O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, anunciou a convocação urgente do Conselho Federal de Segurança para discutir a crise energética e os riscos de escassez de combustíveis. A medida tem como objetivo proteger a economia alemã e assegurar o fornecimento de diesel, gasolina e querosene de aviação à população.
Conforme reportou o portal Tagesschau, Merz fez o anúncio durante a abertura da Feira de Hannover. O líder da União Democrata-Cristã afirmou que o mercado vive momento de tensão mas o abastecimento continua garantido por ora.
O chanceler acrescentou que o governo adotará medidas adicionais se o cenário piorar nas próximas semanas. O Conselho Federal de Segurança coordena a ação de diferentes órgãos em resposta a crises e ameaças diversas.
A reunião reunirá ministros, autoridades de segurança e representantes dos estados federados. O primeiro-ministro da Baixa Saxônia, Olaf Lies, do Partido Social-Democrata, deve participar dos debates.
A ministra da Economia, Katherina Reiche, da União Democrata-Cristã, reuniu representantes do setor aéreo para tratar da disponibilidade de querosene. O encontro contou com fornecedores, aeroportos, companhias aéreas e associações do segmento.
O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, alertou para possível escassez de querosene na Europa a partir de maio caso as reservas não sejam reforçadas. A declaração gerou preocupação em Berlim sobre o suprimento futuro.
O ministro das Finanças, Lars Klingbeil, disse à revista Spiegel que os alertas da agência devem ser levados ‘muito a sério’. Klingbeil destacou o esforço para conciliar preços altos de energia com a competitividade da indústria alemã.
A Alemanha administra pressões sobre as cadeias globais de suprimentos em paralelo à transição energética para fontes renováveis. O país enfrenta o desafio de reduzir a dependência de fósseis sem comprometer metas climáticas de médio e longo prazo.
A convocação do Conselho Federal de Segurança reflete a seriedade com que o executivo trata a questão. Merz busca articular uma resposta que envolva os principais atores do governo e dos estados.
Essa iniciativa combina aspectos econômicos e de segurança nacional na abordagem da crise. O objetivo é evitar impactos negativos sobre o funcionamento do país.
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Carlos Meirelles
28/04/2026
Incrível como ainda defendem esse estado babá enquanto a maior economia da Europa sangra por puro idealismo. Energia barata é a base da competitividade e quem acha que ideologia aquece fábrica ou casa no inverno vai acabar quebrando o país. O Merz está apenas tentando limpar a bagunça deixada por anos de subsídios inúteis e intervenção estatal desastrosa na matriz energética.
Paulo Ribeiro
28/04/2026
Meu caro Carlos Meirelles, sua leitura pautada por um suposto pragmatismo econômico negligencia o fato de que a economia nunca é um campo neutro, mas sim o terreno onde se materializam as relações de força e de classe. Ao classificar a ação estatal como estado babá, você recorre a um chavão liberal que ignora o que Louis Althusser tão bem descreveu sobre os Aparelhos Ideológicos de Estado. O que Friedrich Merz faz, ao convocar o Conselho Federal de Segurança, não é uma limpeza técnica de uma suposta bagunça idealista, mas sim a reafirmação do Estado como o comitê gestor dos negócios da burguesia industrial alemã. A energia, nesse contexto, deixa de ser um bem comum para ser tratada sob a lógica da securitização, onde o lucro das grandes corporações é blindado sob o manto da segurança nacional, enquanto o custo social da transição é, como sempre, empurrado para as classes subalternas.
É preciso questionar o que você define como energia barata. Para o pensamento decolonial de José Carlos Mariátegui, a riqueza e a eficiência do Norte Global sempre foram subsidiadas pela exploração e pela desarticulação das periferias. O modelo energético que você defende como pragmático nada mais é do que a manutenção de uma hegemonia que ignora as contradições materiais da reprodução do capital. Quando você diz que a ideologia não aquece fábricas, esquece que é justamente a ideologia neoliberal que naturaliza a precariedade e o colapso climático em nome da competitividade. Como nos ensinou Antonio Gramsci, o senso comum é muitas vezes a ideologia das classes dominantes que se tornou folclore; você reproduz esse folclore ao acreditar que existe uma gestão técnica desvinculada de um projeto político de dominação.
A crise alemã não decorre de um excesso de idealismo, mas sim do esgotamento de um modelo de acumulação que dependia de insumos externos de baixo custo para sustentar sua indústria de exportação. Merz não está salvando o país; ele está operando uma readequação do bloco histórico para garantir que a crise não ameace a estrutura de poder vigente. Tratar a energia apenas como um insumo para a competitividade é uma forma estreita de ver o mundo, que reduz a vida social à dinâmica de mercado. O que está em jogo na Alemanha, e que reverbera em todo o sistema-mundo, é se a soberania energética servirá à vida ou se continuará sendo um instrumento de acumulação privada sob o pretexto de uma racionalidade técnica que, no fundo, é profundamente violenta e ideológica.
Luizinho 16
28/04/2026
Papo reto Carlos, tu tá realmente defendendo o lucro de patrão alemão enquanto o mundo derrete só porque tá com medo do Merz perder a competitividade dele, é muita vontade de ser explorado por essa tirania do capital.
