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O covarde ataque americano a uma fragata desarmada do Irã

No dia 4 de março de 2026, poucos dias após a escalada militar que marcou o início da guerra contra o Irã, um submarino da Marinha dos Estados Unidos torpedeou e afundou a fragata iraniana IRIS Dena no Oceano Índico, ao sul do Sri Lanka. O episódio rapidamente se tornou símbolo da brutalidade e da […]

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No dia 4 de março de 2026, poucos dias após a escalada militar que marcou o início da guerra contra o Irã, um submarino da Marinha dos Estados Unidos torpedeou e afundou a fragata iraniana IRIS Dena no Oceano Índico, ao sul do Sri Lanka.

O episódio rapidamente se tornou símbolo da brutalidade e da arrogância da atual escalada militar. A própria conta oficial da Casa Branca nas redes sociais divulgou um vídeo celebrando o ataque. Na mensagem, o governo americano afirmou que o navio iraniano acreditava estar seguro em águas internacionais, mas não estava.

A frase foi acompanhada pelas imagens da explosão que destruiu a embarcação.

A fragata iraniana havia acabado de participar do exercício naval multinacional Milan 2026, organizado pela Marinha da Índia na cidade de Visakhapatnam. O evento reuniu dezenas de países em atividades de cooperação naval e construção de confiança no Indo-Pacífico.

Durante esse tipo de exercício, navios visitantes operam sob protocolos de segurança que restringem ou eliminam o uso de munição ativa. As atividades incluem visitas diplomáticas, desfiles, eventos protocolares e exercícios controlados.

Foi nesse contexto que a fragata iraniana participou normalmente das atividades do encontro naval.

Pouco depois de deixar o porto indiano e iniciar sua viagem de retorno, o navio foi atacado.

Um ataque profundamente desigual

A IRIS Dena era uma fragata de cerca de 1.500 toneladas. O ataque foi realizado por um submarino nuclear americano que disparou um torpedo pesado.

O impacto destruiu a embarcação e provocou seu afundamento rápido.

Analistas militares destacam o desequilíbrio extremo da situação. Um submarino nuclear moderno, armado com torpedos de longo alcance, atacando um navio de superfície que havia acabado de sair de um exercício internacional e navegava praticamente desarmado.

Cerca de 180 marinheiros estavam a bordo. Dezenas morreram e apenas cerca de trinta conseguiram sobreviver ao ataque.

O abandono dos sobreviventes

O aspecto mais chocante do episódio veio depois do afundamento.

Apesar da presença de sobreviventes no mar, os Estados Unidos não realizaram nenhuma operação de resgate.

Quem organizou a missão de busca e salvamento foi a Marinha do Sri Lanka, que respondeu ao pedido de socorro emitido pela fragata iraniana antes de afundar.

Barcos e aeronaves do país chegaram ao local e recolheram sobreviventes e corpos no mar.

O contraste chamou a atenção de analistas militares. Um país com recursos muito modestos realizou o resgate que a maior potência militar do planeta simplesmente ignorou.

Desde o século XIX existe uma tradição consolidada entre marinhas do mundo inteiro. Sempre que possível, combatentes devem prestar assistência a náufragos após um combate. Esse princípio sempre foi considerado parte da própria ética naval.

Constrangimento para a Índia

O episódio também provocou constrangimento diplomático para a Índia.

A fragata iraniana havia sido oficialmente convidada para participar do exercício naval organizado pela Marinha indiana. O país anfitrião coordenou logística, comunicações e as atividades do encontro.

O fato de um navio que havia acabado de participar do evento ser torpedeado pouco depois de deixar o porto levanta questionamentos sobre segurança e confiança em exercícios multilaterais desse tipo.

Autoridades iranianas afirmaram que a embarcação era, naquele momento, literalmente uma convidada da Marinha indiana.

Uma longa história de desprezo pela ética naval

O episódio também reabriu debates históricos sobre a ética da guerra no mar.

Durante boa parte da Segunda Guerra Mundial, submarinos alemães costumavam resgatar sobreviventes de navios que haviam afundado. Essa prática fazia parte da tradição de honra naval.

Ela só foi abandonada após o chamado incidente do Laconia em 1942, quando um submarino alemão que realizava operações de resgate acabou atacado por um bombardeiro americano.

Depois desse episódio, o comandante da frota de submarinos alemães, Karl Dönitz, proibiu esse tipo de resgate porque colocava as tripulações em risco.

Para alguns historiadores, esse episódio revela que os Estados Unidos já demonstravam dificuldades com os limites éticos da guerra naval desde a Segunda Guerra Mundial.

O mesmo debate aparece quando se recorda o uso das bombas atômicas contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, lançadas quando o Japão já se encontrava tecnicamente derrotado.

Uma guerra que se espalha pelos oceanos

O afundamento da fragata iraniana ocorreu em um momento de rápida expansão da guerra contra o Irã.

Nos últimos dias, forças americanas e israelenses intensificaram ataques dentro do território iraniano, enquanto Teerã respondeu com drones e mísseis contra bases militares e aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio.

O ataque no Oceano Índico mostra que o conflito começa a se expandir também para as rotas marítimas internacionais.

Ao mesmo tempo, forças americanas têm realizado ataques contra embarcações em outras regiões do mundo, incluindo operações no Caribe contra barcos suspeitos, muitas vezes sem acusações claras ou processos transparentes.

O resultado dessa política é evidente.

Os mares internacionais estão se tornando mais inseguros.

O afundamento da fragata iraniana não foi apenas um episódio militar. Representa também uma ruptura com uma tradição secular da guerra no mar baseada na ideia de que, mesmo em meio ao conflito, existe um mínimo de humanidade entre marinheiros.

Abandonar sobreviventes no oceano é uma vergonha para a ética naval e um sinal preocupante de que os oceanos estão entrando em uma nova era de medo, caos e insegurança.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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