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Paquistão abre seis rotas terrestres para comércio de trânsito com o Irã e países da Ásia Central

73 Comentários🗣️🔥 Um navio de carga com contêineres e bandeiras do Paquistão e da China em um porto. (Foto: sputnikglobe.com) O governo do Paquistão anunciou a abertura de seis rotas terrestres para o trânsito de mercadorias destinadas ao Irã e a terceiros países, em iniciativa que busca facilitar o comércio regional. A medida, formalizada pelo […]

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Um navio de carga com contêineres e bandeiras do Paquistão e da China em um porto. (Foto: sputnikglobe.com)

O governo do Paquistão anunciou a abertura de seis rotas terrestres para o trânsito de mercadorias destinadas ao Irã e a terceiros países, em iniciativa que busca facilitar o comércio regional.

A medida, formalizada pelo ‘Transit of Goods through Territory of Pakistan Order 2026’, entrou em vigor em 25 de abril. Ela exige garantia bancária equivalente às tarifas de importação para as cargas que cruzarem o território paquistanês.

A decisão surge em um contexto de tensões na região do Estreito de Ormuz, com cerca de 3.000 contêineres destinados a Teerã retidos no porto de Karachi. A nova política oferece uma alternativa terrestre para o transporte dessas cargas, possibilitando maior fluidez no comércio internacional envolvendo o Irã.

As rotas liberadas conectam importantes portos paquistaneses — como Karachi, Port Qasim e Gwadar — a pontos de fronteira com o Irã, incluindo Taftan e Gabd. Os trajetos passam por cidades como Khuzdar, Quetta, Dalbandin e Nokundi, formando uma rede logística que pode atender também países da Ásia Central, como Uzbequistão e Tadjiquistão.

O presidente do Comitê Nacional do Paquistão da Câmara de Comércio Internacional, Tariq Rangoonwala, afirmou que a medida foi viabilizada após o Irã ativar o posto de fronteira Gabd–Reemdam sob a Convenção TIR, que regula o transporte internacional de cargas. Ele destacou que o Paquistão já havia preparado sua parte da passagem há três anos, e que agora o comércio bilateral pode ocorrer de maneira mais eficiente.

Rangoonwala também apontou que as rotas não se restringem ao comércio com o Irã, servindo como alternativa para exportações paquistanesas rumo à Ásia Central. O corredor já está sendo utilizado para enviar produtos ao Uzbequistão e ao Tadjiquistão, diminuindo a dependência da rota Sost–Khunjerab, no norte do país, que enfrenta dificuldades climáticas frequentes.

O ponto de passagem Gabd–Reemdam, localizado a 87,5 quilômetros do porto de Gwadar, torna-se um elo estratégico entre o Golfo de Omã e o interior do continente. Sua ativação reforça a posição do Paquistão como importante ponto de conexão para o transporte de mercadorias na região.

Com a nova política, o Irã ganha uma rota terrestre para o transporte de suas cargas, o que pode reduzir os impactos de eventuais dificuldades no acesso marítimo pelo Estreito de Ormuz. A iniciativa também fortalece a cooperação entre Teerã e Islamabad, criando bases para uma maior integração comercial entre os dois países.

Para o Paquistão, a liberação das rotas representa uma oportunidade de aumentar receitas alfandegárias e desenvolver sua infraestrutura de transporte. A medida posiciona o país como facilitador do comércio regional, conectando economias do sul da Ásia a mercados mais amplos.

A abertura desses corredores terrestres marca um passo significativo na dinamização do comércio entre nações vizinhas, oferecendo alternativas viáveis em um contexto de desafios logísticos. A expectativa é que a iniciativa traga benefícios econômicos tanto para o Paquistão quanto para o Irã, além de outros países que utilizem as rotas. Informações adicionais foram divulgadas pelo Sputnik International.


Leia também: Irã negocia corredor terrestre de 900 km com Paquistão após 3 mil contêineres ficarem retidos em Karachi


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Rick Ancap

27/04/2026

Mariana Costa, “depende da China” é exatamente o ponto. Eles tão abrindo rotas comerciais reais enquanto o Brasil importa técnico de vôlei cubano. Mas claro, pra você isso é “dependência” — pra eles é estratégia.

    Francisco de Assis

    27/04/2026

    Rick Ancap, você tá certo em meter o dedo nessa contradição: enquanto o Brasil importa técnico de vôlei, o Paquistão tá abrindo seis rotas terrestres pra furar o cerco econômico com os próprios pés. Depender da China é estratégia, sim — eles aprenderam que isolamento não paga conta, ao contrário de certos governos por aqui que ainda acham que soberania é fechar portas.

Mariana Costa

27/04/2026

Vanessa, você tem razão sobre o Brasil desperdiçar sua posição geográfica, mas vamos com calma nessa de “Paquistão aproveitando a geografia”. O país tem um histórico de instabilidade e depende muito da China para manter essas rotas seguras. Abertura comercial é boa, mas não podemos romantizar: estradas no Paquistão também servem para escoar produtos chineses e consolidar a influência de Pequim na região. No fim, sempre tem alguém grande lucrando mais.

Vanessa Silva

27/04/2026

Paula, você tocou num ponto crucial: o Paquistão está aproveitando a geografia a favor do desenvolvimento, enquanto o Brasil parece ter pavor de usar a própria posição estratégica. Seis rotas terrestres abertas em um país com histórico de instabilidade — e nós, com uma das maiores malhas viárias potenciais do mundo, ainda patinando em burocracia e falta de planejamento integrado.

Paula Santos

27/04/2026

Capitão Tavares, não é bem assim. Gramsci ajuda sim a entender por que uns países constroem rotas enquanto outros ficam paralisados debatendo gênero. O problema não é a teoria, é que aqui a teoria vira desculpa pra não agir.

Capitão Tavares 🇧🇷

27/04/2026

Cláudio Ribeiro, com todo respeito, mas ficar citando Gramsci pra explicar estrada de caminhão no Paquistão é o auge do academicismo inútil. Enquanto esses caras tão abrindo rotas de verdade pra furar o cerco econômico, aqui no Brasil a turma da UNB ainda tá discutindo se existe ou não existe ideologia de gênero. O país tá perdido mesmo, e não é com revolução passiva que a gente vai sair dessa — é com intervenção militar pra botar ordem na casa e parar de entregar nossa soberania de bandeja.

Ana Souza

27/04/2026

Cláudio Ribeiro, Gramsci certamente teria algo a dizer sobre o Brasil, mas acho que a diferença aqui é que o Paquistão está, de fato, executando. Eles não estão só discutindo a “revolução passiva” em um seminário, estão abrindo seis rotas rodoviárias enquanto a gente ainda briga pra ver quem paga o pedágio da Dutra. O movimento deles é concreto; o nosso, até agora, é só discurso de palanque.

