Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Em vez de ‘frentes amplas’, alianças locais moldam articulações para eleições de 2022

Por Redação

21 de março de 2021 : 10h40

Por Estadão Conteúdo

Proposta de possíveis presidenciáveis de formar grandes coalizões para a disputa com Bolsonaro esbarram no pragmatismo das negociações partidárias em nível estadual

Enquanto presidenciáveis falam em formar alianças amplas para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2022, líderes políticos fazem contas pragmáticas sobre os interesses partidários regionais, que serão determinantes no plano nacional. Agremiações assediadas do centro à esquerda por quem busca apoio na disputa ao Palácio do Planalto têm projetos estaduais prioritários. Os casos mais emblemáticos são o PSB, o DEM e o PSD.

O PSB avalia lançar um “outsider” à Presidência enquanto mantém conversas com o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve seus direitos políticos restabelecidos. A decisão final, entretanto, vai passar por um acordo em Pernambuco, hoje a principal base da legenda, que governa o Estado e a prefeitura do Recife.

O sociólogo Juliano Domingues, professor de Ciência Política da Universidade Católica de Pernambuco, prevê que o ex-prefeito do Recife Geraldo Júlio (PSB) será o candidato natural ao governo na sucessão de Paulo Câmara (PSB), seja alinhado com o PDT ou com o PT. “O fator decisivo será a variável ‘Lula elegível’”, disse o professor.

“Não por acaso, surgiram notícias de uma possível reaproximação entre PSB e PT logo após a decisão de Fachin sobre os processos de Lula”, acrescentou, referindo-se ao ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, que anulou as condenações do petista na Lava Jato e o reabilitou a disputar eleições. “Caso se confirme essa reaproximação, ela representaria uma potencial ‘traição’ ao projeto de Ciro e enfraqueceria uma liderança emergente do PT, a deputada Marília Arraes (PE), que se desfiliou do PSB justamente por discordar do comando do partido, ainda na época de Eduardo Campos.”

Atualmente, o PSB está alinhado com o PDT em 13 Estados, segundo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. “As alianças regionais criam o ambiente”, disse o dirigente. “Se você está junto com outro partido em dez estados, a (direção) nacional precisa observar essa realidade. Caso contrário, existiria, na prática, uma aliança nacional e outra regional, o que cria dificuldade.”

Já o presidente do PSB, Carlos Siqueira, avaliou que todo problema nacional tem um pé no local. “É natural que as coisas se influenciem, mas o PSB vai apoiar aquele que se apresentar como a pessoa mais capaz de agregar forças políticas para vencer Bolsonaro e fazer um governo de união nacional. Não descartamos apoiar ninguém.”

Bahia

O DEM mantinha relação estreita com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), mas se afastou do tucano após a bancada do partido na Câmara se aproximar de Bolsonaro. A legenda também conversa com o PDT, mas o fator decisivo será o tabuleiro eleitoral na Bahia. Presidente do DEM, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto planeja disputar o governo, e seu provável adversário será o senador Jaques Wagner (PT).

“A troca de apoio mútuo entre um Estado e outro aparece no plano horizontal, mas não necessariamente em função vertical. Ou seja: aliança nacional determinando a aliança estadual. Se dá um cruzamento. A lógica é não perder para o atraso. As alianças são para não perder os Estados para a concepção do atraso”, disse o governador da Bahia, Rui Costa (PT).

A avaliação de deputados e quadros do DEM é de que Neto não tem outra opção a não ser posicionar-se no polo oposto ao de Lula em uma eventual polarização. Costa, por sua vez, governa com uma ampla aliança que vai do PP ao PSB, passando por Podemos, PSD e PL.

Minas Gerais

No caso do PSD, o discurso do presidente da sigla, Gilberto Kassab, é o de que o partido terá candidato à Presidência em 2022. Foi o que ele reafirmou ao Estadão. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que as costuras em torno da candidatura ao governo mineiro do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), vão influenciar um eventual acordo nacional. Como o PSD tem vocação governista nos Estados, Kassab terá de ouvir os caciques regionais antes de tomar uma decisão.

A lógica local prevalece nos partidos do Centrão. Um deputado do PL ouvido pela reportagem disse que a palavra final é sempre de Valdemar Costa Neto, que comanda a sigla. O dirigente vai consultar todos os Estados e avaliar qual estratégia tem maior potencial de ampliar a bancada. Ainda de acordo com esse mesmo deputado, “de São Paulo ‘para baixo’, o PL é Bolsonaro; ‘para cima’, é Lula”.

No Rio, a construção de uma aliança em torno do deputado Marcelo Freixo para disputar o governo fluminense terá peso nas negociações entre PSOL e PT para apoiar Lula em 2022. Petistas admitem apoiar o deputado. Em outra frente, o deputado Rodrigo Maia (DEM) deve se filiar ao MDB e assumir o controle da sigla no Estado. Se isso se confirmar, Maia ganhará uma cadeira ao lado de Renan Calheiros, Jader Barbalho, José Sarney e Baleia Rossi no colegiado de líderes que comanda o MDB de fato.

