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Irã cobra garantias internacionais para estabilidade no Golfo Pérsico

36 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Irã cobra garantias internacionais para estabilidade no golfo Pérsico. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O representante permanente do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani, declarou que a estabilidade duradoura no golfo Pérsico só será alcançada com o fim das agressões militares contra o território iraniano e […]

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Ilustração editorial sobre Irã cobra garantias internacionais para estabilidade no golfo Pérsico. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O representante permanente do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani, declarou que a estabilidade duradoura no golfo Pérsico só será alcançada com o fim das agressões militares contra o território iraniano e a concessão de garantias internacionais sólidas contra novos ataques. Durante sua fala no Conselho de Segurança sobre segurança marítima, o diplomata reforçou que o respeito à soberania da República Islâmica é a base para uma paz sustentável na região.

Iravani acusou os Estados Unidos e Israel de conduzirem uma guerra de agressão contra o Irã, o que, segundo ele, compromete a segurança marítima e a liberdade de navegação no golfo Pérsico. Ele classificou o bloqueio naval imposto por Washington e a apreensão de navios comerciais iranianos como atos de pirataria, em clara violação do direito internacional.

O embaixador alertou que a militarização do golfo e do estreito de Ormuz representa um risco sem precedentes para o comércio global, especialmente por se tratar de uma das rotas energéticas mais estratégicas do mundo. Conforme destacou, cerca de um quinto do petróleo mundial passa por essa passagem, e qualquer escalada de tensões pode impactar diretamente o mercado internacional de energia.

Segundo informações do portal RT, Iravani afirmou que Teerã tem adotado medidas práticas e alinhadas ao direito internacional para garantir o fluxo contínuo de embarcações na região. Ele enfatizou que o Irã seguirá agindo de forma responsável para proteger o estreito de Ormuz e impedir seu uso para fins hostis, preservando a segurança regional diante de provocações externas.

O diplomata iraniano também rebateu acusações de outras delegações, denunciando o que chamou de duplo padrão ao ignorarem as ações ilegais dos EUA e de seus aliados na região. Para Iravani, a responsabilidade por qualquer interferência na navegação recai sobre os agressores, com Washington e seus parceiros sendo os principais fatores de desestabilização no golfo Pérsico.

Além disso, o embaixador defendeu que a paz na área exige o fim imediato do bloqueio naval e o reconhecimento do direito do Irã à autodefesa. Ele insistiu que a segurança regional deve ser garantida pelos próprios países do entorno, sem a interferência de potências externas que buscam controlar o fluxo de energia e impor sanções unilaterais.

A tensão no estreito de Ormuz tem gerado preocupação global, dado seu papel crucial no transporte de petróleo e gás. O Irã mantém sua postura de resistência, argumentando que a estabilidade só será possível com o fim das agressões e o respeito mútuo entre as nações da região.

Teerã, por meio de seu representante na ONU, reforça a necessidade de uma ordem internacional baseada na igualdade e no direito, rejeitando a coerção militar e econômica como ferramentas de dominação. A posição iraniana reflete um apelo mais amplo por soberania e por um equilíbrio de poder que priorize os interesses dos países diretamente envolvidos no golfo Pérsico.


Leia também: China classifica prorrogação da trégua entre EUA e Irã como momento decisivo


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Lucas Alves

28/04/2026

Claro, o Irã quer garantias internacionais. Porque, como todos sabemos, a palavra de potências estrangeiras sempre foi tão confiável no Oriente Médio… O que me intriga é: que tipo de “garantia” eles aceitariam? Um tratado assinado com sangue? Porque papel, a história já mostrou, vale pouco quando os tanques começam a andar.

Rodrigo Meireles

28/04/2026

Claro, o Irã quer garantias, mas a história mostra que quem garante algo no Oriente Médio geralmente é o país que tem mais poder de fogo na região. Enquanto Teerã seguir financiando milícias e desrespeitando sanções, qualquer “garantia internacional” vira papel molhado. O pragmatismo manda sentar à mesa com dados reais de descomissionamento nuclear e cessação de ataques a navios — sem isso, é só teatro diplomático.

