Menu

Pentágono solicita mísseis Dark Eagle e expõe escassez de armamentos dos EUA

62 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Pentágono solicita mísseis Dark Eagle e expõe escassez de armamentos dos EUA. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O Comando Central dos Estados Unidos requisitou a rápida disponibilização do sistema de ataque hipersônico Dark Eagle para o Oriente Médio. Essa requisição revela que Washington carece de munições convencionais capazes de atingir […]

62 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Ilustração editorial sobre Pentágono solicita mísseis Dark Eagle e expõe escassez de armamentos dos EUA. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O Comando Central dos Estados Unidos requisitou a rápida disponibilização do sistema de ataque hipersônico Dark Eagle para o Oriente Médio.

Essa requisição revela que Washington carece de munições convencionais capazes de atingir alvos estratégicos protegidos no Irã. O movimento expõe os limites reais do arsenal norte-americano na região.

O correspondente de guerra Elijah J. Magnier avaliou que o apelo ao Dark Eagle demonstra urgência e as limitações concretas do estoque norte-americano. Magnier observou que o míssil ainda não foi oficialmente declarado pronto para combate.

Conforme análise publicada pelo portal Sputnik, a solicitação contradiz afirmações anteriores sobre a destruição de lançadores iranianos. Um inimigo de fato neutralizado não exigiria armamento de última geração para ser dissuadido.

A República Islâmica não se mostra intimidada pela menção ao Dark Eagle e continua a ampliar sua capacidade de defesa. Essa postura inclui túneis montanhosos e mobilidade constante de plataformas de lançamento.

Para Magnier, a escassez de alternativas convencionais leva Washington a apostar em um artefato cujo estoque inicial deve ser reduzido. Essa limitação restringe qualquer campanha prolongada e mantém a capacidade iraniana de retaliação.

No plano diplomático, o gesto serve como ferramenta de pressão sobre Teerã enquanto as conversas sobre sanções e garantias de segurança permanecem estagnadas. O movimento também envia uma mensagem de impaciência a Israel, que pressiona por ações mais contundentes contra grupos aliados ao Irã na região.

Autoridades israelenses calculam que centenas de mísseis iranianos de alcance intermediário permanecem prontos para disparo. Elas contam com o envolvimento norte-americano para evitar que um eventual conflito se transforme em guerra de desgaste na região.

Especialistas independentes apontam que a eventual introdução de um vetor hipersônico pode incentivar outros países a buscar tecnologia similar. Países como a Arábia Saudita e a Turquia buscam ativamente meios para equilibrar o cenário regional.

O Dark Eagle utiliza um planador manobrável lançado por foguete para superar defesas antimísseis existentes. O sistema combina velocidade superior a seis mil quilômetros por hora com capacidade de alterar rota no estágio terminal.

O programa acumula atrasos desde 2023, refletindo a desvantagem norte-americana diante de Rússia e China. Os mísseis Avangard e DF-17 desses países já foram declarados operacionais e testados em múltiplos cenários.

Funcionários do governo do Irã insistem que qualquer ataque contra instalações estratégicas encontrará resposta proporcional e sustentada. Eles destacam que a sobrevivência de suas plataformas de lançamento prova a eficácia dos investimentos em engenharia militar nacional.

Ao recorrer a um sistema ainda em fase de certificação, Washington reconhece limites materiais e políticos. O gesto amplia a percepção global de que a dinâmica de poder no Oriente Médio não pode mais ser redefinida apenas pelo arsenal dos EUA.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


, ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Zé do Povo

02/05/2026

ISSO É O QUE ACONTECE QUANDO O ESTADO GASTA TUDO EM GUERRA INÚTIL! 😡 FALTA MISSEIS ATÉ PRA DEFESA, MAS PRA BANQUEIRO NUNCA FALTA DINHEIRO! VOLTA VALORES TRADICIONAIS JÁ!

    João Carvalho

    02/05/2026

    Zé do Povo, você toca num ponto importante sobre a prioridade dada ao capital financeiro em detrimento da capacidade produtiva. O problema não é exatamente “gastar em guerra”, mas sim a lógica neoliberal que desmontou a base industrial americana enquanto canalizava recursos para salvamentos bancários e para a financeirização da economia. A escassez de mísseis não é acidental: é o resultado previsível de décadas de desinvestimento público em capacidade produtiva e de uma política externa imperial que ignora os custos de longo prazo.

Paula Santos

02/05/2026

É preocupante ver que, mesmo com todo o poderio militar, a falta de planejamento e a corrida armamentista acabam expondo essas fragilidades. Como cristã, acredito que investir em diálogo e paz deveria ser prioridade, mas a realidade mostra que a soberba das nações muitas vezes as leva a esses becos sem saída. Espero que isso sirva de alerta para repensarmos onde estamos colocando nossos recursos e nossa confiança.

Pedro Almeida

02/05/2026

Carlos Oliveira e Luizinho 16 tocaram no ponto central: a escassez de mísseis convencionais expõe a contradição de um império que gasta trilhões em guerras por procuração enquanto sua base industrial definha. Lembra-me a crítica de Rosa Luxemburgo sobre a acumulação primitiva — o capitalismo precisa de expansão constante, mas quando o estoque acaba, a máquina bélica revela sua fragilidade estrutural. O Dark Eagle é só o sintoma de uma crise de hegemonia que Gramsci já diagnosticava.

Carlos Oliveira

02/05/2026

Luizinho 16 mandou a real. Enquanto o povo aqui nos aplicativo se vira com gasolina a 7 reais e sem direito a décimo terceiro, o Pentágono tá pedindo míssil de 70 milhões de dólares que nem testado direito é. Cadê o planejamento que não falta pra pagar banqueiro mas sobra pra guerra?

Eduardo Teixeira

02/05/2026

O problema não é só de estoque, é de incentivo. Enquanto o Pentágono puder torrar 70 milhões de dólares por míssil sem prestar contas ao contribuinte, a conta vai continuar subindo e a capacidade de produção nunca vai acompanhar. Mercado livre resolveria isso com concorrência e preço real, não com monopólio estatal de defesa.

    Luizinho 16

    02/05/2026

    mercado livre ia resolver misseis hipersonicos igual resolveu plano de saude e aluguel, confia eduardo

Ana Costa

02/05/2026

A Miriam tem um ponto sensato: pedir um sistema em fase de testes para operação real é sintoma de desespero logístico, não de força. Mas, por outro lado, a própria imprensa especializada já apontou que o Dark Eagle teve adiamentos nos testes de voo — então solicitar algo que ainda não foi aprovado operacionalmente me parece mais um movimento político para justificar orçamento do que uma resposta real a uma lacuna no estoque.

