O exército da Nigéria anunciou a libertação de 360 pessoas que haviam sido sequestradas pelo grupo Boko Haram no estado de Borno, no nordeste do país. A operação de resgate ocorreu em um reduto do Boko Haram nas montanhas Mandara, ao sul de Borno, onde os militantes mantinham centenas de reféns em condições adversas.
Durante o resgate, duas crianças não resistiram às condições severas de cativeiro e faleceram. O porta-voz do exército, Haruna Sani, informou que os demais resgatados foram levados para locais seguros, onde receberam cuidados médicos e apoio humanitário. Sani destacou que a operação representa um sucesso significativo para as forças armadas e um revés para o grupo.
A operação foi precedida por uma coleta de inteligência e uso de operações psicológicas para semear desconfiança entre os insurgentes, facilitando a fase de assalto. Parte dos militantes fugiu para as montanhas, enquanto outros se renderam. O exército não confirmou se houve prisões.
Um líder juvenil local e um senador de Borno confirmaram à agência AFP que o número de pessoas libertadas ultrapassou 400, embora o exército tenha relatado 360. O Boko Haram havia exigido milhões de nairas nigerianos como resgate pelos reféns.
O estado de Borno é um foco de grupos armados e enfrenta uma crise de segurança desde 2009, quando o Boko Haram iniciou seus ataques violentos. O grupo é conhecido por realizar sequestros e arrecadou cerca de US$ 1,66 milhão em resgates entre julho de 2024 e junho de 2025, conforme a consultoria SBM Intelligence, sediada em Lagos.
Em resposta à crescente insegurança, o exército nigeriano intensificou suas ações contra o Boko Haram e o grupo dissidente, a Província do Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP). Recentemente, uma operação conjunta com os Estados Unidos resultou na morte de 175 combatentes do ISWAP e na eliminação de Abu-Bilal al-Minuki, considerado o segundo em comando do ISIL na região.
O conflito liderado pelo Boko Haram e outros grupos armados já causou a morte de dezenas de milhares de pessoas e deslocou mais de dois milhões, gerando uma crise humanitária na região.


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