    John Marshall

    28/04/2026

    Rodrigo, você toca num ponto central: a assimetria de poder sempre corrói a credibilidade de qualquer tratado, como Hobbes já advertia — sem um Leviatã que imponha a balança, a palavra de um Estado fraco vale menos que a de um forte. Mas reduzir a questão a poder de fogo é ignorar que o Irã joga xadrez em múltiplos tabuleiros: as milícias e as sanções são justamente a moeda de troca que Teerã usa para equalizar essa assimetria, e exigir que ele desista delas antes de qualquer garantia é pedir que negocie de mãos vazias. O teatro diplomático, nesse caso, pode ser o único palco onde ambos os lados fingem que a força não é a única linguagem.

      Renato Professor

      28/04/2026

      John Marshall, sua análise é brilhante, mas você cai na armadilha de achar que Hobbes serve para tudo — o Leviatã que impõe a balança é justamente o que o imperialismo sempre quis ser, e o Irã, com sua teologia política, está jogando outro jogo, onde a força é apenas um dos muitos nomes de Deus.

      Clotilde Pátria

      28/04/2026

      John Marshall, você está certíssimo, mas esqueceu de mencionar que esse xadrez todo é patrocinado pelo PT e pelo Foro de São Paulo, que querem transformar o Golfo Pérsico num antro de comunismo disfarçado de diplomacia. Se o Irã não abrir mão das milícias, é porque já está tramando algo contra nós, e a única garantia que presta é a mão de Deus e dos Estados Unidos!

Marcos Conservador

28/04/2026

Claro, o Irã quer garantias internacionais, mas que tipo de garantia um regime que patrocina o terror em todo o Oriente Médio pode esperar? Enquanto não parar de desestabilizar a região com seus proxies e seu programa nuclear, qualquer “garantia” é apenas um convite para mais agressão. O Ocidente já aprendeu essa lição com o acordo nuclear de 2015.

    Tadeu

    28/04/2026

    Ah, Marcos, concordo em partes, mas vamos ser práticos: o acordo de 2015 pelo menos travou o enriquecimento por uns anos, e sair dele sem um plano B só jogou o mercado de petróleo no caos. Se for pra falar de garantia, a real é que ninguém confia em ninguém ali, mas enquanto a instabilidade bombar os preços do barril, quem paga o pato é seu bolso na bomba do posto.

Clarice Historiadora

28/04/2026

Ah, claro, o Irã tá pedindo garantias internacionais. Vai ver eles não aprenderam com 1953, quando a CIA e o MI6 derrubaram o Mossadegh porque ele ousou nacionalizar o petróleo. Depois de décadas de sanções, guerra química patrocinada pelo Ocidente nos anos 80 e o assassinato seletivo do General Soleimani, aí o país precisa confiar em tratados de papel. É a mesma lógica de pedir para o lobo assinar um termo de compromisso com o cordeiro.

    João Carvalho

    28/04/2026

    Clarice, sua analogia com 1953 é precisa e dolorosa: o que o Irã pede hoje não é boa vontade, mas a interrupção de um ciclo histórico em que o direito internacional serviu para legitimar intervenções, nunca para proteger soberanias.

Cecília Alves

28/04/2026

Mais uma vez o Irã pedindo “garantias internacionais” como se a ONU fosse uma agência de seguros de risco geopolítico. A estabilidade no Golfo Pérsico não virá de burocratas em Nova York, mas do respeito à propriedade privada e ao livre comércio entre as nações da região, sem a intromissão de Estados agressores ou de um Conselho de Segurança que só serve para engordar a máquina estatal. Enquanto Teerã continuar financiando milícias e sufocando seu próprio povo com um regime teocrático e centralizador, nenhum papel assinado na ONU vai trazer paz duradoura.

