O preço médio do gás de botijão captado pelo IPCA voltou a caber no bolso em março. A variação foi negativa em 0,21%, segundo o IBGE, freando a sequência de micro-altas que vinha predominando desde o início do segundo semestre de 2025.
Em fevereiro, a mesma cesta havia avançado 0,04%. A mudança de sinal indica que, pelo menos por ora, a disputa comercial entre distribuidoras e engarrafadoras segue impondo limites à transmissão do choque internacional do petróleo aos botijões vendidos nos lares brasileiros.
Há doze meses, em março de 2025, o quadro era o oposto: o gás subia 0,21% e ampliava a pressão sobre o IPCA cheio, que naquele momento ainda sofria os rescaldos da disparada do Brent provocada pelos conflitos no Oriente Médio.
Com a deflação recente, o acumulado em 12 meses recuou para 1,34%. O número consolida a acomodação observada desde o início do ano e coloca o botijão bem abaixo da inflação geral de 4% projetada pelo mercado para 2026.
Até fevereiro, o indicador rodava em 1,76%. A diferença de 0,42 ponto percentual reflete a decisão das principais distribuidoras de absorver parte dos custos logísticos, favorecidas pela queda do dólar e pela política de preços da Petrobras que vem priorizando o abastecimento interno.
Se o retrato é comparado a março de 2025, quando o acumulado alcançava 6,85%, a queda chega a 5,5 pontos. O desmonte dessa pressão ajuda a explicar por que o IPCA-15 de abril, mesmo elevado em 0,89%, não explodiu nos itens de energia domiciliar.
A trégua no botijão traz alívio imediato às famílias que ainda cozinham majoritariamente com GLP, sobretudo nas periferias. Se a tensão sobre royalties e a escalada do Brent se prolongarem, o quadro pode mudar. Por ora, porém, o fogo baixo venceu a disputa do mês.
Com informações de O Globo.
Leia também: Governo libera R$ 330 milhões para conter alta do preço do gás de cozinha
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Cecília Torres
01/05/2026
0,21% de queda em pleno mês de março, depois de meses de micro-altas, não é exatamente um “fôlego” — é uma trégua estatística. O problema estrutural segue sendo o modelo de precificação, que torna o gás refém do câmbio e do petróleo. Enquanto não houver uma política de estabilização de preços para itens essenciais, vamos continuar celebrando migalhas.
Clotilde Pátria
01/05/2026
Ah, e olha só, caiu 0,21% e o povo já acha que é uma maravilha! Mas ninguém pergunta por que esse gás subiu tanto nos últimos meses, né? Daqui a pouco o governo aumenta imposto de novo e a culpa vai ser do Lula, como sempre. Pelo menos minha panela de pressão vai poder chiar em paz por uns dias, amém!
João Carvalho
01/05/2026
Clotilde, você toca num ponto crucial: a flutuação do preço do gás reflete muito mais a lógica do mercado internacional do petróleo e a política de paridade de importação herdada do governo anterior do que uma suposta sanha arrecadatória do atual governo. O que precisamos debater é por que um bem essencial como o gás de cozinha ficou refém do câmbio e do barril de petróleo, e não de uma redução de 0,21% que mal alivia o orçamento das famílias mais pobres.
Rubens O Pescador
01/05/2026
Clotilde, na roça aqui em casa a gente lembra que no governo do PT o gás não subia desse jeito e ainda tinha vale-gás pra ajudar. Esse sobe e desce de agora é herança da política de preço do governo passado, não é invenção do Lula não.
Marta
01/05/2026
Clotilde, minha filha, senta aqui que a vovó professora vai te dar uma aula de história econômica sem precisar nem passar lição de casa. Essa queda de 0,21% no gás de botijão não é milagre, é o resultado de uma política que finalmente começou a desmontar a herança maldita da PPI, a tal paridade de importação que o governo anterior adorava e que fazia o preço do gás no Brasil dançar conforme o humor do mercado internacional. O Lula não subiu imposto nenhum, pelo contrário: o que ele fez foi retomar o controle da Petrobras e permitir que a empresa voltasse a pensar no povo brasileiro, não só no lucro dos acionistas. Se você não lembra, no governo do Bolsonaro o gás disparou mais de 30% num ano, e ninguém via ninguém reclamando de imposto. Agora que caiu um centavinho, já vem o mimimi.
E outra coisa, Clotilde: esse papinho de que “daqui a pouco o governo aumenta imposto” é a mesma lengalenga que a turma do “mercado” adora repetir. O imposto sobre o gás é estadual, o ICMS, e quem reduziu ele foi o governo federal ao convencer os governadores a baixar a alíquota. Enquanto isso, os meninos mal-educados do liberalismo econômico passaram quatro anos dizendo que o Estado não devia intervir nos preços, e olha no que deu: o povo cozinhando com lenha. O Lula não é perfeito, mas pelo menos ele tem a decência de tentar colocar comida na mesa do pobre, coisa que o governo passado tratava como pauta secundária.
Agora, sobre a sua panela de pressão chiar em paz: fico feliz por você, de verdade. Mas não se esqueça de que esse chiado é fruto de uma luta política, não de um acaso do mercado. Enquanto a direita ficar repetindo que “tudo é culpa do Lula” sem olhar para os gatilhos reais da inflação – como a guerra na Ucrânia, a política de juros do Banco Central independente e a herança de preços represados – a gente vai continuar nesse pingue-pongue. O que precisamos é de mais transparência e menos mimimi. E, já que você gosta de rezar, reza para que o governo continue segurando o preço do gás, porque senão a próxima conta vai bater na porta de novo, e aí a culpa vai ser do Lula, do PT, do MST e do Papa, como sempre.
Ronaldo Pereira
01/05/2026
Clotilde, a queda de 0,21% não é milagre nem favor, é a conta do povo pagando menos porque a luta sindical e a pressão popular forçaram o governo a mexer na política de preços da Petrobrás. Enquanto a senhora agradece e reza, eu pergunto: por que o gás virou artigo de luxo se é item de primeira necessidade? A culpa não é do Lula, é de décadas de entrega do patrimônio nacional ao capital estrangeiro.