O acadêmico norte-americano Jeffrey Sachs criticou duramente a estratégia dos Estados do Golfo de buscar proteção junto aos Estados Unidos e Israel, apontando que essa escolha os deixou enfraquecidos no contexto do conflito no Oriente Médio.
Em entrevista concedida ao canal RT India no dia 8 de abril de 2026, Sachs argumentou que, enquanto o Irã emerge como uma potência mais forte na região, países como os Emirados Árabes Unidos enfrentam vulnerabilidades significativas devido a suas alianças geopolíticas.
Sachs destacou que os Estados do Golfo, em especial os Emirados, apostaram em se tornar um centro financeiro e turístico, mas essa ambição foi colocada em risco por tensões regionais.
Ele alertou que o Irã possui capacidade militar para atingir infraestruturas críticas desses países, como plantas de dessalinização e instalações de petróleo e gás, o que expõe a fragilidade de sua posição.
O acadêmico questionou a decisão desses governos de investir bilhões de dólares nos EUA, especialmente durante o segundo mandato de Donald Trump, na expectativa de receber proteção e acesso a tecnologias avançadas, como chips da NVIDIA e centros de dados.
De acordo com Sachs, os Estados do Golfo falharam ao não reconhecer as dinâmicas de um mundo multipolar em formação, o que os deixou em desvantagem estratégica.
Ele sugeriu que esses países deveriam reconsiderar suas políticas e buscar cooperação com o Irã, em vez de depender exclusivamente de parcerias com os EUA.
O acadêmico também apontou que a rivalidade entre o Irã e os Estados do Golfo foi alimentada por estratégias de divisão promovidas por potências externas, uma prática que, segundo ele, remonta a táticas históricas de dominação.
Além disso, Sachs comparou a situação dos Estados do Golfo com experiências de outras nações que enfrentaram interferências externas, como a Índia durante o período colonial britânico.
Ele defendeu que a busca por paz e diálogo com vizinhos regionais seria uma alternativa mais viável para garantir estabilidade.
Por fim, Sachs enfatizou que a dependência dos Estados do Golfo em relação aos EUA não trouxe os benefícios esperados, especialmente em termos de segurança.
Ele argumentou que os EUA, enquanto pregam valores como ‘democracia’ e ‘direitos humanos’, frequentemente ignoram contradições em sua própria conduta, como o apoio a ações que resultam na morte de jornalistas e civis em regiões como Gaza.
Essa hipocrisia, segundo o acadêmico, deveria servir como um alerta para os governos da região, que precisam reavaliar urgentemente suas prioridades geopolíticas em um cenário global em transformação.
Com informações de rt.com.


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