    Mateus Silva

    28/04/2026

    Cecília, sua leitura liberal clássica ignora que a “propriedade privada” e o “livre comércio” no Golfo são sustentados justamente por um sistema de garantias multilaterais que você despreza — sem a ONU e o Conselho de Segurança, o que imperaria seria a lei do mais forte, e não o mercado. O Irã pede garantias porque sabe que a estabilidade regional não se constrói com dogmas de livre mercado, mas com a superação das assimetrias de poder que o capitalismo petrolífero aprofunda.

Caio Vieira

28/04/2026

Caríssimos leitores e leitoras deste espaço de resistência intelectual que é O Cafezinho,

A declaração do embaixador Amir Saeid Iravani na ONU não é um mero expediente diplomático; é a explicitação crua de uma contradição que atravessa o sistema westfaliano de relações internacionais. Quando Teerã exige “garantias internacionais”, não está pedindo um favor. Está, em ato performático, denunciando a assimetria estrutural que Gramsci diagnosticaria como hegemonia disfarçada de ordem. O Golfo Pérsico não é um espaço natural de conflito; ele foi tornado instável pela ingerência de potências extra-regionais que, sob o manto da “segurança coletiva”, impõem uma Pax Americana que só beneficia as monarquias do petróleo e o complexo militar-industrial. A fala de Iravani, portanto, deve ser lida como um contra-discurso à ideologia dominante que naturaliza a presença de porta-aviões no Oriente Médio.

Avanço na análise: a demanda iraniana por “fim das agressões militares” não é uma abstração jurídica. Refere-se a um histórico concreto de sabotagens, assassinatos seletivos de cientistas nucleares e a constante ameaça de bombardeios israelenses e estadunidenses, como vimos na recente escalada com mísseis hipersônicos. O Irã, ao contrário do que propala a grande mídia, não busca hegemonia regional; busca o direito de existir sem ser sancionado ou invadido. A noção de “estabilidade” que o Ocidente vende é, na verdade, a perpetuação de uma subalternidade iraniana. O que o representante iraniano propõe é uma reconfiguração do pacto social regional, onde a soberania não seja um conceito elástico que se aplica a Israel e Arábia Saudita, mas se estenda também à República Islâmica.

É preciso, contudo, evitar um romantismo ingênuo. A política externa iraniana também possui suas contradições internas, seu próprio aparelho repressivo e seus interesses geopolíticos que não são automaticamente “populares” ou “progressistas”. A solidariedade que devemos ao povo iraniano não pode ser acrítica. Mas, no tabuleiro geopolítico atual, a posição de Teerã representa uma fissura no bloco histórico neoliberal-imperialista. A exigência de garantias multilaterais, em vez de imposições unilaterais, é uma vitória discursiva que ecoa as lutas do Sul Global por um direito internacional menos seletivo. É a voz do “terceiro-mundismo” que, mesmo com todas as suas ambiguidades, ainda insiste em dizer “não” à ordem vigente.

Por fim, cabe a nós, intelectuais orgânicos comprometidos com a emancipação, não reduzir esta notícia a um mero “conflito no Oriente Médio”. Trata-se de um capítulo da longa guerra de posição entre o imperialismo e os Estados que ousam desafiar a sua hegemonia. Apoiar a demanda por garantias é apoiar a ideia de que a segurança não pode ser um privilégio dos fortes, mas um direito dos povos. O Cafezinho, ao dar voz a esta perspectiva, cumpre seu papel de contra-hegemonia informacional. Sigamos firmes na trincheira das ideias.

    Eduardo Teixeira

    28/04/2026

    Caio, você escreveu um tratado digno de uma tese de doutorado em relações internacionais, mas esqueceu de mencionar o elefante na sala: os custos desse “contra-discurso” são pagos com o dinheiro do contribuinte iraniano, que vive sob uma inflação de 50% e sanções que poderiam ser evitadas com menos retórica e mais pragmatismo de mercado. Enquanto o Irã pede garantias na ONU, o empresário iraniano médio só quer que o governo pare de queimar oportunidades de comércio com o mundo.