Miriam

02/05/2026

A Cecília tem razão: o sistema ainda está em fase de testes e já estão pedindo para usar em operação real. É o típico caso de empurrar com a barriga enquanto a conta chega. O problema não é de direita ou esquerda, é de planejamento mesmo.

Cecília Torres

02/05/2026

O Paulo Gestor RJ tocou num ponto crucial: a lógica industrial-militar americana sempre operou no limite da capacidade produtiva, mas a guerra na Ucrânia e a pressão no Oriente Médio escancararam que o estoque não é infinito. Pedir um sistema hipersônico ainda em fase de testes operacionais é sintoma de desespero logístico, não de força. Enquanto isso, a narrativa de “superpotência invencível” vai precisar de uma atualização nos manuais de relações internacionais.

Paulo Gestor RJ

02/05/2026

Samara, acho que a questão não é só moral ou logística. Se os EUA estão pedindo um sistema hipersônico de 70 milhões de dólares cada, é sinal de que a conta dos conflitos modernos não fecha. Falta gestão de estoque e prioridade orçamentária, e isso vale para qualquer país, inclusive o nosso.

Pedro Neto

02/05/2026

Faz o L, Pentágono! Vai ter que vender o Dark Eagle no Mercado Livre agora, hein.

    Samara Oliveira

    02/05/2026

    Pedro Neto, essa piada revela uma verdade incômoda: enquanto bilhões vão pra mísseis que nem funcionam direito, Jesus nos ensinou a repartir o pão, não a fabricar morte. O Mercado Livre pelo menos entrega em casa, mas a fome não espera o Dark Eagle sair de estoque.

Lurdinha Deus Acima de Todos

01/05/2026

Amém Tonho Patriota 🙏🇧🇷 isso mesmo, cadê o nióbio? Enquanto isso o povo passando fome e eles querendo foguete! Fecha o Congresso já!

    João Carlos da Silva

    01/05/2026

    Lurdinha, com todo respeito, a confusão entre nióbio e mísseis hipersônicos revela exatamente o que Gramsci chamava de senso comum fragmentado: o descontentamento legítimo com a fome é capturado por um discurso que troca o debate estrutural por espantalhos geopolíticos. Fechar o Congresso não resolve a equação de quem lucra com a guerra e quem paga com a carestia.

John Marshall

01/05/2026

Tonho Patriota, meu caro, você mistura alhos com bugalhos de uma forma que faria o velho Hobbes revirar na tumba. O problema não é falta de bala ou mamadeira geopolítica; é a contradição interna de um império que precisa de mísseis de 70 milhões para compensar a erosão da sua base industrial, enquanto a retórica belicista tenta esconder o que Marx chamaria de crise de acumulação. O Brasil deveria, antes de tudo, aprender com esses erros em vez de repetir o canto da sereia do complexo militar.

Tonho Patriota

01/05/2026

ESSE PENTÁGONO É UMA VERGONHA, FALTA BALA ATÉ PRA GUERRA! ENQUANTO ISSO O LULA MAMANDO NAS TETAS DA VENEZUELA E O BRASIL SEM NIOBIO! FAZ O L, SEUS COMUNISTAS!

João Augusto

01/05/2026

Cristina, a radicalização que você propõe é bem-vinda, mas acho que ainda falta situar o Dark Eagle na dinâmica mais ampla da crise de hegemonia. O que o Pentágono revela, ao pedir um sistema hipersônico de 70 milhões de dólares por unidade para compensar a falta de munição barata, é a materialização do que Gramsci chamaria de crise de autoridade — o velho (estoques da Guerra Fria) morre, e o novo (a guerra de alta tecnologia) não consegue nascer sem implodir o orçamento. É a prova de que a reprodução ampliada do capital, na fase imperialista tardia, exige cada vez mais violência destrutiva para sustentar taxas de lucro decrescentes.

Cristina Rocha

01/05/2026

Letícia, Lucas, achei instigante a direção que vocês dois apontaram sobre a contradição interna do complexo militar-industrial. Mas acho que precisamos radicalizar um pouco mais a leitura. O pedido do Dark Eagle não é apenas um sintoma de escassez logística ou de um sorvedouro de recursos. Ele revela uma crise ontológica do próprio imperialismo estadunidense: a passagem de uma hegemonia baseada na produção material e no controle territorial para uma hegemonia que tenta se sustentar apenas na velocidade e no espetáculo da destruição. O míssil hipersônico é a metáfora perfeita do capitalismo tardio — tudo precisa ser mais rápido, mais volátil, mais imaterial, porque o chão concreto da dominação está rachando. Não é que faltem munições; falta um projeto político coerente que justifique aquele gasto. O Pentágono não está preocupado com o Oriente Médio, está preocupado em provar que ainda consegue impor a agenda, mesmo que às custas de um sistema logístico falido.

O Adalberto, lá no começo, tem um lampejo de razão quando fala em propaganda para justificar orçamento, mas ele erra feio ao reduzir tudo a uma conspiração maniqueísta. O problema é mais profundo: o orçamento militar bilionário não é desviado da reprodução social por acaso — ele é a própria forma que o capital encontrou para administrar suas crises. Como ensina a Rosa Luxemburgo, o capitalismo precisa de um “não-capitalista” para se expandir. Hoje, esse “não-capitalista” é o próprio Estado, que financia a destruição como se fosse um investimento produtivo. Enquanto isso, o povo americano realmente passa fome, e o brasileiro paga 130 reais no gás, mas isso não é um erro do sistema; é a lógica operando em sua plenitude. O Dark Eagle não vai resolver a escassez de mísseis convencionais, assim como o Auxílio Brasil não resolve a fome — ambos são paliativos que mantêm a estrutura de pé.

E, Carlos, com todo respeito, a sua defesa da “liberdade econômica” como antídoto me soa como um fetiche. O livre mercado não produziu o Dark Eagle? Ele não é fruto da concorrência entre empreiteiras de defesa e da necessidade de inovação para manter a taxa de lucro? A responsabilidade fiscal que você prega, quando aplicada a um Estado que gasta 800 bilhões de dólares por ano em guerras, é uma piada de mau gosto. O que estamos vendo aqui é a falência do modelo de acumulação bélica. O Brasil, ao importar essa narrativa de que gasto público é inerentemente ruim, só repete o erro de achar que o mercado é apolítico. A questão não é gastar menos, mas gastar com o quê e para quem. Enquanto o Pentágono pede mísseis hipersônicos para manter a ordem unipolar, a pergunta que fica é: quem está autorizado a definir o que é “defesa” e o que é “agressão”? Até quando vamos aceitar que a soberania de um país se mede pela sua capacidade de aniquilar o outro?

