Um caça F-5 da Força Aérea iraniana fabricado nos anos 1970 atravessou as defesas aéreas dos Estados Unidos e atingiu a base de Camp Buehring, no Kuwait, na fase inicial do conflito no Golfo.
O ataque integra a resposta iraniana à operação militar conduzida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O episódio causou danos importantes à infraestrutura militar americana na região.
Instalações em Bahrein, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos também foram afetadas pelos ataques iniciais. Os prejuízos acumulados podem ser medidos em bilhões de dólares, conforme o Sputnik International.
Mais de cem alvos militares norte-americanos foram atingidos na primeira onda de investidas. Entre os danos estão hangares destruídos, pistas de pouso danificadas, radares fora de operação e centros de comando comprometidos.
O emprego de uma aeronave com mais de cinco décadas de serviço expôs falhas nos sistemas de defesa considerados de ponta. O baixo perfil de radar e o voo em trajetória não convencional explicam o êxito da missão.
Camp Buehring representa um dos principais centros logísticos dos Estados Unidos no norte do Kuwait. A base dá suporte a operações militares em todo o Golfo Pérsico e no Iraque.
O caso levanta questionamentos sobre a real capacidade dos escudos antimísseis como o Patriot e o THAAD. Especialistas militares analisam como uma plataforma antiga superou tecnologias promovidas como as mais avançadas do planeta.
O impacto material se soma a um efeito simbólico relevante no cenário regional. O incidente desafia a imagem de invulnerabilidade que as forças dos Estados Unidos projetam no Oriente Médio.
As autoridades iranianas vinham alertando sobre respostas firmes a qualquer ataque à sua soberania. O governo de Teerã classifica a ação como legítima defesa diante da escalada promovida por Washington e Tel Aviv.
Analistas acompanham as mudanças no equilíbrio militar do Oriente Médio após o episódio. O evento sinaliza que a superioridade tecnológica ocidental enfrenta novos tipos de desafios táticos.
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Silvia Ramos
26/04/2026
Amém, irmãos! Isso é a prova de que a soberba e a arrogância dos poderosos sempre caem por terra. Os Estados Unidos gastam bilhões em tecnologia militar, mas um caça velho dos anos 70, com a força de Deus e a determinação de um povo que não se curva ao mundo, mostra que o poder não está na máquina, mas na justiça do Senhor. Que isso sirva de lição: quem confia em carros e cavalos, como diz o Salmo 20, vai cair; nós, porém, invocamos o nome do Senhor.
Paulo Ribeiro
26/04/2026
Silvia, sua fé é genuína e seu entusiasmo diante da humilhação do império é compreensível — e, em certa medida, justo. Mas precisamos tomar cuidado para não reduzir a luta do povo iraniano a um milagre divino, como se a justiça caísse do céu sem mediação histórica. O que aquele F-5 representa não é a “força de Deus” pairando sobre os mortais, mas sim a astúcia de um Estado que, mesmo sob décadas de sanções e isolamento, conseguiu manter uma capacidade técnica e tática que o establishment militar americano julgava impossível. Isso não é teologia; é dialética materialista aplicada. O Irã não venceu porque Deus está ao seu lado, mas porque soube transformar sucata obsoleta em arma política, porque seus engenheiros e pilotos estudaram cada vulnerabilidade do sistema de defesa americano no Golfo, e porque a correlação de forças no Oriente Médio mudou — o Hezbollah no Líbano, os houthis no Iêmen, as milícias no Iraque. A “soberba” que caiu não foi a de um império abstrato, mas a de um projeto imperialista concreto, que subestima a capacidade de resistência dos povos periféricos. Gramsci já nos alertava: a hegemonia não se mantém só com tanques e drones, mas com a capacidade de fazer com que o dominado acredite que a dominação é natural. Quando um caça dos anos 1970 viola o espaço aéreo de uma base americana no Kuwait, o que se quebra não é apenas um radar — é a narrativa de invencibilidade tecnológica que sustenta o consenso imperial.
