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Bolsonaro volta a usar “voto impresso” para ameaçar as eleições de 2022

Por Gabriel Barbosa

08 de julho de 2021 : 15h50

Na manhã desta quinta-feira, 8, Jair Bolsonaro passou mais de 40 minutos, junto a sua claque no cercadinho do Palácio do Alvorada falando de temas aleatórios e irrelevantes em meio a pandemia. Em uma delas, voltou a defender o voto impresso nas eleições de 2022 como “sistema confiável”.

“Eleições no ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, ameaçou.

Em queda livre nas pesquisas, Bolsonaro tem feito acusações, sem provas, de que eleições passadas foram fraudadas e que sua derrota em 2022 será, segundo ele, dessa forma.

Falando sobre o famigerado assunto em entrevista a Rádio Guaíba, Bolsonaro que além de ter atacado o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso (STF), disse que nas eleições do próximo ano, sem o voto impresso, um dos lados da disputa eleitoral vai questionar o resultado e deixou bem claro que “obviamente” esse lado seria o dele.

“Eles vão arranjar problemas para o ano que vem. Se este método continuar aí, sem, inclusive, a contagem pública, eles vão ter problemas. Porque algum lado pode não aceitar o resultado. Este algum lado, obviamente, é o nosso lado, pode não aceitar o resultado”, afirmou.

Em nota assinada pelo presidente Luiz Fux, a Suprema Corte respondeu a narrativa golpista de Bolsonaro.

“O Supremo Tribunal Federal ressalta que a liberdade de expressão, assegurada pela Constituição a qualquer brasileiro, deve conviver com o respeito às instituições e à honra de seus integrantes, como decorrência imediata da harmonia e da independência entre os Poderes”, afirma.

“O STF rejeita posicionamentos que extrapolam a crítica construtiva e questionam indevidamente a idoneidade das juízas e dos juízes da Corte”, rechaçou.

Já na Rádio Bandeirantes, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, questionou a defesa doentia de Bolsonaro pelo voto impresso.

Mendes citou o exemplo dos Estados Unidos que ainda usam o voto impresso e que os próprios eleitores de Donald Trump questionaram o resultado das urnas após a derrota para Joe Biden na eleição de novembro do ano passado.

“A gente até esquece de dizer que era no voto manual que se faziam as fraudes – se não no próprio processo de votação, mas no mapismo, naquela contabilização dos votos. Agora se descobriu que o problema no Brasil seriam as urnas eletrônicas. Agora nesse episódio lamentável do Capitólio, tudo aquilo que ocorreu em torno do Trump, o debate não era sobre urnas eletrônicas, mas sobre contabilização dos votos manuais”, ressaltou.

O magistrado também lembrou que Bolsonaro foi eleito pelas urnas eletrônicas, desde quando era apenas um deputado federal do baixo clero.

“Ele disputou mais de nove eleições e sabe que, de fato, o que se retrata nas pesquisas e depois na boca de urna se traduz na votação eletrônica. Eu até, em conversa com o presidente, brinquei dizendo: ‘Eu até tendo a aceitar a sua tese, porque quando vejo a bancada de seu antigo partido, o PSL, com (os deputados federais) Hélio Negão (RJ), com Daniel da Silveira (RJ, atualmente no PTB), eu acho que era impossível que eles fossem eleitos em um processo normal’. Mas eu entendo que, na eleição proporcional, tendo um bom puxador de voto, acaba se produzindo esse tipo de, vamos chamar assim, de milagre eleitoral”.

Aos nossos leitores, sugerimos um vídeo produzido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que deixa explícito a segurança das urnas eletrônicas e como elas já são auditáveis na prática.

Gabriel Barbosa

Jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM.

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3 comentários

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Bassam

08 de julho de 2021 às 18h57

Esse psicopata tem a mentalidade de um pré adolescente. Acha que está enganando alguém. Está abandonado por tudo e por todos e vai pagar seus crimes. Alguém mais próximo pode avisar pra ele jair se conformando que já era …. derreteu e já está caindo…. o seu fim está próximo

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Tony

08 de julho de 2021 às 16h35

Quem marcou a presença do Adélio no Congresso o mesmo dia da facada ?

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Ronei

08 de julho de 2021 às 16h32

Não há dúvida que o dinheiro que a esquerda jogava em doses industriais pra lá e pra cá faz falta para muitas pessoas….

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