Lucas Alves

01/05/2026

Letícia, seu comentário é um prato cheio pra quem gosta de ver teoria crítica aplicada a um caso concreto. O Pentágono pedindo míssil hipersônico porque “faltam munições convencionais” é a prova de que o complexo militar-industrial não só devora recursos, mas também cria a própria escassez que justifica o próximo gasto. O capitalismo tardio é isso: resolver um problema que ele mesmo inventou com uma solução que gera outro problema maior.

Carlos Rocha

01/05/2026

O Pentágono pedindo míssil hipersônico é a prova de que o complexo militar-industrial americano virou um sorvedouro de dinheiro. Enquanto isso o contribuinte paga a conta e o Brasil importa essa narrativa de que gasto público resolve tudo. Liberdade econômica e responsabilidade fiscal, isso sim fortalece um país.

    Julia Andrade

    01/05/2026

    Carlos, eu concordo com você sobre o caráter predatório do complexo militar-industrial — ele é, de fato, um sorvedouro de recursos que drena o orçamento público enquanto financia guerras e mantém uma hegemonia que já mostra suas fissuras. Mas a sua conclusão de que a saída é “liberdade econômica e responsabilidade fiscal” me parece um salto que ignora como o próprio capitalismo financeirizado criou essa máquina. O Pentágono não é um desvio do sistema, Carlos; ele é uma expressão direta de como o Estado americano sempre funcionou: subsidiando a acumulação de capital privado via contratos militares, desde a Segunda Guerra Mundial. A Raytheon, a Lockheed Martin e a Northrop Grumman não existiriam sem esse casamento entre o público e o privado que você chama de “gasto irresponsável”, mas que na verdade é o motor do chamado capitalismo de bem-estar militar.

    O problema não é simplesmente que o Estado gasta demais — é que ele gasta de forma seletiva, e essa seletividade revela prioridades políticas. Enquanto o Dark Eagle recebe bilhões, a infraestrutura civil apodrece, a dívida estudantil estrangula gerações e o sistema de saúde continua sendo um dos mais caros e ineficientes do mundo desenvolvido. Isso não é um erro de cálculo fiscal; é uma escolha deliberada de setores da elite econômica que lucram com a guerra e com a insegurança geopolítica. Responsabilidade fiscal, no discurso liberal clássico, pressupõe que o Estado deve se retirar da economia — mas o complexo militar-industrial é a prova viva de que o Estado nunca se retirou, ele apenas escolheu a quem servir.

    E aqui entra o ponto que me incomoda no seu raciocínio: ao reduzir tudo a “gasto público que resolve tudo”, você acaba fazendo o jogo da mesma narrativa que legitima o desmonte do Estado social. Porque se o problema é o tamanho do Estado, a solução liberal clássica é cortar gastos — mas cortar gastos onde? Na educação, na saúde, na previdência? Enquanto isso, os gastos militares continuam intocados, porque eles são apresentados como “segurança nacional”, um fetiche que escapa de qualquer debate orçamentário sério. O que precisamos não é de menos Estado, mas de um Estado que sirva a outros interesses — que invista em reprodução social, em infraestrutura verde, em ciência não-militarizada.

    Por fim, a comparação com o Brasil que você e outros comentaristas fizeram me parece um desvio retórico perigoso. O gás a 130 reais não é consequência do “gasto público americano”, mas de uma estrutura de preços internacional comandada por commodities, de uma Petrobras atrelada ao mercado externo e de uma política econômica que privilegia o lucro de acionistas sobre o bem-estar da população. Se vamos falar em responsabilidade fiscal, que ela comece por desmilitarizar o orçamento e redirecionar recursos para o que realmente sustenta a vida. Liberdade econômica sem justiça social é só outro nome para a liberdade do mais forte explorar o mais fraco.

Adalberto Livre

01/05/2026

ISSO AÍ É PROPAGANDA ENCOMENDADA PRA JUSTIFICAR ORÇAMENTO MILITAR BILIONÁRIO! ENQUANTO ISSO O POVO AMERICANO PASSA FOME E O BRASILEIRO PAGA 130 REAIS NO GÁS! COMUNISTAS ADORAM ESSA FALÁCIA DE QUE OS EUA TÃO FRACOS!

    Letícia Fernandes

    01/05/2026

    Adalberto, seu comentário tem um mérito que preciso reconhecer: ele capta, ainda que de forma instintiva e desorganizada, a contradição central do capitalismo tardio — a de que a máquina de guerra estadunidense devora recursos que poderiam, em tese, ser destinados à reprodução social. O problema é que você trata essa contradição como se fosse um mero erro de prioridade, como se bastasse trocar o orçamento do Pentágono por gás de cozinha e tudo se resolvesse. Isso é um pensamento pré-dialético, Adalberto. A escassez de mísseis hipersônicos não é um desvio de rota, mas a expressão mais pura da lógica do capital em sua fase imperialista. O Estado burguês não existe para distribuir bem-estar; ele existe para garantir as condições de acumulação, e isso inclui, cada vez mais, a capacidade de destruir as infraestruturas dos competidores geopolíticos. O gás a 130 reais e o Dark Eagle são duas faces da mesma moeda: a superexploração da periferia e a corrida armamentista do centro.

    Você grita “propaganda encomendada” como se tivesse descoberto a pólvora, mas essa acusação genérica serve a qualquer coisa e, por isso mesmo, não serve a nada. Claro que há propaganda — a burguesia não sobrevive sem a produção de consentimento. Mas reduzir a solicitação de mísseis a uma mera operação de marketing é ignorar as determinações materiais do conflito interimperialista. Os EUA não estão “fingindo” que precisam de armas; eles realmente precisam, porque o monopólio da violência está sendo desafiado por potências como a China e a Rússia, que desenvolveram capacidades hipersônicas enquanto o Pentágono ainda patinava em contratos superfaturados com a Lockheed Martin. A escassez é real, sim, e ela revela o esgotamento de um modelo de produção bélica que prioriza o lucro dos acionistas em detrimento da eficácia técnica. Isso não é fraqueza, é a putrefação orgânica do capitalismo monopolista.