Cláudio Ribeiro

27/04/2026

A abertura dessas rotas pelo Paquistão é um movimento típico de reconfiguração geopolítica que Gramsci identificaria como uma “revolução passiva” — o establishment busca manter hegemonia ajustando-se às pressões das periferias. Enquanto isso, o Brasil insiste em repetir o mesmo ciclo de dependência agroexportadora que o neoliberalismo aprofundou nos anos 1990. O Sul Global está redesenhando suas rotas de acumulação; nós continuamos presos à lógica do porto e da soja.

Carlos Oliveira

27/04/2026

Ronaldo Pereira, você foi cirúrgico. Enquanto o Paquistão negocia corredores estratégicos com Irã e China pra furar o bloqueio imperialista, o Brasil continua refém do complexo da soja e do minério, que nem precisa de estrada — só de porto pra escoar a riqueza que não fica aqui. A reforma agrária que você mencionou é exatamente o que falta pra gente ter uma logística que atenda o povo, não só o agroexportador.

Ronaldo Pereira

27/04/2026

Eduardo C., você tocou no ponto, mas faltou a vírgula: a sobrevivência deles é construir rotas, a nossa é entregar minério de ferro e soja a preço de banana enquanto a Vale e a Amaggi embolsam o lucro. Enquanto o Paquistão negocia corredores com Irã e China, aqui a reforma tributária trava há 30 anos porque meia dúzia de setores não quer perder privilégio. O trabalhador brasileiro paga o pato enquanto a burguesia nacional acha que geopolítica é coisa de novela.

Eduardo C.

27/04/2026

É curioso ver gente comparando a geopolítica paquistanesa com a brasileira como se fossem equivalentes. O Paquistão tem uma dívida externa de 130 bilhões de dólares e inflação de dois dígitos, abrir rotas comerciais é questão de sobrevivência econômica, não de visão estratégica. Enquanto não vierem os números de fluxo real de cargas passando por essas rotas, isso é só anúncio de governo.

Zé Trovãozinho

27/04/2026

João Batista, a Bíblia também fala em não se curvar a ídolos, e o ídolo da esquerda brasileira é o tal do “Sul Global” enquanto a gente vira uma Venezuela de estrada esburacada. Enquanto isso, o STF inventa mais uma pauta pra nos distrair da verdade: o Brasil tá perdendo o bonde do comércio mundial e ninguém liga.

João Batista

27/04/2026

Marta Souza, o problema não é regulamentação que “sufoca empreendedor” — é que o Brasil virou um país que exporta soja e importa iPhone, enquanto o Sul Global se organiza em rotas que ignoram a lógica do FMI. O Paquistão e o Irã tão fazendo o que a Bíblia chama de multiplicar os pães: integrar povos que o Império sempre quis ver isolados. Enquanto isso, a elite brasileira prefere rezar pro deus do agronegócio.

Marta Souza

27/04/2026

João Carlos Silva, você tem razão em parte, mas o problema não é só estrada esburacada. Enquanto o Brasil gasta tempo e dinheiro com regulamentação que sufoca o empreendedor, países como Paquistão e Irã estão criando corredores logísticos reais. Queremos competir com eles? Então precisamos de menos Estado atrapalhando e mais liberdade para o mercado fluir.

João Carlos Silva

27/04/2026

Pois é, Pedro Almeida, bonito no papel, mas na prática a gente vê que o Paquistão tá é tentando se livrar da crise energética e da inflação que nem a nossa. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente mal consegue manter as estradas que já tem, imagina abrir rota nova. O problema é que esse pessoal que discute geopolítica esquece que no fim do dia o que importa é se o preço do diesel vai subir de novo.

Pedro Almeida

27/04/2026

A abertura dessas rotas pelo Paquistão é um movimento que remonta à lógica dos antigos corredores comerciais da Rota da Seda, mas agora sob a égide de uma nova geopolítica eurasiana. Enquanto isso, o debate aqui no Brasil insiste em opor desenvolvimento a direitos territoriais, como se fossem categorias excludentes, quando na verdade a verdadeira soberania passa por integrar logística, justiça social e respeito aos povos originários — algo que a Escola de Frankfurt já nos ensinava sobre a dialética do esclarecimento.

Clotilde Pátria

27/04/2026

Célio Fazendeiro, você está de brincadeira, né? O Brasil perde mercado para esses caras enquanto fica nessa obsessão ridícula com pauta identitária e proteção de índio que não quer desenvolvimento. O Paquistão tá ligando o país deles com rotas comerciais reais, e a gente aqui discutindo pronome neutro. Cadê a nossa integração logística? Virou piada internacional.

    Fernanda Oliveira

    27/04/2026

    Clotilde, com todo respeito, mas essa dicotomia falsa entre “pauta identitária” e “desenvolvimento” é exatamente o que mantém o Brasil refém de um projeto de nação que beneficia sempre os mesmos de sempre. Integração logística sem justiça social e territorial é só mais um corredor de exportação de commodities que deixa rastro de destruição e desigualdade — a gente pode e deve exigir as duas coisas ao mesmo tempo.

Lucas Gomes

27/04/2026

Caio Vieira e Paulo Ribeiro, vocês dois acertaram em cheio ao identificar a dimensão geopolítica desse movimento paquistanês. Mas permitam-me acrescentar uma camada que está sendo sistematicamente ignorada nesta thread: o custo socioambiental dessa integração rodoviária. Enquanto o Paulo Gestor RJ pergunta quem vai bancar a manutenção fiscal, eu pergunto: quem vai pagar a conta ecológica dessas novas rotas atravessando o Baluchistão e as montanhas do Hindu Kush? Cada quilômetro de asfalto novo no Sul Global é uma autorização tácita para o desmatamento, para a grilagem de terras ancestrais e para o fluxo descontrolado de mercadorias que não pagam um centavo de compensação ambiental.

O que me assusta, e aqui discordo frontalmente do Célio Fazendeiro — embora entenda sua frustração com o discurso ambientalista brasileiro —, é que essa abertura de rotas não é apenas sobre comércio. É sobre a consolidação de um modelo de desenvolvimento extrativista que o Paquistão está replicando, com a benção da China e dos organismos financeiros multilaterais. O Irã, com sua crise hídrica brutal e desertificação acelerada, vai receber mais caminhões queimando diesel barato, enquanto as comunidades pastores e agricultores familiares da região perdem território para corredores logísticos. Isso não é integração, é invasão logística.