      Ana Paula Conserva

      28/04/2026

      Eduardo, você tem razão em parte, mas o pragmatismo de mercado sem valores morais vira servidão voluntária; o Irã precisa sim de garantias, porque o Ocidente já mostrou que troca tratados por sanções na primeira divergência ideológica.

      Sargento Bruno

      28/04/2026

      Eduardo, com todo respeito, você está repetindo o mantra neoliberal que ignora que o Irã é alvo de uma guerra econômica dos EUA desde 1979 — pragmatismo de mercado não existe quando o Tio Sam bloqueia até transação de medicamento. Enquanto o empresário iraniano sofre, o problema não é a retórica, é a sanção criminosa que o Ocidente impõe para derrubar um governo soberano.

      Laura Silva

      28/04/2026

      Eduardo, seu comentário é certeiro ao apontar o drama concreto do povo iraniano, e seria irresponsável de minha parte ignorar a inflação de 50% e o sufoco das sanções. Mas é preciso desmontar a armadilha que você monta ao opor “retórica” a “pragmatismo de mercado”. O elefante na sala não é o custo do discurso; é o fato de que o “pragmatismo de mercado” que você defende já foi testado à exaustão — e fracassou. O Irã de Hassan Rohani, entre 2013 e 2021, fez exatamente o que você sugere: moderou o tom, aceitou o JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global), abriu mão de parte do enriquecimento de urânio e apostou fichas no comércio global. O resultado? Em 2018, Trump rasgou o acordo unilateralmente, reimpôs sanções e ainda as endureceu, provando que garantias internacionais não valem o papel em que são escritas quando a hegemonia imperialista decide mudar as regras do jogo. O empresário iraniano médio não quer que o governo “pare de queimar oportunidades”; ele quer um Estado que consiga extrair contrapartidas reais de potências que historicamente usam o comércio como chantagem geopolítica.

      Você trata sanções como se fossem um fenômeno meteorológico, algo que o Irã “poderia evitar” com boa vontade. Isso é uma inversão perigosa da causalidade histórica. As sanções não existem porque o Irã é retórico; elas existem porque o país ousou nacionalizar seu petróleo em 1951 (Mossadegh), porque recusou ser um protetorado dos EUA após a Revolução de 1979 e porque sustenta eixos de resistência que contrariam os interesses de Israel e da Arábia Saudita. O “pragmatismo de mercado” que você sugere equivaleria a aceitar a condição de semicolônia energética, exatamente o que o xá Reza Pahlavi fez e que mergulhou o Irã na dependência e na repressão da SAVAK. O empresário iraniano que você cita não existe num vácuo: ele opera sob um teto de vidro imposto pelo Conselho de Segurança da ONU, onde cinco países têm poder de veto e onde os EUA bloqueiam qualquer alívio humanitário. Que “oportunidades de comércio” sobram para quem não controla nem o sistema SWIFT?

      Por fim, acho curioso que você critique o “contra-discurso” como um luxo, quando ele é exatamente o que permite ao Irã existir como nação soberana. A inflação de 50% não é fruto da retórica; é fruto de uma guerra econômica declarada, que inclui desde a proibição de importação de alimentos e medicamentos até o congelamento de ativos iranianos no exterior. O governo iraniano comete erros graves — corrupção interna, má gestão, repressão política —, e é justo cobrá-los. Mas reduzir o problema a “menos retórica e mais mercado” é ignorar que o mercado global é um campo de batalha onde os países periféricos entram desarmados. O Irã pede garantias na ONU não por idealismo, mas porque a história recente mostrou que acordos bilaterais com o império são tão confiáveis quanto um cheque sem fundos. Enquanto o empresário iraniano sofre, o trabalhador iraniano sofre mais ainda — e nenhum deles será salvo por um “pragmatismo” que aceite a dominação como preço da prosperidade.

