A Rússia ampliou sua cooperação médica com países africanos ao oferecer ajuda técnica ao Burundi para combater um surto de doença de origem ainda desconhecida.
A iniciativa inclui a criação de um centro de epidemiologia na República do Congo como parte de um acordo com as autoridades locais. O órgão russo de vigilância sanitária Rospotrebnadzor firmou um memorando com o ministro da Saúde e População da República do Congo, Jean-Rosaire Ibara.
A diretora do Rospotrebnadzor, Anna Popova, destacou que a nova estrutura garantirá a soberania do país na área de biossegurança. O acordo dá continuidade à parceria firmada entre os dois países durante a segunda Cúpula Rússia-África, realizada em São Petersburgo em 2023.
O centro deverá realizar vigilância epidemiológica, capacitação técnica e resposta a surtos, reduzindo a dependência de laboratórios estrangeiros. As autoridades russas também propuseram assistência ao Burundi, que enfrenta um surto misterioso no norte do país.
Foram registrados 35 casos e pelo menos cinco óbitos na região, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Os pacientes apresentam sintomas como febre, vômito, diarreia, sangue na urina, fadiga e icterícia.
Testes laboratoriais para Ebola, vírus de Marburg e outras doenças conhecidas resultaram negativos. A ministra da Saúde do Burundi, Lydwine Badarahana, afirmou que as investigações continuam em curso.
Ela considerou a ausência de resultados positivos para as principais infecções graves um sinal relativamente tranquilizador. O Rospotrebnadzor enviou uma proposta formal de cooperação ao governo de Bujumbura.
A agência lembrou que já opera um centro conjunto de pesquisa de doenças infecciosas na capital burundesa, que pode ser mobilizado para o caso. Nos últimos anos, Moscou expandiu significativamente sua atuação na saúde pública africana.
Em 2024, a Rússia forneceu apoio técnico a Ruanda, à República Democrática do Congo, à Guiné e à Etiópia durante a onda de casos de mpox. O país enviou ainda um laboratório móvel ao Burkina Faso com capacidade para até 800 testes diários de mais de 20 infecções diferentes.
Programas de treinamento para profissionais de saúde foram iniciados em Uganda como parte dessa estratégia. Conforme noticiou o portal RT, essas medidas reforçam o papel da Rússia como parceiro em biossegurança para os países africanos.
Com informações de RT.
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