Você cita o Salmo 20, e eu respeito sua leitura. Mas permita-me oferecer outra interpretação, mais terrena: a “confiança em carros e cavalos” não é apenas uma metáfora espiritual, é a descrição precisa do complexo militar-industrial americano. Os Estados Unidos gastam mais de 800 bilhões de dólares por ano em defesa — mais que os dez países seguintes somados. E, no entanto, um país que há quarenta anos não pode comprar um parafuso novo para seus aviões consegue penetrar suas defesas. Isso não é milagre, é a prova de que o capitalismo monopolista, na fase do imperialismo tardio, produz burocracias militares inchadas, ineficientes e incapazes de aprender com a história. Mariátegui, ao analisar a resistência indígena nos Andes, dizia que o mito — seja ele religioso ou revolucionário — é uma força material quando mobiliza a ação coletiva. A fé do povo iraniano, combinada com a técnica de seus quadros, produziu esse feito. Mas se nos apegarmos apenas ao “nome do Senhor”, corremos o risco de espiritualizar a política e esquecer que a justiça social se constrói com organização, com estudo das contradições do inimigo, com paciência histórica. O Irã não venceu porque rezou mais alto; venceu porque, na trincheira oposta, o império estava distraído com sua própria propaganda.
Por fim, um alerta necessário: não transformemos esse episódio em fábula moral. A “lição” não é que a fé move montanhas, mas que todo poder hegemônico contém em si as sementes de sua própria fragilidade. O F-5 iraniano é a materialização daquilo que Althusser chamava de “contradição sobredeterminada”: uma aeronave obsoleta que, em condições históricas precisas — com uma tripulação treinada, com um sistema de guerra eletrônica improvisado, com o fator surpresa —, torna-se capaz de furar o bloqueio do império. Se você quer mesmo extrair uma mensagem edificante disso, que seja esta: a luta contra a opressão não depende de armas superiores nem de bênçãos celestiais, mas da capacidade de ler o real em sua complexidade. O povo iraniano, sob o peso de sanções genocidas, continua resistindo. Isso sim é digno de reverência. Mas a reverência não nos exime da análise. Que seu “amém” seja, então, um amém à inteligência dos oprimidos, não à vontade de um deus que, convenhamos, parece ter demorado bastante para agir contra o imperialismo.
João Carlos da Silva
26/04/2026
Silvia, seu entusiasmo é compreensível, mas reduzir a geopolítica a uma narrativa de intervenção divina esvazia justamente o que Gramsci chamaria de hegemonia: a lógica do império não cai por milagre, mas pela organização política e pela consciência histórica dos povos. A fé é legítima, mas não substitui a análise concreta das contradições materiais que permitem que um caça dos anos 70 desafie a tecnologia do século XXI.
Letícia Fernandes
26/04/2026
Silvia, sua fé é genuína e seu entusiasmo diante da humilhação do império é compreensível — e, em certa medida, justo. Mas precisamos tomar cuidado para não reduzir a luta do povo iraniano a um milagre divino, como se a justiça caísse do céu sem mediação histórica. O que aquele F-5 dos anos 1970 representa não é a força do Senhor descendo sobre o Kuwait, mas a persistência de uma cadeia de manutenção e adaptação técnica que o Irã construiu décadas de embargo. O avião é velho, sim, mas foi reformado, rearmado e pilotado por seres humanos que estudaram, trabalharam e morreram por aquela manobra. Reduzir isso a “Deus agiu” é, sem querer, apagar o esforço material de um povo que, desde a Revolução de 1979, aprendeu a fazer sobra com migalhas.
Você cita o Salmo 20, e eu respeito a beleza poética da imagem — “quem confia em carros e cavalos vai cair”. Mas o capitalismo não é um cavalo, Silvia. Ele é uma máquina de moer corpos e consciências que se alimenta exatamente dessa dicotomia entre o espiritual e o material. Quando a direita iraniana (sim, existe uma direita teocrática no Irã) usa esses feitos para legitimar o próprio regime, ela está fazendo o mesmo jogo que os EUA fazem com seus mísseis: transformar violência em símbolo de poder. A diferença é que um lado tem orçamento de trilhões, o outro tem criatividade e desespero. Mas ambos operam dentro da mesma lógica de Estado-nação e soberania armada.
O que me parece mais profundo nesse episódio é justamente o que você chama de “justiça do Senhor”: a contradição objetiva do imperialismo. Os EUA gastam bilhões em sistemas de defesa que, no fim, são vulneráveis a um caça que deveria estar num museu. Isso não é milagre — é a prova de que a superestrutura bélica burguesa é tão hipertrofiada quanto frágil, porque ela depende de uma cadeia logística global que um míssil barato pode romper. O poder não está na máquina, você diz. Concordo. Mas também não está no céu: está na capacidade de um povo organizado de transformar sucata em arma política. É aí que a teologia encontra a luta de classes, sem precisar de intermediários divinos.
Carlos Oliveira
26/04/2026
Silvia, respeito sua fé, mas cá pra nós: a força do povo iraniano não vem do céu, vem da rua, da resistência de quem enfrenta sanção e guerra todo santo dia. A justiça não cai de cima — a gente constrói ela na luta, no suor e na organização.