O Irã responsabiliza os Estados Unidos pelo fracasso das negociações de paz realizadas em Islamabad e denuncia a imposição de um bloqueio naval ao estreito de Ormuz.
O chanceler Abbas Araghchi afirmou que o diálogo histórico de alto nível — o primeiro encontro formal entre os dois países desde 2015 — foi interrompido pelo maximalismo de Washington, que incluiu mudanças constantes de condições e exigências inaceitáveis. A acusação foi formulada em mensagem na rede social X, conforme apontou o portal Euronews em sua cobertura sobre o tema.
As conversações ocorreram no dia 11 de abril e se estenderam pela madrugada do dia 12 de abril, totalizando 21 horas de discussões diretas.
Teerã assegurou ter participado com boa fé e disposição real para construir confiança mútua. No entanto, os Estados Unidos não ofereceram os instrumentos concretos exigidos pela República Islâmica para garantir a segurança e a reabertura do passo marítimo crítico para o comércio petroleiro mundial.
Uma fonte oficial iraniana citada pela agência Mehr reforçou que o país não tem pressa e que não haverá qualquer alteração na situação do estreito de Ormuz enquanto Washington não apresentar uma oferta razoável.
Do lado americano, as exigências permaneceram inflexíveis, com pedido de garantia afirmativa de que o Irã não buscará armas nucleares e com a demanda de reabertura imediata do estreito como condição para suspender ações ofensivas.
Diante do impasse, o presidente Donald Trump ordenou o bloqueio naval do estreito de Ormuz e dos portos iranianos, com a medida prevista para entrar em vigor no dia 13 de abril, em clara tentativa de pressionar Teerã.
A República Islâmica sustenta que possui plena autoridade para gerenciar a via marítima. A Guarda Revolucionária Islâmica alertou que qualquer movimento militar não autorizado será respondido com severidade.
Funcionários iranianos criticam duramente o uso do controle do estreito como alavanca diplomática por parte de Washington, classificando a postura como extorsão global. O bloqueio permanecerá até que seja assinado um acordo que atenda de forma equilibrada aos interesses de ambos os lados, sem imposições unilaterais.
O estreito de Ormuz responde pelo trânsito de cerca de 20 por cento do petróleo e do gás comercializados por via marítima em todo o planeta.
Analistas internacionais indicam que o colapso das negociações reduz as opções pacíficas e pode provocar reações militares diretas, desestabilizar os preços do petróleo e agravar a crise energética que já afeta a economia global. Nações como Arábia Saudita, China e Índia dependem de forma vital do trânsito seguro por essa rota para suas exportações e suprimentos de hidrocarbonetos.
Teerã denunciou ainda que os Estados Unidos elevaram suas exigências nos momentos finais das discussões, incluindo demandas econômicas e militares diretamente vinculadas ao estreito.
O Irã apresentou propostas construtivas ao longo das reuniões em Islamabad, mas Washington não conseguiu superar suas desconfianças sobre os compromissos iranianos, especialmente no campo nuclear e no respeito ao trânsito marítimo sem ameaças. Essa rigidez demonstra a abordagem unilateral que caracterizou a posição americana durante todo o processo.
Para a Casa Branca, trata-se de uma oferta final com linhas vermelhas que o Irã teria recusado aceitar publicamente. Teerã responde que confiança não se constrói com discursos e que fatos tangíveis são indispensáveis.
A República Islâmica mantém sua postura firme de não ceder a condições impostas e de preservar o controle sobre o estreito até que um acordo negociado respeite sua soberania. A tensão atual reflete contradições profundas na forma como Washington utiliza ferramentas militares e econômicas para tentar ditar termos em regiões estratégicas.
O desenrolar dessa crise no estreito de Ormuz continua a atrair atenção internacional, com potenciais consequências graves para a estabilidade regional e para os fluxos energéticos globais. O Irã reitera que o caminho para a desescalada exige flexibilidade real por parte dos Estados Unidos e um acordo que não se baseie em maximalismo ou em ameaças de bloqueio naval.
Com informações de actualidad.rt.com.


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