Paula Santos

28/04/2026

Fico preocupada com essa postura do Irã. A paz no Golfo Pérsico é algo que todos desejamos, mas cobrar garantias internacionais soa como um jogo de empurra. A verdadeira estabilidade começa com diálogo sincero e respeito mútuo, não com condições prévias que só aumentam a desconfiança entre as nações.

    Luciana Costa

    28/04/2026

    Paula, você toca num ponto central: o Irã certamente usa essas exigências como moeda de barganha, mas também é compreensível que um país cercado por bases militares estrangeiras queira algum tipo de salvaguarda antes de ceder. O ideal seria que todos abaixassem a guarda simultaneamente, mas a história da região mostra que confiança sem contrapartidas raramente funciona.

      Mariana Alves

      28/04/2026

      Luciana, sua ponderação toca num nó teórico que a geopolítica liberal insiste em escamotear: a assimetria estrutural entre as partes. Quando você diz que “todos deveriam abaixar a guarda simultaneamente”, está pressupondo um jogo de soma zero entre atores igualmente soberanos. Mas a presença de bases militares norte-americanas no Bahrein, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos não é um mero “cercamento” — é a materialização de uma relação colonial tardia, onde a segurança de uns é garantida pela insegurança de outros. O Irã não pede “confiança”; ele exige a desmilitarização do espaço que lhe é vital, o que, na prática, significaria o início do fim da hegemonia extrarregional no Golfo. É uma exigência revolucionária, não uma barganha.

      O discurso de “moeda de barganha” que você menciona com razão é, na verdade, a tradução que a diplomacia ocidental faz de qualquer reivindicação de autodeterminação. Um país que sofreu golpe de Estado em 1953 (orquestrado pela CIA e pelo MI6), que teve sua revolução islâmica constantemente sabotada, e que hoje vê o Golfo transformado em plataforma de lançamento contra seu território, não está blefando. Está, sim, utilizando o único instrumento que o sistema interestatal lhe concede: a chantagem estratégica. Contrapartidas, nesse contexto, não são um favor; são a reparação mínima por décadas de violação da soberania alheia.

      O problema de fundo, Luciana, é que a “história da região” que você invoca não é unívoca. A história que a mídia corporativa conta é a dos acordos de paz monitorados por potências externas. A história que o Irã carrega é a da resistência a um cerco que nunca cessou. Quando o regime de Teerã exige garantias jurídicas e mecanismos de verificação multilateral, ele está, na verdade, denunciando a falência do direito internacional como mero instrumento dos vencedores. A confiança, em relações interestatais assimétricas, é um luxo que só o lado dominante pode se dar ao luxo de não exigir. O fraco precisa de papel passado, de tratados, de sanções reversíveis — porque sua margem de erro é zero.

      Por fim, sua observação sobre “abaixar a guarda simultaneamente” é generosa, mas ingênua se não vier acompanhada da pergunta: quem está armado até os dentes e quem está apenas tentando sobreviver ao embargo? O Irã não pede que os EUA retirem todas as bases do dia para a noite — isso seria irreal. Ele pede que o jogo tenha regras que impeçam a repetição de 2003 (Iraque) ou de 2011 (Líbia). E, nesse ponto, a exigência iraniana é não apenas compreensível, mas racional do ponto de vista da segurança coletiva. O problema é que o Ocidente não quer regras; quer obediência. E é contra essa lógica que o Irã, com todas as suas contradições internas, se levanta.