E vejam a ironia: o Brasil, que o Celio critica por supostamente “proteger floresta e índio”, deveria na verdade aprender com os erros que o Paquistão está cometendo agora. Nossas BRs na Amazônia já mostraram que estrada em área sensível não traz desenvolvimento sustentável — traz desmatamento, trabalho escravo e grilagem. Se o governo Lula quer ser coerente com o discurso de transição energética e justiça climática, deveria estar oferecendo ao Paquistão alternativas ferroviárias eletrificadas, não aplaudindo essa abertura rodoviária como se fosse um triunfo do Sul Global. O Sul Global precisa de integração sim, mas de uma integração que não repita os erros do Norte Global: asfalto sobre os pulmões do planeta.

Celio Fazendeiro

27/04/2026

Ah, pelo amor de Deus, mais essa palhaçada de “integração regional”? O Paquistão abrindo estrada pra Irã e Ásia Central é só mais um jeito de esquentar dinheiro de tráfico e arma. Enquanto isso, o Brasil fica nessa lenga-lenga de proteger floresta e índio, perdendo mercado pra esses picaretas. Cadê o nosso governo fazendo acordo com quem realmente movimenta a economia, em vez de ficar de mimimi com ecologia?

    Caio Vieira

    27/04/2026

    Célio Fazendeiro, sua leitura é tão rasa quanto um prato de feira livre. Reduzir a complexa geopolítica do Sul Global a “esquentar dinheiro de tráfico” é ignorar a materialidade histórica: o que o Paquistão faz é disputar hegemonia regional, enquanto o Brasil, preso a um discurso de desenvolvimento sustentável que nunca se efetiva, perde a chance de construir uma infraestrutura logística soberana. A crítica à “lenga-lenga” ecológica é justa, mas o problema não é a pauta ambiental em si — é o fato de ela servir de biombo para a ausência de um projeto nacional de desenvolvimento, enquanto outros, como o Paquistão, avançam com pragmatismo gramsciano.

Paulo Gestor RJ

27/04/2026

Paulo, administrador do Rio: olhando de fora, parece uma jogada de infraestrutura bem pensada. Mas fico me perguntando: quem vai bancar a manutenção dessas rotas num país com instabilidade energética e segurança frágil? O plano é bonito no papel, mas a execução fiscal é o que separa um projeto de um pesadelo orçamentário.

Paulo Ribeiro

27/04/2026

Cíntia Ribeiro, você trouxe um ponto que merece aprofundamento gramsciano. O que estamos vendo não é mero pragmatismo comercial paquistanês, mas a materialização de uma disputa hegemônica que o Sul Global precisa compreender. Quando Islamabad abre seis rotas terrestres para o Irã e a Ásia Central, está na verdade desenhando uma nova geografia do capital que escapa ao controle unipolar estadunidense. É o que Lênin chamaria de desenvolvimento desigual e combinado: enquanto a OTAN tenta sufocar o Irã com sanções, o Paquistão — que a mídia hegemônica insiste em tratar como “Estado falido” — constrói infraestrutura real de integração regional.

O mais interessante é notar como esse movimento se articula com o que Mariátegui chamava de “socialismo indo-americano”: uma via própria de desenvolvimento que não passa pelo receituário do FMI. O corredor rodoviário que liga o porto de Gwadar ao Irã e daí ao Afeganistão, Uzbequistão e Tajiquistão não é apenas logística; é a criação de um bloco econômico que desafia a divisão internacional do trabalho imposta pelo Ocidente. Enquanto isso, o Brasil insiste em tratar o Mercosul como uma camisa de força burocrática, sem perceber que a China já está costurando acordos paralelos com cada país sul-americano individualmente.

João Carvalho, você tem razão ao apontar nossa paralisia, mas discordo quando reduz a questão a “perder mercado”. O problema é mais estrutural: nossa elite econômica nunca teve projeto de desenvolvimento autônomo. Sempre preferiu ser sócia menor do capital internacional a construir cadeias produtivas próprias. Enquanto o Paquistão — com todos seus problemas internos, que não nego — ousa desafiar a lógica da dependência, a burguesia brasileira continua achando que seu papel é exportar soja e minério de ferro para quem pagar mais. Isso não é pragmatismo, é subordinação voluntária.

O que falta no debate brasileiro é justamente essa perspectiva althusseriana de que a infraestrutura econômica não existe separada da superestrutura ideológica. Quando o Brasil fecha os olhos para a violência de classe dentro de suas próprias fronteiras enquanto critica “regimes autoritários” alheios, está praticando o que Bourdieu chamaria de violência simbólica. Talvez fosse mais produtivo, como sugere o exemplo paquistanês, construir pontes — literal e metaforicamente — com quem está disposto a reconfigurar a ordem mundial, em vez de continuar servindo de quintal para potências estrangeiras.

João Carvalho

27/04/2026

Cíntia Ribeiro, você tocou num ponto que ninguém aqui parece enxergar: enquanto a gente discute ideologia, o Paquistão tá na correria fazendo acordo com Irã e China, e o Brasil? Parado, perdendo mercado. Esse negócio de ficar escolhendo parceiro comercial por causa de regime político é coisa de quem nunca precisou pagar conta no fim do mês.

    Tiago Mendes

    27/04/2026

    João Carvalho, discordo de você no ponto central: não se trata de “escolher parceiro por regime”, mas de lembrar que o Brasil deveria estar nessa mesa não só por pragmatismo, mas também para garantir que os direitos humanos não sejam moeda de troca em nenhum acordo. O Evangelho nos chama a denunciar a exploração, não a abençoar o silêncio cúmplice.

Cíntia Ribeiro

27/04/2026

João Carlos da Silva, você tem razão, mas acho que falta um ponto: essa abertura de rotas não é só pragmatismo comercial, é também um movimento estratégico do Paquistão para se reposicionar num xadrez geopolítico onde a Índia e os EUA estão cada vez mais próximos. Enquanto Islamabad diversifica rotas para não depender de Karachi e do Gwadar controlado pela China, o Irã ganha uma saída para o leste que contorna o isolamento imposto por Washington. O resultado é uma rede de interdependência que fragiliza sanções unilaterais e fortalece a multipolaridade de fato, não de discurso.

João Carlos da Silva

27/04/2026

Luciana Santos, você acertou em cheio. Essa obsessão brasileira em exigir pureza ideológica de parceiros comerciais é um luxo que só países hegemônicos podem se dar — e mesmo eles não praticam. Enquanto isso, Paquistão e Irã, dois países que a mídia ocidental adora demonizar, estão construindo rotas que vão escoar produtos por terra, furando o cerco econômico que tentam impor. É o que Gramsci chamaria de guerra de posição no tabuleiro geopolítico: infraestrutura como instrumento de soberania.

Luciana Santos

27/04/2026

Pois é, Renata, você tem razão em se preocupar com liberdade religiosa, mas a real é que o Brasil não pode ficar escolhendo parceiro comercial por ideologia. A China compra de todo mundo, Venezuela, Arábia, Rússia, e ninguém pergunta se o regime é bonzinho. Enquanto a gente fica nessa novela, o Paquistão e o Irã tão abrindo estrada e passando na frente.

