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Bretas, o “Moro carioca”, é acusado de corrupção e venda de sentença

Por Miguel do Rosário

04 de junho de 2021 : 09h35

A canção Cartomante de Ivan Lins e Vitor Martins, imortalizada na voz de Elis Regina, que fala da queda sucessiva de todos os reis, parece se aplicar à Lava Jato com perfeição.

Caiu Moro, o todo-poderoso que comandava a Lava Jato raíz, a de Curitiba. Moro foi condenado pelo STF como um juiz parcial; todos seus processos contra o ex-presidente Lula foram anulados.

Caiu Dallagnol, o procurador-chefe da Lava Jato. Como depois foi revelado, Dallagnol dava “palestras” particulares a representantes do mercado financeiro em troca de dinheiro, tentou criar uma fundação que serviria para sequestrar alguns bilhões de dólares da Petrobras, combinava acusações com o juiz, e ainda ficamos sabendo que adquiriu – para especulação – dois apartamentos em Curitiba com crédito do Minha Casa Minha Vida.

E agora caiu o juiz Marcelo Bretas, que é hoje alvo de acusações cabeludíssimas por parte de um advogado que assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República.

Se fosse possível fazer gradações para a corrupção, certamente uma das mais repugnantes é aquela cometida por um juiz que vende sentenças.

É disso que Bretas é acusado. Mas não só isso. Segundo a reportagem publicada na Veja há pouco, o criminalista que fez a delação afirma que Bretas não é um magistrado imparcial, e que se porta como policial, promotor e juiz ao mesmo tempo.

O advogado acusa Bretas de negociar penas, orientar advogados, perseguir réus, combinar estratégias com o Ministério Público, direcionar acordos, pressionar investigados, manobrar processos e até mesmo usar seu poder para influenciar eleições.

São todos crimes gravíssimos, que, em qualquer país do mundo, significariam longos anos de prisão para um juiz.

A delação de Nythalmar Dias Ferreira Filho, um jovem advogado de 31 anos, lembra a Vaza Jato, como foi apelidado o vazamento de mensagens de procuradores e juiz da Lava Jato, porque Ferreira também apresentou prints e áudios de conversas.

A Veja afirmou que teve acesso à íntegra de todos os anexos da delação, e o que a revista relata é de arrepiar os cabelos.

Marcelo Bretas teria condenado o Almirante Othon Pinheiro, heroi nacional por seu trabalho pioneiro com engenharia nuclear, a uma pena monstruosamente alta, 43 anos, como forma de “intimidar” outros réus a assinarem acordos de delação premiada.

(Transcrição de áudio entre Bretas e o delator)

É difícil imaginar uma decisão mais desumana, injusta e, obviamente ilegal, pois a liberdade de nenhum cidadão brasileiro pode servir de “moeda” para que um juiz “compre” uma delação que lhe interesse.

Outro item da delação que provoca náuseas profundas foi a tentativa (infelizmente bem sucedida) de Marcelo Bretas de influenciar as eleições para o governo do estado do Rio, em 2018. Segundo a delação,  Bretas teria divulgado denúncias contra Eduardo Paes às vésperas da eleição, como maneira de lhe atingir eleitoralmente. O adversário de Paes, o ex-juiz Wilson Witzel (hoje cassado e impeachmado) ganhou as eleições.

A acusação do advogado ganha densidade pelo fato de Bretas divulgar em suas redes sociais imagens que demonstram sua relação de  “parceria” com o ex-governador Wilson Witzel.

O juiz Marcelo Bretas e o governador do Rio, Wilson Witzel, durante carona em voo da FAB para Brasília – Reprodução/Instagram

O anexo da delação que trata de influência em eleições, todavia, não pára aí. O advogado relata que houve uma negociação entre Bretas e o candidato Eduardo Paes para que o juiz não lhe perseguisse. Paes teria prometido a Bretas um lugar para a irmã do juiz em seu governo. Também prometeu sair da política, sempre em troca de “alívio” por parte do magistrado.

Com a vitória de Witzel, a irmã de Bretas foi nomeada para um cargo na Controladoria-Geral do Estado.

Caso haja comprovação desses fatos, trata-se de corrupção e venda de sentença.

A delação ainda relata o grande esforço de Marcelo Bretas, que incluiria a transferência da Lava Jato paulista para o Rio de Janeiro, para envolver o ministro Gilmar Mendes na Lava Jato. Como a Lava Jato paulista havia conseguido prender Paulo Preto, que seria um dos principais “operadores” do PSDB, e como Bretas entendia que Mendes era um homem ligado aos tucanos, ele tentou articular, junto com outros membros da Lava Jato fluminense, a vinda dessa investigação para o Rio de Janeiro, imaginando que pudesse encontrar algum fato que prejudicasse o ministro do STF.

A delação já foi aprovada pelo Ministério Público, e agora falta ser homologada pela justiça.