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9 comentários

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Ronei

21 de março de 2021 às 13h25

Eu ja perdia conta de quantas rasteiras o Cirolipa levou do Lula…kkkkkkkkkkkkkkkkk

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    Tony

    21 de março de 2021 às 17h55

    Adoro quando bolsominion vibra com o Lula, reconhecimento.

    Feia a coisa.

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Brown

21 de março de 2021 às 13h22

Frente ampla é uma bobagem sem tamanho pq simplesmente não vai acontecer, e todos sabem disso.
Melhor trabalhar nas alianças que são possíveis e não ficar esperando algo impossível.

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Francisco*

21 de março de 2021 às 12h57

Inicia-se a leitura e colide-se com: “Proposta de possíveis presidenciáveis de formar grandes coalizões para a disputa com Bolsonaro esbarram no pragmatismo das negociações partidárias em nível estadual.”

Como assim ‘vetusto Estadão’, estamos no tempo da notícia em tempo real, o cenário agora trata quem à direita classe dominante, irá disputar com a extrema direita Bolsonaro, no primeiro turno, a vaga para enfrentar a esquerda no segundo.

Ultrapassado o primeiro obstáculo, tromba-se imediatamente com o segundo e não há como prosseguir no esburacado caminho: “Agremiações assediadas do centro à esquerda por quem busca apoio na disputa ao Palácio do Planalto…, PSB, DEM e o PSD”, além do PL de Valdemar Costa Neto e que partido mais se apresentar.

Lembremos que o DEM é bisneto da ARENA, filha dileta do bipartidarismo criado em 1965 pela ditadura militar de 64, junto com o bastardo MDB, após a extinção de todos os partidos então existentes.
O PSD é o partido pragmático de direita, comandado por Kassab.
O PSB, como o PDT de Brizola, é apenas a sigla que restou do Partido Socialista Brasileiro, de Arraes, e cuja grande contribuição dada a democracia brasileira e aos interesses dos trabalhadores e despossuídos, nesse novo tempo, entre outras, foi, junto com o PDT, fornecer os votos que faltavam (29 em 32 deputados possíveis) à instauração do golpe parlamentar-midiático de 2016, contra a presidente Dilma, democraticamente eleita, pelo PT.

No mais, o menos d’o Cafezinho, desejando obliviar com a conversa mole dos interesses regionais, via Estadão, o óbvio, a criação daquela frente ampla para liderar a esquerda e ampliar ao centro, trabalhada por Ciro, com o PT escanteado, derrapou na pista, deu cavalo de pau e terminou no acostamento beijando o alambrado, restando ao ás no volante, candidatar-se a representante da ‘direita classe dominante’, disputando a vaga única, com Huck, Moro, Mandetta, etc., para ver quem irá enfrentar Bolsonaro no primeiro turno, via bons serviços prestados em detonar o PT e Lula, sem medo de ser infeliz e acabar em perda total, à margem direita do Sena, só para não variar.

E o pitoresco não pode ficar à margem, merece ser alumiado:
O ‘socialista progressista’, alma gêmea do PDT na tal Frente de Esquerda, que tinha decretado o descarte definitivo do PT, agora anunciar: “Não descartamos apoiar ninguém.”

O pragmático PL de Valdemar anunciar: “de São Paulo ‘para baixo’, o PL é Bolsonaro; ‘para cima’, é Lula”.

E o sociólogo convidado a palpitar, não tão pitoresco para desconforto de uns e outros, lacrar: “O fator decisivo será a variável ‘Lula elegível”

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José Zimmermann Filho

21 de março de 2021 às 11h18

Miguel do Rosário, a quem defendemos sempre, que nos desculpe, mas é impossível defender Ciro Gomes enquanto este não recobrar o juízo e o bom senso. Zé Dirceu tem razão. Se ele reencontrar sua boa lucidez e chegar ao segundo turno, claro que terá nossos votos.

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    Renato

    21 de março de 2021 às 17h46

    As forças de centro esquerda brasileiras têm verdadeira aversão ao processo de crítica e autocrítica e fogem das alianças que possibilitam a unidade de ação política eficaz, necessária para barrar a conspiração contra a democracia, como o diabo foge da cruz.

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    Jacob Binsztok

    22 de março de 2021 às 07h38

    Difícil Ciro ir a algum lugar, a não ser para Paris. Esta decisão vai lhe custar muito caro, está mal com a esquerda e não é confiável pela direita.

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      O Demolidor

      22 de março de 2021 às 10h00

      E convenhamos….o lero lero dele é velho….o Bozo se elegeu no mote de contra todos que estão aí……e o Cirolipa não tem perfil de outsider….

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      Tony

      22 de março de 2021 às 10h46

      Exatamente como Lula e bozo

      Responder

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