Menu

Cientistas mapeiam montanha submarina de 3.109m que abriga ecossistemas ignorados

0 Comentários🗣️🔥 Uma equipe internacional liderada pelo Schmidt Ocean Institute identificou uma montanha submarina inédita de 3 109 metros de altura em uma região remota do Oceano Pacífico, a cerca de 1 448 km a oeste da costa do Chile. O seamount descoberto situa-se na Dorsal de Nazca, em águas internacionais. As medições foram feitas […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Imagem gerada por IA pelo Flux Pro (fal.ai), a partir de prompt do Cafezinho. 15/04/2026 05:56

Uma equipe internacional liderada pelo Schmidt Ocean Institute identificou uma montanha submarina inédita de 3 109 metros de altura em uma região remota do Oceano Pacífico, a cerca de 1 448 km a oeste da costa do Chile.

O seamount descoberto situa-se na Dorsal de Nazca, em águas internacionais. As medições foram feitas durante uma expedição de 28 dias a bordo do navio-de-pesquisa Falkor II, utilizando sonar multifeixe EM124 para mapear o relevo marinho. A base da montanha encontra-se a 4 103 metros de profundidade. O topo está aproximadamente a 994 metros abaixo da superfície, o que lhe confere uma proeminência de 3 109 metros. A área estimada do seamount é de cerca de 70 quilômetros quadrados. Segundo o instituto, seu nome está em avaliação junto ao GEBCO Subcommittee on Underwater Feature Names. Fonte oficial.

Além dessa montanha recém-mapeada, os pesquisadores investigaram nove seamounts vizinhos. Em um dos seamounts adjacentes foi descoberto um jardim de corais profundos de cerca de 800 metros quadrados — dimensão equivalente a três quadras de tênis — composto por corais antigos, esponjas, estrelas do mar britadas e caranguejos-reis. A biodiversidade local inclui espécies raríssimas como a lula do gênero Promachoteuthis, um polvo apelidado Casper (Caspar octopus) e sifonóforos do gênero Bathyphysa, conhecidos informalmente como “monstros de espaguete voadores”.

Esses ecossistemas profundos apresentam elevado nível de endemismo, moldado por barreiras naturais como a Fossa do Atacama, a corrente de Humboldt e uma zona de oxigênio mínimo. Tais barreiras atuam como delimitadores biogeográficos entre o Pacífico Sudeste e Oeste. Detalhes da missão.

O mapeamento revelou que apenas cerca de 26% do leito marinho já foi cartografado com resolução comparável à obtida nessa expedição, embora cerca de 71% da superfície terrestre seja coberta por oceanos. Foram empregadas tecnologias como sonar de alta definição e veículos operados remotamente (ROVs), incluindo o SuBastian, que permitiram a exploração das encostas do seamount com grande precisão.

O novo seamount está localizado em área coberta pelo recém-ratificado Acordo dos Mares Altos (High Seas Treaty), em vigor desde janeiro de 2026, que visa conservar e usar de forma sustentável a biodiversidade marinha em águas internacionais. Essa descoberta reforça a necessidade de estabelecer áreas marinhas protegidas em regiões como o complexo entre as Dorsais de Nazca e Salas y Gómez. Políticas recentes, como as definidas na CMS COP15, já reconhecem seamounts como habitats críticos para espécies migratórias e propõem restrições à pesca de arrasto de fundo, poluição e mineração submarina.

A montanha submarina se situa também no entorno do Parque Marinho Nazca-Desventuradas, uma das maiores reservas marinhas do Chile. O estudo busca definir uma “fronteira biogeográfica” que permita verificar se há uma divisão ecológica entre os oceanos Pacífico Sudeste e Oeste — essencial para proteção da vida marinha, inclusive de espécies profundas ainda desconhecidas.

Essa descoberta vai além de um dado geográfico impressionante. Revela ecossistemas vulneráveis que ainda não foram atingidos por impactos humanos diretos, mas que enfrentam ameaças crescentes como mudanças climáticas, pesca destrutiva e mineração oceânica. Mapear, reconhecer e proteger estruturas como esta é passo estratégico para assegurar a biodiversidade marinha, aplicar tratados globais firmados e garantir que países do Sul global e alianças internacionais tenham voz ativa na conservação dos mares que pertencem à humanidade.

Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes