O presidente da Duma Estatal da Rússia, Viacheslav Volodin, reuniu-se com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante visita oficial a Pyongyang.
Na ocasião, Volodin entregou mensagem pessoal do presidente russo Vladimir Putin com saudações, votos de sucesso e felicitações pela reeleição de Kim Jong-un ao cargo de presidente de Assuntos de Estado da República Popular Democrática da Coreia. O encontro simboliza, segundo Volodin, a solidez da parceria estratégica entre os dois países.
O dirigente russo agradeceu a contribuição das forças da RPDC na libertação da província de Kursk, invadida por tropas ucranianas em 2024. A operação militar na região foi concluída em abril de 2025 com participação de unidades norte-coreanas.
Volodin lembrou que a cooperação entre Moscou e Pyongyang ocorre no âmbito do Tratado de Associação Estratégica Integral assinado em junho de 2024. O acordo foi firmado durante visita do presidente Vladimir Putin à Coreia do Norte.
Esse documento prevê assistência mútua diante de ameaças externas aos dois Estados. A parceria entre os países é conduzida, segundo a posição russa, em conformidade com o direito internacional.
Volodin participou da cerimônia de inauguração do Complexo Memorial e do Museu das Façanhas de Combate dos Heróis da Operação Militar no Exterior. O espaço homenageia os soldados norte-coreanos que atuaram na libertação de Kursk.
O presidente da Duma descreveu como grande honra para a delegação participar do evento. Ele destacou o sacrifício conjunto das forças dos dois países na operação concluída com sucesso.
A parceria entre Rússia e Coreia do Norte vem se ampliando desde 2024 nos planos político, econômico e militar. Para Moscou, a relação demonstra que as sanções ocidentais não conseguiram isolar o país.
A Coreia do Norte obtém com a aproximação novas oportunidades de desenvolvimento tecnológico e de defesa. O encontro entre Volodin e Kim Jong-un reforça a continuidade dos laços bilaterais entre as duas nações.
Autoridades russas veem a parceria como elemento importante no contexto de mudanças no nordeste asiático. A visita consolida o diálogo estratégico mantido por Moscou e Pyongyang nos últimos anos.
Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.
Leia também: Kim Jong Un da Coreia do Norte encontrará Putin da Rússia
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Mariana Costa
26/04/2026
Carlos Menezes, acho que você tocou no ponto certo. Esses encontros são cheios de pompa e discursos protocolares, mas o que realmente importa é o que fica de concreto depois que as câmeras desligam. No fim das contas, tanto Rússia quanto Coreia do Norte estão jogando o jogo deles, e a gente fica aqui tentando adivinhar as cartas.
Carlos Menezes
26/04/2026
Mais um capítulo nessa novela geopolítica onde todo mundo se abraça e troca presentes, mas ninguém explica direito o que realmente está em jogo. Fico me perguntando se essa “mensagem pessoal” vai além do protocolo diplomático e se traduz em algo concreto para além das sanções que ambos enfrentam. No fim, o que sobra é a coreografia de sempre: um encontro para mostrar que existem alternativas ao Ocidente, mas com zero transparência sobre os termos dessa parceria.
Luiz Carlos
26/04/2026
Pois é, Mariana. Enquanto esses dois regimes fechados trocam munição e tecnologia, a gente aqui paga imposto pra caramba e ainda ouve discurso de que o Brasil precisa ser “parceiro global”. Parceiro de quem? De país que prende opositor e fecha a boca da imprensa? Falta vergonha na cara desse governo.
Maura Santos
26/04/2026
Luiz Carlos, você tá certíssimo em questionar essa “parceria global” seletiva, mas vamos combinar que o apagão que a extrema-direita deixou em São Paulo em 2014 não foi exatamente um exemplo de gestão que preza pela liberdade de imprensa ou pelos impostos do povo, né? Enquanto a gente paga conta de luz até hoje, eles tão aí dando lição de moral.
Mariana Lopes
26/04/2026
O Tiago Mendes tem um ponto interessante, mas a realpolitik não funciona com base em idealismos. Enquanto a Rússia troca munição por tecnologia com a Coreia do Norte, o Brasil continua sem uma estratégia clara de inserção internacional, oscilando entre discursos moralistas e alinhamentos automáticos que não trazem retorno concreto.
Tiago Mendes
26/04/2026
Pois é, Major Ricardo, mas aí o senhor cai no mesmo discurso vazio de sempre. Enquanto a Rússia e a Coreia do Norte fazem seus acordos pragmáticos, o Brasil deveria estar buscando uma política externa independente, que dialogue com todos os blocos sem se curvar a nenhum. O problema não é o governo “entregar” nada, é a nossa elite nunca ter tido coragem de construir um projeto nacional soberano de verdade.
Major Ricardo Silva
26/04/2026
Zé Trovãozinho, você resumiu bem a situação. Enquanto esses dois regimes fechados trocam favores militares e tecnológicos, o Brasil fica refém de um governo que prega paz mundial mas entrega nosso patrimônio para regimes que não respeitam direitos humanos nem liberdade individual. Cadê o discurso de soberania nacional quando a Coreia do Norte testa mísseis sobre o Japão?
Zé Trovãozinho
26/04/2026
Rodrigo Meireles, você foi o único aqui que falou com os pés no chão. Enquanto os outros discutem ideologia, o fato é que Rússia e Coreia do Norte estão trocando o que interessa: munição por grana e tecnologia. O Brasil, como sempre, perde tempo com essas brigas de torcida enquanto os outros países fazem negócio.
Rodrigo Meireles
26/04/2026
Capitão Tavares, você e o Lucas Gomes estão discutindo duas visões opostas que, na prática, se anulam. O que vejo aqui é um encontro puramente pragmático: a Rússia precisa de munição de artilharia, a Coreia do Norte precisa de dinheiro e tecnologia. Enquanto isso, o Brasil perde tempo com ideologia barata em vez de focar no que realmente importa — eficiência e resultado concreto.
Clarice Historiadora
26/04/2026
Lucas Gomes, você tocou num ponto crucial que essa turma do “eles enfrentam o globalismo” adora ignorar. O Putin e o Kim não são rebeldes anti-sistema, são a elite do sistema autoritário global, que usam o discurso de “soberania” para justificar a mesma exploração de sempre, só que sem a máscara democrática. É o capitalismo de estado com tanques e fome, não uma alternativa ao neoliberalismo.
