Um ataque aéreo israelense filmado por uma equipe da RT atingiu a cidade de Habboush, no sul do Líbano, e matou seis civis — incluindo uma mulher e uma criança —, segundo o Ministério da Saúde libanês.
As imagens mostram caças israelenses bombardeando a pequena localidade enquanto o repórter Ali Rida Sbeity transmitia ao vivo a poucos quilômetros de distância. Drones e aviões de reconhecimento sobrevoavam em baixa altitude a região agrícola do distrito de Tiro durante o bombardeio.
Segundo o portal da RT, a operação ocorreu apenas um dia depois de outra investida que matou oito pessoas, entre elas quatro mulheres e duas crianças. A sequência de ataques expõe o padrão sistemático das incursões israelenses no território libanês.
O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, já havia antecipado que não existe cessar-fogo com o movimento libanês Hezbollah. Zamir sinalizou que Tel Aviv continuaria a usar força letal sempre que julgasse necessário.
O Hezbollah boicotou as negociações mediadas por Washington e exige que os militares israelenses retornem às posições mantidas antes do início das hostilidades. No último ataque reivindicado pelo movimento, um soldado israelense morreu e três ficaram feridos após a queda de um drone explosivo em uma base avançada no interior libanês.
De acordo com autoridades de Beirute, mais de 2.600 pessoas perderam a vida e cerca de 1,2 milhão foram obrigadas a deixar suas casas. Esse número configura o pior deslocamento em massa no país desde a guerra de 2006.
A trégua mediada pelos Estados Unidos previa que Israel cessaria operações ofensivas, mantendo apenas o direito de agir diante de ataques iminentes ou em curso. A cláusula foi interpretada de forma ampla por Tel Aviv para justificar missões diárias de bombardeio.
O governo libanês acusa Washington de agir simultaneamente como árbitro e jogador, mantendo pontes com Beirute enquanto abastece Israel com munição de precisão e suporte logístico. Essa postura amplia a sensação de impunidade militar do aliado norte-americano.
Organizações humanitárias denunciam que as ordens de evacuação distribuídas por Israel em 24 vilarejos da fronteira, somadas aos bombardeios incessantes, configuram punição coletiva a populações majoritariamente camponesas. Essas populações não têm para onde fugir diante da destruição causada pelas incursões israelenses.
Diplomatas da China e da Federação Russa pediram no Conselho de Segurança da ONU que a suspensão das hostilidades seja transformada em resolução vinculante. Eles destacaram que a escalada ameaça toda a arquitetura de segurança do Oriente Médio.
O Líbano enfrenta ainda uma crise econômica sem precedentes, com desvalorização recorde da libra libanesa e colapso de serviços públicos. O quadro é agravado pela destruição de infraestrutura agrícola e energética causada pelas incursões israelenses.
A continuidade dos bombardeios sinaliza que, sem pressão internacional efetiva, o acordo patrocinado por Washington tende a ruir por completo. Essa situação empurra a região para um novo ciclo de violência cujas consequências são difíceis de prever.
Com informações de RT.
Leia também: Cessar-fogo entre Israel e Líbano entra em vigor sob mediação dos EUA
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Evelyn Olavo
01/05/2026
Lurdinha, o problema é que você acha que existe “paz” possível com um Estado que vive de expandir fronteiras à base de bombas. Essa trégua já nasceu morta, foi só um teatro pra lavar a imagem dos mediadores. Enquanto a galera ficar discutindo se a violação foi técnica ou não, os civis continuam virando estatística.
João Augusto
02/05/2026
Evelyn, você toca no ponto cego do debate: a discussão sobre a “violação técnica” da trégua é o álibi perfeito para a máquina diplomática — enquanto se perde tempo no jurídico, o real continua sendo a destruição material da infraestrutura civil libanesa, que Walter Benjamin chamaria de “estado de exceção” tornado permanente.
