PARIS CAFÉ: Lula volta ao jogo e polariza com Bolsonaro. Quais os novos desafios?

País perdeu em investimentos 40 vezes o valor recuperado pela Lava Jato

Por Redação

16 de março de 2021 : 18h40

Por Marize Muniz – CUT

O estrago econômico e social provocado pela Operação Lava Jato de Curitiba, comandada pelo ex-juiz Sérgio Moro, foi intencional e teve como objetivo possibilitar a implementação de um projeto que beneficia os interesses estrangeiros sobre o petróleo brasileiro, avaliou o presidente da CUT, Sérgio Nobre, durante a apresentação oficial, na tarde desta terça-feira (16), do estudo realizado pelo Dieese, a pedido da Central, que mostra os impactos negativos da operação na economia brasileira.

A Petrobras, assim como grandes outras empresas, foi o principal alvo da operação, ressaltou Sérgio. “Desde o início dessa operação, nós já dizíamos que empresas não cometem crimes, pessoas sim. E são elas que têm que ser investigadas e punidas. Não as empresas”, disse o presidente da CUT.

Os dados mostram que a operação, propagandeada com uma das maiores de todos os tempos no combate a corrupção, na verdade, foi responsável pelo caos econômico e social que o país vive.

Intitulado de “Implicações econômicas intersetoriais da operação Lava Jato”, o estudo mostra que Brasil perdeu R$ 172,2 bilhões de reais em investimento no período de 2014 a 2017.

O montante que o país perdeu em investimentos é 40 vezes maior do que os recursos que os procuradores da força-tarefa da lavo jato do Paraná anunciaram ter recuperado e devolvido aos cofres públicos, ressaltou o dirigente.

“Seguramente, se a Lava Jato não tivesse existido, com o papel que teve, se tivesse preservado as empresas e não tivesse perseguição política, não teríamos os 14 milhões de desempregados, gente que não sabe como vai ser o dia de amanhã. Não teríamos milhares de pequenas empresas fechando a crise que se agrava a cada dia mais”, afirma Sérgio Nobre.

total, a Lava Jato contribuiu para exterminar cerca de 4,4 milhões de postos de trabalhos.

O presidente da CUT reafirmou que não há ninguém mais interessado no combate à corrupção, aos desvios de verbas públicas, do que a classe trabalhadora, segmento que mais se beneficia de recursos públicos quando bem utilizados, mas a atuação da república de Curitiba não estava interessada nisso.

A maneira como as denúncias eram feitas visava a desmoralização e a destruição da imagem de empresas, inclusive paralisando atividades, resultando em perda de postos de trabalho, disse. “Foi uma exposição sem precedentes para a marca e para a credibilidade dessas empresas. Ninguém negocia com empresas expostas na mídia como corruptas, irregulares”, disse Sérgio Nobre.

Este foi o método, disse ele, utilizado contra a Petrobras, uma das petrolíferas mais importantes do mundo e um importante instrumento de desenvolvimento do país. O objetivo era claro, queriam destruir a empresa para depois privatiza-la.

Paralelamente, empresas do ramo de engenharia que vinham ganhando destaque no setor de construção civil e até conquistando mercado internacional, como Odebrechet, Camargo Correia e outras, também viraram alvos de investigação e igualmente sofreram as consequências da Lava Jato.

A Lava Jato foi também um instrumento de perseguição política que possibilitou ao projeto radical de direita chegar ao poder, destruindo o Brasil.

Sérgio Nobre relacionou a operação à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), afirmando que a situação de caos vivida pelo Brasil poderia ter sido diferente , já que Bolsonaro foi eleito tendo como cabo eleitoral os membros da operação.

“Estaremos daqui há pouco batendo os 300 mil mortos e mais da metade dessas vidas poderia ter sido salva se não tivéssemos Bolsonaro como presidente”, disse Sérgio Nobre

Ele reforçou ainda que a narrativa de que o PT quebrou o Brasil tem que ser combatida porque “é uma mentira” e o estudo do Dieese comprova isso. Ainda de acordo com o dirigente, o levantamento, que em breve será lançado também em forma de livro, contando a história da farsa da Lava Jato, será neste primeiro momento um instrumento de diálogo com as bases – os trabalhadores – para que se conscientizem sobre os reais motivos da operação e os prejuízos que ela trouxe à sociedade.

