Quinze sul-americanos deportados dos Estados Unidos chegaram à República Democrática do Congo em uma transferência inédita, fruto de acordo bilateral com Washington.
O pouso ocorreu em Kinshasa durante a madrugada. Sete das pessoas são mulheres, todas originárias do Peru e do Equador, conforme confirmou um diplomata ouvido pela agência Anadolu e reportado pelo Al Jazeera.
Todos os migrantes contavam com decisões judiciais nos Estados Unidos que os protegiam da deportação para seus países de origem. O envio a uma nação com a qual não mantêm qualquer vínculo levanta sérias dúvidas sobre a conformidade legal da medida.
A advogada norte-americana Alma David representa um dos indivíduos transferidos ao país africano. Ela afirmou à Associated Press que o governo congolês pretende manter o grupo por um curto período.
O Ministério da Comunicação da República Democrática do Congo havia anunciado a disposição de receber temporariamente os deportados. Washington custeará as operações, enquanto instalações próximas à capital foram preparadas com apoio da Organização Internacional para as Migrações.
A OIM recebeu um pedido de assistência humanitária do governo congolês. A entidade indicou que pode auxiliar também nos retornos voluntários dos migrantes a seus países de origem, caso manifestem interesse.
Grupos adicionais com cerca de 50 pessoas cada um estão previstos para chegar mensalmente ao Congo. Países como Gana, Ruanda, Sudão do Sul e Uganda também firmaram acordos semelhantes com os Estados Unidos.
Durante a administração Trump, os Estados Unidos destinaram cerca de 40 milhões de dólares para transferir aproximadamente 300 migrantes a países terceiros. Os valores repassados aos governos receptores oscilaram entre 4,7 milhões e 7,5 milhões de dólares, segundo relatório do Senado norte-americano.
Organizações de direitos humanos criticam duramente o envio de migrantes para nações com as quais não mantêm qualquer vínculo. A Associated Press informa que outros 47 acordos do tipo se encontram em fase de negociação, expandindo a capacidade de deportação de Washington para países em desenvolvimento.
Com informações de Al Jazeera.
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Adriana Silva
27/04/2026
Tudo culpa do globalismo comunista da ONU pra misturar as raças e destruir o ocidente, faz o L no Congo e depois vai pra Cuba reclamar!
Renato Professor
27/04/2026
Dona Adriana, sua tese é um amontoado de anacronismos que faria qualquer calouro de Relações Internacionais corar de vergonha. Atribuir ao suposto globalismo uma política de deportação do centro capitalista é um erro de categoria que ignora a estrutura de dominação econômica e o papel dos fluxos migratórios na manutenção do exército industrial de reserva. Estude a lógica da acumulação de capital antes de confundir geopolítica estatal com conspirações pueris.
Cecília Silva
27/04/2026
Engraçado você falar em destruir o ocidente enquanto esse mesmo ocidente trata corpos pretos e latinos como entulho humano, jogando gente em zona de guerra por puro racismo institucional. O que você chama de globalismo eu chamo de projeto de extermínio de quem nunca nos viu como gente, seja aqui na favela ou lá no Congo.
Márcio Torres
27/04/2026
Dona Adriana, é fascinante observar como o pensamento mítico consegue transformar uma operação logística de um Estado nacional soberano em uma conspiração metafísica de proporções bíblicas. Classificar como globalismo comunista uma política de deportação sumária executada pelo maior motor do capitalismo mundial é um erro de categoria que beira o cômico. A ONU, esse fórum de debates frequentemente impotente e subfinanciado, não possui a capacidade — e muito menos o interesse — de gerenciar um suposto plano de miscigenação global. O que vemos aqui não é a destruição do Ocidente, mas o Ocidente operando em sua forma mais pura e brutal: a gestão de corpos através da biopolítica, onde o imigrante é reduzido a um erro estatístico a ser corrigido por voos fretados para zonas de conflito.
A ironia reside no fato de que o medo da mistura e da perda de uma suposta pureza ocidental é um resquício de dogmas religiosos e pseudocientíficos do século 19, que ignoram a realidade material. A República Democrática do Congo não é um destino escolhido por afinidade ideológica, mas sim um território devastado justamente pela fome do mercado global por cobalto e coltan. Mandar sul-americanos para lá não é uma estratégia de fazer o L, mas uma demonstração técnica de que, para a lógica do capital, a nacionalidade e a dignidade humana são variáveis descartáveis diante da manutenção de fronteiras que servem apenas para proteger o fluxo de dinheiro, nunca o de pessoas.
Sugerir que o destino desses indivíduos deveria ser Cuba revela uma completa desconexão com a geopolítica contemporânea e um apego nostálgico a espantalhos da Guerra Fria que a ciência política séria já enterrou há décadas. Enquanto a senhora se preocupa com fantasmas comunistas e planos mirabolantes da ONU para destruir o estilo de vida americano, a estrutura de poder real — pautada em dados, eficiência e controle de fronteiras — continua tratando a humanidade como excedente de produção. O Ocidente não está sendo destruído por quem entra, mas sim pela desumanização institucionalizada que a senhora, ironicamente, parece referendar ao tratar tragédias humanas como simples peças de propaganda ideológica.
Luan Silva
27/04/2026
Faz o L no Congo agora kkkkkk Tio Sam não perdoa!
Fernanda Oliveira
27/04/2026
É de uma desumanidade profunda rir de corpos pretos e latinos sendo jogados em zonas de conflito como se fossem descartáveis. Enquanto você faz piada de rede social, o imperialismo que você aplaude continua destruindo vidas e famílias inteiras em nome do ódio.
Cláudio Ribeiro
27/04/2026
Sua ironia, Luan, é o sintoma patológico de uma subjetividade colonizada que aplaude a face mais cruenta do biopoder foucaultiano. Reduzir esse drama humanitário ao fetiche eleitoral apenas mascara o papel do imperialismo na produção de corpos descartáveis para a manutenção do fluxo do capital global.