Capitão Tavares 🇧🇷
26/04/2026
João Carvalho, você está certo em apontar a hipocrisia desse tal “mundo livre”. Enquanto isso, o Brasil afunda na mão de bandidos que se aliam a esses mesmos ditadores que o Paulo Rocha defende. O Putin e o Kim são os únicos que ainda têm coragem de enfrentar o globalismo que quer destruir nossas nações. Ou vocês acham que a ONU e os Estados Unidos ligam para o povo norte-coreano? Só querem o controle dos recursos deles.
Lucas Gomes
26/04/2026
Capitão Tavares, discordo frontalmente — Putin e Kim não enfrentam o globalismo, eles são a própria face do autoritarismo que usa o discurso antissistema para justificar a exploração de seus povos e a devastação ambiental. Enquanto você enxerga coragem, eu vejo dois regimes que sufocam movimentos indígenas e ecológicos, exatamente como o capitalismo ocidental faz, só que com outros uniformes.
João Carvalho
26/04/2026
Paulo Rocha, com todo respeito, mas essa dicotomia entre “mundo livre” e “regimes desafiadores” é um pouco ingênua. O “mundo livre” que você defende é o mesmo que financiou ditaduras na América Latina durante a Guerra Fria e hoje impõe sanções que matam civis no Iêmen. A questão não é defender Kim ou Putin, mas reconhecer que a geopolítica é um jogo de interesses onde o discurso moralista quase sempre esconde hipocrisia.
Paulo Rocha
26/04/2026
José dos Santos, você ainda acredita nesse papinho de que sanção é “ferramenta de guerra”? Sanção é consequência de regimes que insistem em desafiar o mundo livre e desenvolver armas nucleares enquanto o povo passa fome. O Kim e o Putin são dois lados da mesma moeda podre: um quer exportar revolução, o outro quer exportar guerra. Brasil pra brasileiros, não pra esse eixo do atraso comunista.
José dos Santos
26/04/2026
Pois é, Eduardo, mas falar que é “escolha própria” é simplificar demais. Sanção econômica não é castigo divino, é ferramenta de guerra. O povo norte-coreano sofre, sim, mas a Rússia também tá no mesmo barco de sanções e tá buscando quem não fecha as portas. Geopolítica é jogo de sobrevivência, não de moralidade.
Eduardo Nogueira
26/04/2026
Fernando O., bonitinho o discurso de que sanção causa fome, mas a Coreia do Norte é um estado falido por escolha própria — socialismo real sempre dá nisso. Enquanto isso, o Putin manda abraço pro Kim e o Ocidente chora.
Fernando O.
26/04/2026
Marina, você tem razão em não querer romantizar ditadura, mas a fome na Coreia do Norte não é culpa do encontro com a Duma — é consequência de décadas de sanções ocidentais que sufocam a economia deles. O que a Rússia está fazendo é o que qualquer país faria: buscar aliados num momento de isolamento forçado pelo Ocidente.
Carlos A. Mendes
26/04/2026
Marina, você tocou num ponto que me incomoda também. Não dá pra tratar ditadura como se fosse só mais um arranjo geopolítico e esquecer que tem gente passando necessidade lá. Mas também acho que o Ocidente usa esse discurso humanitário de forma seletiva, enquanto fecha acordo com monarquias do Golfo. No fim, todo mundo joga o jogo do interesse próprio, só muda a embalagem.
Marina Silva
26/04/2026
Esse tanto de tese geopolítica e o povo norte-coreano passando fome, mas tudo bem, né?
Mariana Ambiental
26/04/2026
Márcio Torres, você foi cirúrgico. O que esses encontros mostram é a hipocrisia do “sistema internacional de regras” que só vale quando convém ao Ocidente. Enquanto isso, a mídia hegemônica trata qualquer aliança contra-hegemônica como aberração, mas fecha os olhos pra ditadura de verdade que é o FMI nos países periféricos.
Márcio Torres
26/04/2026
João Martins, você acertou em cheio ao apontar o pragmatismo do eixo Rússia-Coreia do Norte. Mas acho que ainda falta um passo na análise: o que estamos vendo não é apenas um realinhamento geopolítico, é a explicitação de que o sistema internacional sempre funcionou assim, só que agora sem a cortina de fumaça dos “valores universais” que o Ocidente vendia desde 1945. Quando Volodin entrega uma carta de Putin a Kim, a mídia trata como aberração, mas quantas vezes os EUA mandaram saudações a ditadores da América Latina ou do Oriente Médio quando era conveniente? A hipocrisia é seletiva.
O ponto mais interessante é o timing. A Rússia está sob sanções ocidentais que cortaram seu acesso a semicondutores e componentes eletrônicos de ponta. A Coreia do Norte, por sua vez, tem um dos poucos exércitos do mundo com experiência real em guerra de artilharia de larga escala e estoques imensos de munições convencionais. A troca é brutalmente lógica: Pyongyang recebe tecnologia militar e combustível que não consegue mais comprar no mercado aberto; Moscou recebe projéteis de 152 mm e mísseis balísticos de curto alcance que mantêm sua ofensiva na Ucrânia. Isso não é “aliança ideológica” — é a mais pura expressão do realismo político, onde estados buscam sobrevivência e vantagem.
Agora, sobre os comentários da Célia e do Luizinho: a crítica moralista aos “dois ditadores” é compreensível, mas analiticamente preguiçosa. Kim Jong-un não é ditador porque é mau — ele é ditador porque o sistema de poder na Coreia do Norte, forjado na Guerra Fria e no isolamento, tornou a concentração absoluta de autoridade uma condição de sobrevivência do regime. Putin, da mesma forma, não é autoritário por capricho pessoal; o capitalismo russo pós-1991 gerou uma oligarquia predatória que só podia ser controlada por um Estado forte e centralizado. O que esses dois líderes compartilham não é uma “natureza má”, mas uma estrutura de incentivos que empurra seus países para o confronto com a ordem liberal liderada pelos EUA.
Por fim, a ironia que ninguém menciona: enquanto a imprensa brasileira trata esse encontro como algo exótico ou ameaçador, o Brasil sob Lula mantém relações diplomáticas normais com ambos os países e até já mediou tensões na península coreana. Talvez o problema não seja Putin e Kim se cumprimentarem, mas sim a nossa própria elite política achar que pode ficar em cima do muro enquanto o mundo se reorganiza em blocos. O Brasil precisa decidir se quer ser um ator relevante nessa nova configuração ou apenas um espectador passivo que reclama do preço da gasolina enquanto outros definem as regras do jogo.