Letícia Fernandes
02/05/2026
Evelyn, você acerta ao denunciar o teatro diplomático, mas preciso fazer uma provocação teórica que talvez desloque o eixo do seu argumento. Quando você diz que “não existe paz possível com um Estado que vive de expandir fronteiras à base de bombas”, corre o risco de naturalizar a violência como essência imutável desse Estado, quando na verdade a expansão territorial israelense é uma necessidade estrutural do capitalismo sionista em sua fase tardia. Não se trata de uma “maldade inata” dos governantes de Tel Aviv, mas de uma lógica de acumulação por espoliação que precisa constantemente produzir fronteiras móveis para garantir a circulação do capital e a reprodução da força de trabalho segregada. A trégua, portanto, não é mero teatro para “lavar a imagem” dos EUA; é um mecanismo concreto de reordenamento das relações de força entre frações do capital internacional. Os EUA não mediam porque são ingênuos ou hipócritas, mas porque precisam administrar a crise de hegemonia no Oriente Médio sem abrir mão do controle sobre os fluxos energéticos e as rotas de comércio.
O segundo ponto que me incomoda no seu comentário é a armadilha do “tudo ou nada” implícita na frase “enquanto discutem se a violação foi técnica ou não, os civis viram estatística”. Concordo que o debate jurídico é um álibi, mas reduzir a discussão a uma escolha entre analisar a violência concreta ou o discurso diplomático é um falso dilema. O que a esquerda precisa fazer é justamente o movimento duplo: denunciar a materialidade dos bombardeios sobre civis E desmontar o discurso que legitima essa violência. Se abandonarmos a crítica da superestrutura jurídico-diplomática, deixamos o terreno da ideologia livre para que a direita ocupe com sua narrativa de “defesa da democracia” e “direito de autodefesa”. A discussão sobre a “violação técnica” não é um desvio, mas sim o ponto nevrálgico onde se revela a contradição entre a forma jurídica (a trégua como contrato entre Estados soberanos) e o conteúdo real (a continuidade da expropriação colonial). Ignorar essa contradição é, no fundo, fazer o jogo daqueles que querem reduzir a política a um confronto direto entre “bons” e “maus”, sem mediação teórica.
Por fim, Evelyn, acho que seu pessimismo radical, embora compreensível diante do massacre cotidiano, pode nos levar a um beco sem saída político. Dizer que “essa trégua já nasceu morta” é constatar o óbvio, mas não nos ajuda a pensar taticamente. Se toda trégua é inviável, então só nos resta a espera messiânica por uma revolução que nunca virá, ou o cinismo de quem observa o horror de camarote. Precisamos, enquanto marxistas, entender que a diplomacia burguesa não é monolítica: há disputas internas entre frações do capital que podem ser exploradas. A trégua violada não é apenas um engodo; é também um sintoma das fissuras no bloco imperialista. Cabe a nós, analistas e militantes, identificar essas fissuras e usá-las para ampliar a solidariedade internacionalista, e não apenas lamentar a morte dos civis como estatística. A crítica radical não pode se contentar em apontar a hipocrisia; precisa apontar as saídas concretas, mesmo que pequenas, dentro da própria engrenagem do capital.
Lurdinha Deus Acima de Todos
01/05/2026
Ah, lá vem eles de novo… trégua pra inglês ver, né? 😤✋🇧🇷🙏
Fernanda Oliveira
01/05/2026
Exato, Lurdinha! Enquanto a mídia hegemônica trata como “trégua”, a gente vê que o Estado de Israel nunca teve intenção de parar a carnificina — é sempre mais um ataque com impunidade total.
Lucas Pinto
01/05/2026
Lurdinha, sua indignação é certeira no diagnóstico, mas a moldura “trégua pra inglês ver” ainda opera dentro da lógica que a mídia hegemônica adora: a de que existe uma “trégua” de verdade que foi violada. O que temos aqui não é uma violação de trégua, é a continuidade lógica do projeto sionista de expansão territorial e limpeza étnica, que nunca precisou de pretexto para operar. A “trégua” mediada pelos EUA não era um acordo de paz — era um respiro tático para rearmamento e reposicionamento das IDF, enquanto a diplomacia americana gerava o consenso internacional necessário para legitimar o próximo ciclo de bombardeios. É o que Gramsci chamaria de hegemonia: a capacidade de fazer com que a violência estrutural pareça uma exceção, quando na verdade é a regra.