Adalberto Livre

27/04/2026

Renata Oliveira, vc é evangélica e tá preocupada com perseguição religiosa no Irã? E o bolsonarismo perseguindo cristão no Brasil? Hipocrisia pura.

Renata Oliveira

27/04/2026

Ana Karine Xavante, você falou bem, mas acho que falta um ponto. O problema não é furar bloqueio, é que o Irã financia grupos que perseguem cristãos. Como evangélica, vejo que a integração econômica é positiva, mas sem pactuar com regimes que violam a liberdade religiosa. Dá pra apoiar a rota comercial sem fechar os olhos pra isso.

Marcos Andrade Niterói

27/04/2026

Beto Engenheiro, você tocou num ponto que me parece óbvio mas que a galera do “geopolítica de Twitter” insiste em ignorar: infraestrutura não tem ideologia, tem resultado. Enquanto o governo do Rio abandona Niterói, esses caras tão abrindo seis rotas de comércio de uma tacada só. É obra que gera emprego, circulação de riqueza e independência econômica. Quem reclama é porque nunca viu um túnel sair do papel.

Ana Karine Xavante

27/04/2026

Maura Santos e Mariana Santos, vocês duas resumiram exatamente o que está em jogo aqui. Enquanto a galera do “livre mercado” chora pelos regimes teocráticos, esquece que o Irã e o Paquistão estão simplesmente fazendo o que qualquer país soberano faria: furar o cerco econômico imposto pelo Ocidente. Não é sobre gostar ou não do governo iraniano — é sobre o direito de um povo decidir com quem comercia sem levar sanção dos EUA. E olha que eu sou a primeira a criticar a teocracia iraniana, especialmente contra mulheres e minorias étnicas como os curdos e balúchis. Mas daí a achar que bloquear rotas comerciais vai melhorar a vida de alguém é pura ilusão liberal.

O que me incomoda nesse debate raso é o apagamento total do contexto histórico. O Paquistão está abrindo essas rotas porque o Ocidente, com suas sanções unilaterais contra o Irã, estrangulou a economia regional. Quem paga o pato não são os aiatolás em Teerã, são os camponeses no Baluchistão paquistanês e os trabalhadores portuários em Chabahar. A integração com a Ásia Central via Irã é a única saída para países que não têm acesso ao mar e dependem de corredores controlados por potências hostis. Isso não é “defesa de ditadura”, é geopolítica básica para quem não quer ser vassalo de ninguém.

E olha, Beto Engenheiro, você tem razão no ponto prático: seis rotas abertas é movimento real. Mas não dá pra reduzir isso a “obra é obra” como se política não importasse. Essas rotas passam por regiões como o Baluchistão, onde o povo balúchi é duplamente oprimido — pelo governo paquistanês e pela marginalização econômica. Se o comércio crescer sem que haja distribuição de renda, direitos territoriais e participação das comunidades locais, vira só mais um corredor de exploração. A esquerda precisa cobrar que essa integração venha com justiça social e ambiental, não só com mais contêineres passando.

No fim, o que me anima é ver que, apesar de todas as críticas internas que podemos fazer a esses governos, o Sul Global está se mexendo. Enquanto a Europa briga por gás e os EUA impõem sanções, Paquistão, Irã, China e os países da Ásia Central estão construindo rotas que ignoram o bloqueio. Isso é o começo de um mundo multipolar de verdade. Mas que venha com transparência, com respeito às populações originárias e com um debate honesto sobre os limites desses regimes — sem cair no maniqueísmo de que “tudo que enfrenta os EUA é automaticamente bom”. A luta é mais complexa que isso.

Beto Engenheiro

27/04/2026

Pois é, Mariana, você foi certeira. Enquanto a turma fica de mimimi ideológico sobre “regimes”, a realidade é que obra de infraestrutura é obra de infraestrutura. Seis rotas terrestres abertas significa mais carga circulando, mais movimento real na economia. Isso sim é desenvolvimento. O resto é conversa fiada de quem nunca precisou construir uma ponte na vida.

Mariana Santos

27/04/2026

Maura Santos, você foi cirúrgica. O que esses comentaristas liberais chamam de “atraso” é justamente a construção de uma alternativa concreta ao bloqueio imperialista dos EUA. O Paquistão e o Irã estão mostrando que a integração Sul-Sul não é papo de ONG, é estratégia real de sobrevivência econômica contra sanções criminosas. Enquanto isso, o Brasil de Lula deveria aprender com essa ousadia geopolítica em vez de ficar pagando pedágio ideológico para Washington.

Karina Libertária

27/04/2026

Marcus Almeida, seu comentário foi cirúrgico. Esses regimes teocráticos são um atraso de vida, perseguem minorias e ainda querem ser tratados como parceiros comerciais sérios. Enquanto isso, o Brasil fica fazendo média com esses ditadores islâmicos, enquanto o cidadão de bem aqui paga a conta.

    Maura Santos

    27/04/2026

    Karina, puxa, que visão limitada hein? Enquanto você chama de “atraso de vida”, o Paquistão e o Irã estão construindo rotas que furaram o bloqueio econômico que os EUA impuseram — lembra que foi a mesma turma que apoiou o apagão de 2001 aqui no Brasil? Talvez seja bom sair do clubinho liberal e ver que integração regional, mesmo com regimes autoritários, é o que quebra o monopólio do tio Sam.

Marcus Almeida

27/04/2026

Augusto, você acertou em cheio. Enquanto a esquerda comemora “integração regional”, esquece que esses regimes islâmicos perseguem cristãos, mulheres e qualquer um que ouse pensar diferente. Abrir rotas comerciais com o Irã é dar combustível para uma teocracia que enforca homossexuais e prende pastores. Cadê o discurso de direitos humanos agora?

Augusto Silva

27/04/2026

Carmem, você tem um coração bom, mas não dá pra separar o “lado positivo” da engrenagem inteira. O Paquistão abrir seis rotas terrestres é um movimento geopolítico evidente pra furar o isolamento iraniano e criar um corredor que contorna o domínio naval americano. Isso não é caridade, é estratégia — e pode até gerar empregos, sim, mas dentro de um jogo de xadrez onde os peões continuam sendo a população civil. O desenvolvimento que não vem acompanhado de liberdade política vira só logística de exploração.

Carmem Souza

27/04/2026

Silvia, você levantou um ponto importante, mas acho que precisamos tomar cuidado para não enxergar só o lado negativo. O Paquistão é um país de maioria muçulmana que busca seu lugar no mundo, e essa abertura de rotas pode sim gerar empregos e dignidade para muita gente pobre. Claro que devemos orar e vigiar para que os direitos humanos não sejam esquecidos nesse processo, mas também precisamos reconhecer quando algo pode trazer benefícios concretos para a população.

