderney, provavelmente pedirá desculpas a Holiday e a Kim. Mas a direita, não irá ajudar ele no projeto dele.

    Responder

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