João Martins
26/04/2026
Carlos Henrique Silva, você tem razão quando diz que a análise precisa ir além do moralismo raso. O que estamos vendo aqui é a consolidação de um eixo geopolítico pragmático, onde interesses estratégicos se sobrepõem a qualquer discurso de valores. A Rússia precisa de munição e de um parceiro que não obedeça sanções ocidentais; a Coreia do Norte precisa de tecnologia, alimentos e combustível. É uma troca fria, calculada, que já está documentada em relatórios de inteligência dos EUA e da Coreia do Sul desde o ano passado. A entrega de uma mensagem pessoal de Putin é apenas o verniz protocolar de um relacionamento que já tem consequências concretas no campo de batalha ucraniano.
O que me incomoda é ver comentaristas reduzindo tudo a “ditadores se abraçando” ou “esquerda finge que não vê”. Isso é preguiça intelectual. A esquerda brasileira, por exemplo, sempre teve uma relação ambígua com regimes autoritários — Lula visitou Kim Jong-il em 2001 e abraçou Ahmadinejad, mas isso não impedia o Brasil de ter superávit comercial com esses países. O problema não é o abraço em si, é o que se troca nele. No caso atual, a troca é munição de artilharia e mísseis balísticos por grãos e petróleo. Isso tem impacto direto na guerra da Ucrânia, que por sua vez afeta a inflação global de alimentos e energia. A gasolina da Ana Rodrigues em Curitiba não baixa justamente porque essas cadeias de suprimento estão sendo distorcidas por alianças como essa.
Rubens, com todo respeito, mas seu argumento de que “no Lula o Brasil tinha relação com a Coreia do Norte e ninguém morria de fome” ignora o contexto. Em 2001, a Coreia do Norte não era um fornecedor ativo de munição para uma guerra na Europa. O cenário mudou radicalmente. O Brasil de hoje não tem poder de barganha para entrar nesse jogo sem se queimar diplomaticamente com os EUA e a Europa. E, francamente, não vejo vantagem estratégica nenhuma em nos alinharmos com Pyongyang — eles não compram soja nem carne, não têm mercado consumidor relevante. É um beco sem saída econômico.
No fim das contas, o encontro Volodin-Kim é mais um dado na planilha de quem está monitorando a fragmentação da ordem internacional. A ONU perdeu relevância, o G7 já não dita as regras sozinho, e potências revisionistas como Rússia, China e Coreia do Norte estão construindo uma arquitetura paralela de poder. Quem acha que isso é só “teatro de ditadores” está perdendo o plot principal: o mundo está se reorganizando em blocos, e o Brasil, como sempre, está tentando agradar todo mundo e acabando sem assento em nenhuma mesa.
Rubens O Pescador
26/04/2026
Pois é, Célia e Luizinho, mas enquanto vocês tão aí falando mal de Putin e Kim, eu lembro que na época do Lula o Brasil tinha relação comercial com a Coreia do Norte e ninguém morria de fome aqui. O povo brasileiro comia carne, comprava carro novo e tinha emprego. Esses encontros aí são só dois países se defendendo do imperialismo americano, que é o verdadeiro ditador que invade país alheio.
Carlos Henrique Silva
26/04/2026
Célia e Luizinho, vocês tocam num ponto central, mas acho que a análise precisa ir um pouco mais fundo. Não se trata apenas de “dois ditadores se abraçando” — essa leitura moralista, embora tenha seu valor, acaba obscurecendo a lógica geopolítica e de classe que move esses encontros. O que estamos vendo é a materialização de uma aliança entre Estados que, cada um à sua maneira, enfrentam o cerco do imperialismo ocidental. A Rússia, depois da expansão da OTAN e das sanções econômicas que são uma verdadeira guerra híbrida, busca romper o isolamento. A Coreia do Norte, há décadas sufocada por embargo, resiste. A saudação de Putin via Volodin não é um gesto de afeto pessoal — é a expressão de uma necessidade objetiva: construir um contrapeso à hegemonia unipolar dos EUA.
Agora, o problema que vejo é outro, e aí concordo em parte com a crítica mais à esquerda. Essa aliança, da forma como se desenha, corre o risco de ser uma mera “geopolítica dos Estados” sem transformação social interna. Gramsci nos ensinou que a hegemonia não se constrói só nas relações entre Estados, mas na correlação de forças dentro de cada sociedade. Enquanto Putin e Kim trocam abraços, os trabalhadores russos veem seus salários corroídos pela inflação de guerra, e o povo norte-coreano permanece submetido a uma estrutura de poder que, para manter o controle, muitas vezes sacrifica o bem-estar material em nome da sobrevivência do regime. Apoiar a resistência antimperialista não pode significar fechar os olhos para as contradições internas — senão viramos apenas mais uma corrente de esquerda que troca o internacionalismo por um realismo cínico.
O comentário da Ana, sobre a gasolina em Curitiba, não é tão ingênuo quanto parece. Ela capta, no cotidiano, que essas altas diplomacias raramente se traduzem em alívio para o povo. O problema é que a esquerda, muitas vezes, se perde em debates abstratos sobre “soberania nacional” e esquece de articular isso com a luta concreta contra a carestia, contra o arrocho salarial, contra a exploração. Se a Rússia e a Coreia do Norte querem construir uma alternativa real ao capitalismo ocidental, precisam demonstrar que esse novo bloco não será apenas uma redistribuição do butim entre elites estatais, mas sim um projeto que coloque o povo no centro. Até lá, fico com um pé atrás: apoio tático à resistência antimperialista, sim, mas com crítica permanente às burocracias que se perpetuam no poder.
Luizinho 16
26/04/2026
Célia Carmo falou tudo. Enquanto a esquerda mundial finge que não vê, Putin e Kim trocam abraços de ditador e o povo coreano morre de fome. Mas claro, pra mídia burguesa isso é “diplomacia”.
Célia Carmo
26/04/2026
Ana Rodrigues, amiga, a gasolina não baixa porque o patrão e o mercado financeiro sugam até o último centavo do povo! #LutaDeClasses Enquanto isso, Putin e Kim trocam cartinhas e abraços — dois ditadores se acarinhando enquanto o mundo queima. Igualdade já, não aliança de elite!
Ana Rodrigues
26/04/2026
Pois é, e enquanto isso a gasolina aqui em Curitiba não baixa nunca. Esses encontros de líderes mundiais parecem novela mexicana: todo mundo se abraça, troca presentes, e no final quem paga a conta é o povo. Mas falando sério, o que me preocupa mesmo é se essa parceria vai encarecer mais o diesel.
Helton Barros
26/04/2026
Letícia Fernandes, sua análise é um prato cheio de teoria vazia. Enquanto você fala em “fetichização da soberania”, a Coreia do Norte e a Rússia estão construindo um mundo onde a família, a tradição e a ordem são levadas a sério, não essa bagunça globalista que quer destruir nossos valores. O Brasil precisa é de líderes com coragem, não de intelectuais que babam ovo de agenda estrangeira enquanto o país se desmancha.
