Um ex-combatente do Hezbollah de 36 anos que sobreviveu ao ataque com dispositivos explosivos em setembro de 2024 rejeita qualquer perspectiva de paz com Israel.
Sua posição reflete a convicção de muitos que enfrentaram as consequências diretas da operação atribuída a Israel.
Em entrevista ao portal RFI, Alaa descreve sua recusa radical contra acordos negociados.
Ele considera inúteis as conversas diretas entre o Líbano e Israel mediadas pelos Estados Unidos quando não incluem cessar-fogo imediato e retirada completa das forças israelenses.
O incidente ocorreu em 17 de setembro de 2024. Alaa estava na casa do tio com a esposa quando o pager vibrou de forma estranha antes de explodir em sua mão.
A detonação o cegou e amputou várias falanges da mão direita. No dia seguinte, walkie-talkies explodiram em nova onda de ataques que atingiu o Líbano e a Síria.
Cerca de 2.800 pessoas sofreram ferimentos nos atentados contra os aparelhos de comunicação. O Hezbollah sofreu abalo profundo com a perda de capacidades físicas entre seus membros e a necessidade de reorganizar suas redes.
Alaa recebeu suporte contínuo do movimento após o trauma. O grupo arcou com tratamento médico na Síria e no Irã, além de assistência financeira que permitiu sua recuperação parcial.
Ele relata que a pior dor não veio dos ferimentos ou do sofrimento da família. Veio da compreensão enraizada em suas crenças de que restavam apenas o martírio ou a lesão grave como caminhos aceitáveis.
As negociações diretas iniciadas pelo governo libanês em Washington encontram rejeição frontal do Hezbollah. O grupo afirma que qualquer texto será inválido sem garantias concretas de segurança e fim da ocupação israelense no sul do Líbano.
Os combates seguem ativos na fronteira sul do país. Na região de Bint Jbeil, símbolo histórico para o Hezbollah, as forças israelenses não conseguem avançar conforme planejado apesar da vantagem tecnológica.
Essa realidade no terreno reforça o discurso de resistência dentro do movimento. Sobreviventes como Alaa veem na persistência dos confrontos a demonstração de que a luta supera qualquer solução diplomática isolada.
O impacto humano do ataque clandestino permanece visível. Olhos perdidos, falanges amputadas e próteses necessárias marcam a existência diária de quem passou pela explosão.
Alaa não se sente abandonado pela organização que integra. O suporte recebido contrasta com o prognóstico médico que descartou recuperação total e o obriga a conviver com limitações permanentes.
Seu testemunho expõe o fosso entre mesas de negociação e experiências vividas no conflito. As lesões físicas e o abalo psicológico consolidam posições que afastam qualquer ideia de reconciliação sem justiça e retirada militar israelense.
A violência sofrida transforma-se em obstáculo concreto para acordos apressados. Muitos no Líbano compartilham a visão de que a paz somente terá sentido após o recolhimento completo das tropas e o fim das hostilidades na fronteira.
📬 Assine a Newsletter do O Cafezinho
Receba a Manchete do Dia diretamente no seu e-mail, de graça e sem enrolação, todo dia pela manhã. É só colocar o seu e-mail abaixo:
[mailchimp_subscribe_form]


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!