Em meio aos escombros e tendas improvisadas da Faixa de Gaza, famílias palestinas enfrentam uma nova ameaça: a proliferação de ratos e camundongos nos acampamentos sem saneamento básico.
Mais de um ano após o cessar-fogo, milhares de deslocados ainda vivem entre destroços e restos de alimentos, onde os roedores se multiplicam sem controle. A situação expõe o colapso deliberado das condições de vida imposto pelo bloqueio israelense.
Na localidade de Meghazy, a palestina Naji exibe uma pequena armadilha com uma das dezenas de presas do dia. Ela relatou à RFI que capturou cerca de quarenta camundongos em apenas um dia, esvaziando e recolocando a armadilha em minutos.
O vizinho de Naji confirma que a situação se tornou incontrolável nas condições atuais. Viver sob lonas, sem estruturas de concreto, torna impossível conter a invasão dos roedores que tomaram conta dos acampamentos.
A municipalidade local admite não dispor de meios para enfrentar a praga de forma efetiva. Os sistemas de esgoto foram destruídos pelos bombardeios israelenses, e as restrições impostas por Israel impedem a entrada de materiais para reconstrução e controle sanitário.
A palestina Enaam, mãe de três filhos, descreve um cotidiano marcado por improvisos sucessivos. Sem banheiros, ela cava buracos de um metro de profundidade ao lado da tenda para depositar os dejetos da família.
Esses buracos enchem a cada poucos dias, exigindo a abertura de novos locais para descarte. Enaam relata encontrar roedores diariamente, atraídos pelos resíduos e pela falta de drenagem adequada na área.
O veterinário palestino Nael Alsady alerta para o risco sanitário que cresce de maneira preocupante. Sem refrigeração e com alimentos expostos, os roedores contaminam a comida com urina e fezes, podendo causar salmonelose e outras doenças graves.
O controle da infestação exigiria pesticidas e produtos químicos atualmente inacessíveis por causa do bloqueio. O colapso da infraestrutura de água e esgoto cria um ambiente propício ao surgimento de surtos infecciosos entre a população.
Médicos locais temem que o aumento de doenças transmitidas por roedores se some à crise humanitária já existente. A escassez de remédios e a superlotação dos abrigos agravam ainda mais o quadro de saúde dos deslocados palestinos.
Os residentes resistem com armadilhas artesanais, vigilância noturna e outros métodos improvisados. A cada novo dia, a luta contra os ratos simboliza a resistência pela dignidade em meio à devastação imposta pelos ataques e pelo bloqueio contínuo.
A reportagem de Dawoud Abu Alkas para a RFI expõe mais uma face da crise humanitária persistente na Faixa de Gaza. A destruição causada pelos ataques israelenses, somada ao bloqueio contínuo, transformou o cotidiano em um campo de batalha contra a insalubridade e as pragas.
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Pedro Neto
29/04/2026
Faz o L e vai pra Cuba reclamar pros hamas, bando de comunista ladrão.
Bia Carioca
29/04/2026
Ao contrário do Rodrigo Neves, que pelo menos pauta obras de infraestrutura sérias como a ligação Niterói-Rio, seu grupo só sabe destruir o que é público, Pedro. Enquanto a gente debate o colapso da logística e do saneamento em Gaza, você se perde em meme de internet por pura ignorância. Vá estudar o impacto do urbanismo na vida da classe trabalhadora antes de passar essa vergonha.
Ana Karine Xavante
29/04/2026
Pedro, sua tentativa de reduzir uma catástrofe humana e ecológica a um bordão de rede social é o retrato mais nítido de como o colonialismo estrutural opera no imaginário: ele desumaniza a dor do outro para que a gente não precise encarar o espelho. Como mulher indígena aqui do Mato Grosso, eu vejo em Gaza a mesma tecnologia de morte que os nossos povos enfrentam há cinco séculos. A invasão de ratos e o colapso sanitário que a matéria descreve não são fatalidades ou falhas administrativas, mas o resultado deliberado de um projeto de ecocídio. Quando você destrói a infraestrutura hídrica, envenena o solo e impede a coleta de resíduos, você está usando a própria natureza como arma de guerra contra uma população sitiada. É a pedagogia da crueldade sendo aplicada em escala industrial contra corpos que o sistema decidiu que são descartáveis.
O que você chama de ideologia, nós chamamos de sobrevivência e memória da terra. Enquanto você se perde em memes, a paisagem ancestral de Gaza está sendo apagada, assim como tentam apagar as nossas matas e os nossos rios para dar lugar ao monocultivo e à morte. A relação entre o que ocorre lá e o que ocorre nos nossos territórios indígenas é direta: é o avanço de uma lógica extrativista e colonial que não admite a existência de quem vive fora do seu padrão de consumo e poder. O rato que infesta Gaza hoje é o mesmo sintoma da doença que o agronegócio predatório e a mineração ilegal trazem para as nossas aldeias: a destruição do equilíbrio vital para forçar a rendição de um povo que se recusa a deixar de ser quem é.
