A capital sueca lançou um programa inédito de prevenção à criminalidade voltado a crianças a partir dos seis anos de idade. A iniciativa aposta em acompanhamento familiar intensivo com visitas domiciliares frequentes e apoio psicológico para fortalecer os laços entre pais e filhos.
Segundo a RFI, o projeto inspira-se no método MST-CAN desenvolvido nos Estados Unidos. Esse modelo propõe intervenções intensivas junto a famílias vulneráveis, com foco na prevenção de violência, abuso de substâncias e negligência parental.
O vice-prefeito de Estocolmo, Alexander Ojanne, explicou que o acompanhamento prevê de três a cinco encontros semanais com cada família. O programa dura de seis a nove meses e busca ajudar os pais a reassumirem suas responsabilidades parentais.
Ojanne destacou que o fortalecimento das relações de confiança entre adultos e crianças é essencial para o sucesso da medida. Uma criança capaz de recorrer a adultos confiáveis fica menos exposta ao recrutamento por gangues e ao isolamento social.
O programa vai atender cerca de 90 famílias ao longo de três anos, com investimento aproximado de 5 milhões de euros. Ojanne defendeu o custo citando estudos que estimam em 23 milhões de coroas suecas — cerca de 2 milhões de euros — o impacto médio de cada pessoa envolvida com atividades de gangues.
O psicólogo Anders Öhman, responsável pela implementação da terapia, reforçou a prioridade de evitar medidas drásticas como o envio de jovens a instituições ou prisões. Öhman avaliou que tais soluções geram efeitos negativos tanto para o indivíduo quanto para a sociedade.
A Suécia trava um debate crescente sobre a responsabilidade penal de menores de idade. O país permite a prisão de adolescentes a partir dos 13 anos em casos graves.
A iniciativa de Estocolmo sinaliza mudança no foco das políticas de segurança pública suecas. As autoridades priorizam o apoio familiar e a reconstrução de vínculos sociais em vez da simples punição.
O projeto reflete tendência europeia de buscar soluções sociais e educativas para a criminalidade juvenil. Estocolmo tenta enfrentar as causas estruturais da violência urbana por meio da inclusão e da solidariedade comunitária.
Leia mais sobre o assunto na RFI.
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Carlos Rocha
30/04/2026
É impressionante como essa turma adora citar teóricos enquanto ignora o óbvio: mais um programa estatal inchado para tentar substituir a responsabilidade dos pais com o dinheiro dos outros. Enquanto discutem Foucault e Freire nos comentários, a Suécia vai cavando um buraco fiscal para financiar engenharia social invasiva desde a infância. O mercado e a liberdade individual resolvem muito mais que esse assistencialismo de berço que só serve para inflar a máquina pública.
Pedro Neto
30/04/2026
Faz o L e vai pra Cuba comunista safado querendo passar pano pra bandidinho de seis ano.
Mariana Alves
30/04/2026
Prezado Pedro Neto, a sua intervenção é um exemplar didático da erosão do pensamento crítico operada pela racionalidade neoliberal em nossa subjetividade contemporânea. Ao rotular crianças de seis anos sob a alcunha de bandidinho, você não apenas ignora as premissas mais elementares da psicologia do desenvolvimento e da pedagogia crítica, mas subscreve, de forma automática, a lógica do Estado penal descrita por Loïc Wacquant. Essa sanha punitivista, que busca criminalizar a infância em vez de questionar as estruturas de desigualdade que produzem a marginalidade, é o sintoma de uma sociedade que abdicou do cuidado coletivo em favor da vigilância e do encarceramento. O que Estocolmo propõe, ainda que sob o verniz social-democrata, é uma tentativa — ainda que passível de críticas por sua natureza de controle biopolítico — de intervir antes que a máquina de moer gente do capital faça o seu trabalho final.
