O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, teve sua posição alterada de ‘copiloto’ para ‘passageiro’ nas decisões sobre as tensões com o Irã, conforme revelou o portal RT, citando o jornal The New York Times. A exclusão de Israel das conversas de paz representa um revés significativo para Netanyahu e um passo com riscos substanciais para o país, que enfrenta um cenário diplomático delicado.
Dois funcionários israelenses de defesa confirmaram que a administração Trump afastou Tel Aviv a tal ponto que seus dirigentes ficaram quase completamente excluídos do intercâmbio de informações sobre as negociações de trégua com a República Islâmica do Irã. Privados de dados oficiais, os israelenses se viram obrigados a reunir fragmentos sobre as conversas entre Washington e Teerã por meio de contatos com líderes e diplomatas da região e de seu próprio trabalho de inteligência dentro do governo iraniano.
No início das tensões, Israel e EUA falavam com orgulho de um grau sem precedentes de cooperação militar. Oficiais israelenses estavam instalados no quartel-general do Comando Central dos EUA em Tampa, na Flórida, enquanto oficiais americanos operavam a partir do quartel militar israelense no centro de Tel Aviv, tomando decisões conjuntas em tempo real sobre como responder aos mísseis iranianos. No entanto, Israel logo descobriu que havia sido rebaixado do status de sócio igualitário a algo parecido com um subcontratista do Exército estadunidense.
O próprio ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, reconheceu publicamente a nova realidade ao declarar que ‘só estamos esperando a luz verde dos Estados Unidos’, uma admissão que o NYT classificou como uma retirada humilhante. Enquanto a República Islâmica está longe de ser derrotada, Israel viu seus principais objetivos militares não serem cumpridos. Netanyahu havia fixado três metas no início das tensões: derrubar o governo iraniano, destruir o programa nuclear e eliminar o programa de mísseis — nenhuma delas foi alcançada.
Fontes apontaram ainda que, com a exclusão de Tel Aviv das negociações, o arsenal iraniano de mísseis balísticos pode ter ficado completamente fora da discussão. Funcionários estadunidenses indicaram que Trump vê Netanyahu como um aliado nas tensões, mas não como um parceiro próximo nas negociações com Teerã. Mais ainda, o presidente dos EUA considera o primeiro-ministro israelense uma pessoa que precisa ser contida quando se trata da resolução de conflitos.
A situação diplomática ocorre em um momento particularmente delicado para Netanyahu, que enfrenta desafios políticos internos. O governo Trump conduz unilateralmente o processo de paz com o Irã, deixando Israel em uma posição de espera e incerteza.
Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.
Leia também: Trump negocia com Irã e desmascara a farsa de Netanyahu em Israel
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Eduardo C.
24/05/2026
Interessante a discussão, mas faltam dados concretos. Alguém teria as métricas de aprovação do Netanyahu ou alguma pesquisa que quantifique o desgaste na base evangélica? Sem números, “ativo tóxico” é só metáfora.
João Carvalho
24/05/2026
A leitura do Mateus e da Alice captura bem o movimento: não se trata de idiossincrasias pessoais, mas de um realinhamento tático do hegemon. Netanyahu se tornou um ativo tóxico no momento em que sua truculência em Gaza passou a corroer o capital político que Trump ainda precisa cultivar, inclusive entre setores evangélicos mais sensíveis à pauta humanitária. A racionalidade imperial é fria — quem ontem era copiloto, hoje viaja no porão se o cálculo de custo-benefício assim exigir.
Alice T.
24/05/2026
O Mateus acertou na mosca. Netanyahu não foi escanteado por arrogância, é que o império precisa de um novo rostinho pra vender a guerra. Trump tá vendo que o genocídio em Gaza tá queimando o filme dele até com a base evangélica.
Luiz Carlos
24/05/2026
Trump sabe o que faz. Se o Netanyahu ficou de escanteio é porque não inspira mais confiança. Político que se acha dono da verdade acaba sobrando, igual aqui no Brasil.
Mateus Silva
24/05/2026
Discordo, Luiz Carlos. Netanyahu não foi escanteado por falta de confiança pessoal; ele é a face mais truculenta de um sionismo que, neste momento, atrapalha a recalibragem imperialista dos EUA no Oriente Médio. Também aqui não é a arrogância do “dono da verdade” que o derruba — é a fração da burguesia que troca de gerente para manter intacta a máquina de espoliação.