O estudo será também entregue aos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG); e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), para que, com base nos fatos e números estudados pelo Dieese, seja feita uma investigação profunda e que os responsáveis sejam punidos.

Mais dados

O coordenador-Técnico do Dieese, Fausto Augusto Jr, detalhou outras informações levantadas ao longo de mais de um ano de trabalho. Para ele, é importante destacar a quantidade de empregos perdidos por causa da Lava Jato.

Somente no setor de construção civil, cerca de 1,1 postos de trabalho foram extintos. Mas os reflexos também se estendem a outros setores como comércio e serviços, transportes, alimentação e até mesmo, indiretamente, nos serviços domésticos.

Com os impactos negativos da redução de investimentos e do emprego, a massa salarial foi reduzida em cerca de R$ 85 bilhões. “São 85 bi que poderiam ter circulado na economia, movimento o comércio, gerando mais empregos e renda”, disse Fausto.

A redução de investimento na Petrobras

O estudo detalha ainda a diminuição de investimentos na estatal após o início da operação, em 2014, e o montante que vinha sendo aplicado no desenvolvimento de tecnologia após a descoberta do pré-sal em 2006.

De acordo com o coordenador do Dieese, as consequências da Lava Jato são sentidas pela população nos dias de hoje. “Quando não há investimento público, a economia tem impacto em cadeia. Por isso tivemos a perda milhões de empregos em outros setores que não tem a ver com a Lava Jato. Se investimentos tivessem sido feitos, nosso PIB poderia ter sido maior e hoje a economia seria diferente”, diz Fausto Augusto Jr.

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15 comentários

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EdsonLuiz.

17 de março de 2021 às 12h16

Não é mais as barbeiragens na condução da economia e os mal-feitos o que leva à quebra de investimento não; agora, o que leva à recessão e à quebra de investimentos é combater corrupção, combater sonegação…

A CUT está pedindo para que sonegação de imposto, tráfico de influência, formação de quadrilha e corrupção não sejam combatidos…para não provocar recessão.

Atenção agentes públicos sérios: não sejam mais sérios. É um pedido da CUT (usando um…estudo…do…DIEESE), …

…Para não provocar…recessão e quebra de investimento (estudo inovador, este do DIEESE. Eu nunca soube disto! Nunca li um livro-texto sequer para me ensinar tal coisa: treinar agentes públicos para NÃO combaterem mal-feitos.

O bolsonarismo usa a desinformação como tecnologia.
O petismo também usa a desinformação como tecnologia. Eles, o petismo e o bolsonarismo estão juntos no desmonte de estruturas de combate a mal-feitos:

Então, será isto uma peça política de desinformação ou a CUT e o DIEESE querem mesmo que as empresas corruptoras sejam protegidas e não combatidas. E quais são, então, os outros favorecidos com essa política super inovadora?

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    Paulo

    17 de março de 2021 às 20h17

    Edson Luiz, passados mais de 2 anos que estou por aqui, confesso que ainda tenho algumas dúvidas sobre o grau de honestidade intelectual dos esquerdistas do Blog (diria, esquerdistas do PT para mais à esquerda, especialmente). Vide respostas ao meu comentário abaixo! Mas, dado o grau às vezes colérico de alguns comentaristas e comentários, talvez você possa me ajudar a compreendê-los melhor. Sim, corrija-me se estiver enganado, mas você disse que, na juventude, foi ligado ao PCB, e que, depois, naturalmente, evoluiu para uma posição mais crítica (que é o que ocorre normalmente com as pessoas no processo de amadurecimento). Deve entender bem o perfil desse povo, creio eu. Eles acreditam realmente que Lula e o PT são inocentes (independentemente de ter havidos abusos na Lava-Jato, e, se ocorreram, devem ser tomadas as providências necessárias)? Ou a adesão incondicional e acrítica à ideologia marxista perturbou seus cérebros e impede-os de ver o Sol?

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      EdsonLuiz.

      18 de março de 2021 às 11h45

      Paulo,

      Nós, humanos, temos o impulso de adotar a versão que mais confirma as nossas crenças e desejos em prejuízo da racionalidade, contradizendo exatamente nossa humanidade, que pressupõem o uso da razão.

      Em temas religiosos e políticos essa tendência ao uso da emoção em substituição da razão tende a se radicalizar pela adoção de comportamento de grupo, de tribo, outra necessidade humana para compensar fragilidades do animal que somos.