Houve um tempo em que se falava na necessidade de se manter delações em segredo de justiça, mas esse é um escrúpulo que parece ter ficado enterrado num passado distante. Magistrados como o próprio Marcelo Bretas usaram o instrumento de delação como uma arma de chantagem contra o que consideravam seus “inimigos políticos”. Sergio Moro usou contra o PT e contra Lula, tentando influenciar as eleições de 2018. Não apenas conseguiu influenciar, de fato, aquele pleito, como ainda ganhou o cargo de ministro da Justiça, com a promessa de que, mais tarde, seria indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Agora sabemos que o lavajatismo realmente foi uma metástase de corrupção judicial, que contaminou amplos setores do judiciário e do ministério público.

Cai o rei de Espadas
, cai o rei de Ouros
, cai o rei de Paus
, cai, não fica nada.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Zulu

04 de junho de 2021 às 19h27

Esse advogado é uma especie da Tacla Duran sò que mais idiota.

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Efrem Ventura

04 de junho de 2021 às 19h25

Dalalgnol comprou dois apartamentos com o credito do minha casa minha vida..?!?! kkkkkkkkk

Voce nao sao gente normal, esquerdismo é um transtorno mental.

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    Marlene

    05 de junho de 2021 às 15h52

    Lavagem de dinheiro, meu querido! Apenas isso!

    Responder

Vixen

04 de junho de 2021 às 19h07

O Advogado que acusou o Bretas jà o ameaçou de morte, de destruir a vida dele, etc….é um imbécil graduado.

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Alexandre Neres

04 de junho de 2021 às 14h08

A Lava Jato RJ não passa de uma franchising da República de Curitiba. O modus operandi é o mesmo. Vide o episódio Tacla Duran.

É corrupção judicial na veia, sempre com o escopo de interferir nas eleições. Corruptos, suspeitos, parciais e malvados.

Há pouco tempo, com a casa já caindo, inventaram uma tal delação premiada do presidente da Fecomércio contra vários dos advogados que militam em favor do estado democrático de direito e contra o estado policialesco, entre os quais o advogado de Lula.

O naipe desses santos do pau oco, desses heróis de meia-tigela, é de lascar. Como esses supostos cidadãos de bem passaram a louvar personagens tão medíocres e caricaturais?

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Francisco*

04 de junho de 2021 às 12h25

O Gomes, da retroescavadeira, em ato ‘pró’ Haddad, em 15/10/18, em Fortaleza, no segundo turno das eleições: “O Lula tá preso, babaca!”

Ciro Gomes, em 07/02/19, após a posse de Bolsonaro: “Lula tá preso, babaca!”

Ciro em entrevista ao Valor Econômico, em 17/05/21, após o Datafolha mostrar Lula liderando com folga a eleição de 22: “Lula é o maior corruptor da história moderna brasileira”.

Quem sabe, com o desmascaramento do ‘rei de paus’, na utilização da metodologia de tortura ‘Prisão Indefinida e Pena Máxima’, com objetivo de obrigar acusados presos a fazerem a ‘Delação Premiada’, sem provas, contra o alvo eleito pela ‘justiça lavajateira’, conforme relatos e provas apresentados pelo advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho, também o ‘rei de ouros’, já desmascarado pela Vaza Jato em relação a outras ilicitudes, pode ser desmascarado como usuário desse método de tortura, bastando convocar-se finalmente o advogado Taclá Duran, para relatar e comprovar como foi pressionado através da mesma prática, pelo padrinho do ‘rei de ouros’ e daquela que mora com ele.

Quem sabe, então, os Gomes tenham, finalmente, ao menos a decência de desculparem-se junto a Lula, vítima das práticas desses ‘criminosos de toga e sem toga’ e, por tabela, de oportunistas da política, e passem a somar com todos que querem derrubar o penúltimo rei dessa tragédia anunciada que devasta o Brasil, desde 17 de março de 2014: O ‘de espadas’.

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EdFreitas

04 de junho de 2021 às 11h25

É uma pena ver que no Brasil se comemora o triunfo dos bandidos, assim como no filme “Os intocáveis” onde o sistema estava preparado para proteger os bandidos de Al Capone, onde para se fazer justiça quem estava ao lado da Lei teve que utilizar de todos os artifícios possíveis para conseguir botar atrás das grades quem merecia. Eu sou daqueles que ainda vê em Moro e Bretas os verdadeiros heróis da história.

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    Kleiton

    04 de junho de 2021 às 21h58

    Continuam sendo pela maioria dos brasileiros, podem anular todas as condenações da Lava Jato mas nada mudará.

    É claro que quem viu o sistema sendo desmantelado não gostou.

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    Willy

    04 de junho de 2021 às 22h10

    Não é a toa que bandidos de todas as espécies quando procurados tentem entrar ou se escondam no Brasil.

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