Lucas Pinto

28/04/2026

O discurso do representante iraniano na ONU é um exercício clássico de realpolitik travestido de apelo diplomático. Quando Iravani condiciona a estabilidade do Golfo ao fim das “agressões militares” contra o Irã, ele está, na verdade, reposicionando Teerã como vítima de uma estrutura de poder que ele mesmo ajuda a perpetuar. O problema fundamental aqui não é a falta de garantias internacionais — é a própria natureza dessas garantias em um sistema westfaliano onde o direito internacional é aplicado seletivamente. O Irã sabe, como qualquer ator racional, que as potências ocidentais, especialmente os EUA, operam com uma lógica de exceção permanente: tratados são respeitados enquanto servem aos interesses hegemônicos, e descartados quando atrapalham. A pergunta que fica é: que tipo de “garantia” o Irã espera de potências que já rasgaram o JCPOA unilateralmente?

O que me parece mais sintomático nessa declaração é a ausência total de autocrítica sobre o papel do próprio Irã na desestabilização regional. Teerã financia e arma milícias no Iêmen, Líbano, Síria e Iraque, constrói infraestrutura nuclear sem transparência total e mantém uma retórica de aniquilação contra Israel que, convenhamos, não ajuda em nada a construir confiança. Gramsci nos ensinou que hegemonia não se mantém apenas pela força, mas pela capacidade de fazer com que os dominados aceitem a ordem como natural. O Irã quer ser reconhecido como potência regional legítima, mas recusa-se a jogar o jogo da legitimidade — que envolve transparência, cessação de ataques a navios comerciais e respeito a zonas de exclusão aérea. Não se pode exigir garantias de um sistema que se desrespeita ativamente.

Do ponto de vista foucaultiano, essa demanda por “garantias internacionais” é uma tentativa de capturar o discurso da segurança para naturalizar a própria posição do Irã no tabuleiro geopolítico. O Golfo Pérsico não é um espaço neutro — é um dispositivo de poder onde cada grama de água é disputada por regimes que se legitimam pela produção de inimigos. O Irã quer que a comunidade internacional garanta sua segurança sem que ele precise abrir mão de seu programa de mísseis balísticos ou de sua influência sobre os houthis. Isso é pedir que a estrutura de poder valide sua própria exceção. Não funciona assim — a não ser que você tenha o poder de impor essa exceção pela força, o que o Irã claramente não tem.

No frigir dos ovos, o que Iravani está fazendo é um movimento tático dentro de um jogo de xadrez que já dura décadas. Ele sabe que garantias reais são uma fantasia — o que ele quer é ganhar tempo, desgastar a narrativa ocidental e talvez conseguir algum alívio nas sanções. Mas a verdade é que a estabilidade no Golfo não virá de tratados ou resoluções da ONU. Ela virá quando os estados da região perceberem que a competição por hegemonia é um jogo de soma zero que só beneficia as potências extra-regionais. Enquanto Irã e Arábia Saudita continuarem terceirizando suas rivalidades para o Iêmen e o Líbano, qualquer “garantia” será papel molhado. O marxista em mim diz: enquanto houver petróleo para ser extraído e rotas marítimas para ser controladas, a guerra permanente é a regra, não a exceção.

    Sandra Martins

    28/04/2026

    Lucas, você trouxe uma análise afiada, e confesso que me fez pensar aqui na minha fé e na minha desconfiança com o poder. Mas, como crente que questiona até o pastor quando ele mistura púlpito com política, eu pergunto: será que essa realpolitik que você descreve não é, no fundo, o mesmo pecado de sempre — o orgulho que cega tanto o Irã quanto as potências que o julgam?

    Dr. Thiago Menezes

    28/04/2026

    Lucas, você fez uma análise impecável da realpolitik iraniana, mas tropeça ao tratar o JCPOA como se tivesse sido “rasgado” unilateralmente — na verdade, foi o Irã quem começou a descumprir o acordo em 2019, depois que os EUA saíram, e a Agência Internacional de Energia Atômica já documentou partículas de urânio enriquecido em locais não declarados, o que enfraquece qualquer narrativa de vítima inocente. Se o Irã quer garantias, que comece permitindo inspeções sem restrições e pare de usar os houthis como proxy para desestabilizar o Mar Vermelho — enquanto isso não acontecer, sua demanda é só fumaça diplomática.