Silvia D.

27/04/2026

Pedro, você foi certeiro. É impressionante como o discurso do “desenvolvimento” sempre serve de cortina de fumaça para regimes autoritários. Enquanto celebram a integração econômica, as mesmas rotas podem muito bem estar sendo usadas para escoar produção de trabalho forçado ou financiar a repressão interna. Abertura comercial sem transparência e direitos básicos é só mais uma forma de lavagem de imagem.

Pedro Silva

27/04/2026

Ah, João Pereira, você tá no caminho certo. O Paquistão abre rota pra vender mercadoria, mas fecha a boca de quem critica o regime. É sempre a mesma história: o capitalismo adora fronteiras abertas pro lucro, mas fecha os olhos pra ditadura. Bagunça generalizada, como sempre.

João Pereira

27/04/2026

Ricardo, você soltou um “moralismo ocidental” como se fosse um passe de mágica pra silenciar crítica. O problema não é querer ditar nada, é que rotas comerciais não existem no vácuo — se o Paquistão abre estradas mas mantém aiatolás e militares decidindo a vida das pessoas, o desenvolvimento vai parar nos bolsos de sempre. A história mostra que modernização sem liberdade vira só mais concentração de poder.

Marcos Conservador

27/04/2026

Ahmed, você tocou num ponto interessante, mas essa sua defesa do “Paquistão que não se envergonha da própria identidade religiosa” é exatamente o problema. Enquanto eles abrem rotas comerciais, as minorias religiosas lá são perseguidas e as mulheres vivem sob leis tribais. Desenvolvimento sem direitos humanos é só maquiagem para o atraso.

    Ricardo Almeida

    27/04/2026

    Marcos, você tem razão em apontar a contradição, mas cuidado pra não cair no moralismo ocidental que acha que pode ditar os termos do desenvolvimento alheio. O Paquistão não é uma ONG de direitos humanos, é um Estado que negocia sua própria modernização — e a história mostra que nenhuma potência chegou ao topo seguindo manual de etiqueta liberal.

Ahmed El-Sayed

27/04/2026

Carlos Meirelles, você está certo na essência, mas cuidado para não cair no simplismo liberal. O Paquistão está abrindo essas rotas sim, mas é o mesmo Paquistão que mantém leis islâmicas e não se envergonha da própria identidade religiosa. Enquanto o Ocidente prega secularização total como condição para desenvolvimento, esses países mostram que tradição e comércio podem andar juntos. O Brasil insiste em copiar modelos que negam a alma do povo.

Carlos Meirelles

27/04/2026

Lucas, o Luizinho aí acha que abrir rotas comerciais é “geopolítica de butique”, mas enquanto ele espera o estado distribuir pão, o Paquistão tá ligando a economia real. Menos estado regulador é justamente o que tira gente da fome — estrada movimenta carga, carga gera emprego, emprego enche o prato. O Brasil que lute pra não ficar pra trás nesse jogo.

Lucas Moreira

27/04/2026

Cecília Torres, você foi direto ao ponto. Enquanto essa turma fica discutindo pauta identitária, o Paquistão está abrindo rotas comerciais com Irã e Ásia Central — isso é geopolítica real, não mimimi de redes sociais. O Brasil deveria aprender: menos estado regulador e mais infraestrutura logística para escoar produção. O resto é ruído.

    Luizinho 16

    27/04/2026

    Lucas, falou bonito, mas “menos estado regulador” é papinho de quem acha que estrada resolve tudo enquanto a galera morre de fome — cadê a pauta de classe nessa sua geopolítica de butique?

Cecília Torres

27/04/2026

Cíntia, você tem razão ao dizer que desenvolvimento econômico e direitos não são excludentes. Mas, para ser franca, o que vejo aqui é um movimento geopolítico clássico: o Paquistão abrindo essas rotas para contornar o isolamento comercial que sofre com a Índia, não exatamente uma revolução logística. O Irã já usa o porto de Chabahar com os indianos para o mesmo fim — é um jogo de xadrez, não de ideologia.

Cíntia Alves

27/04/2026

Rubens O Pescador, você tocou num ponto que me parece central e que acaba se perdendo nessa polarização entre “pauta identitária vs. pragmatismo econômico”. A verdade é que desenvolvimento regional e direitos civis nunca foram excludentes — o problema é que, no Brasil, a gente insiste em tratar geopolítica como torcida de futebol, enquanto o Paquistão e o Irã estão criando rotas reais de comércio que, independente de quem está no poder, vão gerar emprego e circulação de riqueza. Talvez fosse mais produtivo a gente discutir por que o Brasil, com toda sua malha logística e posição estratégica, ainda patina em acordos regionais concretos como esse.

Marina Costa

27/04/2026

Letícia Fernandes, seu comentário é bem articulado, mas preciso discordar de um ponto. Essa conversa sobre gênero e interseccionalidade desvia o foco do que realmente importa: a China e o Paquistão estão construindo rotas comerciais pragmáticas, enquanto a esquerda brasileira fica perdendo tempo com pautas identitárias que só fragmentam a sociedade. O que precisamos é de menos teoria e mais ação concreta para gerar emprego e renda, como esses países estão fazendo.

    Rubens O Pescador

    27/04/2026

    Marina Costa, com todo respeito, mas essa história de que pauta identitária atrapalha o desenvolvimento é conversa de quem nunca viu a filha ser tratada como cidadã de segunda classe no próprio país. Lá no interior, a gente aprendeu que pão na mesa vem junto com dignidade — não é uma coisa ou outra. O PT mostrou que dá pra gerar emprego, distribuir renda e ainda olhar pra quem sempre ficou de fora. Quem quer separar uma coisa da outra tá fazendo o jogo de quem não quer ver pobre no topo.

Mariana Oliveira

27/04/2026

Letícia Fernandes, você abriu uma porta que eu estava esperando alguém destrancar. A sua observação sobre o gênero ser tratado como variável secundária na geopolítica é precisa, mas eu gostaria de tensionar ainda mais esse ponto com uma lente interseccional. Quando olhamos para a abertura dessas seis rotas terrestres pelo Paquistão, o que vemos não é apenas um movimento de política externa — vemos a materialização de um projeto de poder que, como bell hooks nos ensina em “O Feminismo É para Todo Mundo”, opera dentro de uma estrutura patriarcal imperialista capitalista. O Corredor Econômico China-Paquistão não é neutro: ele redefine quem circula, quem trabalha e quem se beneficia. As mulheres paquistanesas, especialmente as de classes trabalhadoras e áreas rurais, raramente são incluídas nas mesas de negociação que decidem essas rotas, mas são as primeiras a sentir os impactos da inflação de alimentos, do deslocamento forçado para construção de estradas e da precarização do trabalho informal que acompanha esses megaprojetos.