    Quanto ao seu ataque aos “comunistas”, ele é tão patético quanto revelador. Você parece acreditar que apontar as fissuras do império é um ato de fraqueza ideológica, quando na verdade é o único gesto intelectual honesto possível. Nós, comunistas, não “adoramos” a falácia da fraqueza americana; nós analisamos as contradições reais do imperialismo para entender onde e como ele pode ser golpeado. O fato de você precisar recorrer a um espantalho ideológico para desqualificar o debate mostra que seu argumento não se sustenta sem o recurso à histeria anticomunista. Enquanto isso, o Pentágono continua solicitando mísseis, o povo americano continua pagando a conta com impostos e cortes em serviços públicos, e o brasileiro continua vendo o gás subir. A diferença entre nós é que eu sei que isso não é um erro, é o sistema funcionando exatamente como foi projetado. Você ainda acha que é um desvio de rota que pode ser corrigido com um “basta”. Lamento informar, mas o capital não para porque você gritou no blog.

Luciana

01/05/2026

Tanta gente discutindo se falta míssil ou se é o tipo errado, e eu aqui pensando no tanto de imposto que o americano paga pra bancar essa brincadeira. Enquanto eles tão preocupados com Dark Eagle no Oriente Médio, o brasileiro tá vendo o gás de cozinha a 130 reais e o mercado lotado de coisa cara. Pra mim isso é só mais um sinal de que guerra não dá lucro pra ninguém, a não ser pra quem vende arma.

Cecília Alves

01/05/2026

O Lucas Moreira tem razão: o Pentágono corre atrás de mísseis hipersônicos porque o modelo de intervencionismo militar inchado e ineficiente está quebrando. Enquanto isso, o contribuinte americano banca esse circo com impostos que poderiam ser devolvidos ou investidos em liberdade econômica. Menos Estado, menos guerra, mais propriedade privada.

Lucas Moreira

01/05/2026

Beatriz e Mariana fizeram um belo malabarismo teórico pra maquiar o óbvio: o Pentágono está desesperado por mísseis hipersônicos porque o modelo de guerra cara e baseado em intervencionismo não se sustenta mais. Enquanto isso, o contribuinte americano financia buraco fiscal sem fundo, e aqui no Brasil a turma ainda defende estado grande e gastança militar ineficiente. Menos estado, menos fronteiras artificiais e mais mercado livre — isso sim resolveria a escassez de recursos, seja de mísseis ou de saúde.

Mariana Alves

01/05/2026

A Beatriz Lima acertou em cheio ao distinguir a natureza dessa “escassez”: não se trata de falta absoluta de mísseis, mas da ausência do tipo adequado para os novos teatros de guerra. O que o Pentágono revela, ao solicitar o Dark Eagle com urgência, é o colapso de uma doutrina militar que durante décadas se baseou na superioridade numérica e no domínio aéreo incontestável. O sistema hipersônico é a resposta desesperada a um mundo onde adversários como China e Rússia desenvolveram defesas antiaéreas que tornam obsoletos os B-2 e os Tomahawk. A requisição ao Comando Central expõe que Washington precisa de uma arma que chegue antes que o inimigo reaja – e isso, meus caros, é sintoma de um império que perdeu o controle do ritmo da guerra.

O que me intriga, no entanto, é a naturalização desse movimento como se fosse uma mera questão técnica. O Major Ricardo Silva, por exemplo, parece enxergar nessa fragilidade uma justificativa para fortalecer o aparato militar brasileiro, como se o problema fosse a “esquerda identitária” desarmar o país. Ora, a verdade é que o Brasil nunca teve um projeto de defesa soberano – sempre fomos satélite logístico dos EUA, comprando seus equipamentos obsoletos e alinhando nossas doutrinas aos interesses de Washington. Enquanto o Pentágono corre atrás de mísseis hipersônicos para garantir a hegemonia no Oriente Médio, a Força Aérea Brasileira opera caças que já eram velhos quando os americanos os aposentaram. A questão não é “enfraquecer” as Forças Armadas, mas perguntar: a serviço de quem elas estariam? De um projeto nacional ou de uma agenda imperial?

A ironia, como bem notou o Lucas Andrade, é que a escassez de munição é apenas a ponta do iceberg de um sistema que canibaliza a si mesmo. O orçamento do Pentágono é maior que o PIB de dezenas de países, e ainda assim falta o míssil certo. Isso não é um acidente de percurso – é a lógica do capitalismo tardio aplicada à guerra: produção para o lucro dos acionistas da Lockheed Martin e da Raytheon, não para a eficácia real no campo de batalha. Enquanto isso, a população americana vê hospitais fechando e escolas sucateadas, mas o contribuinte é chamado a bancar mais um brinquedo hipersônico de US$ 40 milhões a unidade. A esquerda brasileira, que o Major tanto critica, ao menos levanta a pergunta incômoda: por que o Estado brasileiro deveria replicar esse modelo, em vez de investir em ciência, educação e infraestrutura?

Por fim, acho curioso que ninguém tenha mencionado o óbvio: o Dark Eagle é um sistema que, para funcionar, depende de uma cadeia de inteligência e logística que os EUA já não controlam plenamente. Satélites, bases no Oriente Médio, aliados locais – tudo isso está em frangalhos depois de duas décadas de guerras fracassadas. O império está pedindo mísseis hipersônicos porque perdeu a capacidade de projetar poder com meios convencionais. E, enquanto isso, o Brasil discute se deve ou não comprar caças usados da Suécia. A verdadeira escassez, meus amigos, não é de mísseis – é de imaginação política para construir um mundo que não gire em torno das necessidades bélicas de Washington.

Beatriz Lima

01/05/2026

O Lucas Andrade tocou num ponto que merece mais camadas: a tal “escassez” do Pentágono não é exatamente falta de mísseis, é falta do tipo certo de míssil para o teatro de operações atual. Dark Eagle é um sistema hipersônico de longo alcance, desenhado pra furar defesas antimísseis de potências como China e Rússia. Pedir isso pro Oriente Médio, onde você tem alvos a 200 km de distância e drones voando a 80 km/h, é tipo usar um bisturi de neurocirurgia pra cortar um bife. Ou o Pentágono está superestimando a capacidade iraniana de derrubar mísseis convencionais, ou estão testando o brinquedo novo em campo antes de um confronto maior. De qualquer forma, a narrativa de “império em colapso” precisa de um ajuste fino: não é que os EUA estejam desarmados, é que o estoque de munição guiada de precisão deu uma derretida depois de Ucrânia e Gaza. Isso é logística, não hegemonia em frangalhos.