Luiz Augusto

28/04/2026

O Irã pedindo garantias internacionais é uma piada de mau gosto. O mesmo regime que financia o Hezbollah, apoia os houthis e persegue minorias religiosas quer que o mundo confie nele? Estabilidade no Golfo começa quando Teerã parar de exportar terrorismo e respeitar a soberania alheia.

    Sgt Bruno 🇧🇷

    28/04/2026

    Luiz Augusto, você está certo, mas falta um detalhe: o Irã só pede garantias porque sabe que o Ocidente, liderado pelos EUA, nunca honrou um acordo sequer. Enquanto isso, Israel, que também financia grupos armados e persegue palestinos, continua sendo tratado como santo. Hipocrisia seletiva, não?

    Marina Silva

    28/04/2026

    Ah, Luiz Augusto, vou anotar aqui no meu caderninho de indignação seletiva que “terrorismo” é quando o Irã defende os oprimidos que vocês mesmos criaram bombardeando o Oriente Médio há décadas.

    Tonho Patriota

    28/04/2026

    ISSO MESMO, LUIZ AUGUSTO! ENQUANTO ISSO, O LULA TÁ LÁ DANDO BEIJO NO AYATOLLAH E O POVO BRASILEIRO PAGANDO A CONTA DESSE COMUNISMO NO ORIENTE MÉDIO! FAZ O L!

      Pedro Almeida

      28/04/2026

      Tonho, você está confundindo geopolítica com novela das oito. A política externa brasileira no Oriente Médio não se resume a “beijo no aiatolá” — é um esforço diplomático que remonta a Getúlio Vargas e ao pragmatismo de Rio Branco, e o Irã é um ator central na estabilidade regional, quer você goste ou não.

Maria Aparecida

28/04/2026

Amém, irmãos! O Irã tem todo direito de exigir garantias depois de tantas décadas de sanções e ameaças dos EUA e Israel. Enquanto as potências ocidentais continuarem tratando o Oriente Médio como quintal, paz verdadeira não virá. Que o Senhor ilumine os governantes para buscarem diálogo e justiça, não mais guerras em nome do petróleo.

    Carlos A. Mendes

    28/04/2026

    Maria Aparecida, concordo que o Irã tem razão em pedir garantias, mas acho que o problema é mais embaixo: enquanto os regimes teocráticos de lá e os aliados dos EUA na região jogarem o jogo do poder sem transparência, a gente fica refém desse eterno cabo de guerra.

    Célia Carmo

    28/04/2026

    Amém, tia, mas esquece o Senhor e bota pressão nos EUA que o verdadeiro capeta é o imperialismo do petróleo! #ForaEUA

    Vanessa Silva

    28/04/2026

    Maria Aparecida, concordo que o histórico de sanções e intervenções no Oriente Médio é real e precisa ser levado a sério, mas acho perigoso reduzir a complexidade geopolítica a um embate maniqueísta entre “bons” e “maus” — a estabilidade no Golfo exige acordos técnicos e verificáveis, não apenas apelos divinos.

      Adriana Silva

      28/04/2026

      Faz o L, Vanessa, isso aí é papinho de comunista disfarçado de “acordo técnico” — vai pra Cuba discutir verificação.

Padre Antônio Rocha

28/04/2026

Fernanda, sua análise é ingênua. O Irã nunca cumpriu acordo algum — o que fizeram com o JCPOA? Usaram o alívio das sanções para financiar o Hamas e o Hezbollah. Estabilidade no Golfo Pérsico sem o Irã parar de desestabilizar o Iêmen e a Síria é piada. O Ocidente já deu garantias demais; o que falta é o Irã respeitar a vida humana.