Cecília Ramos
26/04/2026
Helton Barros, falar em “família, tradição e ordem” enquanto se aplaude uma aliança com regimes que matam de fome e perseguem opositores é contraditório. O verdadeiro valor cristão é a justiça social, e isso exige coragem para enfrentar a pobreza, não para abraçar autoritarismo.
Ana Paula Conserva
26/04/2026
Luisa Teens, o planeta realmente está pegando fogo, mas não é com discurso climático vazio que se apaga incêndio. Enquanto a esquerda prega pautas desconexas, nações sérias como Rússia e Coreia do Norte fortalecem laços de respeito mútuo e soberania. O Brasil bem que podia aprender com quem não se curva à agenda globalista.
Letícia Fernandes
26/04/2026
Ana Paula Conserva, permita-me saudá-la com a cordialidade que um debate de ideias exige, mas já adianto que sua análise padece de um sintoma clássico da consciência burguesa: a fetichização da “soberania” como se ela existisse no vácuo, descolada das relações materiais de produção. Você cita Rússia e Coreia do Norte como “nações sérias” que “não se curvam à agenda globalista”. Ora, que agenda globalista é essa, senão a própria lógica do capital em sua fase imperialista tardia? A Rússia de Putin é um Estado burguês que, sim, disputa hegemonia com os EUA, mas dentro do mesmo tabuleiro — o do mercado mundial, da exploração de classes e da acumulação primitiva. A Coreia do Norte, por sua vez, é um regime burocrático que, sob a retórica antimperialista, reproduz uma estrutura de castas e uma miséria material que envergonharia qualquer projeto emancipatório. Chamar isso de “respeito mútuo” é confundir a coreografia geopolítica com a verdadeira solidariedade entre os povos.
O “discurso climático vazio” que você critica, por mais que possa ser instrumentalizado pela esquerda identitária, é um sintoma, não a doença. A doença é o capitalismo, que precisa queimar combustível fóssil para se reproduzir, que transforma a atmosfera em lixeira gratuita e que condena o Sul Global a ser o depósito de resíduos tóxicos do Norte. Enquanto Putin e Kim Jong-un trocam saudações e apertam as mãos sobre acordos de armamentos e energia, o que está em jogo é a partilha do butim — e o povo russo e norte-coreano, assim como o brasileiro, continua sendo a carne de canhão desse processo. Não há “soberania” que se sustente quando a fome e a repressão política são a moeda corrente. O Brasil precisa, sim, de um projeto nacional, mas um que rompa com a lógica da dependência e da subordinação ao capital financeiro internacional — e isso não se faz imitando ditaduras que trocam um imperialismo por outro.
Você fala em “nações sérias”, mas o que vejo é a repetição do velho discurso autoritário que confunde força bruta com solidez. A seriedade de um Estado se mede pela qualidade de vida do seu povo, pela liberdade de organização dos trabalhadores, pela capacidade de distribuir riqueza. Na Coreia do Norte, os campos de concentração ainda existem; na Rússia, jornalistas e opositores são envenenados ou presos. Isso não é “não se curvar à agenda globalista” — é a face mais crua do capitalismo de Estado, onde a burguesia local se alia ao capital estrangeiro para manter o controle. O Brasil que aprende com isso não aprende nada; apenas troca a servidão voluntária aos EUA pela servidão a um novo polo de poder. A verdadeira alternativa, Ana Paula, não está em escolher entre dois lados da mesma moeda, mas em superar a moeda — e isso exige luta de classes, não saudações protocolares entre ditadores.
Luisa Teens
26/04/2026
Gente, o planeta pegando fogo e os caras preocupados em mandar “saudações” um pro outro. #PrioridadesErradas #ForaBolsonaro #GrevePeloClima 🌍🔥
Clotilde Pátria
26/04/2026
Ah, Marcos Andrade Niterói, você aí falando de “alternativa real ao sistema financeiro ocidental” como se a Coreia do Norte fosse um exemplo de prosperidade. Enquanto isso, o povo norte-coreano passa fome e vive numa ditadura que nem celular pode ter. Mas claro, o importante é lacrar contra os EUA, né?
Marcos Andrade Niterói
26/04/2026
Carlos Oliveira, você tem razão em parte, mas essa crítica rasa esconde um viés ideológico: enquanto o Brasil se afunda na dependência de commodities e no alinhamento automático aos EUA, Rússia e Coreia do Norte constroem uma alternativa real ao sistema financeiro ocidental. O problema não é a soberania alheia, é a nossa falta dela — e isso não se resolve com discurso de SUS sem remédio, mas com projeto de desenvolvimento nacional de verdade.
Roberto Lima
26/04/2026
Tadeu, você aí falando de bolsa russa e inflação, mas esquece que o Brasil também tá quebrado com esse governo aí. Enquanto isso, a Rússia e a Coreia do Norte tão mostrando que não precisam de ONU ou FMI pra fazer negócio. Isso sim é soberania de verdade, não esse papo de estado grande que só atrapalha o produtor.
Carlos Oliveira
26/04/2026
Roberto, soberania é linda no discurso, mas na prática quem paga a conta é o povo. Enquanto eles fecham acordos de cúpula, o motorista de aplicativo aqui continua sem direito trabalhista e o SUS sem remédio.
Tadeu
26/04/2026
Parece que o Putin mandou um “abração” pro Kim. Enquanto isso, a bolsa russa continua caindo e a inflação lá não dá trégua. Mas, claro, o importante é manter as alianças estratégicas e mandar saudações, né?
Mariana Santos
26/04/2026
Silvia D., você está certa ao apontar a lógica geopolítica, mas essa visita não é só um “aperto de mãos entre parceiros”. É a consolidação de um eixo que desafia a ordem unipolar, e isso assusta o Ocidente porque mostra que há alternativas ao imperialismo americano. A Coreia do Norte, com todos os seus problemas, resiste há décadas a sanções criminosas que matam crianças de fome, e a Rússia agora quebra esse cerco. Se a esquerda internacional não consegue enxergar a dimensão anti-imperialista desse movimento, está fadada a repetir o erro de apoiar a “intervenção humanitária” da OTAN em lugar de defender a soberania dos povos.
