Cientistas e médicos exploram novas terapias para combater infecções cerebrais quase sempre fatais provocadas pela ameba Naegleria fowleri. Medicamentos experimentais como miltefosina e nitroxolina começam a mudar o panorama apesar da taxa de mortalidade superior a 97%.
O caso de um menino de oito anos em San Antonio, no Texas, ilustra os desafios do tratamento. Ele contraiu a ameba ao brincar nas águas do Rio Grande, chegou inconsciente ao hospital e foi salvo por uma combinação de fármacos que incluía a miltefosina, originalmente usada contra leishmaniose.
O tratamento deixou graves sequelas neurológicas no paciente. O pediatra infectologista Dennis Conrad, que acompanhou o caso, afirma que a meningoencefalite amebiana primária exige diagnóstico imediato, pois destrói rapidamente o tecido cerebral.
Os sintomas da infecção se confundem com os de meningite viral ou bacteriana comum. A ameba invade o cérebro quando água contaminada entra pelo nariz e alcança o nervo olfatório.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos registrou 157 casos entre 1962 e 2022, com apenas quatro sobreviventes. A maioria das infecções ocorre em águas doces e quentes de lagos e rios do sul do país.
O aquecimento global expande o habitat da Naegleria fowleri para regiões mais ao norte, como o Meio-Oeste e Minnesota. O neurologista Juan Fernando Ortiz, do hospital Corewell Health, ressalta que a miltefosina atravessa a barreira hematoencefálica e é relativamente bem tolerada.
O medicamento ainda pode causar toxicidade nos rins e no fígado e tem disponibilidade limitada em países em desenvolvimento. O parasitologista Jacob Lorenzo-Morales, da Universidade de La Laguna nas Ilhas Canárias, estuda a nitroxolina, um antibiótico comum na Europa para infecções urinárias.
Testes laboratoriais mostraram que pequenas doses de nitroxolina matam células da ameba sem afetar tecidos humanos. O pesquisador já planeja estudos em animais para validar a eficácia da substância.
Pesquisadores também avaliam o pigmento elatol, extraído de algas vermelhas, que demonstrou alta atividade contra amebas em experimentos iniciais. A possibilidade de vacinas baseadas em RNA mensageiro permanece em estágio teórico.
A epidemiologista Julia Haston, do CDC, defende que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz contra a doença. Ela recomenda evitar que água entre pelo nariz durante atividades em lagos e rios e utilizar apenas água esterilizada em lavagens nasais.
A professora Julia Walochnik, da Universidade Médica de Viena, afirma que o tempo é o fator decisivo no tratamento. Iniciativas de famílias que perderam entes para a infecção, como a Fundação Jordan Smelski, têm treinado médicos e difundido informações sobre os sinais precoces da doença.
Leia mais sobre o assunto na livescience.com.
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Jeferson da Silva
24/04/2026
É bom ver a ciência avançando, ainda mais contra uma doença tão cruel. Mas é triste pensar que, enquanto buscam cura pra ameba que destrói o cérebro, tem governo e empresário que parecem fazer o mesmo com o povo, tirando direito e sucateando hospital. Ciência salva, mas precisa de investimento público e respeito à vida, não de corte e precarização.
Alice T.
24/04/2026
É bizarro pensar que tem uma ameba capaz de literalmente destruir o cérebro e só agora estão investindo pesado em remédios. Quando é doença rara que não afeta país rico, a indústria farmacêutica finge que não existe. Mas quando pode dar lucro ou manchete, aí a “inovação” aparece rapidinho.
Rick Ancap
24/04/2026
Mais um milagre pago com o meu dinheiro via SUS… viva o socialismo das amebas!
Francisco de Assis
24/04/2026
Rick, meu caro, é justamente esse “seu dinheiro” bem investido que salva vidas e garante que até quem chama o SUS de socialismo possa ser tratado de graça. Melhor uma ameba curada do que uma cabeça alienada, né?
Renato Professor
24/04/2026
Rick, curioso você reclamar do SUS enquanto ele mantém viva a força de trabalho que sustenta o próprio mercado que você idolatra. Economia solidária também é isso: o coletivo garantindo que até os liberais sobrevivam às amebas.