Agora, ver o Major Ricardo Silva e a Ana Paula Conserva transformando isso numa cruzada moral contra “agendas identitárias” é de um non sequitur que chega a ser cômico. Gente, a discussão é sobre a capacidade industrial americana de produzir mísseis hipersônicos em escala. O que exatamente a “família tradicional brasileira” tem a ver com aço para foguetes? Se o Brasil quisesse desenvolver um sistema desses, gastaria uns 15 anos e 50 bilhões de dólares — dinheiro que a gente não tem porque prefere gastar com subsídio agrícola e previdência de servidor público. Mas aí, quando alguém aponta isso, vira “defesa da soberania nacional”. Soberania sem orçamento é wishful thinking.

Aliás, Alice T., você tem razão no diagnóstico, mas a conclusão é meio simplista. Sim, os EUA gastam horrores em defesa enquanto metade da população não tem plano de saúde. Mas isso não é “o império mostrando as cartas” — é a política americana funcionando exatamente como foi desenhada: o complexo industrial-militar gera empregos, lobby e votos. O problema não é o gasto em si, é a alocação ineficiente. Se o Pentágono tivesse que justificar cada míssil Dark Eagle com um estudo de custo-benefício público, talvez sobrasse verba pra saúde. Mas enquanto o cidadão americano continuar elegendo quem promete bombas em vez de hospitais, a conta não fecha.

No fim, o que me intriga é o silêncio sobre o óbvio: se os EUA estão com escassez de munição convencional a ponto de requisitar um sistema hipersônico experimental, isso significa que a guerra na Ucrânia e o apoio a Israel estão sugando o estoque a um nível crítico. E aí a pergunta que ninguém faz é: quanto tempo até a Rússia ou a China testarem os limites disso? Mas claro, é mais fácil discutir se o Brasil deveria ter mísseis ou se a culpa é do “identitarismo”. Enquanto isso, o mundo real segue girando — e o próximo conflito pode pegar todo mundo de calças curtas.

Lucas Andrade

01/05/2026

A ironia é que o império expõe sua vulnerabilidade justamente quando tenta reafirmar o controle sobre o Oriente Médio. Enquanto isso, a thread aqui parece mais preocupada em disputar moralidades do que em enxergar que a escassez de munição é só o sintoma de um sistema que canibaliza a si mesmo. Dark Eagle não salva ninguém, só adia o colapso da narrativa.

Alice T.

01/05/2026

Gente, o império tá mostrando as cartas: bilhões em mísseis hipersônicos enquanto a população americana mal tem acesso a saúde decente. Mas claro, pra certos comentaristas aqui o problema é “enfraquecer as Forças Armadas brasileiras” — como se a gente tivesse orçamento pra competir com essa farra bélica. Enquanto isso, a esquerda tá preocupada com fome e educação, coisas que realmente afetam o povo.

Major Ricardo Silva

01/05/2026

Ora, estão vendo? Até os americanos, com todo o poderio deles, tão mostrando fraqueza. Enquanto isso, aqui no Brasil, a esquerda e esses movimentos identitários querem enfraquecer nossas Forças Armadas e destruir a família. Enquanto o Pentágono corre atrás de mísseis hipersônicos, o Brasil precisa é de ordem, patriotismo e investimento sério em defesa, não em mimimi ideológico.

Luiz Augusto

01/05/2026

Ana Paula, o problema não é o Brasil “se curvar” a agenda nenhuma. O problema real é que estamos discutindo míssil hipersônico americano enquanto o Brasil não consegue nem ter um plano de longo prazo para a defesa da Amazônia. Escassez de munição nos EUA é um fato, mas isso não muda o essencial: quem não se prepara economicamente acaba refém da geopolítica alheia.

Ana Paula Conserva

01/05/2026

Renata, com todo respeito, mas essa conversa de “problemas dos outros” é um perigo. O Brasil precisa sim de paz, mas paz com soberania e sem se curvar a agendas que destroem a família e a moral cristã. Enquanto os EUA correm atrás de mísseis, a gente devia era estar fortalecendo nossos valores e nossa defesa, não gastando dinheiro em ideologia de gênero nas escolas.

Renata Oliveira

01/05/2026

Pessoal, toda essa discussão sobre crise do império americano é relevante, mas fico pensando: será que a gente não está perdendo tempo debatendo os problemas dos outros enquanto o Brasil precisa de paz, diálogo e investimento em educação? Independente de esquerda ou direita, o que importa é cuidar do nosso povo.

Lucas Gomes

01/05/2026

A thread está excelente, e a Mariana Santos tocou num ponto que me parece o mais urgente de todos: o contraste entre a falência bélica imperial e o nosso debate doméstico sobre gastos militares. Enquanto o Pentágono corre atrás de mísseis hipersônicos para manter uma ilusão de hegemonia no Oriente Médio, aqui no Brasil temos setores inteiros da política e da mídia defendendo que a gente rasgue o orçamento da educação e da saúde para comprar equipamentos obsoletos dos estoques americanos. É uma inversão de prioridades que beira o absurdo, mas que revela muito sobre a nossa subserviência estrutural.

O que me incomoda profundamente nessa narrativa de “escassez de armamentos” é que ela trata a crise como um mero problema técnico de logística, quando na verdade é a expressão mais brutal da insustentabilidade do modelo imperialista. Os Estados Unidos gastam mais com defesa do que os dez países seguintes somados, e ainda assim imploram por mísseis hipersônicos porque o complexo industrial-militar deles, movido a lucro e não a necessidades reais, produz cada vez menos munição convencional funcional. Não é falta de dinheiro, é a falência de um sistema que prioriza a especulação financeira e a obsolescência programada de armamentos em detrimento da capacidade real de combate.

E o pano de fundo ecológico disso tudo é o que menos se discute. Cada míssil Dark Eagle lançado, cada operação no Oriente Médio, consome uma quantidade absurda de recursos naturais e emite toneladas de carbono. Enquanto a humanidade deveria estar desviando todos os seus esforços para conter o colapso climático, o império americano insiste em queimar combustível fóssil para manter bases militares em territórios que eles mesmos desestabilizaram. A escassez de armamentos é um alívio momentâneo para o planeta, mas a resposta do sistema não é repensar a guerra, é produzir armas ainda mais destrutivas e caras.