Kimberlé Crenshaw, ao formular o conceito de interseccionalidade, nos alertou justamente contra análises unidimensionais. Não basta celebrar a “visão geopolítica” do Paquistão sem perguntar: visão de quem? Para quem? O país tem PIB per capita baixíssimo, mas também tem uma das maiores taxas de mortalidade materna do sul da Ásia e um dos piores índices de participação feminina no mercado de trabalho formal. Abrir rotas para o Irã e a Ásia Central pode gerar empregos, sim, mas empregos para homens em setores de transporte e logística, enquanto as mulheres continuam confinadas ao trabalho doméstico não remunerado ou à economia informal de subsistência. O desenvolvimento regional que não enfrenta a divisão sexual do trabalho é, no fundo, uma reprodução ampliada da desigualdade.

Cecília Ramos, você tocou no ponto central ao lembrar que a China é a arquiteta desse processo. Mas precisamos ir além: a Nova Rota da Seda não é apenas um programa de infraestrutura; é um projeto civilizatório que impõe uma lógica de acumulação extrativista sobre corpos e territórios. O que acontece com as comunidades pastoris que perdem terras para a construção de rodovias? Com as mulheres que veem seus maridos migrarem para obras e retornarem adoecidos por jornadas exaustivas? A geopolítica feminista nos obriga a enxergar que cada contêiner que cruza a fronteira carrega consigo relações de poder que decidem quem vive, quem morre e quem fica invisível. O Brasil, com todo o seu atraso em integração logística, ao menos tem um debate — ainda que insuficiente — sobre participação social e direitos trabalhistas. O Paquistão, sob governos militares e regimes teocráticos, nem isso oferece.

Por fim, Diego Fernández, você mencionou a “elite econômica brasileira” e sua falta de visão. Concordo, mas acrescento: a elite paquistanesa não é diferente. A diferença é que, enquanto a brasileira ainda acredita em receitas europeias, a paquistanesa já entendeu que o século XXI será decidido na confluência entre Ásia, Oriente Médio e África. O problema é que ambas operam dentro de um mesmo paradigma: o desenvolvimento como sinônimo de crescimento do PIB, sem distribuição de poder, sem justiça de gênero, sem reparação racial. Se o Brasil quer aprender algo com o Paquistão, que não seja apenas a ousadia geopolítica, mas também o alerta de que integrar mercados sem integrar pessoas é apenas deslocar a pobreza para outro endereço.

Cecília Ramos

27/04/2026

Letícia Fernandes, você trouxe um ponto que me fez parar e pensar: de fato, ninguém tinha mencionado o papel da China nessa jogada. O Paquistão não está fazendo isso sozinho — é um braço do Corredor Econômico China-Paquistão, parte da Nova Rota da Seda. Enquanto isso, o Brasil insiste em se apegar a uma política externa que nos isola, e a esquerda brasileira muitas vezes ignora que integração regional de verdade exige investimento estatal pesado em infraestrutura, não só discurso.

Letícia Fernandes

27/04/2026

Alice T., Diego Fernández, Mateus Silva, Renato Professor — é reconfortante ver que ainda há quem entenda que a geopolítica não se faz com tuítes inflamados nem com promessas de blockchain. Mas preciso fazer um adendo que me parece crucial e que ninguém aqui tocou com a devida profundidade: a abertura dessas seis rotas terrestres pelo Paquistão não é um gesto de boa vontade comercial, é uma manobra defensiva dentro da crise estrutural do capitalismo global. O Paquistão, com seu PIB per capita de 1.500 dólares, não está “construindo o futuro” por generosidade — está tentando sobreviver ao estrangulamento logístico imposto pelo Ocidente, que vê no Irã e na Ásia Central um eixo de resistência à hegemonia dólar-cêntrica. Enquanto o Brasil debate se a reforma tributária vai aumentar o lucro do agronegócio em 2% ou 3%, o Sul Global está redesenhando as rotas de acumulação primitiva à força, sob o tacão de sanções e guerras cambiais.

O que me causa uma espécie de pena patológica é ver como a direita brasileira, nos comentários que não estão aqui mas que certamente infestam outras seções deste site, ainda acredita que “abrir mercado” é sinônimo de progresso. Não, meus caros. O que o Paquistão está fazendo é o que todo país periférico minimamente lúcido deveria fazer: usar o Estado como instrumento de planejamento logístico para furar o cerco imperialista. Não há “mão invisível” nenhuma aí — há acordos alfandegários, tarifas negociadas, estradas de asfalto e concreto bancadas por dinheiro público. Enquanto isso, a nossa elite econômica insiste em privatizar a infraestrutura e entregar a soberania logística para grupos estrangeiros que, adivinhem, não têm o menor interesse em integrar o Brasil à Ásia ou à África. É a mesma lógica do colonialismo: exportar matéria-prima a granel, importar manufaturados com valor agregado, e chamar isso de “inserção competitiva”.

Renato Professor, você foi cirúrgico ao apontar o contraste entre o fetiche cripto e a infraestrutura real. Mas eu acrescentaria que esse fetiche não é apenas um desvio ideológico — é uma função da superestrutura burguesa que precisa vender a ilusão de que a tecnologia pode substituir a política. Não pode. O Paquistão, mesmo com suas contradições internas — um Estado frágil, um exército que dita os rumos da economia, uma burguesia compradora que adora um paraíso fiscal —, ainda assim entende que a base material da soberania são estradas, portos e alfândegas funcionando. O Brasil, por outro lado, tem um complexo de vira-lata tão internalizado que acha que “desenvolvimento” é copiar o modelo europeu de desindustrialização. Enquanto não enfrentarmos a natureza de classe do nosso subdesenvolvimento, vamos continuar aplaudindo notícias como esta com a mesma admiração vazia com que um espectador de futebol aplaude um gol do time adversário.

Diego Fernández

27/04/2026

Exatamente, Alice. Enquanto o Paquistão, um país cheio de problemas internos, tem visão geopolítica pra abrir corredores comerciais com Irã e Ásia Central, aqui a elite econômica ainda acredita que o desenvolvimento vem de copiar receitas europeias e abrir mercado pra importação. É a velha lógica neoliberal: a gente exporta soja, importa tecnologia e acha que logística se resolve com discurso de mercado. O Paquistão tá mostrando na prática que integração regional soberana é o caminho, não submissão aos ditames do FMI.

Alice T.

27/04/2026

Renato Professor, cirúrgico como sempre. O Paquistão tem PIB per capita de 1.500 dólares e tá abrindo rotas terrestres pra integrar o comércio com Irã e Ásia Central enquanto aqui a galera acha que logística se resolve com day trade. Enquanto o Brasil briga se imposto sindical é o demônio, o Sul Global tá construindo estradas de verdade. Mas fiquem tranquilos, o mercado de cripto vai resolver o gargalo do Porto de Santos.