A sua insistência no binômio pueril de passar pano contra punir revela uma profunda incapacidade de compreender que a criminalidade não é uma essência ontológica do indivíduo, mas um fenômeno sociológico enraizado nas relações de produção e na ausência de direitos fundamentais. Enquanto você se ocupa em repetir bordões de uma direita que fetichiza a repressão, o capital segue lucrando com a precarização da vida, transformando a exclusão social em um problema de polícia e não de política. A verdadeira safadeza intelectual reside em ignorar que o sistema que você defende exige a existência de um exército industrial de reserva e de uma subclasse marginalizada para manter as taxas de acumulação, apenas para depois exigir a eliminação desses mesmos sujeitos que o sistema produziu.
Por fim, a sua sugestão de exílio ideológico para Cuba apenas ratifica o esvaziamento do seu repertório argumentativo. É o recurso retórico de quem não possui ferramentas teóricas para debater a complexidade da psicologia social ou a falência do modelo de segurança pública militarizada. Como professora e psicóloga, vejo na sua fala o reflexo do homo economicus que perdeu a capacidade de empatia e de análise histórica. Antes de sugerir destinos geográficos, talvez fosse proveitoso um mergulho na literatura sociológica séria, para que você compreenda que proteger uma criança de seis anos de um destino de violência não é uma questão de partido, mas o mínimo ético que nos separa da barbárie total que o neoliberalismo insiste em normalizar.
Ana Karine Xavante
30/04/2026
Pedro, seu comentário é a síntese da pulsão de morte que o colonialismo estrutural incutiu na nossa subjetividade. Quando você se refere a uma criança de seis anos como bandidinho, você não está apenas atacando um campo político, mas reproduzindo a mesma lógica de desumanização que justifica, aqui no meu estado, o genocídio dos povos indígenas e o extermínio da juventude negra nas periferias. É muito conveniente gritar palavras de ordem vazias e tentar reduzir um debate complexo de segurança pública a binarismos eleitorais, enquanto ignora que o Estado brasileiro só costuma chegar aos nossos territórios e às comunidades vulnerabilizadas através do braço armado. O que Estocolmo propõe, ainda que dentro de uma lógica europeia que precisamos olhar com cautela, é o reconhecimento de que a criminalidade não é um desvio de caráter inato, mas um sintoma de fraturas sociais profundas que o seu discurso prefere aprofundar em vez de curar.
O que você chama de passar pano, nós, que lutamos pela terra e pela vida, chamamos de responsabilidade coletiva. Na cosmovisão dos meus ancestrais, uma criança é uma extensão da comunidade; se ela se perde, é porque o corpo social está doente. Mas a racionalidade neoliberal que você defende prefere tratar seres humanos como descartáveis, transformando o trauma infantil em estatística policial para alimentar a indústria do encarceramento. Enquanto você se perde nessa retórica de ódio contra o comunismo, a boiada continua passando sobre os nossos direitos, sobre as nossas florestas e sobre o futuro dessas mesmas crianças que, se não forem brancas e herdeiras do latifúndio, já nascem sentenciadas por mentes que pensam como a sua.
É preciso uma cegueira deliberada para olhar para um programa de prevenção e enxergar uma ameaça ideológica. A verdadeira ameaça é esse desejo de punição desenfreada que não constrói escola, não protege o bioma e não oferece horizonte algum. O seu rancor é o combustível de um sistema que precisa fabricar inimigos para esconder que é incapaz de garantir dignidade básica. Enquanto você digita ofensas, nós continuamos aqui na base, resistindo para que nenhuma criança, seja em Mato Grosso ou em Estocolmo, seja reduzida ao rótulo violento que você tenta impor para validar a sua própria falta de empatia.
João Carlos da Silva
30/04/2026
Sua fala, Pedro, é a materialização da microfísica do poder de que falava Foucault, onde a sanha punitivista tenta disciplinar corpos antes mesmo que eles tenham acesso pleno à cidadania. É lamentável ver a pedagogia da esperança de Freire ser substituída por esse ódio que prefere criminalizar a infância em vez de enfrentar as estruturas de desigualdade que nos asfixiam.