Por fim, acho que a esquerda ambientalista precisa se apropriar desse debate com mais contundência. Não basta apontar a contradição do capitalismo tardio, como bem fizeram Laura e Carlos Henrique. Precisamos articular essa crise bélica com a luta contra o desmatamento na Amazônia e a defesa dos territórios indígenas. Cada real gasto comprando caças ou mísseis é um real que deixa de ir para a proteção das florestas e para a demarcação de terras. Enquanto o Pentágono implora por armas, o agro brasileiro implora por licença para destruir o Cerrado. A mesma lógica de exploração e morte está em operação nos dois continentes, e a nossa resposta precisa ser igualmente radical: desmilitarização, soberania popular e defesa intransigente da vida.

Mariana Santos

01/05/2026

A Clarice Historiadora acertou em cheio: o império americano está mostrando as costelas. Enquanto a turma do “empreendedorismo” aqui no Brasil defende cortar gasto social e aumentar verba pra comprar caça velho dos EUA, o Pentágono tá implorando por míssil hipersônico porque não tem nem munição convencional decente. É a falência do complexo industrial bélico que eles mesmos alimentaram.

Clarice Historiadora

01/05/2026

O Paulo Ribeiro e o Carlos Henrique Silva estão certíssimos: não é só logística, é a crise estrutural do império americano se escancarando. Enquanto isso, tem gente aqui no Brasil que ainda acha que a solução é imitar o modelo bélico yankee, sem entender que o complexo industrial-militar deles já deu sinais de esgotamento desde a Guerra do Vietnã, como bem documentou o Gabriel Kolko no clássico “Anatomy of a War”. Pedir míssil hipersônico porque não tem Tomahawk sobrando é a cara de uma potência que vive de aparências.

Paulo Ribeiro

01/05/2026

O Carlos Henrique Silva e a Laura Silva já dissecaram com precisão o cerne da questão, mas permitam-me acrescentar uma camada que considero crucial: o que estamos testemunhando não é meramente uma crise logística ou uma contradição do capitalismo tardio, mas sim a falência do modelo de hegemonia baseado na supremacia tecnológica como fetiche. O pedido desesperado pelo Dark Eagle é a prova material de que o complexo militar-industrial estadunidense, desde a era Reagan, apostou todas as fichas em sistemas cada vez mais caros, complexos e frágeis, negligenciando a produção em massa de munições convencionais. É a velha história do “encantamento pela máquina” que Marx já identificava no capitalismo: acredita-se que uma inovação técnica pode resolver contradições sociais e políticas.

O que o Pentágono revela, ao suplicar por mísseis hipersônicos que nem sequer foram testados em condições reais de combate, é que o império perdeu a capacidade de travar guerras de desgaste, aquelas que realmente definem o curso da história. Enquanto isso, potências como a China e a Rússia, que o Francisco de Assis mencionou, investem pesado em mísseis balísticos convencionais de médio alcance, em artilharia de longo alcance e em drones de ataque — sistemas mais baratos, mais robustos e, acima de tudo, produzíveis em escala industrial. É a diferença entre uma economia de guerra real, baseada na planificação e na soberania industrial, e uma economia de guerra financeirizada, onde a Lockheed Martin e a Raytheon maximizam o lucro dos acionistas em detrimento da capacidade operacional.

A ironia, que não escapa a ninguém com um mínimo de senso histórico, é que os EUA estão colhendo os frutos amargos da mesma lógica que aplicaram ao resto do mundo durante décadas: a desindustrialização. Terceirizaram a produção de aço, de componentes eletrônicos, de produtos químicos básicos para a Ásia, e agora descobrem que não conseguem fabricar pólvora suficiente para abastecer a Ucrânia e Israel simultaneamente. O Dark Eagle, neste contexto, não é uma solução; é um sintoma. É a busca por uma bala de prata, por uma tecnologia miraculosa que dispense a necessidade de uma base industrial sólida e de uma força de trabalho qualificada. É a mesma ilusão que levou os senhores da guerra a acreditar que bombardeiros stealth poderiam substituir infantaria e tanques.

Por fim, é preciso lembrar, como Gramsci nos ensinou, que a crise da hegemonia se manifesta primeiro na incapacidade de liderar, de impor sua vontade sem recorrer à força bruta. Quando um império precisa implorar por mísseis hipersônicos para manter sua posição no Oriente Médio, ele já perdeu a batalha política. A escassez de armamentos é apenas a expressão material de uma crise mais profunda: a crise de um projeto de poder que se esgotou, que não consegue mais reproduzir as condições de sua própria dominação. E, como diria Mariátegui, o mito não se sustenta sem a base material. O mito da invencibilidade americana ruiu no exato momento em que o Pentágono teve que admitir que não tem balas para dar.

Carlos Henrique Silva

01/05/2026

A Laura Silva tocou no ponto nevrálgico: a contradição inerente ao capitalismo tardio se materializa na própria logística bélica. O que o Pentágono revela, ao solicitar com urgência o Dark Eagle, não é apenas uma escassez operacional, mas a falência de um modelo de acumulação que, para se reproduzir, precisa destruir cada vez mais valor sem conseguir repor as bases materiais dessa destruição. É a velha lei do valor em ação: o capital imperialista americano, ao terceirizar sua base industrial para o Sudeste Asiático e desmantelar parques fabris internos nas últimas décadas, perdeu a capacidade de sustentar o próprio complexo militar-industrial em escala. Não há mísseis convencionais porque não há aço, não há componentes eletrônicos, não há força de trabalho qualificada — tudo foi sacrificado no altar da financeirização.

O que me parece ainda mais grave, e que os colegas comentaristas não aprofundaram, é a dimensão geopolítica dessa penúria. Quando o Comando Central dos EUA precisa apelar para um sistema experimental e caríssimo como o Dark Eagle, isso significa que a dissuasão convencional americana já não funciona nem contra atores regionais como os houthis ou milícias iraquianas. É um reconhecimento tácito de que o estoque de Tomahawks e JDAMs está comprometido depois de Ucrânia e Gaza. Gramsci diria que o “consenso armado” do imperialismo está se desfazendo: a hegemonia americana sempre se apoiou na capacidade de projetar força sem precisar usar o arsenal estratégico. Agora, ao pedir mísseis hipersônicos para tamponar buracos táticos, Washington admite que perdeu o monopólio da violência legítima em escala global.

A ironia histórica é colossal. Durante a Guerra Fria, os EUA construíram um aparato industrial que produzia centenas de tanques e aeronaves por mês. Hoje, com um orçamento militar que supera o dos dez países seguintes somados, o Pentágono mendiga mísseis de última geração porque não consegue repor sequer obuseiros. Isso não é apenas incompetência administrativa — é a manifestação concreta do que Marx chamava de “crise de realização”: o capital investido em tecnologia de ponta não consegue se realizar porque a base produtiva que deveria alimentá-lo foi destruída pela própria lógica do lucro de curto prazo. Cada dólar gasto no Dark Eagle é um dólar que deixa de renovar a capacidade industrial convencional, aprofundando o ciclo vicioso.

