As importações de autopeças na Argentina saltaram 85% em um ano. O fenômeno tem nome: ‘canibalismo industrial’ — e a China é o principal beneficiário. Este aumento alarmante nas importações está desmantelando as capacidades produtivas locais e gerando preocupações significativas entre os principais atores do setor. No evento anual da Associação de Fábricas de Autocomponentes (AFAC), líderes da indústria destacaram a necessidade urgente de reavaliar as políticas econômicas em um segmento chave da economia argentina. O encontro contou com a presença de figuras importantes como Pablo Lavigne, secretário Coordenador de Produção e Indústria, e Carolina Cuenca, secretária de Comércio Exterior, que discutiram a sustentabilidade industrial do país.
Enquanto o mercado global de automóveis está em expansão, com mais de 1,3 bilhão de veículos em circulação, a Argentina luta para manter sua posição. Michael Johannes, gerente de marca da Automechanika, destacou o foco crescente em veículos definidos por software e digitalização. No entanto, essa visão otimista global contrasta fortemente com a realidade argentina, onde a indústria enfrenta uma carga tributária pesada e custos logísticos que dificultam a competitividade internacional.
Juan Cantarella, diretor da AFAC, criticou os ‘impostos covardes’, como o de Ingressos Brutos e o imposto sobre Débitos e Créditos, que acumulam-se e atingem duramente as cadeias produtivas mais integradas localmente. Essa carga tributária limita severamente a capacidade exportadora do setor, tornando os produtos argentinos menos competitivos no exterior.
O impacto da China no mercado global é significativo, com suas ‘fábricas escuras’ totalmente automatizadas e operando sem luz ou operários, maximizando a eficiência. A presença crescente de veículos chineses no Brasil também afeta a balança comercial argentina, reduzindo a demanda por veículos fabricados na Argentina. Além disso, as regras de origem do Mercosul, consideradas pouco exigentes, facilitam a triangulação de componentes, prejudicando ainda mais a indústria local.
O presidente da União Industrial Argentina, Martín Rappallini, destacou que a sobreprodução chinesa é uma estratégia estatal, não apenas uma questão de mercado. Ele enfatizou a necessidade de Argentina e Brasil agirem em conjunto para exigir comércio justo e reciprocidade, incluindo transferência de tecnologia. Essa preocupação com a competição desleal da China é compartilhada por outros países, que exigem transferência tecnológica e instalação de plantas locais para equilibrar o mercado.
A capacidade da Argentina de responder a esses desafios determinará não apenas o futuro de sua indústria automotiva, mas também sua posição no cenário econômico internacional. A necessidade de um novo acordo automotivo com o Mercosul e medidas para proteger a produção local são cruciais para evitar que o país se torne ainda mais dependente de importações, perdendo autonomia e empregos.
Com informações de www.cronista.com.


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