Pesquisadores da Austrália, vinculados à CSIRO, à Universidade RMIT e à Universidade de Melbourne, alcançaram um avanço significativo ao criar o primeiro protótipo funcional de uma bateria quântica.
Este dispositivo, testado com sucesso no dia 6 de abril de 2026, realiza o ciclo completo de carregamento, armazenamento e descarga de energia, utilizando um laser para recarga sem fio.
Conforme relatado pelo portal Olhar Digital, os resultados foram publicados na revista científica Light: Science & Applications.
A tecnologia se diferencia das baterias químicas tradicionais ao aproveitar propriedades quânticas como superposição e emaranhamento, abrindo novas possibilidades no campo da energia.
Um aspecto notável da pesquisa é a descoberta de que baterias quânticas carregam mais rapidamente à medida que seu tamanho aumenta, um comportamento oposto ao das baterias convencionais.
Esse fenômeno resulta de um efeito coletivo que permite uma absorção extremamente acelerada de energia.
A estrutura do protótipo é composta por uma microcavidade orgânica de várias camadas, projetada para interagir com a luz.
O professor James A. Hutchison, um dos envolvidos no estudo, explica que o sistema atinge um estado de “super absorção”, capturando a energia do laser em um único evento massivo para completar o carregamento.
No que diz respeito à velocidade, o protótipo demonstrou capacidade de recarga em apenas fentosegundos, ou seja, quadrilionésimos de segundo.
Embora a energia tenha sido armazenada por um período breve, medido em nanossegundos, a proporção entre o tempo de carregamento e o de retenção impressiona os especialistas.
A carga foi mantida por uma duração consideravelmente maior do que o tempo necessário para a recarga, evidenciando um potencial de eficiência que pode transformar o uso de energia em dispositivos do dia a dia.
Apesar do sucesso técnico, a tecnologia ainda enfrenta limitações. A capacidade de armazenamento atual do dispositivo é muito baixa, registrada em cinco bilhões de elétron-volts, o que o torna inviável para aplicações práticas no momento.
Este protótipo funciona como uma prova de conceito, demonstrando que a ideia é funcional, mas ainda carece de potência para alimentar equipamentos comuns.
James Quach, líder da pesquisa na CSIRO, destaca que a meta é desenvolver um sistema capaz de recarregar carros elétricos em tempos muito mais curtos do que o abastecimento de veículos a combustão.
Além disso, os cientistas vislumbram usos como o carregamento remoto de drones por laser durante o voo e a alimentação estável de computadores quânticos.
O desafio imediato para a equipe é ampliar o tempo de retenção da energia, um passo essencial para tornar a bateria viável comercialmente.
Caso essa barreira seja superada, o impacto poderá ser sentido em setores como eletrônicos e automotivo.
A CSIRO já busca parcerias com a indústria para transformar esse experimento em uma solução aplicável, promovendo um salto no modo como a energia é gerenciada e utilizada em larga escala.


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