A Coreia do Norte inaugurou em Pyongyang um museu dedicado aos soldados do país que morreram combatendo ao lado das forças russas na guerra da Ucrânia.
O espaço, batizado de Memorial dos Feitos de Combate em Operações Militares no Exterior, simboliza o aprofundamento da aliança entre Moscou e Pyongyang, conforme reportagem do portal Al Jazeera.
A cerimônia de inauguração coincidiu com o primeiro aniversário do que os dois países descrevem como o fim de uma operação para libertar a região russa de Kursk de uma incursão ucraniana. O evento reuniu o líder norte-coreano Kim Jong Un, o presidente da Duma Estatal da Rússia, Vyacheslav Volodin, e o ministro da Defesa russo, Andrei Belousov.
De acordo com a agência estatal norte-coreana KCNA, Kim prestou homenagem aos combatentes caídos, espalhando terra sobre os restos mortais de um soldado e depositando flores para outros sepultados no local. Após o ato simbólico, Kim e os representantes russos assinaram o livro de visitantes do novo museu.
Em seu discurso, o líder norte-coreano afirmou que os soldados mortos permanecerão como símbolo do heroísmo do povo coreano e do espírito de solidariedade com a Rússia. Ele também acusou os Estados Unidos e seus aliados de promoverem um plano hegemônico e aventureirismo militar no conflito da Ucrânia, elogiando as forças russas e norte-coreanas por resistirem a essas ações.
Durante um encontro separado com Belousov, Kim expressou apoio total à política de Moscou de defesa da soberania e dos interesses de segurança russos. O ministro russo declarou que o governo de Vladimir Putin está pronto para firmar um plano de cooperação militar com Pyongyang para o período de 2027 a 2031.
Em carta lida por Volodin, o presidente russo Vladimir Putin descreveu o novo museu como um símbolo claro da amizade e solidariedade entre Rússia e Coreia do Norte. O líder russo também prometeu fortalecer a parceria estratégica abrangente entre as duas nações, consolidada de forma acelerada após o início da invasão russa à Ucrânia em 2022.
Autoridades sul-coreanas estimam que cerca de 15 mil soldados norte-coreanos tenham sido enviados para combater na região de Kursk, dos quais aproximadamente 2 mil teriam morrido em combate. Moscou e Pyongyang não divulgaram números oficiais sobre o contingente ou as baixas.
Analistas militares apontam que os combatentes norte-coreanos enfrentaram perdas significativas nas primeiras fases da operação, devido à falta de experiência em combate moderno e ao desconhecimento do terreno. Com o passar do tempo, as tropas adquiriram experiência de campo e se tornaram parte relevante da estratégia russa de pressionar as linhas ucranianas.
Desde 2022, Kim Jong Un vem orientando uma guinada diplomática em direção a Moscou, trocando apoio militar por ajuda econômica e por acesso a tecnologias de defesa. Essa aproximação consolidou um eixo de cooperação bilateral que os dois governos apresentam como resposta soberana ao que descrevem como expansionismo militar ocidental liderado pelos Estados Unidos.
O museu inaugurado em Pyongyang integra esse movimento de afirmação política conjunta entre Rússia e Coreia do Norte, dois países que vêm aprofundando sua coordenação militar e diplomática em meio ao conflito ucraniano. A cerimônia, com a presença de altas autoridades russas e a promessa de um novo plano de cooperação militar, sinaliza que a aliança entre os dois países deve se intensificar nos próximos anos.
Leia também: Europa triplica importações de armas em tensão com a Rússia
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Carmem Souza
27/04/2026
Jeferson, você tocou num ponto que me faz refletir como cristã. A Bíblia nos ensina que o Estado tem a espada para manter a ordem, mas quando vemos jovens sendo enviados para morrer em guerra alheia — seja na Coreia ou no Ocidente — fica claro que o coração do homem é o mesmo em todo lugar. O que me preocupa é essa glamorização da morte, esse museu que transforma soldados em mártires de uma causa que talvez nem entendessem. Rezo para que Deus tenha misericórdia de todos esses jovens, independente do lado do fronte.
Maria Silva
27/04/2026
Marta, a senhora tá certa: enquanto o Estado manda os filhos dos outros pra guerra, o povo paga a conta. Mas essa Luisa aí vive no mundinho do Twitter, acha que vender arma é a mesma coisa que mandar soldado morrer. A diferença é que no Ocidente o cara pode escolher se quer pegar num fuzil — na Coreia do Norte, é capricho do ditador e pronto.
Jeferson da Silva
27/04/2026
Maria, com todo respeito, mas essa “escolha” no Ocidente é piada. O jovem da periferia de São Paulo não escolhe pegar em fuzil porque quer — é porque o salário no chão de fábrica não paga o aluguel e o exército é a única saída. A diferença é que na Coreia do Norte eles chamam de ditadura, e aqui chamam de “oportunidade”. O resultado pros pobres é o mesmo: sangue, suor e esquecimento.
Marta Souza
27/04/2026
Pois então, mais um exemplo de como o intervencionismo estatal e o coletivismo levam jovens a morrer em guerras que não são deles. Enquanto isso, no mundo livre, a gente paga impostos para sustentar esse tipo de loucura geopolítica. Se cada país cuidasse da sua própria economia e deixasse o mercado funcionar, não teria soldado morrendo em trincheira alheia.
Luisa Teens
27/04/2026
Mundo livre? O mesmo que vende arma pra Ucrânia e terceiriza guerra? #ForaBolsonaro #Hipocrisia