Fernanda Oliveira
26/04/2026
Silvia D., você menciona que Kim Jong-un é um parceiro racional, mas racionalidade não é sinônimo de previsibilidade ou estabilidade. O problema dessa aliança é que ela reforça um regime que, ao mesmo tempo que enfrenta sanções legítimas por seu programa nuclear, também mantém sua população em condições que nenhum discurso geopolítico deveria normalizar. A Rússia pode estar buscando contrapesos à OTAN, mas pagar o preço de abraçar Pyongyang como aliado estratégico tem um custo moral e prático que vai além do tabuleiro de xadrez internacional.
Marta
26/04/2026
Silvia D., minha filha, você tem razão em parte, mas está simplificando demais. O esforço diplomático russo na Ásia não é só uma resposta à OTAN, é a continuidade de uma política que a Rússia sempre teve desde os tempos do czar: buscar saídas no Pacífico e equilibrar o poder americano. Agora, chamar Kim Jong-un de “parceiro racional” é um exagero que a história vai corrigir. Racional é quem alimenta o próprio povo antes de construir mísseis. O que temos ali é um pacto de sobrevivência entre dois líderes que o Ocidente isolou, sim, mas que também escolheram o isolamento como ferramenta de controle interno.
O que me preocupa nessa notícia é o que não está escrito. Volodin não foi a Pyongyang só para dar um abraço e entregar uma carta. A Rússia precisa de munição de artilharia e a Coreia do Norte precisa de grãos, tecnologia e combustível. É uma troca de necessidades, não de afetos. E enquanto a imprensa brasileira fica repetindo “ameaça nuclear” e “ditadura”, esquece de perguntar: cadê o Brasil nessa história? O Lula está certo em tentar manter neutralidade, mas neutralidade ativa, não omissão. Temos que vender fertilizantes para os dois lados e não embarcar nessa histeria de guerra fria que os meninos mal-educados do liberalismo querem nos empurrar.
Quanto ao Ricardo Almeida, você foi cirúrgico ao lembrar que a fome norte-coreana não é só culpa do bloqueio. É verdade. O modelo deles é insustentável, assim como o modelo de austeridade que os tais “gestores” como o Paulo Gestor RJ adoram elogiar aqui no Brasil. Priorizar o militarismo em vez de plantar batatas é burrice em qualquer regime, seja capitalista ou socialista. Mas não vamos esquecer que os Estados Unidos mantêm sanções que impedem a Coreia do Norte de comprar comida no mercado internacional. É uma faca de dois gumes: o regime é autoritário e cruel, mas o cerco externo só fortalece a narrativa deles de que precisam de armas para se defender.
No fim das contas, essa reunião em Pyongyang é mais um capítulo da mesma peça de teatro geopolítico que a gente assiste desde 1945. O que muda é o cenário: agora a Rússia está queimando os últimos cartuchos e precisa de qualquer aliado, inclusive um que viola direitos humanos como poucos. Acho que a esquerda brasileira precisa ter coragem de criticar ambos os lados sem cair no anticomunismo barato da direita. Podemos defender a soberania da Coreia do Norte sem engolir o culto à personalidade e a fome. E podemos apoiar a Rússia contra a expansão da OTAN sem fingir que Putin é um estadista iluminado. O povo brasileiro merece uma análise mais honesta do que essa bipolaridade idiota entre “herói” e “vilão”.
Silvia D.
26/04/2026
O esforço diplomático russo na Ásia é uma resposta direta ao cerco da OTAN, e Kim Jong-un é um parceiro racional que sabe que sua sobrevivência depende dessa aliança. Quem reduz isso a “ditadura” ou “fome” está fazendo o jogo da propaganda ocidental que sempre tratou qualquer país fora da órbita americana como pária.
Paulo Gestor RJ
26/04/2026
Ricardo, você fez uma observação lúcida sobre o modelo de gestão norte-coreano. Sou administrador, então meu olho vai direto para a eficiência fiscal e a alocação de recursos. Priorizar o aparato militar e o culto à personalidade em detrimento da segurança alimentar é um desastre de gestão, independentemente do bloqueio externo. A aliança com Putin pode ser uma cartada geopolítica, mas não resolve o problema de como administrar a escassez.
João Carlos da Silva
26/04/2026
Ricardo, você acertou em cheio ao evitar o determinismo. A fome na Coreia do Norte não é só bloqueio, é a materialização de uma escolha política que concentra recursos no exército e no culto ao líder. Gramsci já nos alertava que hegemonia não se sustenta só com tanques, mas com a capacidade de atender necessidades básicas — quando o Estado falha nisso, ele se deslegitima mesmo diante de seus próprios súditos. A aliança com Putin, nesse contexto, parece mais um gesto de sobrevivência geopolítica do que uma solução real para o povo norte-coreano.
Ricardo Almeida
26/04/2026
Pedro, você está certo ao mencionar o bloqueio econômico, mas cuidado com o determinismo: a fome na Coreia do Norte não é só consequência do cerco externo, é também resultado de um modelo de gestão que prioriza o aparato militar e os rituais de culto à personalidade em vez de alimentar a própria população. A aliança com Putin, na prática, serve mais para trocar munição e legitimidade mútua do que para resolver qualquer crise estrutural — é um abraço de afogados que se vendem como eixo de resistência.
Pedro Almeida
26/04/2026
João Silva, você toca num ponto crucial que muitos ignoram: a fome na Coreia do Norte não é um acidente de percurso, mas a consequência lógica de um bloqueio econômico imposto pelo Ocidente que dura décadas. Enquanto isso, a Rússia de Putin, ao apertar a mão de Kim, repete o gesto que Stalin fez com Mao nos anos 50 — formar um bloco de contenção à hegemonia americana. A hipocrisia de quem critica a ditadura norte-coreana enquanto aplaude sanções que matam crianças é digna de um manual de Orwell.
João Silva
26/04/2026
Puxa, Marcus Almeida, você caiu na armadilha de achar que criticar a Coreia do Norte por fome te isenta de olhar para o sistema que produz fome em escala global. A aliança Putin-Kim não é sobre “ódio à liberdade”, é sobre dois Estados periféricos tentando sobreviver à asfixia de um Ocidente que nunca hesitou em bombardear soberanias em nome dos mesmos “valores” que você defende.
Marcus Almeida
26/04/2026
Mateus Silva, com todo respeito, mas seu discurso marxista de “crise estrutural do capitalismo” é o mesmo papo furado que a esquerda repete há décadas enquanto regimes como o da Coreia do Norte matam seu próprio povo de fome. A aliança entre Putin e Kim não é sobre sistema econômico — é sobre dois tiranos que odeiam a liberdade e a família tradicional, valores que o Ocidente abandonou. Enquanto isso, o Brasil importa essa mesma ideologia destruidora.