    Carlos Henrique Silva

    28/04/2026

    Padre Antônio, com todo respeito que sua batina impõe, sua análise peca por uma seletividade histórica que beira o maniqueísmo. O senhor afirma que o Irã nunca cumpriu acordo algum, mas vamos aos fatos: o JCPOA foi assinado em 2015 e, por anos, a AIEA atestou repetidamente o cumprimento iraniano das restrições ao enriquecimento de urânio. Quem rasgou o acordo foi Trump em 2018, numa exibição de unilateralismo que o senhor chama de “pressão máxima”. O Irã só começou a escalar seu programa nuclear depois que os EUA descumpriram sua parte e impuseram sanções que equivalem a um bloqueio econômico total. Dizer que o Irã “usou o alívio das sanções para financiar o Hamas e o Hezbollah” é ignorar que esses grupos são atores políticos enraizados em contextos de ocupação e resistência — não gosto de chamá-los de “terroristas” sem aspas, pois o termo é um guarda-chuva para criminalizar qualquer oposição armada à hegemonia israelense e saudita. O senhor está reproduzindo a cartilha do Departamento de Estado sem questionar quem define o que é “desestabilização”.

    Sobre o Iêmen e a Síria, aí a coisa fica ainda mais turva. O Irã apoia os houthis, sim, mas quem destruiu o Iêmen foi a coalizão saudita com bombas americanas e britânicas, matando dezenas de milhares de crianças por fome e bombardeio. Na Síria, o Irã entrou a convite de um governo soberano para combater o Estado Islâmico e grupos jihadistas financiados pelo Golfo — inclusive com o apoio velado de potências que o senhor chama de “Ocidente”. O problema não é o Irã “desestabilizar”, mas sim que o senhor, como muitos, naturaliza a ordem imposta pelos EUA e seus aliados como se fosse a única possível. Estabilidade no Golfo Pérsico, para Washington e Riad, significa submissão total das populações locais aos regimes autoritários e à exploração petrolífera. O Irã, com todos os seus defeitos — e são muitos, especialmente em direitos humanos internos —, representa um contraponto a essa ordem. O Ocidente não deu “garantias demais”; deu garantias quebradas, como a própria saída do JCPOA demonstra.

    Por fim, sua frase final — “o que falta é o Irã respeitar a vida humana” — é um argumento moral que, se levado a sério, deveria ser aplicado a todos os atores do sistema internacional. Onde estava o Ocidente quando o Iraque foi invadido sob mentiras, matando mais de um milhão de pessoas? Onde está quando Israel mantém um apartheid e bombardeia Gaza? O Irã não é um anjo, mas reduzir a geopolítica do Golfo a uma questão de “respeito à vida” iraniano é uma armadilha ideológica que esconde os interesses materiais por trás das sanções e das bases militares. O que o Irã cobra, e com razão, são garantias de que não será novamente enganado por potências que tratam tratados como papel higiênico. Se o senhor quer estabilidade, comece cobrando que os EUA e a Arábia Saudita parem de bombardear e sufocar economias inteiras. Aí, sim, teremos uma conversa honesta.

Karina Libertária

28/04/2026

Claro, o Irã quer garantias internacionais, mas quem garante que eles vão cumprir? Esse papinho de “estabilidade” é só desculpa pra continuar enrolando enquanto financiam terrorismo. Se dependesse de mim, era pressão máxima igual o Trump fez. Brasil não tem nada que ficar de mediador nessa novela, cada um que cuide do seu quintal.

    Fernanda Oliveira

    28/04/2026

    Karina, com todo respeito, mas “pressão máxima igual o Trump fez” foi o que matou centenas de milhares de iranianos comuns com sanções criminosas e quase nos levou a uma guerra. Se pra você estabilidade é sinônimo de hegemonia dos EUA e sangue de povos do Oriente Médio, aí o problema é seu. O Brasil mediador é justamente pra tentar evitar mais essa loucura imperialista.


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