      Quanto mais importância tem o grupo na sua vida, mais a pessoa adotará seus interesses, diluindo no grupo a própria identidade e ao grupo vinculando a sua história de vida. E quanto mais vinculada ao grupo, mais necessidade tem em sua preservação, para manter a própria estabilidade emocional (e não poucas vezes a estabilidade material).

      Liderado por alguém carismático, o grupo servirá aos propósitos do líder tanto ou até mais que aos seus propósitos específicos, e servirá e defenderá o líder tanto mais quanto maior for a dependência que o grupo dele tiver. Você já não viu, por exemplo, grupos evangélicos defendendo um seu pastor acusado com provas razoáveis de prática de desvio de recursos da própria igreja?

      No caso de Lula, devido às dimensões irrisórias de que é acusado de se beneficiar apenas pessoalmente – R$ 500.000,00 em reformas em um sítio para usufruto, cuja propriedade não está a ele vinculada e um apartamento de R$ 1.700.000,00 , cuja propriedade também não lhe foi formalmente transferida, e alguns outros benefícios, menos diretamente pessoais. Em comparação ao volume total de corrupção e ao número de políticos e empresários poderosos combatidos pela operação Lava Jato isso é pouco e ficou mais fácil para ele manter a lealdade do grupo.

      O grande crime está sendo a agressão política à instituição judiciário, pela carga política que vem sofrendo por membros até mesmo do STF com interesses nessa desautorização e por outros por não aceitarem uma condenação que comprometerá a existência do grupo, do PT.

      Inadequações legais foram cometidas pela Lava Jato para dar conta da enormidade de casos, de pessoas físicas e de pessoas jurídicas, de empresas e empresários poderosos e de centenas de políticos (só do PSDB, cinco governadores ou ex-governadores presos). Mas, como abordado no jornal Folha de São Paulo (e que vai no mesmo sentido do que eu já coloquei aqui, em ‘ocafezinho’, as inadequações legais cometidas pela Lava Jato para dar conta de combater tanto poder podem ser saneadas, sem a perda total das investigações e das provas arrecadadas. Claro que, se nas investigações forem identificados crimes sérios, como a falsificação de provas para condenação de réus, os agentes criminosos devem ser duramente responsabilizados. Mas a carga política contra a operação é no sentido de anular as provas para garantir a impunidade. Ou de atrasar o processo até a prescrição e conseguente arquivamento, o que deixa a ação sem um juízo de inocência ou de culpa, e que, como sabemos, o PT irá vender por desonestidade como inocentamento de Lula.

      Só como nota: o famigerado Brilhante Ustra teve uma condenação em primeira instância por prática de tortura durante a ditadura militar. Depois de recorrer e atrasar o processo o quanto pôde, foi condenado. Recorreu em segunda instância é faleceu antes de novo julgamento e o processo foi arquivado sem decisão definitiva de inocência ou culpa. bolsonaro vende até hoje, desonestamente, que o Coronel Ustra foi inocentado.

      Abraço, Paulo.

      Responder

        Paulo

        18 de março de 2021 às 22h53

        Edson Luiz, confesso que fiquei decepcionado com a sua primeira resposta publicada, que não enfrentava a questão que eu coloquei, como é típico dos extremistas e oportunistas (fugir das questões essenciais). Porém, a primeira resposta, de fato, é esta ora comentada, e que, embora a destempo, por qualquer descuido da redação, não foi publicada na ordem cronológica correta. Esta sim, independentemente do “viés de confirmação”, típico dos tempos atuais, reflete o seu entendimento sobre a questão, da fato…E confirma o meu. Abraços!

        Responder

      EdsonLuiz.

      18 de março de 2021 às 13h47

      Paulo,
      Outras duas coisas:

      Quantas vezes, preocupados apenas com os nossos interesses, culturas e identidades, desenvolvemos também nós dissonância cognitiva e implicamos ou impedimos a manifestação dos valores e costumes de outras culturas de pessoas que dividem herança cultural e de costumes conosco, mas, por intolerância e conveniência nossa, queremos obrigar que apenas nossa parte dessa herança seja manifestada e adquira e conserve direitos?

      Quanto da cultura, dos costumes e dos direitos dos Gueis e Lésbicas impedimos? Quanto da cultura e das necessidades de tantos outros grupos, outros gêneros? Quanto dos direitos e da cultura de negros, de mulheres não reconhecemos? Quanto impedimos a sua integração de fato, o seu crescimento, a sua mobilidade?

