O navio Peace Gulf, vinculado ao Irã e carregado com nafta, cruzou o Estreito de Ormuz com destino ao porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos.
A travessia ocorreu apesar do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos contra os portos iranianos, conforme dados de rastreamento naval citados pelo portal Actualidad RT.
De bandeira panamenha, o navio realiza rotineiramente o transporte de nafta iraniana para portos do Oriente Médio, que depois seguem para destinos na Ásia, de acordo com a firma de inteligência de mercados Kpler.
Não se trata de incidente isolado. Os navios Christianna, graneleiro de bandeira liberiana, e Elpis, petroleiro com bandeira de Comoras, também partiram de portos iranianos e atravessaram o estreito no mesmo dia, assim como o Murlikishan.
Essas embarcações não foram interceptadas porque seus destinos finais situam-se fora do Irã. O bloqueio marítimo anunciado pelo Comando Central do Pentágono, CENTCOM, proíbe todo tráfego que entre ou saia de portos iranianos, embora permita explicitamente a navegação de navios que apenas transitam pelo estreito sem origem ou destino no território iraniano.
As autoridades iranianas responderam de forma direta, qualificando a ação americana como ilegal e como ato de pirataria. Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel General Central de Khatam al-Anbiya, advertiu que qualquer ameaça aos portos iranianos colocaria em risco todos os portos do Golfo Pérsico e do Mar de Omã, sem exceção.
O CENTCOM relatou que nas primeiras 24 horas de execução da operação pelo menos seis navios mercantes receberam ordens para retornar. Mesmo assim, os navios Peace Gulf, Elpis, Christianna e Murlikishan completaram a travessia sem interferência, demonstrando que a aplicação prática do bloqueio difere da retórica inicial de interrupção total.
A iniciativa de Washington busca reduzir as receitas de exportação petrolífera do Irã e, com isso, limitar sua capacidade econômica e regional. Analistas indicam que uma resposta enérgica de Teerã poderia aprofundar a crise no Oriente Médio e reconfigurar os fluxos energéticos globais de forma significativa.
A continuidade do tráfego por embarcações comercialmente associadas ao Irã revela limitações operacionais da medida anunciada pelo Pentágono. O Estreito de Ormuz mantém-se como via marítima de importância estratégica central, cujo controle influencia diretamente a estabilidade dos preços do petróleo e o equilíbrio de poder na região.
A ação iraniana reforça a resistência a restrições unilaterais impostas por Washington e evidencia que o bloqueio naval não conseguiu paralisar o movimento de navios vinculados ao comércio iraniano em rotas para terceiros países.
Com informações de actualidad.rt.com.
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