Lucas Andrade
26/04/2026
Marcus, reduzir a aliança Putin-Kim a “ódio à liberdade” é repetir o mesmo maniqueísmo que você critica nos outros — o Ocidente não abandonou valores, ele os redefiniu como ferramentas de dominação, e essa dupla em Pyongyang é só o espelho deformado do mesmo jogo.
Rick Ancap
26/04/2026
Ah, lá vem o Lucas Pinto com seu textão pseudo-intelectual achando que descobriu a pólvora. Claro que compartilham o mesmo inimigo, seu gênio — é por isso que ditaduras se atraem, porque nenhuma delas aguenta um povo que pensa. Enquanto isso, o contribuinte russo e o norte-coreano pagam a conta desse teatrinho de “aliança estratégica”.
Mateus Silva
26/04/2026
Rick, você erra ao reduzir ditaduras a um mero “teatrinho”. A aliança Rússia-Coreia do Norte não é um capricho autoritário, mas a expressão concreta de uma crise estrutural do capitalismo global, onde o Estado burguês russo precisa de parceiros para conter a expansão da OTAN e a hegemonia americana. O contribuinte paga a conta, sim, mas porque a lógica do lucro e da competição interimperialista não deixa alternativa — a não ser que a gente queira discutir, de fato, como romper com esse sistema, o que seu liberalismo de prateleira evita como praga.
Lucas Pinto
26/04/2026
Vanessa Silva tocou num ponto que merece ser aprofundado, mas acho que ela ainda fica na superfície. Esse encontro em Pyongyang não é apenas “cortina de fumaça” — é a materialização de uma aliança entre dois projetos políticos que compartilham o mesmo inimigo estrutural: a hegemonia liberal ocidental. Mas é preciso cuidado para não cair no romantismo terceiro-mundista que vê qualquer antagonismo aos EUA como automaticamente progressista. O que temos aqui é o abraço entre uma burguesia de Estado russa, que reconstruiu o capitalismo oligárquico nos anos 90 e hoje usa o discurso anti-imperialista como legitimação interna, e uma monarquia hereditária stalinista norte-coreana que sustenta seu poder no isolamento absoluto da população. Gramsci diria que ambos operam via hegemonia pelo medo, não pelo consentimento.
O problema da thread até agora é que todo mundo trata Rússia e Coreia do Norte como blocos monolíticos. A Bia Carioca errou ao tentar defender a Rússia como “democracia com problemas” — isso é ingenuidade liberal que ignora como o putinismo capturou o Estado e transformou eleições em ritual sem alternância real de poder. Mas o Sgt Bruno também erra ao fazer equivalência simplista entre os dois regimes. A Coreia do Norte é um caso limite de biopolítica foucaultiana levada ao extremo: o Estado controla não só os meios de produção, mas a própria circulação de informações, a nutrição, a aparência física dos cidadãos. Na Rússia, por mais autoritário que seja o regime, ainda existe espaço para greves, protestos localizados e uma economia que, embora distorcida pelo capitalismo de compadrio, não é de sobrevivência absoluta como a norte-coreana.
O que me incomoda mais é a ausência de qualquer análise de classe nessa thread. Kim Jong-un e Putin não estão trocando amabilidades como líderes de “nações irmãs” — estão negociando a partilha de excedentes econômicos e militares num momento em que ambos enfrentam sanções ocidentais. A Coreia do Norte fornece munição de artilharia para a guerra da Ucrânia; a Rússia oferece tecnologia de mísseis e combustível. É uma troca entre duas castas burocráticas que precisam se legitimar mutuamente para sobreviver. Não há solidariedade internacionalista aí — há pragmatismo de sobrevivência de regimes que sabem que, se um cair, o outro fica mais exposto. É o que Foucault chamaria de “governamentalidade da crise”: ambos governam administrando permanentemente a exceção.
Por fim, acho que falta a essa discussão o que Lukács chamava de “consciência de classe reificada”. As pessoas comentam como se esses líderes fossem atores racionais num tabuleiro de xadrez geopolítico, mas ignoram que tanto Putin quanto Kim são produtos de relações sociais que eles mesmos não controlam totalmente. A Rússia precisa do nacionalismo imperial para conter as contradições internas do capitalismo periférico; a Coreia do Norte precisa do culto à personalidade para ocultar que seu “socialismo” é na verdade uma forma de capitalismo de Estado sem acumulação privada visível. O encontro deles é a foto de duas crises se abraçando. Enquanto a esquerda internacional ficar debatendo se aperta a mão de um ou de outro, o capitalismo global segue rindo — porque ele não precisa de saudações, só de mais-valia.
Vanessa Silva
26/04/2026
Gabriel Teen, sua analogia com o Neymar foi cirúrgica. Mas o problema dessa thread é mais embaixo: todo esse teatro geopolítico entre Rússia e Coreia do Norte é uma cortina de fumaça para o que realmente importa — o custo humano e econômico desse alinhamento. Enquanto Volodin e Kim trocam salamaleques, os recursos que poderiam ir para infraestrutura, saúde e educação nos dois países são queimados em mísseis e sanções. Planejamento urbano e desenvolvimento não se fazem com bazófia diplomática.
Gabriel Teen
26/04/2026
Bia Carioca, amigona, “Rússia tem eleições e oposição” é tipo falar que o Neymar é craque porque sabe fazer embaixadinha na cadeia — técnico, mas ainda tá preso, né?
Bia Carioca
26/04/2026
Pessoal, toda essa thread está caindo na armadilha de tratar Rússia e Coreia do Norte como se fossem a mesma coisa. Enquanto a Coreia do Norte é uma ditadura de partido único fechada, a Rússia tem eleições, oposição e uma classe trabalhadora que luta. Não estou defendendo Putin, mas essa equivalência simplista é o que a grande mídia quer que a gente repita. Foco no inimigo real: o imperialismo americano e a extrema-direita aqui no Brasil.
Sgt Bruno 🇧🇷
26/04/2026
Renato, você falou tudo. Esses dois regimes são a prova viva de que autoritarismo não tem lado — trocam abraços e saudações enquanto o povo deles passa fome e vive na miséria. Mas duvido que os progressistas de plantão vão enxergar isso, porque pra eles o que importa é o discurso bonito contra o Ocidente.
