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Cientistas brasileiros mostram que moringa elimina quase todos os microplásticos da água

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Cientistas brasileiros mostram que moringa elimina quase todos os microplásticos da água. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP) comprovaram que as sementes da moringa, conhecida como ‘árvore milagrosa’, são capazes de retirar até 98% dos microplásticos da água potável. O estudo, publicado na revista científica […]

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Ilustração editorial sobre Cientistas brasileiros mostram que moringa elimina quase todos os microplásticos da água. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP) comprovaram que as sementes da moringa, conhecida como ‘árvore milagrosa’, são capazes de retirar até 98% dos microplásticos da água potável. O estudo, publicado na revista científica ACS Omega, aponta que o coagulante natural obtido da planta superou o desempenho de produtos químicos tradicionais e pode revolucionar o tratamento de água em escala global.

Segundo o levantamento divulgado pela Euronews, as partículas analisadas tinham cerca de 15 micrômetros, tamanho suficiente para atravessar filtros convencionais e alcançar o corpo humano. O extrato salino da moringa conseguiu neutralizar a carga elétrica dessas partículas, fazendo com que se aglutinassem e fossem facilmente retidas por filtros de areia, sem necessidade de aditivos sintéticos.

A pesquisa foi liderada pela cientista brasileira Gabrielle Batista, que destacou o potencial ecológico e econômico da técnica. A moringa, planta originária do Sul da Ásia e amplamente cultivada em regiões tropicais, cresce rapidamente, resiste à seca e exige pouca água, o que a torna ideal para áreas com escassez hídrica e solos degradados. O uso de suas sementes no saneamento básico pode reduzir custos e emissões associadas à produção de coagulantes químicos.

Atualmente, o principal agente usado em estações de tratamento é o sulfato de alumínio, também chamado de alúmen. Embora eficiente, o composto pode elevar os níveis de alumínio na água, um elemento associado a doenças neurológicas como o Alzheimer, além de gerar grandes volumes de lodo tóxico durante o processo de coagulação. A extração da bauxita, matéria-prima do alúmen, causa desmatamento em países como Brasil, Guiné e Jamaica, e libera toneladas de gases de efeito estufa.

O coagulante natural da moringa, por outro lado, não deixa resíduos perigosos e atua de forma estável mesmo em variações de pH, o que amplia sua aplicabilidade em diferentes sistemas de tratamento. O estudo mostra que, além de remover microplásticos de PVC envelhecido — um dos mais nocivos à saúde humana —, o extrato vegetal também pode reduzir a turbidez e eliminar bactérias.

Os microplásticos, partículas com menos de cinco milímetros, estão presentes em rios, lagos e até no sangue humano. Eles se originam da degradação de pneus, tecidos sintéticos, tintas e embalagens, acumulando-se nos ecossistemas há décadas. Estudos recentes indicam que as partículas menores, invisíveis a olho nu, conseguem atravessar o intestino e atingir órgãos vitais, representando um risco crescente para a saúde pública.

Em 2024, a União Europeia reforçou as normas de monitoramento de microplásticos na água potável, mas especialistas alertam que os sistemas atuais ainda falham em capturar as partículas mais finas. A descoberta brasileira surge, portanto, como uma alternativa sustentável num momento em que o continente busca reduzir a dependência de produtos químicos e modernizar suas estações de tratamento.

Além do ganho ambiental, a moringa também funciona como sumidouro de carbono, contribuindo para mitigar o aquecimento global. Seu cultivo favorece a biodiversidade e pode ser integrado a programas de reflorestamento e agricultura regenerativa, fortalecendo economias locais no Sul Global. Países africanos e latino-americanos, com vastas áreas semiáridas, poderiam se beneficiar diretamente dessa tecnologia de baixo custo e alto impacto social.

Os pesquisadores ressaltam, contudo, que a aplicação em larga escala ainda requer testes adicionais. Um ponto a ser estudado é a possível liberação de carbono orgânico dissolvido durante o processo, o que pode interferir em etapas subsequentes do tratamento. Mesmo assim, o avanço representa um marco na busca por soluções naturais e acessíveis para a crise global da água.

A moringa já é usada no combate à desnutrição e em cosméticos. Agora, pode entrar no saneamento básico. Para populações sem acesso a tratamento químico convencional, isso não é detalhe — é infraestrutura.


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