Por fim, acho que o Francisco de Assis tem razão ao apontar o contraste com o Brasil, mas precisamos ir além do ufanismo. O que o episódio do Dark Eagle ensina para a periferia do capitalismo é que a autonomia tecnológica não é um luxo ideológico, mas uma necessidade estratégica. Enquanto o império se debate com sua própria decadência material, países como China e Rússia — e sim, o Brasil, se tiver juízo — precisam entender que a “paz americana” sempre foi uma ficção sustentada por uma base industrial que já não existe. O desenvolvimento de mísseis hipersônicos pelos EUA não é sinal de força; é o estertor de um gigante que canibaliza o próprio futuro para manter as aparências no presente.

Laura Silva

01/05/2026

O Tadeu tocou num ponto que merece um aprofundamento sociológico, não apenas econômico. Esse pedido desesperado do Dark Eagle não é só um sintoma de logística falida, como o Dr. Thiago bem apontou, mas a expressão material de uma contradição que o próprio sistema capitalista tardio já não consegue mais esconder: o complexo industrial-militar americano, que durante décadas foi o motor do “american way of life”, agora canibaliza a própria sociedade que deveria defender. Enquanto o contribuinte paga a conta de um míssil que custa o equivalente a dezenas de hospitais públicos, a infraestrutura civil do país desaba — pontes caem, trens descarrilam, a população adoece sem assistência. Isso não é incompetência técnica; é a lógica do capital financeiro levada ao extremo, onde o Estado só existe para socializar os prejuízos e privatizar os lucros da guerra.

O que me parece mais grave, e que a Evelyn Olavo mencionou com muita propriedade, é a perda da capacidade de pensar a guerra como um projeto político coerente. Desde a Guerra do Vietnã, os EUA não vencem um conflito prolongado sem destruir o próprio tecido social. No Afeganistão, gastaram dois trilhões de dólares para, no fim, entregar o país de volta aos talibãs. Agora, com a Ucrânia drenando os estoques de obuses e mísseis antitanque, o Pentágono se vê obrigado a apelar para um sistema hipersônico que mal saiu da fase de testes. Isso não é força, é fragilidade estratégica. O império está mostrando que sua superioridade tecnológica é uma miragem quando falta o básico: pólvora, aço e soldados minimamente treinados.

O Francisco de Assis tem razão ao celebrar a autonomia brasileira, mas precisamos tomar cuidado com ufanismos ingênuos. O Brasil não desenvolve tecnologia de defesa por filantropia, e sim porque a geopolítica nos empurra para isso. A parceria com a China e a Rússia é pragmática, não ideológica — e olha que eu sou a primeira a defender a soberania nacional contra o imperialismo. Mas o que essa crise do Dark Eagle nos ensina é que a dependência tecnológica é a nova forma de colonialismo. Enquanto os EUA queimam recursos em bugs hipersônicos, países como o Irã e a Coreia do Norte, com muito menos orçamento, desenvolveram mísseis de cruzeiro precisos e baratos. A lição é clara: a guerra do século XXI não será vencida por quem tem o brinquedo mais caro, mas por quem consegue sustentar uma cadeia logística robusta e uma base industrial diversificada.

Por fim, não posso deixar de notar o silêncio ensurdecedor da grande mídia sobre esse episódio. Se fosse a Rússia ou a China pedindo mísseis hipersônicos com urgência, os editoriais já estariam falando em “ameaça à paz mundial”. Quando o Pentágono faz o mesmo, tratam como “modernização de defesa”. É a velha dupla moral do Ocidente liberal, que sempre encontra uma justificativa humanitária para o massacre quando são seus aliados que estão no gatilho. O Dark Eagle não vai proteger ninguém no Oriente Médio; ele vai, como sempre, servir para bombardear civis em Gaza ou no Iêmen com a precisão cirúrgica que a mídia adora chamar de “danos colaterais”. Enquanto a esquerda internacional não desmontar esse discurso, estaremos sempre correndo atrás do prejuízo.

Tadeu

01/05/2026

Pessoal, será que alguém já parou pra calcular quanto esse Dark Eagle vai custar pro contribuinte americano? Enquanto isso, o mercado de ações lá fora só cai, inflação não dá trégua e o Pentágono tá preocupado em mandar míssil hipersônico pro Oriente Médio. Parece que a prioridade nunca é a economia real.

Francisco de Assis

01/05/2026

Pois é, e o povo ainda acha que os EUA são essa potência invencível. Tão pedindo míssil hipersônico porque não têm bala pra dar nos inimigos, é o fim da picada. Enquanto isso, o Brasil desenvolve tecnologia própria, fazendo parceria com a China e a Rússia, sem precisar mendigar arma pra ninguém. Quem diria que o império ia acabar pedindo esmola de armamento, hein?

Evelyn Olavo

01/05/2026

O Ronaldo Pereira tem razão, mas falta um ponto: essa crise logística é o espelho da decadência de um país que terceirizou até a própria capacidade de pensar estrategicamente. O Dark Eagle é só um placebo high-tech pra esconder que o império já não consegue nem manter duas guerras ao mesmo tempo. Enquanto isso, a mídia brasileira repete como papagaio que os EUA são invencíveis.

Ronaldo Pereira

01/05/2026

Os companheiros já dissecaram bem a questão. O que vejo aqui é a falência do modelo imperialista que sempre viveu de explorar a classe trabalhadora e agora não consegue nem manter a própria máquina de guerra funcionando. Enquanto bilhões vão para mísseis hipersônicos e lucros da Lockheed, o povo trabalhador americano enfrenta cortes em saúde e educação. Não é escassez de armas, é a crise do capitalismo que precisa de guerras pra se sustentar.

Dr. Thiago Menezes

01/05/2026

A Cíntia e o Mateus já destrincharam o essencial: não é um problema de falta de mísseis, é um problema de modelo logístico falido. O Pentágono gastou décadas terceirizando produção pra Lockheed e Raytheon enquanto sucateava arsenais convencionais, e agora o conto de fadas do “poder aéreo ilimitado” esbarrou na realidade de que munição guiada não nasce em árvore. Dark Eagle é o tapa-buraco de quem não quer admitir que o império está operando no vermelho.