Mariana Alves
26/04/2026
Sgt Bruno, seu diagnóstico sobre a hipocrisia do “discurso bonito contra o Ocidente” como escudo para regimes autoritários é certeiro, mas preciso tensionar um ponto que me parece escapar à sua análise: a armadilha de igualar fenômenos históricos distintos sob o mesmo guarda-chuva do “autoritarismo”. A Rússia de Putin e a Coreia do Norte de Kim Jong-un compartilham, sim, um DNA repressivo — ambos sufocam sindicatos, perseguem oposição e concentram riqueza nas mãos de uma elite estatal. Mas reduzir essa complexidade a um “autoritarismo sem lado” apaga as mediações concretas que explicam por que a esquerda brasileira, mesmo equivocadamente, vê na Rússia um contraponto geopolítico ao imperialismo estadunidense. A diferença não está na natureza dos regimes, mas no lugar que ocupam na estrutura do capitalismo global: Moscou ainda disputa hegemonia com Washington, enquanto Pyongyang é uma anomalia sitiada, cuja sobrevivência depende de barganhas nucleares. Ignorar isso é cair num moralismo abstrato que, convenhamos, não ajuda a classe trabalhadora de lugar nenhum.
O problema maior, no entanto, é que essa “troca de abraços” entre Volodin e Kim não é apenas um teatro de horrores — é a materialização de uma aliança pragmática entre dois Estados que veem na crise do neoliberalismo uma janela para reordenar o tabuleiro global. Enquanto o Ocidente impõe sanções e bloqueios que matam pela fome (como no Iêmen ou na Venezuela), Rússia e Coreia do Norte constroem pontes de sobrevivência mútua. Não estou romantizando: a fome na Coreia do Norte é real e hedionda, e a repressão russa contra a oposição é abjeta. Mas a crítica precisa ser dialética, não maniqueísta. Se condenamos o autoritarismo de Putin e Kim com o mesmo vigor com que denunciamos o bombardeio da OTAN ou o bloqueio a Cuba, então sim, avançamos. Caso contrário, corremos o risco de fazer o jogo da direita que só se importa com “liberdade” quando convém aos interesses do capital financeiro.
Por fim, Sgt, quando você ironiza os “progressistas de plantão”, toca numa ferida real: há sim uma ala da esquerda que troca a crítica materialista por um anti-imperialismo acrítico, que engole sapos em nome de um “inimigo do meu inimigo”. Mas a saída não é jogar a criança fora com a água do banho — ou seja, abandonar a análise de classe em nome de um liberalismo que também é cúmplice da miséria global. O caminho é exigir que a esquerda brasileira se posicione com a mesma dureza contra a repressão na Rússia e na Coreia do Norte que contra o genocídio palestino ou a intervenção dos EUA na América Latina. Enquanto não fizermos isso, estaremos apenas trocando um falso moralismo por outro.
Renato Professor
26/04/2026
Ronaldo, você está coberto de razão. Essa foto de Volodin e Kim trocando salamaleques é a imagem perfeita de dois regimes que, apesar do discurso anti-imperialista, tratam a classe trabalhadora como massa de manobra. Enquanto isso, a esquerda brasileira bate palmas pra esse circo geopolítico e esquece de olhar pra própria realidade — um governo que faz reforma trabalhista e entrega a Petrobras, mas adora posar de foto com bandeirinha vermelha. Hipocrisia pura.
Ronaldo Pereira
26/04/2026
Julia Andrade, seu comentário foi certeiro ao apontar a ausência de raça e gênero nessa thread, mas vou além: essa visita não é sobre “saudações” nem “diplomacia” — é sobre dois regimes que sufocam a classe trabalhadora enquanto trocam tapinhas nas costas. Kim Jong-un explora os operários norte-coreanos como escravos modernos nas fábricas de armamento, e Putin faz o mesmo com os mineiros e metalúrgicos russos, vendendo gás e petróleo enquanto a população congela. Enquanto isso, aqui no Brasil, a esquerda que deveria denunciar isso fica fazendo malabarismo para justificar aliança com esses carrascos. Cadê a solidariedade internacional de verdade, com os trabalhadores coreanos e russos que são esmagados por esses governos?
Julia Andrade
26/04/2026
Ana Karine, Mariana, vocês duas fizeram análises cirúrgicas que merecem ser aprofundadas, especialmente sob um olhar de gênero e raça que ainda está ausente nessa thread. O que me incomoda profundamente nessa cobertura é como a mídia mainstream e até mesmo comentaristas progressistas tratam a Coreia do Norte como um “outro exótico” — um regime bizarro e isolado — enquanto a Rússia de Putin é retratada como uma potência geopolítica “normal”. Isso é um clássico orientalismo, no sentido que Edward Said teorizou: a construção de um Oriente como espelho invertido do Ocidente, ao mesmo tempo fascinante e desprezível. Kim Jong-un é caricaturado, sua ditadura é pintada como algo quase folclórico, enquanto Putin, que comete crimes de guerra equivalentes ou piores em termos de escala, é tratado como um interlocutor racional. A entrega de “saudações” não é um gesto banal; é a normalização de uma aliança entre dois estados que compartilham um projeto político de supressão sistemática de direitos, especialmente os direitos das mulheres e das minorias étnicas.
Do ponto de vista feminista, essa aliança é particularmente preocupante. Tanto a Rússia de Putin quanto a Coreia do Norte de Kim são regimes que instrumentalizam o corpo feminino como ferramenta de reprodução nacionalista e controle social. Na Coreia do Norte, as mulheres são submetidas a um sistema de castas que as coloca como cuidadoras do Estado, sem acesso a informações ou direitos reprodutivos básicos. Na Rússia, a recente legislação que proíbe a “propaganda LGBT” e as restrições ao aborto são faces da mesma moeda: um projeto de poder que usa a biopolítica para consolidar uma identidade nacional supostamente “tradicional” e “pura”. Quando Volodin e Kim trocam tapinhas nas costas, eles estão celebrando não apenas acordos econômicos ou militares, mas a continuidade de um modelo de governança que vê mulheres e corpos dissidentes como propriedade do Estado.
O que me assusta, Ricardo, é que sua defesa da “soberania” ignora completamente que soberania para quem? Para o Estado, sim, mas para as pessoas que vivem sob esses regimes? A soberania nacional, quando exercida sem freios democráticos, vira autoritarismo puro e simples. E não, não estou fazendo uma defesa ingênua do Ocidente — longe disso. O imperialismo estadunidense e europeu tem um histórico brutal de exploração e violência, especialmente contra mulheres negras e indígenas do Sul Global. Mas a resposta a isso não pode ser abraçar regimes que torturam, matam e desaparecem pessoas com a mesma frieza. Precisamos de uma terceira via: uma solidariedade internacionalista que critique tanto a hegemonia ocidental quanto as autocracias que se vendem como “alternativas”. O que Kim e Putin oferecem não é um mundo multipolar justo; é um mundo onde o poder concentrado muda de mãos, mas a opressão continua a mesma, só que com outros símbolos e bandeiras.
