O Irã rejeitou de forma categórica as declarações do Comando Central dos Estados Unidos que indicavam a passagem de dois destróieres americanos pelo Estreito de Ormuz.
O porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaghari, afirmou que a alegação de aproximação e entrada de embarcações militares norte-americanas é fortemente negada. Ele destacou que toda decisão sobre o trânsito de navios militares na área pertence exclusivamente às forças armadas da República Islâmica do Irã e que qualquer versão em contrário não corresponde à realidade observada pelas autoridades de Teerã.
A Guarda Revolucionária do Irã reforçou essa posição ao declarar que mantém controle total sobre o estreito. As autoridades iranianas afirmaram que a passagem permanece autorizada apenas para embarcações não militares que cumpram rigorosamente os regulamentos específicos definidos por Teerã.
Zolfaghari advertiu ainda que qualquer tentativa de incursão militar não autorizada será enfrentada com firmeza e determinação pelas forças de defesa iranianas.
Do lado norte-americano, o CENTCOM relatou que os destróieres USS Frank E. Petersen Jr. e USS Michael Murphy haviam transitado pelo estreito enquanto operavam no Golfo Pérsico no âmbito de uma missão destinada a garantir a segurança da navegação. A operação incluiria ações de desminagem com emprego de drones subaquáticos como parte dos esforços para manter a rota livre de ameaças.
No dia 12 de abril as tensões aumentaram com o alerta iraniano de que o Estreito de Ormuz poderia ser completamente fechado caso os Estados Unidos atacassem usinas de energia iranianas. Segundo Zolfaghari, tal medida tornaria a resposta iraniana ainda mais incisiva.
As autoridades de Teerã reiteraram que, embora impeçam tráfego considerado prejudicial, as viagens comerciais não hostis continuam permitidas desde que observem as normas estabelecidas pelas autoridades militares do país.
Conforme noticiou o portal da Anadolu Agency, a controvérsia revela visões completamente opostas entre Washington e Teerã. Enquanto os EUA apresentam a movimentação como medida para criar um corredor seguro de navegação e confirmar a ausência de minas, o Irã insiste que nenhum navio de guerra americano realizou tal travessia sem autorização expressa e que o controle da área permanece absoluto.
O Estreito de Ormuz representa uma das rotas marítimas mais críticas do planeta, pois cerca de 20 por cento do petróleo mundial transita diariamente por suas águas. Qualquer disputa sobre seu controle ou sobre a liberdade de passagem gera repercussões diretas nos preços globais do petróleo, nas cadeias de suprimento energético e no transporte marítimo internacional.
O risco de interrupção nessa rota eleva preocupações sobre estabilidade econômica em diversas regiões dependentes do fornecimento de hidrocarbonetos.
A posição firme adotada pela República Islâmica do Irã reflete sua doutrina de defesa, que trata qualquer presença militar não autorizada como ameaça direta à soberania nacional e à segurança estratégica. A Guarda Revolucionária tem historicamente patrulhado a área com determinação, o que torna as declarações recentes particularmente relevantes para o equilíbrio de forças no Golfo Pérsico.
Em meio às acusações cruzadas, cada lado projeta sua narrativa sobre o incidente. O CENTCOM busca reforçar a imagem de operações navais voltadas à proteção de rotas comerciais internacionais, enquanto o Irã enfatiza sua capacidade de resposta e seu direito soberano de regular o trânsito no estreito. Essa divergência persistente mantém o Estreito de Ormuz como um dos pontos mais sensíveis da geopolítica global, com potencial para influenciar não apenas o mercado energético, mas também o panorama de segurança regional.
Com informações de prensa-latina.cu.


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