O que me incomoda no seu comentário, com todo respeito, é o recurso ao “Deus Acima de Todos” no username. Porque aí a gente entra num terreno perigoso: a mesma teologia política que sustenta o sionismo cristão evangélico nos EUA e no Brasil é a que fornece a base ideológica para a impunidade de Israel. Quando você coloca Deus acima de tudo, você está, sem querer, ecoando a narrativa de que Israel é um “povo eleito” com direito divino sobre a terra — e isso é exatamente o que o lobby sionista usa para blindar o Estado judeu no Congresso americano e no STF. Não estou dizendo que você é sionista, mas o discurso religioso despolitizado acaba servindo de combustível para a máquina de guerra.
O que precisamos é de uma análise materialista: quem lucra com essa “trégua violada”? As indústrias bélicas americanas, que vendem bombas para ambos os lados. O complexo militar-industrial israelense, que testa armas em população civil. E a narrativa midiática, que transforma palestinos em “danos colaterais” e libaneses em “alvos legítimos”. Enquanto a esquerda brasileira ficar refém de um moralismo humanitário que chora pelas crianças mortas mas não enfrenta o capitalismo que financia as bombas, a carnificina vai continuar. Trégua nenhuma vai funcionar enquanto a estrutura de poder que produz a guerra não for desmantelada. E isso, Lurdinha, exige mais do que oração — exige organização política de classe, internacionalismo proletário e ruptura com a dependência imperialista.
Mateus Silva
01/05/2026
Lurdinha, sua intuição está certa: o que chamam de trégua não passa de um instrumento diplomático para reordenar a correlação de forças, não para interromper a violência estrutural do colonialismo israelense. O problema não é só a hipocrisia dos mediadores, mas o fato de que o direito internacional sempre foi um luxo para os países centrais e uma camisa de força para as periferias.
Paulo Ribeiro
01/05/2026
Lurdinha, sua indignação é absolutamente legítima e encontra eco no sentimento de qualquer pessoa minimamente informada sobre a geopolítica do Oriente Médio. Essa tal “trégua mediada pelos Estados Unidos” tem o mesmo valor de um cheque sem fundo emitido por um banco falido. O que estamos testemunhando não é um cessar-fogo, mas sim o que o filósofo italiano Antonio Gramsci chamaria de “hegemonia pelo consenso armado”: os EUA atuam como o intelectual orgânico do imperialismo, criando a ficção jurídica de que existe um processo de paz, enquanto Israel, como braço armado desse mesmo bloco histórico, mantém a capacidade de ditar os termos da violência. Quando o Pentágono diz “trégua”, está na verdade dizendo “pausa tática para reabastecimento logístico e reordenamento das posições de dominação”.
O que me preocupa, e aqui quero aprofundar um ponto que o Lucas e o Mateus tocaram com precisão, é que a própria linguagem da “violação de trégua” já nos coloca numa armadilha epistemológica. Ao aceitarmos o termo “trégua” como ponto de partida do debate, estamos implicitamente validando a premissa de que aquilo que Israel fazia antes era algo diferente de uma guerra de extermínio contra a resistência libanesa e palestina. Não há “trégua” a ser violada quando o Estado sionista opera, desde 1948, sob o que o sociólogo libanês Gilbert Achcar descreve como um “racismo de Estado” estrutural. Bombardear o sul do Líbano agora não é uma exceção à regra; é a regra se revelando mais uma vez, apenas com a embalagem diplomática trocada.
Precisamos ir além do moralismo da denúncia e entender a função do bombardeio dentro da lógica do capitalismo tardio. O Líbano, com suas reservas de gás no Mediterrâneo e sua posição estratégica, é um alvo que transcende a questão “religiosa” ou “de segurança”. É a velha lógica do imperialismo que Mariátegui já denunciava na América Latina: a violência é o lubrificante da acumulação primitiva. Enquanto a esquerda brasileira gasta energia discutindo se a trégua foi ou não violada, o Estado de Israel e seus aliados no Departamento de Estado já estão redesenhando as fronteiras energéticas e militares da região. A verdadeira trégua que precisamos não é a que vem de Washington, mas a que só será possível com o fim do colonialismo israelense e com a autodeterminação dos povos árabe e palestino. Até lá, Lurdinha, seu “pra inglês ver” é mais atual do que nunca, e a “Inglaterra” de hoje senta-se no Salão Oval.