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Lavrov denuncia sabotagem ocidental à integração euroasiática e defende soberania regional

8 Comentários🗣️🔥 O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguéi Lavrov, durante entrevista. (Foto: actualidad.rt.com) O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que os países ocidentais trabalham ativamente para substituir a integração euroasiática por uma ordem moldada segundo suas próprias regras. A declaração foi feita em entrevista à RT. O chanceler russo […]

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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguéi Lavrov, durante entrevista. (Foto: actualidad.rt.com)

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que os países ocidentais trabalham ativamente para substituir a integração euroasiática por uma ordem moldada segundo suas próprias regras.

A declaração foi feita em entrevista à RT. O chanceler russo detalhou o que Moscou enxerga como uma estratégia deliberada de fragmentação continental.

‘O Ocidente não deseja isso de forma alguma. O Ocidente quer impor suas próprias regras na Eurásia’, afirmou Lavrov. Segundo ele, as potências ocidentais estão ‘criando todo tipo de quadriláteros, trios’ e outras formações para disputar influência na região.

A denúncia aponta para um padrão que Moscou descreve como recorrente. Enquanto discursam sobre ‘ordem baseada em regras’, os países do eixo atlântico constroem estruturas paralelas que visam conter projetos de integração autônomos.

No centro da análise de Lavrov está a relação da Índia com seus vizinhos. Segundo o chanceler, fatores externos exercem influência sobre Nova Délhi com o objetivo de mantê-la envolvida em conflitos regionais, em vez de concentrar suas energias no desenvolvimento da integração intercontinental.

Lavrov foi enfático ao afirmar que Moscou compreende e respeita a postura da Índia de não aceitar mediações externas. ‘Sabemos que a Índia não tem interesse em nenhum tipo de mediação ou tutela’, disse o ministro, classificando essa posição como ‘muito razoável’.

A Índia mantém relações históricas profundas com Moscou e é membro ativa dos BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai. Ao mesmo tempo, participa do Quad — fórum de segurança que reúne EUA, Japão, Austrália e Índia —, o que ilustra sua postura de não alinhamento automático.

A estratégia de criar ‘quadriláteros e trios’, na descrição do chanceler russo, é apresentada por Moscou como tentativa de replicar no espaço euroasiático a lógica de coalizões de contenção. O objetivo, segundo Lavrov, é impedir que projetos como a União Econômica Euroasiática ganhem densidade política e econômica suficiente para operar de forma soberana.

A Eurásia concentra mais da metade da população mundial, vastas reservas energéticas e as principais rotas comerciais terrestres do planeta. Isso explica, na visão russa, o interesse ocidental em fragmentar qualquer projeto de integração regional autônomo.

As declarações reforçam a posição que a Rússia tem sustentado em fóruns multilaterais: a arquitetura de segurança e cooperação euroasiática deve ser construída pelos próprios países da região, sem tutela externa. Para Moscou, cada nova estrutura criada pelo Ocidente na região é lida como um obstáculo deliberado a esse projeto.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: Lavrov denuncia pressão ocidental sobre petróleo russo como ‘método neocolonial


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Letícia Fernandes

12/05/2026

A fala de Lavrov carrega um diagnóstico preciso: o Ocidente, sob hegemonia estadunidense, sempre operou a geopolítica como extensão da lógica de mercado, fragmentando regiões periféricas para mantê-las na condição de fornecedoras de matéria-prima e consumidoras de capital fictício. O que o chanceler russo chama de “ordem moldada segundo regras ocidentais” nada mais é que a superestrutura político-jurídica do capitalismo globalizado, onde tratados de “livre comércio” e sanções seletivas funcionam como mecanismos de disciplinamento. A integração euroasiática, por mais contraditória que seja no projeto russo atual, ao menos levanta a possibilidade de um polo alternativo de acumulação que não passe pelo dólar e pelas agências de rating de Wall Street. Isso incomoda profundamente a burguesia transnacional, pois ameaça romper o monopólio da violência simbólica que define o que é “desenvolvimento” ou “civilização”.

Lucas Andrade fez uma observação sofisticada ao lembrar Foucault e o poder disciplinar, mas acho que ele subestima o caráter material dessa disputa. A soberania regional que Lavrov defende não é apenas um discurso sobre território, é uma tentativa de rearticular as forças produtivas em escala continental, enfrentando a divisão internacional do trabalho imposta pelo imperialismo. Claro que o Estado russo não é um instrumento de libertação — é um capitalismo de Estado com suas próprias oligarquias, e a psicanálise nos ensina que nenhum soberano escapa da neurose do poder. Mas a escolha não se dá entre um “bom” e um “mau” polo; dá-se entre posições no tabuleiro da luta de classes mundial. O movimento real de integração eurasiática, mesmo imperfeito, pode criar fraturas na superestrutura ideológica ocidental que enfraquecem a capacidade de Washington de impor sanções e golpes a nações periféricas.