      Também nós incorretos nos mesmos erros que denunciamos nos outros.

      Outra coisa: foi muito importante é corajosa a manifestação do maravilhoso Marcelo Freixo sobre o negacionismo existir também na esquerda. Agora, não sou só eu falando que fazemos isso, é Marcelo Freixo, que tem outro peso. E eu penso o quanto ele demorou para externar, pelo tamanho do patrulhamento e perseguição que sofrerá, quando o que deviam era fazer uma reflexão sobre o que ele fala.

      Eu respeito o PSOL por ser coerente e espero que amadureça politicamente e cresça como partido. E espero que o Marcelo Freixo permaneça no PSOL, que fundou, para contribuir com esse amadurecimento.

      E fico pensando no Albert Camus, meu Mito (eu estou bem melhor de Mitos do que o petismo e o bolsonarismo. Meus Mitos são o Camus, o Berlinguer, o Kautsky), perseguido por Sartre por expor os enganos da esquerda francesa e mundial, por criticar o stalinismo e o totalitarismo em geral. Sartre, perto de sua morte e uns vinte anos após a morte da Camus, fez autocrítica de parte importante das tolices que cultivava e defendia. Um ano antes de morrer declarou que Camus tinha sido seu último grande amigo. E o doido e equivocado Sartre acabou uma amizade importante por divergência política que vinte anos depois admitiria estar errado e que Camus estava certo.

      Quão tolos são os intolerantes. Imagine os tolos sem bagagem, apenas alimentados pelo discurso único e doidivanas doutrinado pelo seu País171.

      Responder

Netho

16 de março de 2021 às 21h31

O calculador da CUT ignora a catástrofe da desoneração fiscal de R$ 467 bilhões do governo Dilma – a pretexto de criar empregos -, cujo resultado foi o aumento de desemprego. As desonerações fiscais de Dilma são quatro vezes maiores do que os supostos prejuízos da Petrobras e do Cartel das empreiteiras. Uma coisa é enquadrar a República de Curitiba, outra coisa é avalizar a República da Propinaria. Ambas foram e continuam sendo responsáveis pelo surgimento da República das Milícias.

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Renato

16 de março de 2021 às 20h04

O Pelegão só deve ter esquecido de informar que a Lava Jato recuperou apenas um centésimo do que foi roubado !

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Alan C

16 de março de 2021 às 19h31

Eu venho falando isso aqui desde 2017, este estudo não é nenhuma novidade.
Agora, a novidade que eu quero saber é quem patrocinou isso e por quê, e se pagarão por destruir um país.

Responder

    putin

    17 de março de 2021 às 09h58

    Eu venho falando isso aqui desde 2013

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Paulo

16 de março de 2021 às 19h03

Que exagero! Um despropósito total! Em nenhum momento eu e as pessoas mais próximas de mim – amigos e familiares – vimos a Petrobrás desprestigiada, por conta da Lava-Jato. Ao contrário, o objetivo era saneá-la para que fosse ainda mais pujante. O grande golpe na Petrobrás foi a privatização branca do Governo Temer, que passaram nas nossas barbas e hoje vemos os resultados…Quanto à situação econômica atual do país, tem três responsáveis: Dilma, Temer e Bolsonaro. Nada a ver com a Lava-Jato…

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    Alan C

    17 de março de 2021 às 09h09

    Manter 30% de ociosidade das refinarias pra comprar diesel dos EUA é “o objetivo era saneá-la para que fosse ainda mais pujante”???

    Faça-me um favor, Paulo…

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      Paulo

      17 de março de 2021 às 20h01

      Mas isso é decisão da empresa, Alan (por sinal, uma péssima escolha). Não, ao menos pelo que eu saiba, da Lava-Jato…

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    putin

    17 de março de 2021 às 09h56

    paulo,
    depois de 2 anos vc continua um coitado

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    Batista

    17 de março de 2021 às 13h46

    Sempre achei exagerada a analogia do ‘corno manso’ com o flagrante no sofá da sala, considerando o sofá culpado, mas com esse comentário, sabendo-se o que já se sabe, de forma factual escancarada e mais que comprovada, sobre a ‘suruba jurídica praticada’ pela lavajateira, não apenas passo a acha-la nada exagerada, como o protagonista em questão só pode também ser natural de Taubaté, ou então, apenas tremendo cínico.

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