O resultado final da eleição presidencial do Peru só será divulgado em meados de maio, após a revisão de mais de 15 mil cédulas impugnadas acumuladas durante a apuração.
A secretária-geral do Júri Nacional de Eleições (JNE), Yessica Clavijo, confirmou o prazo. Ela explicou que cerca de 30% dos questionamentos se referem à disputa presidencial, enquanto o restante envolve a votação legislativa.
Com 93% das urnas apuradas, a candidata de direita Keiko Fujimori lidera a contagem com aproximadamente 17% dos votos, segundo dados oficiais citados pelo portal Al Jazeera. A disputa pela segunda vaga no segundo turno permanece aberta, com dois candidatos separados por cerca de 13,6 mil votos — margem estreita o suficiente para que a revisão das cédulas contestadas altere o quadro final.
O candidato ultraconservador Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima e líder do partido Renovação Popular, tem sido o mais vocal na contestação do processo. Ele chegou a alegar fraude, pediu a anulação do pleito e convocou apoiadores a protestarem nas ruas contra o que chamou de irregularidades no sistema eleitoral peruano.
O Ministério Público peruano realizou uma operação em um armazém da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), órgão responsável pela organização do pleito. Quatro funcionários foram encaminhados ao JNE por supostas irregularidades relacionadas aos direitos de voto, aprofundando as suspeitas sobre a condução administrativa da eleição.
Problemas logísticos marcaram o dia da votação, com atrasos na entrega de materiais eleitorais que obrigaram as autoridades a estender o horário de votação em algumas zonas de Lima. Apesar das dificuldades operacionais, a missão de observação da União Europeia declarou que o processo atendeu aos padrões democráticos internacionais.
O pleito contou com um número recorde de 35 candidatos, reflexo direto da fragmentação política que caracteriza o Peru contemporâneo. Desde 2016, o país viu quatro presidentes eleitos serem afastados ou forçados a renunciar antes do fim de seus mandatos, sequência que expõe a profundidade da crise institucional peruana.
A demora na apuração não é apenas técnica — ela alimenta a desconfiança de um eleitorado que já assistiu ao colapso de múltiplos governos em menos de uma década. A definição dos dois finalistas, esperada para maio, determinará o confronto que decidirá quem governará o país a partir do segundo semestre de 2026.
Com informações de Al Jazeera.
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