Laura Silva
28/04/2026
Carlos Meirelles, sua análise ignora que a tal competitividade que você tanto preza não é um fim em si, mas o mecanismo pelo qual a mais-valia é garantida no centro do sistema-mundo. Chamar de estado babá o que é, na verdade, a infraestrutura básica necessária para a reprodução do capital demonstra uma profunda incompreensão da dialética entre Estado e mercado no regime de acumulação neoliberal. O que Friedrich Merz busca não é o fim dos subsídios, mas o redirecionamento estratégico deles para salvar a rentabilidade da grande indústria alemã, que por décadas sustentou seu milagre econômico sobre o fornecimento de energia barata, ignorando as contradições geopolíticas que agora cobram seu preço. A crise alemã não é fruto de um excesso de idealismo, mas da falência de um modelo que submete setores estratégicos e essenciais à sobrevivência humana à volatilidade dos mercados financeiros e à busca incessante pelo lucro.
É no mínimo contraditório que o senhor mencione o aquecimento das casas como uma preocupação humanitária para justificar a desregulamentação, quando é precisamente a lógica da mercadoria que empurra as famílias mais pobres para a pauperização energética. Enquanto as gigantes do setor garantem dividendos astronômicos aos seus acionistas, o custo real da crise é sistematicamente socializado, recaindo sobre os ombros da classe trabalhadora europeia e imigrante. Historicamente, o capital nunca se opôs à intervenção estatal quando esta serve para blindar seus interesses ou salvar setores privados da própria incompetência gerencial. O que Merz propõe, ao convocar o Conselho de Segurança, é a face mais dura do neoliberalismo: a militarização de uma crise econômica para proteger o núcleo industrial alemão, tratando a energia como um ativo de guerra em vez de um bem social. Aquecer uma residência no inverno não deveria ser uma variável de ajuste de competitividade industrial, mas um imperativo ético que o mercado, por sua própria natureza predatória, é incapaz de assegurar.
Maria Antonia
28/04/2026
A Alemanha colhe hoje os frutos amargos de anos de intervencionismo ideológico na matriz energética. Friedrich Merz está certo em tratar isso como segurança nacional, porque sem energia barata e abundante, qualquer economia forte desmorona. Já passou da hora de deixarem o pragmatismo de mercado ditar as regras antes que o desabastecimento vire a norma.
Marcos Andrade Niterói
28/04/2026
Maria Antonia, tratar segurança energética como se fosse um balcão de negócios do mercado é um equívoco perigoso que só interessa à extrema-direita. Aqui em Niterói, o Rodrigo Neves mostrou que o sucesso na infraestrutura e na mobilidade vem do planejamento público forte e não da omissão que vemos no governo do estado. Sem a mão do Estado coordenando o setor, o que sobra é o apagão e a dependência externa.
Carlos Oliveira
28/04/2026
Maria Antonia, o chamado pragmatismo de mercado muitas vezes mascara a entrega de setores estratégicos aos interesses das grandes corporações, deixando o povo desprotegido diante de crises globais. A energia deve ser tratada como um bem social e pilar da soberania nacional, algo que o planejamento público sério garante muito melhor do que a instabilidade da busca pelo lucro incessante.
Ana Karine Xavante
28/04/2026
Maria Antonia, o que você chama de intervencionismo ideológico eu chamo de um despertar tardio e ainda insuficiente diante de um abismo climático que o norte global ajudou a cavar com as próprias mãos. Friedrich Merz fala em segurança nacional sob a ótica de manter engrenagens industriais girando a qualquer custo, mas precisamos questionar de forma profunda: segurança para quem? Aqui no Mato Grosso, ou nas terras dos meus parentes, a busca por essa energia barata e abundante que você defende sempre significou a nossa insegurança vital. O pragmatismo de mercado que você evoca é, na verdade, o motor do colonialismo estrutural que vê a natureza apenas como um almoxarifado de recursos a serem saqueados para sustentar o conforto europeu, enquanto os povos originários pagam com o corpo e com o território o preço desse progresso insaciável.
Tratar a energia apenas como um pilar da economia forte é ignorar que a economia não existe no vácuo; ela depende da biosfera e do equilíbrio dos sistemas vivos. Quando a Alemanha ou qualquer outra potência clama por soberania energética ignorando a urgência da transição e a justiça climática, ela está apenas reforçando uma lógica extrativista que desconsidera os limites do planeta. O verdadeiro pragmatismo hoje seria reconhecer que não existe economia forte em um planeta exausto e febril. O Conselho Federal de Segurança da Alemanha pode se reunir quantas vezes quiser, mas se a discussão não passar pela reparação histórica e pela descolonização da nossa matriz de consumo, eles estarão apenas gerindo a própria decadência em cima de um modelo que já nasceu éticamente falido por ser intrinsecamente violento com o Sul Global.
Precisamos romper com essa ideia de que o mercado deve ditar as regras do que é vital para a sobrevivência humana. Para nós, povos indígenas, a energia é a força que mantém a floresta em pé e os rios correndo, e não apenas uma mercadoria para ser negociada em bolsas de valores enquanto o clima colapsa ao nosso redor. O que Merz propõe é uma blindagem do capital travestida de interesse público, uma tentativa desesperada de manter o privilégio colonial de consumir o mundo sem olhar para as consequências. A crise energética alemã não é um erro de percurso, é um sintoma pedagógico: o modelo de crescimento infinito acabou, e tentar salvá-lo com mais receitas de mercado é como tentar apagar um incêndio na mata usando gasolina.