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Cientistas revelam causas do colapso do gelo marinho na Antártida

0 Comentários🗣️🔥 Gelo marinho e icebergs flutuam nas águas azuis da Antártida. (Foto: earth.com) O gelo marinho da Antártida, outrora considerado uma constante no ciclo das estações, entrou em colapso nos últimos anos, atingindo níveis recordes de perda em 2023. Segundo um estudo publicado na revista Science Advances, a drástica redução não é causada por […]

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Gelo marinho e icebergs flutuam nas águas azuis da Antártida. (Foto: earth.com)

O gelo marinho da Antártida, outrora considerado uma constante no ciclo das estações, entrou em colapso nos últimos anos, atingindo níveis recordes de perda em 2023. Segundo um estudo publicado na revista Science Advances, a drástica redução não é causada por um único fator, mas por uma sequência de eventos interconectados que transformaram a região.

Entre 1979 e 2015, o gelo marinho antártico contrastava com o do Ártico, crescendo levemente enquanto o norte encolhia. Contudo, a partir de 2015, essa tendência se inverteu, e o gelo começou a desaparecer de forma acelerada, sem sinais de recuperação.

O Dr. Aditya Narayanan, principal autor do estudo, explicou que os ventos ao redor da Antártida, que se intensificaram nas últimas décadas, desempenharam um papel central nesse processo. Esses ventos não apenas movimentam as águas superficiais, mas também trazem à tona águas mais quentes e salgadas das profundezas do oceano.

Essa água profunda, que acumula calor ao longo de longos períodos, permaneceu abaixo da superfície até que os ventos, cada vez mais fortes, promoveram uma mistura violenta. Em 2015, esse fenômeno atingiu um ponto crítico, trazendo calor suficiente para aquecer a camada superior do oceano e dificultar a formação de gelo.

Na Antártida Oriental, o aquecimento do oceano foi o principal vilão. A elevação de águas quentes derreteu o gelo por baixo, expondo o oceano à luz solar, o que intensificou o aquecimento e criou um ciclo vicioso de derretimento.

Enquanto isso, na Antártida Ocidental, as mudanças atmosféricas tiveram maior impacto. Correntes de ar quente e úmido, acompanhadas por formações de nuvens, prenderam o calor na superfície, derretendo o gelo de cima para baixo.

Após 2018, a dinâmica do sistema alterou-se ainda mais. Com menos gelo se formando, menos água doce foi adicionada à superfície do oceano, tornando-a mais salgada e facilitando a ascensão de águas quentes das profundezas.

Esse processo criou outro ciclo prejudicial, no qual a perda de gelo tornou o sistema ainda mais propenso a aquecer. De acordo com o professor Alberto Naveira Garabato, da Universidade de Southampton, se esses padrões persistirem até 2030, o oceano pode deixar de ser um estabilizador climático para se tornar um motor de aquecimento global.

O impacto dessa transformação vai além da Antártida, afetando todo o planeta. O gelo marinho reflete a luz solar, ajudando a manter a Terra resfriada; sem ele, os oceanos absorvem mais calor, contribuindo para o aquecimento global.

Além disso, o gelo marinho desempenha um papel crucial no armazenamento de carbono nos oceanos. Sua perda enfraquece esse processo, acelerando o aquecimento global e ameaçando o equilíbrio climático.

O colapso do gelo marinho também afeta os ecossistemas locais. Algas que crescem sob o gelo servem de alimento para o krill, que, por sua vez, sustenta uma cadeia alimentar que inclui pinguins, focas e baleias.

Com menos gelo, a produção de algas diminui, prejudicando a base da cadeia alimentar e impactando espécies que dependem dela. Segundo o coautor do estudo, Dr. Alessandro Silvano, a perda contínua de gelo pode desestabilizar as correntes oceânicas que regulam o clima e o nível do mar em todo o mundo.

O estudo, que pode ser acessado no site Earth.com, alerta para a urgência de entender e mitigar os efeitos dessa mudança. O que acontece na Antártida não se limita às suas fronteiras; as consequências reverberam por todo o planeta.


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