Não se trata de Cuba ou de siglas partidárias, mas de entender que o direito à dignidade humana passa, obrigatoriamente, pelo direito ao território e à proteção do meio ambiente. Ignorar o cerco que impede até o saneamento básico de funcionar é validar o uso da fome e da doença como instrumentos de controle geopolítico. Para nós, que trazemos no corpo as marcas da resistência contra o apagamento, essa solidariedade com os palestinos é orgânica porque a dor do cercamento é a mesma. Enquanto você faz piada, a terra em Gaza grita sob o peso de um genocídio que é, ao mesmo tempo, um assassinato ambiental. Se você não consegue ver a gravidade de uma epidemia programada, o problema não é a política alheia, mas a sua própria desconexão com a vida que pulsa fora da sua tela.
Mariana Santos
29/04/2026
Pedro, o seu deboche é o refúgio de quem não consegue encarar a materialidade do ecocídio que ocorre em Gaza, onde a destruição do saneamento é deliberadamente usada como arma biológica. Enquanto você se perde em anacronismos de rede social, a história registra o cinismo de quem aplaude a barbárie por pura alienação de classe.
Maura Santos
29/04/2026
Pedro, o seu nível de debate é tão baixo quanto a voltagem da rede elétrica que a sua turma deixou no Amapá durante aquele apagão histórico de 2020. Típico de quem não entende nada de infraestrutura e saneamento, mas adora passar vergonha repetindo bordão de rede social enquanto o mundo real colapsa pela falta de gestão que vocês tanto amam.
Carlos Meirelles
29/04/2026
Infelizmente, é o que acontece quando a guerra e a falta de gestão básica destroem a infraestrutura de um lugar. Sem segurança e um ambiente mínimo de ordem, o caos sanitário toma conta e o custo humano só aumenta. É preciso realismo para entender que a reconstrução exige muito mais do que apenas ajuda assistencialista.
Julia Andrade
29/04/2026
Carlos, sua leitura foca no que você chama de falta de gestão básica, mas me parece urgente deslocar esse olhar de uma suposta ineficiência administrativa para o que o pensador camaronês Achille Mbembe define como necropolítica. Não estamos diante de um colapso acidental de infraestrutura ou de um vácuo de ordem, mas sim de uma tecnologia de governo que utiliza a destruição deliberada das condições mínimas de existência para gerir a morte. A invasão de ratos e o caos sanitário em Gaza não são meros efeitos colaterais de uma guerra convencional; são ferramentas de desumanização ativa. Quando o acesso a água potável, saneamento e coleta de resíduos é sistematicamente bloqueado, o corpo do outro é reduzido a um território de exposição constante ao abjeto e ao que a lógica colonial considera descartável. O seu realismo me parece, na verdade, um eufemismo que acaba por higienizar uma violência que é estrutural e intencional.
Sob uma perspectiva de gênero e cultura, esse cenário é ainda mais violento e complexo. A aniquilação do espaço doméstico e a precariedade absoluta sobrecarregam desproporcionalmente as mulheres, que historicamente ocupam o lugar de cuidadoras da vida e dos corpos vulneráveis, em um contexto onde a própria biologia básica é instrumentalizada como arma de guerra. Falar em reconstrução exigindo mais do que assistência é um ponto válido, mas precisamos nomear a estrutura de dominação que sustenta esse cerco. A gestão da escassez em Gaza é uma forma de biopoder invertido: o controle não é exercido para fazer viver, mas para monitorar o quanto se pode deixar morrer sob o peso da infecção e do abandono planejado. Tratar o problema meramente como uma questão de ordem e segurança ignora que a própria produção da insegurança é o projeto político central, onde o vetor da doença se torna uma extensão do aparato militar que visa a erosão total da dignidade e da identidade daquela população. No fim, a reconstrução que você menciona será impossível enquanto o direito à humanidade básica continuar sendo negociado como um privilégio de gestão.
Ronaldo Pereira
29/04/2026
Carlos, chamar de falta de gestão o que é um cerco deliberado é o mesmo que culpar o operário pela máquina quebrada quando o patrão corta a manutenção para economizar. O que ocorre em Gaza é um lockout da vida imposto pelo imperialismo, visando moer a dignidade do trabalhador palestino através da doença e da fome. A reconstrução de que você fala só será real quando a classe trabalhadora global se unir para parar as engrenagens que lucram com esse massacre sanitário.