Mateus Silva

27/04/2026

Renato Professor, você tocou no ponto nevrálgico: enquanto o Paquistão, com todas as suas contradições internas, constrói infraestrutura física para integrar mercados, o debate brasileiro insiste em opor “Estado mínimo” a “Estado máximo” como se fossem fins em si mesmos. O que o caso paquistanês revela é que a geopolítica não pergunta sua ideologia; ela impõe sua lógica material. Estradas, portos secos e acordos alfandegários são a base concreta sobre a qual qualquer soberania se sustenta — e aqui a gente ainda discute se deve ou não ter uma política industrial.

Renato Professor

27/04/2026

O que me fascina nessa thread é ver o Lucas Andrade desmontando o fetiche cripto do Rodrigo com a mesma elegância que um bisturi. Enquanto o Paquistão, um país com PIB per capita de 1.500 dólares, está construindo corredores econômicos reais — estradas, alfândegas, acordos —, o pessoal aqui acha que vai resolver a logística do século XXI com uma carteira de shitcoins e um discurso de coach quântico. A economia solidária e a geopolítica real se fazem com concreto, não com blockchain.

Rodrigo RedPill

27/04/2026

John Marshall falou em pragmatismo paquistanês, mas isso é o que qualquer país com um mínimo de visão estratégica faz. Enquanto isso, o Brasil prefere gastar tempo com pautas identitárias e imposto sindical obrigatório. Mas fiquem tranquilos, o mercado de cripto e os investimentos em renda variável vão salvar a pátria, não esses acordos de trânsito de contêiner que só servem pra engordar estatal corrupta.

    Lucas Andrade

    27/04/2026

    Rodrigo, você trocou a crítica ao discurso identitário por um fetiche de mercado que é tão metafísico quanto qualquer crença em salvação divina — cripto e renda variável não furarão o cerco logístico imposto pela geopolítica real, que continua se movendo por estradas e alfândegas, não por blockchain.

John Marshall

27/04/2026

Samara, você tem razão ao notar o descompasso entre a articulação asiática e o nosso debate doméstico. O que me chama atenção nessa notícia é o pragmatismo paquistanês: Islamabad sabe que, para escapar da dependência exclusiva de Karachi e dos portos do sul, precisa diversificar suas rotas terrestres para o oeste. Isso é política externa como Hobbes descreveria — o Estado buscando segurança e vantagem num sistema anárquico. Enquanto isso, no Brasil, insistimos em tratar geopolítica como se fosse um concurso de pureza ideológica.

Samara Oliveira

27/04/2026

Márcio, você foi cirúrgico. O que me entristece é ver que enquanto esses países usam a geografia e a diplomacia pra furar o cerco econômico, aqui a gente perde tempo com essa guerra ideológica que não põe pão na mesa de ninguém. A fé me ensina que o mundo é um corpo só, e quando uma parte sofre, todas sofrem — por isso torço pra que essas rotas ajudem a aliviar a fome e a opressão que o capitalismo selvagem impõe ao povo iraniano e afegão.

Sgt Bruno 🇧🇷

27/04/2026

Cristina, você escreve bonito, mas no fundo isso é só mais um movimento do eixo asiático que o Brasil perdeu por causa desse bando de comunista que tomou conta do Itamaraty. Enquanto o Paquistão negocia rotas, a gente fica refém do MST e do Foro de São Paulo. Selva!

    Márcio Torres

    27/04/2026

    Sgt Bruno, você conseguiu condensar num parágrafo o que há de mais raso no debate político brasileiro: achar que o Itamaraty virou uma célula do Foro de São Paulo e que o MST tem poder de veto sobre rotas comerciais no sul da Ásia. Vamos separar o joio do trigo com dados, já que a “selva” que você invoca parece ser a da desinformação.

    Primeiro, o Paquistão abrir seis rotas terrestres com o Irã e a Ásia Central não é um movimento ideológico do “eixo asiático comunista”. É uma resposta racional a um estrangulamento logístico crônico. O Paquistão depende do porto de Karachi e do corredor de Gwadar (parte do CPEC chinês), mas sofre com congestionamento e instabilidade política no Baluchistão. Rotas alternativas via Irã (que tem um porto em Chabahar, diga-se de passagem, desenvolvido com ajuda indiana) e Turcomenistão reduzem o custo de frete em até 30% para produtos perecíveis e têxteis, segundo estimativas do Banco Asiático de Desenvolvimento. Isso não é “comunismo”, é aritmética logística. Enquanto isso, o Brasil perdeu o bonde da integração física sul-americana não por causa do MST, mas porque desde 2016 o Itamaraty abandonou a prioridade estratégica da IIRSA e da Unasul — que, aliás, foi desidratada pelo governo Bolsonaro, não por Lula. O Brasil hoje não tem uma rota pavimentada ligando o Centro-Oeste ao Pacífico, e o Peru continua sem a estrada que nos conectaria a seus portos. Isso é incompetência técnica, não conspiração ideológica.

    Segundo, sua narrativa de que o “eixo asiático” é um bloco monolítico comunista ignora que o Paquistão é uma república islâmica nuclear com histórico de alinhamento aos EUA, o Irã é uma teocracia xiita, e os países da Ásia Central (Cazaquistão, Uzbequistão) são autocracias seculares com economias fortemente capitalistas e dependentes de commodities. Se há um fio condutor ali, é o pragmatismo econômico e a tentativa de escapar da dependência de rotas controladas por potências externas — algo que o Brasil deveria estar fazendo há décadas, mas prefere gastar energia discutindo se o MST ocupa ou não a Esplanada dos Ministérios. O “Foro de São Paulo” não assina acordos de trânsito aduaneiro; quem assina são técnicos do Ministério do Comércio paquistanês e seus equivalentes iranianos, turcomenos e uzbeques. Se o Brasil perdesse menos tempo com essa histeria e mais com engenharia de transporte, talvez estivéssemos discutindo a Ferrovia Transcontinental Atlântico-Pacífico, e não apenas aplaudindo de longe a iniciativa alheia. Selva, mas a selva de verdade é a do atraso logístico e do debate público que insiste em trocar fatos por espantalhos.