Ronaldo Pereira tocou num ponto crucial ao lembrar a greve na fábrica tal. O teste de qualquer política externa, de qualquer bloco integracionista, é sempre o mesmo: para quem vai o excedente econômico? Se a Rússia e a China estão construindo corredores logísticos e acordos energéticos que desviam o fluxo de mais-valia das mãos dos monopólios ocidentais para as burguesias locais — e, quem sabe, para a classe trabalhadora organizada —, então essa movimentação merece apoio crítico. Não se trata de aderir acriticamente ao discurso do Kremlin, mas de reconhecer que, na arena geopolítica, o inimigo principal ainda é o capital financeiro sediado em Nova York e Londres. Qualquer bloco que desafie a dolarização e as cadeias de comando da OTAN abre espaço para que os povos do Sul global respirem e retomem suas agendas de reforma agrária, industrialização e soberania alimentar.

Por fim, é sintomático que Carlos Meirelles e sua cartilha liberal apareçam nesta thread defendendo “portos abertos e baixos impostos” como se isso fosse integração. Isso é exatamente a receita que a CEPAL denunciou nos anos 1950 como “desenvolvimento para fora”: transformar cada nação em plataforma de exportação de commodities, com salários deprimidos e nenhum controle sobre a própria moeda. A psicanálise do discurso liberal revela um desejo inconsciente de submissão ao pai todo-poderoso do mercado, que supostamente distribuiria riquezas se não houvesse regulação. Mas a história mostra que o laissez-faire sempre significou a lei do mais forte — e o mais forte hoje são os trustes farmacêuticos, as big techs e as petroleiras. A integração genuinamente soberana exige planejamento estatal, moeda comum para transações bilaterais e, acima de tudo, controle democrático dos recursos estratégicos pelos trabalhadores. Enquanto as elites euroasiáticas não tocarem nesse ponto, a crítica de Lavrov continuará sendo um espelho meio embaçado — mas ainda assim, um espelho que reflete a crise terminal da ordem burguesa ocidental.

Ronaldo Pereira

12/05/2026

Lavrov acertou em cheio. Enquanto o Lucas fica de filosofices e o Carlos quer entregar nossos portos de mão beijada pros mesmos trustes que exploram a classe trabalhadora, o movimento sindical sente na pele essa tal “ordem ocidental”. Em 2023, na greve da fábrica de químicos aqui da Bahia, a sabotagem veio de multinacional europeia que queria romper acordo coletivo. Integração regional de verdade tem que partir dos trabalhadores, não de banqueiro.

Lucas Andrade

12/05/2026

A crítica de Lavrov ao Ocidente como produtor de uma ordem fabricada ecoa a denúncia adorniana da indústria cultural como totalidade administrada. Mas seu próprio discurso de “soberania regional” não escapa da lógica do poder disciplinar que Foucault mapeou — é a mesma coreografia do Estado-nação reivindicando pureza enquanto reifica suas fronteiras. A integração euroasiática, por mais que se vista de alternativa, segue sendo um palimpsesto de dominação.

Carlos Meirelles

12/05/2026

O discurso do Lavrov até acerta no diagnóstico da interferência ocidental, mas a receita continua sendo a velha estatolatria russa. Integração de verdade se faz com baixos impostos, contratos privados e portos abertos, não com cúpula de chanceleres. O Brasil que se cuide pra não trocar um imperialismo por outro.

    Clarice Historiadora

    12/05/2026

    Carlos, seu discurso de “baixos impostos e portos abertos” é exatamente a receita que, como mostrou o economista sérvio Branko Horvat nos anos 70, transforma economias periféricas em meros entrepostos de commodities. Substituir a hegemonia americana pelo capitalismo de compadrio oligarca não é integração — é trocar de patrão mantendo a mesma subordinação.

    Fernanda Oliveira

    12/05/2026

    Carlos, com todo respeito, mas “portos abertos” e “contratos privados” soam como a mesma cartilha que já transformou a América Latina em quintal de exploração por séculos. Baixos impostos pra quem, pra multinacional explorar nosso povo e destruir o meio ambiente? Integração de verdade tem que ser soberana, popular e com justiça social, não um vale-tudo pra empresa lucrar enquanto a gente morre de fome.

Adriana Silva

12/05/2026

Faz o L, comunista ocidental querendo sabotar, VAI PRA CUBA!

    Marina Silva

    12/05/2026

    Vai na sombra, tia, que o sol é imperialista.


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