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A fúria de um bilionário árabe com a guerra irresponsável de Donald Trump contra o Irã

Uma carta aberta publicada pelo bilionário emiradense Khalaf Ahmad Al Habtoor está causando grande repercussão em todo o Oriente Médio e nas redes sociais. Al Habtoor, fundador do poderoso Al Habtoor Group e uma das vozes mais influentes dos Emirados Árabes Unidos, criticou duramente o presidente Donald Trump por arrastar a região do Golfo para […]

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Uma carta aberta publicada pelo bilionário emiradense Khalaf Ahmad Al Habtoor está causando grande repercussão em todo o Oriente Médio e nas redes sociais.

Al Habtoor, fundador do poderoso Al Habtoor Group e uma das vozes mais influentes dos Emirados Árabes Unidos, criticou duramente o presidente Donald Trump por arrastar a região do Golfo para uma escalada militar contra o Irã.

O lado mais interessante dessa carta é que ela revela que os árabes não estão engolindo tão facilmente a tentativa dos Estados Unidos de jogar os países árabes contra o Irã.

Claro que eles não estão felizes com os ataques iranianos a bases americanas em território deles, mas estão ficando cada vez mais conscientes de que o principal culpado é os Estados Unidos.

Trump descumpriu promessas que tinha feito, ignorou os pedidos claros das lideranças árabes para não entrar em guerra contra o Irã, justamente por causa da instabilidade que isso causaria em toda a região.

Depois de lançar a guerra sem avisar nenhum dos aliados, não demonstrou nenhuma preocupação real em proteger a segurança, a vida ou os negócios desses países.

Os árabes estão sofrendo prejuízos bilionários, enquanto Donald Trump conduz a guerra e quem paga a conta são eles.

O texto viralizou rapidamente, expondo a frustração crescente de aliados tradicionais dos Estados Unidos com as decisões de guerra, os custos econômicos devastadores e o descumprimento total de promessas de paz e proteção.

Aqui está a íntegra da carta aberta:

Excelência Presidente Donald Trump,

Pergunta direta: Quem te deu o direito de arrastar nossa região para uma guerra com o Irã? Com base em quê você tomou essa decisão perigosa?

Você calculou os danos colaterais antes de apertar o gatilho? Pensou que os primeiros a sofrer seriam os países da região!

Os povos desta região têm o direito de perguntar: Foi decisão só sua? Ou resultado de pressões de Netanyahu e seu governo?

Você colocou os países do Conselho de Cooperação do Golfo e os países árabes no centro de um perigo que eles não escolheram.

Graças a Deus, somos fortes e capazes de nos defender, com exércitos e defesas que protegem nossas pátrias, mas a pergunta permanece: Quem te permitiu transformar nossa região em um campo de batalha?

Antes que a tinta secasse na iniciativa BoardOfPeace, anunciada em nome da paz e estabilidade, nos encontramos diante de uma escalada militar que ameaça toda a região.

Para onde foram essas iniciativas? Qual o destino das promessas feitas em nome da paz?

A maior parte do financiamento para essas iniciativas veio dos próprios países da região, incluindo estados do Golfo árabe que contribuíram com bilhões de dólares para apoiar a estabilidade e o desenvolvimento.

Esses países têm o direito de perguntar hoje: Para onde foi esse dinheiro? Estamos financiando iniciativas de paz ou uma guerra que nos expõe ao perigo?

O mais perigoso é que sua decisão não ameaça apenas os povos da região, mas também o povo americano, que você prometeu paz e prosperidade.

Agora, eles se encontram em uma guerra financiada por seu dinheiro e impostos, com custos estimados pelo Instituto de Políticas (IPS) entre 40-65 bilhões de dólares para operações militares diretas, podendo chegar a 210 bilhões incluindo impactos econômicos e perdas indiretas se durar quatro a cinco semanas.

Chegou ao ponto de sacrificar americanos em uma guerra que não os concerne.

Inclusive, você violou suas promessas de não se envolver em guerras e focar apenas na América, ordenando intervenções militares externas em sete países: Somália, Iraque, Iêmen, Nigéria, Síria, Irã e Venezuela, além de operações navais no Caribe e leste do Pacífico.

Você dirigiu mais de 658 ataques aéreos externos no seu primeiro ano, o que equivale a todos os ataques da administração Biden, que você criticou por envolver os EUA em guerras externas.

Excelência, esses números se refletem fortemente nas taxas de aprovação entre os americanos, que caíram desde sua segunda posse, com uma queda de 9% em apenas 400 dias.

Esses números dizem algo claro: Mesmo dentro dos Estados Unidos há uma preocupação crescente com o arrasto para uma nova guerra, expondo vidas americanas, economia e futuro a riscos desnecessários.

A verdadeira liderança não se mede por decisões de guerra, mas pela sabedoria, respeito aos outros e impulso para alcançar a paz.

Se essas iniciativas foram lançadas em nome da paz, temos o direito de exigir transparência total e prestação de contas clara.

 

 

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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