Por fim, acho sintomático que ninguém tenha mencionado o papel da Coreia do Sul nesse tabuleiro. Enquanto a imprensa foca no encontro entre os dois “vilões”, o governo sul-coreano, aliado dos EUA, continua a explorar trabalhadoras migrantes filipinas e nepalesas em condições análogas à escravidão, além de manter uma cultura de misoginia institucionalizada que coloca o país entre os piores do mundo em igualdade de gênero. A crítica ao autoritarismo não pode ser seletiva. Se vamos condenar a Coreia do Norte, que seja com a mesma intensidade com que condenamos a Arábia Saudita, o Brasil de Bolsonaro ou o próprio Estado de Israel. O encontro em Pyongyang é apenas mais um capítulo de uma história global de concentração de poder que, invariavelmente, recai sobre os corpos das mulheres, dos pobres e dos racializados. Fiquemos atentas.
Mariana Oliveira
26/04/2026
Ana Karine, você tocou no ponto central que o Ricardo parece ignorar de forma deliberada: a romantização de regimes autoritários como se fossem “defensores da soberania” enquanto esmagam qualquer dissidência interna. A entrega de saudações de Putin a Kim Jong-un não é um gesto banal de cortesia diplomática; é a reafirmação pública de uma aliança entre dois líderes que compartilham um projeto político baseado na supressão sistemática de direitos humanos, na eliminação de oposição e na concentração absoluta de poder. bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, já nos alertava sobre como a narrativa de “resistência ao imperialismo” pode ser cooptada por elites locais para justificar suas próprias formas de opressão. Não há soberania que se sustente quando o povo não tem liberdade de expressão, de organização ou sequer de acesso à informação.
O que estamos vendo aqui não é uma parceria entre nações, mas um abraço entre dois projetos de poder que se retroalimentam: a Rússia de Putin, que criminaliza qualquer voz crítica e transforma a guerra numa ferramenta de perpetuação no poder, e a Coreia do Norte de Kim, que transformou o isolamento em ideologia de Estado. Kimberlé Crenshaw, ao formular o conceito de interseccionalidade, nos ensinou que não podemos analisar estruturas de poder sem considerar como elas operam em múltiplos eixos simultaneamente. No caso norte-coreano, a opressão não é apenas política — é de gênero, com mulheres submetidas a violações sistemáticas em campos de prisioneiros; é de classe, com uma elite que vive em luxo enquanto a população passa fome; e é racializada, com a construção de um nacionalismo xenófobo que desumaniza qualquer alteridade.
O que me preocupa profundamente é vermos setores da esquerda brasileira, em nome de um antiamericanismo raso, abraçando essas alianças como se fossem progressistas. Não há nada de progressista em apoiar um regime que mantém campos de concentração para seus próprios cidadãos, que executa pessoas por assistir a filmes sul-coreanos ou que usa o trabalho escravo de prisioneiros políticos para sustentar sua economia. A verdadeira solidariedade internacionalista não pode ser seletiva: se condenamos o imperialismo estadunidense, precisamos condenar com a mesma veemência o autoritarismo russo e norte-coreano. Caso contrário, estamos apenas trocando um mestre por outro, como bell hooks denunciou ao falar sobre como a luta antirracista pode ser sequestrada por discursos nacionalistas que reproduzem as mesmas hierarquias que dizem combater.
Ricardo, seu discurso sobre “globalismo” e “soberania” ignora que a verdadeira soberania popular só existe onde há democracia substantiva — com liberdade de imprensa, eleições competitivas, direitos trabalhistas e proteção ambiental. Nem Putin nem Kim oferecem isso. Eles oferecem estabilidade para elites, repressão para o povo e um discurso de “resistência” que serve apenas para manter seus próprios privilégios. Enquanto isso, o povo russo morre em uma guerra que poderia ter sido evitada, e o povo norte-coreano continua definhando em um dos regimes mais brutais do planeta. Se queremos construir um mundo multipolar de fato, que seja com base em direitos humanos universais, não em novas versões de autocracia com nomes diferentes.
Ricardo Menezes
26/04/2026
Mais um encontro de estadistas que defendem a soberania dos seus países contra a hegemonia globalista. Enquanto isso, aqui no Brasil o governo só sabe aumentar imposto e criar burocracia para ferrar o empreendedor. Putin e Kim entendem que desenvolvimento se faz com comércio e parcerias estratégicas, não com parasitas sugando o setor produtivo.
Ana Karine Xavante
26/04/2026
Ricardo, eu entendo a frustração com a carga tributária brasileira, mas preciso discordar profundamente da sua romantização desses regimes. Você chama de “defesa da soberania” o que, na prática, é a consolidação de autocracias que exterminam povos indígenas, silenciam ativistas e destroem florestas inteiras em nome do “desenvolvimento”. A Coreia do Norte de Kim Jong-un é um dos países mais fechados e repressivos do planeta — não há soberania popular ali, há um culto à personalidade que condena milhões à fome enquanto gasta bilhões em mísseis. E a Rússia de Putin, que invade países vizinhos e bombardeia civis, não está “contra a hegemonia globalista”: está disputando qual império vai ditar as regras do saque aos recursos naturais, seja no Ártico, na Sibéria ou na Amazônia.
Quando você fala em “parasitas sugando o setor produtivo”, parece ignorar que o maior parasita do mundo hoje é justamente o capital extrativista que esses governos alimentam. Enquanto Putin e Kim apertam as mãos, madeireiros ilegais brasileiros compram tratores russos e a Coreia do Norte testa mísseis com minério extraído da África com trabalho escravo. O “comércio e parcerias estratégicas” que você exalta é, em grande parte, o mesmo circuito de pilhagem que derruba a Amazônia e envenena os rios dos meus parentes em Mato Grosso. Não há desenvolvimento que se sustente sobre corpos indígenas e florestas queimadas.
E sobre o governo brasileiro: sim, a carga tributária é injusta e penaliza quem produz, mas o problema não é “gasto público” — é para onde esse dinheiro vai. Enquanto bilhões são desviados por grileiros e ruralistas que financiam bancadas armamentistas, as aldeias não têm posto de saúde e os rios estão contaminados por agrotóxicos. A saída não é copiar o modelo autoritário de Putin, que prende jornalistas e criminaliza o protesto ambiental. A saída é uma reforma tributária que taxe grandes fortunas e o agronegócio exportador, não o pequeno empreendedor. Mas isso, claro, exigiria enfrentar os mesmos “estadistas” que você admira — os do agro, da mineração e da madeira, que são sócios dos regimes que você defende.