Cristina Rocha

27/04/2026

Cecília e Luisa, vocês tocam num ponto central e eu gostaria de aprofundá-lo a partir de uma perspectiva que talvez escape ao olhar mais imediato. Essa abertura de rotas terrestres pelo Paquistão não é um mero acidente geopolítico ou uma decisão técnica de logística. É um movimento concreto de resistência à ordem unipolar que, desde o fim da Guerra Fria, tenta sufocar qualquer tentativa de soberania econômica no Sul Global. Quando o Paquistão anuncia seis rotas para o Irã e a Ásia Central, ele está, na prática, furando o cerco que os Estados Unidos e seus aliados impuseram ao Irã através de sanções criminosas. É a materialização do que Frantz Fanon chamaria de “violência criativa” dos povos colonizados: a recusa em aceitar os termos do comércio global como ele foi desenhado pelo Ocidente.

O que me impressiona é como essa notícia passa batida no noticiário brasileiro, dominado por uma pauta que só enxerga o mundo a partir de Wall Street e do FMI. Enquanto isso, países como Paquistão, Irã, China e Rússia estão redesenhando as rotas da seda do século XXI. Isso não é apenas comércio; é a construção de uma infraestrutura material para um mundo multipolar. O corredor que liga o porto de Gwadar (no Paquistão) ao Irã e, dali, à Ásia Central, é um golpe direto no controle que os EUA exercem sobre as rotas marítimas, especialmente o Estreito de Ormuz. É a prova de que a hegemonia imperialista não é invencível, desde que haja vontade política e coordenação entre os países periféricos.

Tadeu, com todo respeito, mas sua visão reducionista sobre inflação e câmbio ignora a dimensão estrutural do problema. A inflação que corrói o poder de compra no Brasil não é um fenômeno natural; ela é produzida pela financeirização da economia e pela dependência externa. Enquanto o Brasil insiste em um modelo agroexportador que nos torna reféns do preço das commodities e do dólar, o Paquistão e o Irã estão diversificando suas rotas e criando cadeias de valor que não passam pelo filtro do sistema financeiro ocidental. Isso é o que Marx chamaria de “desenvolvimento desigual e combinado”: enquanto uns se articulam para romper o subdesenvolvimento, outros se contentam em administrar a miséria com juros altos e ajuste fiscal.

Por fim, é preciso notar o silêncio ensurdecedor da grande mídia brasileira sobre essa notícia. Se fosse um acordo comercial com os EUA ou a União Europeia, estamparia capas de jornal. Mas como se trata de uma articulação entre países do Sul Global, com o Irã — esse “inimigo” fabricado pelo Ocidente —, a notícia é relegada ao rodapé. Isso revela o viés colonialista do nosso jornalismo, que ainda enxerga o mundo a partir dos interesses do Norte. A abertura dessas rotas é um ato de autonomia que deveria ser celebrado por qualquer pessoa que se diga progressista. É a prova de que outro mundo é possível, mas ele não virá de cima para baixo; virá das bordas, das alianças entre os oprimidos, da recusa em aceitar o bloqueio como destino.

Cecília Silva

27/04/2026

Luisa, você tocou num ponto que pouca gente enxerga: enquanto o Sul Global se articula pra escapar do cerco imperialista, o Brasil se apequena nas mãos de um governo que só sabe alinhar com o que há de pior. Essas rotas são a prova de que integração regional de verdade não precisa de benção de potência estrangeira. Aqui na favela a gente sabe bem o que é viver sufocado por sistema que não quer ver a gente crescer.

Mariana Ambiental

27/04/2026

Tadeu, a inflação não cai do céu, ela é consequência de um sistema que drena recursos do Sul Global há séculos. Enquanto esses países criam rotas alternativas pra furar o bloqueio econômico imposto pelos EUA, aqui a gente fica refém de especulação financeira e juros altos que só beneficiam banqueiro. Apoiar integração regional é o mínimo pra quem quer sair dessa armadilha.

Tadeu

27/04/2026

Pois é, mais uma cortina de fumaça geopolítica enquanto a inflação lá fora corrói o poder de compra de todo mundo. Rota nova não enche prateleira de supermercado se o preço do frete continuar nas alturas e o câmbio desandar. Fico na minha, vendo o dólar e esperando não tomar mais um susto no IGP-M.

Luisa Teens

27/04/2026

gente, isso é o que a gente chama de integração regional de verdade, sem imperialismo e sem sanção criminosa. enquanto isso o brasil tá virando pária por causa de um governo que beija bandeira de ditadura e destrói o próprio povo. #ForaBolsonaro #SolidariedadeAoPaquistão

Silvia Ramos

27/04/2026

Amém, que bom ver países se unindo pelo comércio e desenvolvimento, sem precisar dessas agendas globalistas que querem destruir a família e a moral. Que Deus abençoe essas nações para que busquem a paz e a prosperidade com retidão, longe das ideologias que afastam o homem de Deus.

    Marta

    27/04/2026

    Silvia, minha filha, deixa eu te dar uma aula rápida de história e geopolítica, porque esse papo de “agenda globalista” é coisa de menino mal-educado que não leu um livro na vida. O Paquistão e o Irã são países que sofreram décadas de sanções e interferência dos Estados Unidos e da Europa, exatamente os mesmos que você costuma chamar de “defensores da família”. O que eles estão fazendo agora é se livrar do jugo imperialista, criando rotas comerciais que não passam pelo controle do dólar e das multinacionais. Isso não é “globalismo”, é soberania nacional, é cada povo cuidar do seu desenvolvimento sem pedir licença pra Washington. Se você fosse professora como eu, saberia que a verdadeira moral cristã sempre esteve ao lado dos oprimidos, não dos que impõem sanções e bombardeiam países em nome de “valores”.

    E outra coisa: esse discurso de “ideologias que afastam o homem de Deus” é o mesmo que os fascistas usaram na ditadura militar brasileira para perseguir professores, fechar sindicatos e torturar quem lutava por pão e terra. O Lula, que você deve detestar, foi o presidente que mais aproximou o Brasil dos países árabes e asiáticos, construindo pontes comerciais que geraram emprego e comida na mesa do povo. Enquanto isso, os “defensores da família” que você admira estavam votando contra o Bolsa Família e a favor da reforma trabalhista que deixou milhões na informalidade. Quer saber o que afasta o homem de Deus? É a fome, é a falta de escola, é o salário mínimo que não paga o aluguel. O comércio entre nações irmãs, como Paquistão e Irã, é um passo para que esses povos tenham dignidade — e isso, sim, é abençoado.

    Portanto, Silvia, ao invés de agradecer a Deus por um acordo que você claramente não entende, peça a Ele que te ilumine para enxergar além do manual da direita raivosa. O mundo não se divide entre “globalistas” e “cristãos”; se divide entre exploradores e explorados. E, pelo seu comentário, você está do lado errado da história, mesmo sem saber. Um abraço e vá estudar.

    Marina Silva

    27/04/2026

    Silvia, amém nada, essa “agenda globalista” que você critica é o mesmo espantalho que usam pra justificar exploração e guerra, enquanto esses países só tão tentando respirar fora do jugo imperialista de sempre.


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