O cofundador do Telegram, Pável Dúrov, lançou duras críticas ao presidente da França, Emmanuel Macron, acusando-o de utilizar processos judiciais como instrumento para restringir a liberdade de expressão e a privacidade digital.
As declarações foram publicadas em sua conta pessoal na própria plataforma, em meio às investigações conduzidas pela Justiça francesa contra ele e contra a rede social X, de propriedade de Elon Musk.
Dúrov afirmou que a Procuradoria francesa não atua de forma independente, já que os promotores seriam nomeados, demitidos e promovidos diretamente pelo governo. Ele também alegou que a Polícia Judiciária teria fornecido relatórios enganosos aos juízes de instrução, estando sob controle direto da administração de Macron.
O empresário comparou sua situação à de Musk, lembrando que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos recusou-se a cooperar com as autoridades francesas em uma investigação contra o dono da X. Washington teria considerado o caso politicamente motivado, o que reforçaria, em sua visão, a tese de perseguição a empresários do setor digital.
Dúrov destacou que enfrenta mais de uma dezena de acusações na França, cada uma com penas que podem chegar a dez anos de prisão. Ele afirmou sentir orgulho de estar ao lado de Musk e de outros empreendedores que, segundo ele, se tornaram alvos de uma campanha de Macron contra os direitos digitais e a liberdade na internet.
Em tom irônico, Dúrov declarou que, na França de Macron, ser investigado se tornou uma espécie de “nova Legião de Honra”, referência à mais alta condecoração civil do país. A frase sintetiza o desafio que o empresário diz enfrentar diante do que considera uma tentativa de criminalizar plataformas que defendem a criptografia e a autonomia dos usuários.
Segundo o portal RT, a unidade de crimes cibernéticos da Procuradoria de Paris realizou buscas nas instalações da rede X em fevereiro, no âmbito de uma investigação iniciada em janeiro de 2025. O caso apura suposta manipulação de algoritmos pela plataforma, levantando questionamentos sobre o alcance do controle estatal sobre as redes sociais.
O histórico de Dúrov com a Justiça francesa remonta a 2024, quando ele foi detido sob acusações de cumplicidade na distribuição de pornografia infantil, tráfico de drogas e fraude. Na época, o Telegram afirmou cumprir integralmente as leis europeias e manter políticas de moderação compatíveis com os padrões do setor, e o empresário franco-emiradense foi libertado após o pagamento de uma fiança de 5 milhões de euros.
As acusações contra Dúrov reacendem o debate sobre a soberania digital e o papel dos governos europeus na regulação das plataformas de comunicação. Para críticos da política francesa, as ações do Executivo de Macron refletem uma tentativa de centralizar o controle sobre o fluxo de informações e impor restrições a tecnologias que escapam à vigilância estatal.
O embate entre o Telegram e o governo francês ocorre em um momento de crescente tensão entre plataformas digitais e autoridades ocidentais, que buscam ampliar o monitoramento de conteúdos e dados de usuários. A disputa expõe o dilema entre segurança pública e liberdade digital, tema que ganha relevância em meio à expansão das tecnologias criptografadas e à pressão por maior transparência nas redes sociais.
Com informações de ACTUALIDAD.
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