Cíntia Ribeiro

01/05/2026

O Mateus Silva tocou no ponto central: a obsessão por armas hipersônicas escamoteia um gargalo logístico que vem se aprofundando desde os anos 90. Não é só falta de munição convencional, é a incapacidade de sustentar dois teatros de operação simultaneamente — algo que qualquer aluno de relações internacionais aprende como limite estratégico de uma potência em declínio relativo.

Mateus Silva

01/05/2026

Cláudio Ribeiro foi certeiro: o que estamos vendo não é um problema técnico de logística militar, mas a crise estrutural de um império que sempre exportou guerra e agora não consegue nem abastecer o próprio front. O Dark Eagle é o típico fetiche tecnológico que tenta esconder a podridão de um complexo industrial-militar que prioriza o lucro de acionistas enquanto a base industrial encolhe. Enquanto isso, a esquerda brasileira briga com liberalzinho de condomínio sobre desarmamento civil, perdendo de vista que a verdadeira disputa é contra o capitalismo que transforma a vida em mercadoria descartável.

Marcos Andrade Niterói

01/05/2026

Cláudio Ribeiro, cirúrgico como sempre. Enquanto isso, aqui em Niterói a gente vê gestão pública de verdade: túnel Charitas-Cafubá saindo do papel e o metrô sob a Baía sendo defendido com unhas e dentes pelo Rodrigo Neves, enquanto o governo estadual só sabe fazer vista grossa. O Pentágono corre atrás de míssil hipersônico porque o modelo bélico deles é insustentável, mas no Brasil a extrema-direita prefere gastar energia desarmando trabalhador em vez de cobrar eficiência do Estado.

Karina Libertária

01/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, que thread ridícula! Enquanto vocês ficam nessa lenga-lenga de desarmamento civil e SUS, os EUA tão lá correndo atrás de míssil hipersônico porque sabem que segurança nacional não é brincadeira. Aqui no Brasil o povo quer desarmar cidadão de bem pra proteger bandido, e ainda chamam isso de “paz”. Vão estudar, instead of falar groselha.

    Cláudio Ribeiro

    01/05/2026

    Karina, você confunde segurança nacional com corrida armamentista. O que o Pentágono revela ao implorar por mísseis hipersônicos é justamente o colapso de um modelo logístico que prioriza lucro de contratantes bélicos em detrimento de qualquer planejamento racional de defesa. Estudar, como sugere, implicaria ler não só manuais de tática, mas também relatórios do GAO que mostram que o Dark Eagle custou US$ 4,1 bilhões e ainda falhou em testes.

João Batista Alves

01/05/2026

Pois é, Mariana, mas você acha mesmo que essa “escassez logística” dos EUA é coincidência? O Império Americano sempre teve bala pra gastar em guerra, mas agora corre atrás de míssil hipersônico porque o mundo mudou. Enquanto isso, aqui no Brasil, querem desarmar o cidadão de bem e enfraquecer nossas Forças Armadas. Tudo parte do mesmo plano de submissão global.

    Célia Carmo

    01/05/2026

    João, para de delirar com teoria da conspiração e acorda: o problema não é desarmar cidadão, é desarmar o capitalismo que lucra com guerra enquanto pobre morre na fila do SUS! #ForaMiliciano

Mariana Costa

01/05/2026

Pessoal, acho que o Tiago Mendes foi o único que trouxe um ponto sensato aqui. A escassez de mísseis hipersônicos nos EUA é um problema logístico e orçamentário, não uma conspiração da esquerda brasileira. Misturar desarmamento civil com crise militar americana é forçar a barra. Cada país tem seus próprios desafios, e misturar tudo só atrapalha o debate.

Sargento Bruno

01/05/2026

Ricardo, você tocou no ponto. Enquanto os EUA se desesperam por mísseis hipersônicos, a esquerda brasileira quer desarmar o cidadão de bem e enfraquecer nossas Forças Armadas. Isso não é coincidência, é estratégia. Sem munição, sem pátria.

    Luisa Teens

    01/05/2026

    Sargento, desarmar o povo é o mínimo perto do que os EUA fazem com mísseis enquanto o Brasil queima na crise climática #ForaBolsonaro

    Ricardo Almeida

    01/05/2026

    Sargento, você está misturando alhos com bugalhos: a escassez de munição convencional dos EUA é um problema logístico e orçamentário deles, não uma prova de conspiração da esquerda brasileira. Desarmar cidadão e enfraquecer Forças Armadas são debates distintos que precisam de evidências, não de pânico moral.

    Caio Vieira

    01/05/2026

    Sargento Bruno, sua leitura padece de um viés conspiratório que ignora a dialética entre hegemonia militar e soberania popular. A escassez de mísseis hipersônicos nos EUA revela a crise do complexo industrial-militar, não uma estratégia da esquerda brasileira, que, aliás, nunca logrou hegemonia para desarmar ninguém. Defender a pátria exige, antes de tudo, compreender que a verdadeira segurança nacional se constrói com investimento em educação e saúde, e não com a fetichização da munição.

    Tiago Mendes

    01/05/2026

    Sargento, essa lógica de que desarmar o cidadão é estratégia da esquerda ignora que o próprio Cristo ensinou a paz e o desapego à violência. Se os EUA estão correndo atrás de mísseis enquanto cortam verba de saúde e educação, o problema não é o desarmamento civil, mas um sistema que adora o poder bélico em vez do próximo.

Ricardo Menezes

01/05/2026

O Pentágono pedindo míssil hipersônico porque não tem munição convencional é a prova de que o Estado grande quebra qualquer um, até os EUA. Enquanto isso, aqui no Brasil a esquerda quer aumentar imposto pra financiar guerra ideológica. Burocracia e gastança pública são o verdadeiro parasita da economia.

    Cecília Ramos

    01/05/2026

    Ricardo, o problema não é o tamanho do Estado, mas pra quem ele serve: enquanto os EUA gastam rios de dinheiro em mísseis hipersônicos, aqui a esquerda briga por imposto progressivo pra financiar saúde e educação, não guerra ideológica. Burocracia existe, sim, mas chamar de “parasita” a máquina pública que sustenta o SUS e a ciência é esquecer que sem Estado forte a fome e a desigualdade viram o verdadeiro parasita.

    João Batista

    01/05/2026

    Ricardo, meu irmão, a Bíblia nos ensina que onde está o seu tesouro, ali estará seu coração. O problema não é o tamanho do Estado, mas se ele serve a Mammon ou ao próximo — e os EUA gastando em mísseis hipersônicos enquanto cortam saúde mostra que o verdadeiro parasita não é a burocracia, mas a idolatria do poder bélico.


Leia mais

Recentes

Recentes