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Foto: Juan Gaertner/Shutterstock.com

Cientistas da UFRJ fazem descoberta importante para entender o câncer

Por Redação

21 de junho de 2021 : 11h30

Por Sidney Coutinho – UFRJ

Cientistas da UFRJ descobriram um fenômeno relacionado com mutações de uma proteína protetora do código genético que pode explicar o surgimento de mais da metade dos tumores malignos no mundo. O estudo foi coordenado por Jerson Lima Silva, professor titular do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBqM/UFRJ), biofísico e presidente da Faperj. A descoberta pode apontar novos caminhos para o diagnóstico e para o tratamento do câncer, além de outras enfermidades.

O trabalho envolve pesquisas sobre alterações na proteína chamada P53, considerada “guardiã do genoma humano”, ou seja, é a segurança de toda informação hereditária dos seres. O estudo inédito foi publicado na revista científica Chemical Science, da Royal Society of Chemistry.

Envolvida em centenas de processos essenciais do corpo humano, a proteína P53 tem como função principal preservar a integridade do código genético em cada célula, ou seja, a manutenção da mesma sequência ao longo de toda a molécula de DNA.  Quando há divisão celular, a proteína verifica se houve mutação na sequência do código genético, fato decorrente de uma duplicação defeituosa do DNA. Caso tenha ocorrido alguma alteração, é função da P53 impedir que a divisão celular se complete.

No entanto, quando essa proteína sofre deformações, ela perde sua função protetora e ganha a capacidade de se aglomerar, resultando no surgimento de estruturas celulares cancerígenas. Os agregados malignos da P53 acontecem devido à transição de fase da proteína P53 mutada, que passa do seu estado líquido para gel e, em seguida, para o sólido. Dessa forma, eles se tornam irreversíveis, iniciando, assim, a multiplicação e o surgimento de tumores.

Os pesquisadores focaram seus estudos no nível molecular da proteína e, com a ajuda de tecnologia de ponta, como a microscopia eletrônica de transmissão, a espectroscopia de ressonância magnética nuclear e a microscopia de fluorescência, conseguiram analisar cada etapa da sequência de eventos que dão origem aos anômalos.

A pesquisa, que recebeu apoio financeiro da Faperj e do CNPq e abre possibilidades futuras para um possível tratamento do câncer, também irá ajudar a esclarecer o processo de formação dos tumores e auxiliar no desenvolvimento de novas ferramentas para exame e diagnóstico precoce e prognóstico da doença.

Segundo os pesquisadores, a análise dos aglomerados já revelou que algumas substâncias impedem a agregação da P53, outras desfazem os agregados, e essas observações podem contribuir para o desenvolvimento de medicamentos que evitem os aglomerados. O desafio será conseguir evitar os agregados sem prejudicar as funções da P53. Devido às suas múltiplas e fundamentais funções, a P53 alterada também está envolvida em outras doenças, como o mal de Parkinson, o Alzheimer e a esclerose lateral amiotrófica (ELA). 

Segundo o professor Jerson Lima, o estudo da P53 começou em seu laboratório em 2003 com participação de alunos de mestrado, doutorado, pós-doutorado e colaboradores. No atual trabalho, contribuíram muitos pesquisadores, entre eles Elaine Petronilho e Murilo Pedrote, bem como os professores Guilherme de Oliveira e Yraima Cordeiro.

Mas não é só para o combate ao câncer que as descobertas têm relevância. A luta contra outras doenças também será beneficiada. “O fato de mais de 50% dos tumores malignos possuírem mutação de P53 torna a mudança de fase dentro da célula da proteína e consequente agregação um alvo perfeito para terapias. Se nenhuma nova terapia for desenvolvida, o câncer associado às mutações na proteína P53 levará à morte de mais de meio bilhão de pessoas nas próximas décadas”, afirmou.

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3 comentários

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ARNALDO SOUSA GONCALVES

22 de junho de 2021 às 11h35

O interessante é q as pesquisas p combate ao câncer, são sempre p combater a doença através das terapias, e não p a prevenção! O Dr. Otto Warbug (Alemão) em 1931 ganhou o prêmio Nobel de medicina e fisiologia, por descobrir a causa primária do câncer: A falta de oxigenação no meio celular, ou seja, a acidez celular propicia o surgimento de tumores. Pergunta: Pq a comunidade científica não fala mais sobre esse assunto e nem toca no nome do Dr. Warbug? A indústria de fármacos q financia as pesquisas cienficas, não estão interessados em investir em prevenção, mas, em combater a doença propriamente dita, por esse motivo financiam estudos para descobrir novas terapias q geram lucros para eles.
Sim a prevenção e alimentação saudável, é a melhor arma p combater as doenças, sem esquecer q p isso precisamos de investimentos em saúde pública e saneamento básico.

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Paulo

21 de junho de 2021 às 22h14

Câncer. Perdi meu irmão mais novo há poucos dias para essa doença, com 53 anos, apenas. Ainda não há nada que possa detê-la, em sua integralidade. Nem esperanças substanciais. Mas chegará o dia em que “o nome que não pronuncia”, como me ensinaram na minha família, mas que ouso dizer, será vencido…

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EdsonLuiz.

21 de junho de 2021 às 15h44

Dezessete, dezoito anos de pesquisas até aqui. As pesquisas poderiam resultar em descobertas importantes ou…

Ou trariam como contribuição a informação de que aquele caminho não é promissor, liberando a ciência no mundo todo para buscar resultados em outros estudos.

Em pesquisa científica sempre há proveito nas pesquisas, para mostrar que o caminho pesquisado é promissor e deve ser continuado ou para descartar aquela abordagem e se liberar para a continuação das pesquisas por outras miradas.

Esta pesquisa resultou promissora. Se a partir dela for possível o desenvolvimento de medicamentos, contra o câncer ou outras doenças, sào grandes as chances de um primeiro nobel por esforço local.

A ciência médica brasileira merece.

Viva a ciência!

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